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Chifre
elétrico
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Segurança !!!
Trabalhar
com altas-tensões sempre requer cuidados especiais. A produção de
intensos campos eletromagnéticos pode afetar marca-passos. Um aviso
amplo na entrada da Feira de Ciências é obrigatório no sentido de
advertir tais portadores.
Todo aparelho, nessas condições, deve ser desligado antes de se
fazer quaisquer ajustes. Aparelhos e equipamentos que geram tais
tensões são sempre grandes atrativos nas Feiras de Ciências em
virtude dos brilhantes faiscamentos que produzem. Isso induz
aglomeração do público visitantes e, em função disso, cuidados
extras devem ser tomados. A presença de um adulto em tais
demonstrações é o que sempre recomendamos.
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Apresentação
O aparelho consiste,
essencialmente, em um transformador elevador de tensão com duas hastes
metálicas longas (cerca de 60 cm) conectadas aos terminais de alta
tensão. Essas hastes estão dispostas na vertical, em forma de V,
lembrando um par de chifres. Em modelos didáticos, de laboratório, esse
transformador apresenta no primário uma bobina de 150 a 250 espiras e no
secundário uma bobina de 23 000 espiras. São duas bobinas independentes
e encaixadas em um pesado núcleo de ferro. Em modelos de Feiras de
Ciências, tais transformadores são adquiridos em firmas de materiais
elétricos e destinam-se a anúncios luminosos com tubos néon (110V x 12
000V, 20 mA).
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Modelo de laboratório
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Modelo para Feira de
Ciências
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Funcionamento
Quando uma tensão elétrica de
110VAC é ligada ao primário, o secundário produz aproximadamente 15000
VAC, nos modelos didáticos e cerca de 12 000 VAC nos modelos para néon.
Esta alta tensão induzida é suficiente para ionizar o ar junto á base
dos chifres (local onde o campo elétrico é mais intenso). Uma vez
ionizado, esse ar permite o fluxo alternado de cargas elétricas
(elétrons e íons), estabelecendo um arco entre os eletrodos (corrente de
intensidade da ordem dos 10 mA). A cor desse arco dependerá, entre outros
fatores, do meio gasoso existente entre as hastes e do material de que
elas são feitas.
Uma
vez estabelecido o arco, ele passa a elevar-se hastes acima, cada vez mais
aumentando de comprimento, até chegar ao alto do chifre, onde se
extingue. Uma nova centelha é produzida na base dos chifres e o ciclo
reinicia. Via de regra, instala-se na base dos chifres um dispositivo de
ajuste da distância explosiva que é, normalmente, feito com parafusos
que permitem o ajuste da distância inicial de ionização.
Por
que a brilhante centelha sobe chifres acima?
São
três os motivos básicos. Eles são explicados pelas leis de Joule,
Arquimedes e Paschen.
(1)
Lei de Joule:
Todo
condutor (sólido, líquido ou gasoso) ao ser percorrido por corrente
elétrica, se aquece.
(2)
Lei de Arquimedes:
Todo
corpo imerso num fluido sofre, por parte deste, um empuxo vertical para
cima, de intensidade igual ao peso do fluido deslocado.
(3)
Lei de Paschen:
A
distância explosiva entre dois condutores submetidos a uma tensão
elétrica fixa é inversamente proporcional á pressão do gás ionizado
entre eles.
A
faísca aquece (1- Joule) o ar que a rodeia e
o expande; a densidade desse ar expandido é menor que a do restante do
ar; o empuxo de Arquimedes (2 - Arquimedes)
sobre este volume de ar aquecido é maior que seu próprio peso, por isso
ele sobe. No ar expandido, a pressão é menor que no restante do ar,
assim sendo, a distância explosiva pode aumentar (3
- Paschen). A faísca sobe, ou melhor, o local de menor
resistência à corrente gasosa sobe!
Há
ainda um quarto fator
que favorece a ascensão da chispa (que é uma corrente elétrica). Apesar
de pouco intenso, deve ser citado. É a ação do campo magnético sobre
as correntes. A corrente elétrica que circula pelos eletrodos, via
faísca, cria um campo de indução magnética que, entre os eletrodos da
ilustração (direita) acima, tem direção perpendicular ao papel. Esse
campo age sobre a faísca aplicando nela uma força magnética (de
Lorentz) vertical, para cima.
Precauções:
a)
Um cilindro de vidro ou acrílico colocado envolvendo os chifres evita
dois problemas: fluxos de ar frescos (mais densos) entre as hastes (o que
aumentaria a pressão do ar, diminuindo a distância explosiva ¾
por isso o arco extingue) ¾ e o
contato com os dedos de algum espectador por demais curioso! A tensão, a
intensidade de corrente e sua freqüência pode ocasionar a morte.
b)
Ao ajustar a distância explosiva inicial, na base dos eletrodos, faça-o
sempre com o aparelho desligado.
c)
Um capacitor adequado no primário (consulte um eletrotécnico) melhora o
fator de potência do transformador e, conseqüentemente, o desempenho do
dispositivo. Para as Feiras, tal requinte é dispensável.
Variante
para o Chifre Elétrico
Cuidado!
O choque com essa variante de montagem é perigosíssimo!
Se
você quiser faiscamento abundante entre as varetas do chifre e uma
barulheira infernal acompanhando o fogo elétrico entre elas, basta usar
uma ou duas garrafas de Leyden. São descargas
oscilantes.
Nota 1: As garrafas de Leyden não podem ser feitas com
garrafas de plástico; esse isolante será 'furado' no ato. Deve-se fazer
capacitores com isolante de vidro plano com, no mínimo, 3 mm de
espessura. Pode-se associar capacitores de vidro como se ilustra no
detalhe.
Nota 1: Jamais mexa ou ajuste isso com o aparelho ligado!
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