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Motor
de disco
(ou de cilindro)
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Eis
outras duas sugestões para os estudiosos em corrente alternada. Desta vez
utilizaremos:
# um
eletroímã,
# um disco de alumínio (ou um cilindro de alumínio) e
# uma lâmina de cobre,
para fazer um motor bem didático.
Um
bom eletroímã requer, um generoso núcleo de ferro/silício laminado,
digamos (4x4x12) cm e um enrolamento de fio de cobre esmaltado (e de
preferência com dupla capa de algodão), com não muitas espiras, digamos,
250 espiras de fio, para uns 5A.
Esse eletroímã já possui força portante suficiente para manter você suspenso!
Além desse eletroímã, consiga um disco de alumínio de uns 8cm de raio,
capaz de girar livremente num eixo que passa pelo seu centro.
Comentando
Colocando-se esse disco diante do eletroímã, a 1 cm, percebe-se, no
disco, alguma vibração (obviamente com o eletroímã ligado na rede
elétrica domiciliar) e a presença de uma força de repulsão no disco.
Isso
é simples de se explicar: o intenso campo magnético alternado produzido
pelo eletroímã, induz na massa metálica do disco, correntes induzidas;
essas correntes, por sua vez produzem, também, intensos campos
magnéticos.
As leis da indução eletromagnética deixam patente o princípio da
conservação da energia, cabalmente demonstrado por Lenz que, esses
campos, o indutor (devido ao eletroímã) e o induzido (devido às
correntes no disco) devem se repelir. A região do disco que defronta o
eletroímã e essa face do eletroímã, devem ter, a cada instante, pólos
de mesmo nome; ambas NORTE; ou ambas SUL.
A
figura ilustra as montagens parciais, quer com disco, quer com cilindro de
alumínio.
Agora
que você preparou sua montagem experimental, mesmo que seja com outro
eletroímã que tenha em mãos, pegue uma lâmina de cobre e interponha
entre o eletroímã e o disco (ou cilindro) digamos, cobrindo metade da
área do núcleo do eletroímã.
Agora
você observará o disco girar (com o cilindro montado sobre rolamentos de
esfera,
você obterá facilmente mais de 3000 rpm). Observe nossas
ilustrações:
Novamente
a explicação é simples.
Ao interpor a lâmina de cobre, essa também sofre o fenômeno da indução
eletromagnética, devido á variação do fluxo magnético indutor, com a
face voltada para o núcleo adquirindo, a cada instante, pólo de mesmo
nome que o núcleo. Porém, sua face oposta terá pólo de
nome contrário, que atrairá a face do disco, que tem pólo de mesmo nome
que o núcleo.
Parece complicado não?
Grosso modo, se num dado instante, a face do eletroímã é Norte, a face
do disco que a defronta também será Norte; interpondo-se a lâmina de
cobre, a face do cobre que defronta o núcleo, também será Norte, porem
sua face oposta será Sul. O Sul dessa face oposta da lâmina atrai o Norte
da face do disco (ou cilindro), e este, por estar livre, gira em torno de
seu eixo.
Detalhando
um pouco mais: o cilindro (ou o disco) gira no sentido oposto
àquele em que se introduz a placa. Com efeito, na placa surgem correntes
induzidas que se opõem à variação do campo magnético do eletroímã.
Por isso, o campo por detrás da placa está atrasado em relação ao campo
do eletroímã. Se a placa esconder apenas uma parte do eletroímã, o
disco é submetido a um campo resultante de duas componentes em que uma
está sempre atrasada em relação à outra um quarto de período, o que é
equivalente a um campo deslizando em relação ao disco, que se encontra
então levado por ele.
Como
exposto,
ao interpor a lâmina de cobre, você produziu uma deformação no campo
indutor, permitindo com isso aparecimento de um torque no disco (ou
cilindro). Este fenômeno tem uma aplicação no arranque do
motor assíncrono monofásico. Se você olhar bem de perto um desses
motores de indução, tipo gaiola, como por exemplo, motores de
toca-discos, ventiladores etc. verá duas grandes espiras de fio de cobre
grosso sobre dois cantos diametralmente oposto do eletroímã (espiras de
Frager), as quais realizam um campo magnético rotativo.
Esses anéis, em curto circuito, produzem um campo induzido que deformam o
campo indutor, permitindo o aparecimento de um torque no rotor (e não,
simplesmente, uma repulsão orientada para o eixo - que o impediria de
girar).
Veja
fotos na Feira de Ciências Virtual.
Eis
um excelente tema para aulas de indução eletromagnética, feiras de
ciências etc, destacando a Lei de Lenz (a famosa lei
do contra) e também a Lei de Faraday (relativa à força
eletromotriz induzida).
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