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Onda
Senoidal Prof.
Luiz Ferraz Netto Introdução y
= sen x onde y é a função senoidal, x o ângulo em radianos, sendo a e b constantes em relação a x. A curva senoidal tem numerosas aplicações. São exemplos os muitos sistemas mecânicos oscilatórios --- o sistema massa-mola, o diapasão, o pêndulo simples --- onde o movimento é 'harmônico simples', ou seja, onde o gráfico do deslocamento, quando traçado tomando-se o tempo como variável independente, dá como resultado uma senóide. Nesse presente texto investigaremos a aplicação da curva do seno para as grandezas alternantes. Destacaremos suas vantagens particulares para esse propósito, ainda que algumas serão melhor apreciadas ao longo do amadurecimento do aprendizado. A
curva senoidal Todavia, será bem mais instrutivo nesta etapa inicial desenvolver a curva senoidal mais simples, dada pela função y = sen q, através da técnica indicada na ilustração abaixo, onde se usa da idéia de 'raio girante':
O
raio r da circunferência ABCD inicia seu movimento de rotação
em torno de O, a partir da posição OA, girando em sentido
anti-horário. Na posição ilustrada acima, o raio está deslocado
do ângulo q
e o sen q
fica definido pela relação (razão) entre a perpendicular p
e o raio r. Todavia, se r é tomado como a unidade de
medida linear, resultará que p será numericamente igual a
sen q
e poderá ser projetado para obter um ponto da curva, como se
ilustra acima, à direita da circunferência. Outros pontos poderão
ser obtidos de modo semelhante, girando r sempre no sentido
anti-horário. O uso do radiano para a medida de ângulo, além de ser a unidade oficial do Sistema Internacional, tem a vantagem de simplificar muitas fórmulas de C.A. Gerando
um f.e.m. senoidal Por simplicidade, representamos apenas um único condutor na ilustração abaixo (x), deslocando-se desde A até a posição definida pelo ângulo q e cortando obliquamente as linhas do campo de indução B, no vácuo ou ar.
A
velocidade tangencial V, pode ser decomposta em dois
componentes ortogonais u e v, um paralelo e outro
perpendicular ao campo de indução B, de modo que, pela
geometria da figura, podemos escrever para seus módulos: u = V.cos
q
e v = V.sen q.
O componente v determina a rapidez com que o condutor corta
as linhas de indução do campo e, portanto, é a velocidade que
interessa no equacionamento da f.e.m. instantânea gerada no
condutor móvel. E = B.L.v com B em tesla (T), L em metros (m) e v em metros por segundo (m/s), E resultará em volts (V). Essa expressão pode ser usada para a f.e.m. instantânea (e) induzida no nosso condutor móvel (x), simplesmente substituindo-se v por Vsen q: e = B.L.V.sen q Nessa expressão, BLV representa a f.e.m. máxima (valor de pico), Emáx., de modo que: e = Emáx.sen q Esta é a expressão básica para uma f.e.m. senoidal, independente do modo como foi gerada; pode também ser empregada para representar outras grandezas senoidais, como a intensidade de corrente alternada por exemplo, substituindo-se os símbolos apropriadamente. Freqüência
angular (w) Se
q
for medido em radianos, na expressão acima basta substituir 360
por 2p
e teremos: q
= 2p.f.t
, onde 2p.f
é a velocidade angular do condutor em radianos por segundo. A
quantidade 2p.f
aparece freqüentemente nas fórmulas de C.A., baseadas em
grandezas senoidais; foi atribuído o nome especial de freqüência
angular à essa velocidade angular e indica-se com a letra w
(letra grega minúscula 'omega'). e = Emáx.sen wt Exemplo
1: Uma bobina quadrada de 100 mm de lado e com 250
espiras gira à razão de 60 revoluções por segundo, com seu eixo
perpendicular a um campo magnético uniforme, cuja densidade de
fluxo é de 40 militeslas. A bobina parte da posição de fluxo
concatenado nulo (q
= 0o) Solução: (a)
A cada volta completa de uma espira da bobina, temos dois
comprimentos c ativos, logo o comprimento efetivo do
condutor da bobina será L = 2.c.250 = 2 . 0,1 . 250 = 50 m. (b)
sen(57,3o) = 0,8415 (obtido pela calculadora ou tabela
trigonométrica) (c)
área da bobina quadrada A = c2 = 0,12 = 0,01
m2 (d)
freqüência angular w
= 2pf
= 2 . 3,14.60 = 376,8 rad/s . (e)
A primeira f.e.m. máxima induzida ocorrerá quando o fluxo também
for máximo pela primeira vez, ou seja, após o primeiro quarto de
volta (90o). Em outras palavras, ao completar o primeiro
quarto de período, logo, t = T/4 = (1/f)/4 = 1/4f = 1/4.60 = 1/240
= 0,004 s. Propriedades
de uma onda senoidal Valor
médio
O tempo necessário para que esse ponto P percorra o diâmetro de A para C é igual ao tempo que o condutor necessita para percorrer a semicircunferência ABC, com velocidade tangencial constante V. Porém, o diâmetro AC em questão vale somente 2/p da semicircunferência, pelo que o valor de v é, em média, somente 2/p do valor de V [veja o destaque Importante acima]. Aplicando-se isso para a f.e.m. teremos: Em= (2/p).Emáx.= 0,637.Emáx. Essa relação é válida para todas as grandezas senoidais e para a curva do seno; por exemplo, poderia ter sido empregada para resolver o item (c) do exemplo 1 acima, usando o resultado do item (a). Observe: no item (a) obtivemos [ Emáx.= 37,68 volts] , logo para resolver o item (c) bastaria fazer [ Em = 0,637.Emáx.= 0,637 . 37,68 = 24 volts ]. Valor
quadrático médio (rms) v2 + u2 = V2 = constante
Porém, a menos do sentido, u sofre as mesmas variações no segundo quadrante que sofre a v no primeiro quadrante, e vice-versa; assim, tomando-se sobre meia-revolução (meio período) teremos: valor médio de v2 = valor médio de u2 Substituindo-se essa identidade na expressão acima (*): 2
x valor médio de v2 = V2 ou seja, valor quadrático médio de v = rms de v = raiz quadrada(V2/2) = V/(raiz quadrada de 2). Donde se infere que o valor quadrático médio da f.e.m. (Erms) será: Erms = [1/(raiz quadrada de 2)].Em = 0,707.Em Novamente, esta relação é válida para a curva senoidal e todas as senóides. Deve-se notar que o valor médio de v2 é a metade de V2, pelo que o valor médio de e2, será também a metade de (Emáx.)2 ; para a curva senóide (y = senq), em si mesmo, o valor médio de sen2q é 1/2 = 0,5. Fator
de forma fator de forma = Erms/Em = 0,707.Emáx./0,637.Emáx. = 1,11 Fator
de pico fator de pico = Emáx./Erms = Emáx./0,707.Emáx.= 1,414 Velocidade
ou rapidez de variação Conforme o condutor se movimenta em uma trajetória circular com velocidade tangencial V, de módulo (valor) constante, sua aceleração radial também tem módulo (valor) constante, porém sua direção varia de ponto a ponto, sempre com sentido orientado para o eixo de rotação; trata-se, portanto, de uma aceleração centrípeta. Na ilustração abaixo essa aceleração centrípeta se representa por A e mostra também seus componentes retangulares, dos quais destacamos a parcela vetorial a que é justamente a aceleração do ponto P. A geometria da figura mostra claramente que : a = A.cosq .
O valor (módulo) de A é constante, mas a aceleração transversal a é proporcional ao cosseno de q . Assim, se infere que a rapidez de variação de uma grandeza senoidal (que é proporcional a senq ), pode ser representada por uma curva cujos valores são proporcionais a cossenoq . é o que mostramos abaixo:
A curva cossenoidal (verde) mostrada na figura acima é a própria curva senoidal (azul) deslocada para a esquerda de 90o ; a curva dos cossenos tem a mesma forma da curva dos senos e, portanto, é uma senóide. Isso significa que a rapidez de variação de uma grandeza senoidal é também senoidal. A recíproca também é verdadeira, se a rapidez de variação de uma grandeza é senoidal, a própria grandeza também deve ser senoidal; nenhuma outra curva periódica possui uma propriedade semelhante. Curva
do quadrado do seno A ilustração abaixo foi obtida elevando-se ao quadrado os valores dos senos de vários ângulos desde 0 até 360o. Na figura, os ângulos q são indicados por x .
Ao contrário da curva dos senos (y = sen x), essa nova curva encontra-se completamente acima da linha de base (eixo x), porque o quadrado de um número sempre é positivo, independente de seu sinal. Além disso, os valores do seno ao quadrado de q são, no geral, menores que os os valores do seno de q, porque esse último é sempre menor que a unidade. Como já mencionamos, o valor médio de sen2q é 1/2 = 0,5, que também está indicado na figura acima. Pode-se observar claramente que a curva sen2q (preenchida para dar destaque) é simétrica em relação ao seu valor médio e que flutua em torno desse valor médio com o dobro da freqüência da curva original sen q, sendo também uma senóide (*); além disso, repare que se 'cortarmos' suas cristas, essas partes preencherão perfeitamente seus vales. (*) Nota matemática: Isso dito acima, resulta da identidade trigonométrica sen2q = 1/2 - (1/2).cos2q . Neste caso, a constante 1/2 representa o deslocamento para cima do eixo horizontal (translação de eixos) e, com essa nova linha de base, a curva fica representada por -(1/2).cos2q, sendo portanto de forma senoidal. Segue Parte 2
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