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Onda
Senoidal
(Parte 2)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Superposição
de curvas senoidais
Quando duas f.e.m.(s) ou duas intensidades de corrente se superpõem
num circuito C.C., a resultante será sempre sua soma algébrica.
Assim, uma pilha de f.e.m. 2 V e uma outra de f.e.m. 1,5 V poderão
ser conectadas em série e concordância para se obter 3,5 V
ou em série e oposição para se obter 0,5 V, porém, não
será possível nenhum outro valor.
Duas f.e.m.(s) alternadas, senoidais, também poderão ser
superpostas do modo acima descrito, sempre que tenham a mesma freqüência
e passem simultaneamente por seus valores 'zero' e 'máximo'. Essas
associações em concordância e oposição de curvas
senoidais de mesma freqüência são representadas abaixo.
Na
ilustração superior, as f.e.m.(s) E1 e E2
de dois alternadores ligados em série, estão em concordância
de fase entre si e se superpõem para produzir a f.e.m.
resultante E, igual à sua soma algébrica em cada ponto
definido pelo ângulo de giro no ciclo.
A fase de uma dessas f.e.m.(s), digamos a E2, pode ser
invertida se trocarmos as conexões, como se indica na ilustração
inferior do quadro acima. As f.e.m.(s) estarão agora em oposição
de fases (ou, em contra-fase, como também se diz) e a
superposição delas produz a resultante E, igual à soma algébrica
em cada ponto. Assim, no ponto definido pelo ângulo de 90o,
por exemplo, teremos E1 = + 2 V e E2 = - 1 V,
dos quais resulta E = E1 + E2 = (+2V) + (-1V)
= + 1 V.
Esse
exemplo descrito acima é, sem dúvida, um caso especial de
superposição de duas f.e.m.(s) para circuitos de C.A. Suponhamos
que as f.e.m.(s) não estão nem em fase, nem em contra-fase ou
oposição; qual será então o valor da resultante?
Dependendo das relações de fases entre as duas f.e.m.(s), a
resultante poderá assumir qualquer valor contido entre sua soma e
sua diferença. Uma situação dessas possibilidades está
ilustrada abaixo, os as f.e.m.(s) apresentam uma diferença de fase
dada pelo ângulo f
(letra grega, minúscula, fi). Este ângulo, medido em graus ou em
radianos, entre as posições correspondentes, se denomina diferença
de fase ou ângulo de defasagem.
A
primeira f.e.m. que passa por seu valor 'zero' ou seu valor 'máximo'
se diz que está adiantada ou que está adiante da
outra (caso da E1,no exemplo ilustrado acima), a qual,
por sua vez se diz que está atrasada ou que está atrás
em relação à primeira; na ilustração, E1 está 30o
adiante de E2, ou E2 está 30o atrás
de E1.
Existe, sim, o perigo de confundir-se, porque à primeira vista
parece que E2 está adiante de E1, olhando da
esquerda para a direita. Todavia, não são as curvas que se movem,
nós (observadores) é que devemos, imaginariamente, percorrer a
linha de base da esquerda para a direita e observar os eventos que
têm lugar.
Como podemos observar na ilustração acima, onde usamos a letra
'y' para representar as f.e.m.(s) e 'x' para representar o ângulo q,
as curvas são gráficos das seguintes equações:
e1
= E1máx..senq
e e2 = E2máx..sen(q
- f)
ou, e1 = E1máx..senwt
e
e2 = E2máx..sen(wt
- f)
O
sinal "-" indica que a segunda f.e.m. está atrás da
primeira. A curva da f.e.m. resultante E pode ser obtida somando-se
algebricamente as ordenadas das curvas que se superpõem
(componentes). A seguir, seu valor máximo pode ser medido e seu
valor quadrático médio (rms) pode ser calculado; além disso, sua
relação de fase com qualquer das componentes pode ser lido ao
longo da linha de base.
Esse
processo acima descrito é demorado e tedioso; seria interessante
procurar uma técnica mais rápida e simples para resolver tais
questões --- felizmente tal método existe! E tem um nome pomposo:
vetores girantes de Fresnel, por vezes simplificado,
simplesmente, para fasores.
Fasores
= vetores girantes de Fresnel
Vimos, na Parte
1 desse trabalho, como um círculo de raio unitário (r
= 1) pode ser utilizado para desenvolver uma curva senoidal; e, se
assumirmos que tal raio represente o valor máximo de uma f.e.m. ou
de uma corrente senoidal, a sua curva característica pode ser
construída. Assim, tudo de que se necessita para especificar uma
grandeza senoidal e seu desenvolvimento quer em relação ao ângulo,
quer em relação ao tempo é traçar um segmento orientado
(segmento de reta dotado de uma seta de orientação) em uma escala
apropriada e fazê-lo girar ao redor de um eixo perpendicular à
sua direção, passando pela sua extremidade. Nada além de um
'vetor girante' (agora chamado de 'fasor'), como o foi introduzido
por Fresnel. Eis um visual:
No
geral, uma grandeza vetorial, como são exemplos a força, a
velocidade, a aceleração etc., apresentam três características
importantes, a saber: um módulo ou valor (medida da grandeza), uma
direção e um sentido. O vetor que representa tal grandeza pode
ser traçado numa escala conveniente para indicar seu módulo.
As coisas também ocorrem assim em relação ao vetor elétrico ou
fasor. Neste caso, sua direção é fixada por uma fase particular
do ciclo, como se representa acima. Na superposição de grandezas
elétricas de mesma espécie [f.e.m.(s), por exemplo], teremos
distintos fasores em um mesmo diagrama e é importante que se
indique a defasagem correta entre eles, isto é, se a diferença de
fase entre as duas grandezas é de 60o, seus fasores
devem ser desenhados com uma separação angular de 60o.
Adição
geométrica de fasores
A resultante de duas forças concorrentes ou de duas velocidades,
como sabemos, é dada pela "regra do paralelogramo", ou
seja, a diagonal do paralelogramo traçado, usando como lados
adjacentes os vetores dado, é a representação, na mesma escala,
da sua resultante. A pergunta básica é: esse princípio bem
conhecido se aplica também aos fasores de correntes e aos de
f.e.m.(s)?
A
ilustração a seguir é um diagrama de fasores, em escala,
representando as f.e.m.(s) componentes e defasadas de f
= 30o (é exatamente o caso da terceira figura desse
trabalho).
O
fasor E1máx. representa, em escala, o valor máximo de
E1, colocado fazendo um ângulo q
com a horizontal; o outro fasor E2máx. está desenhado
atrasado com um ângulo de diferença de fase igual a f.
Assim, construímos o paralelogramo e desenhamos sua diagonal.
Para comprovar que, na realidade, a diagonal representa a f.e.m.
resultante E, deveremos mostrar que na posição (ou tempo)
considerado, a f.e.m. instantânea e é soma algébrica dos
valores instantâneos de e1 e de e2.
E é exatamente o que o diagrama mostra, somando-se algebricamente
as projeções e1 e e2. Incidentalmente a
ilustração mostra algo bem importante: o fato da f.e.m. poder ser
representada por um fasor (E), demonstra que ela própria é uma
curva senoidal!
Se
o diagrama for construído, como se faz geralmente, não para
avaliar valores instantâneos, senão apenas com o propósito de
obter o valor da resultante de duas grandezas senoidais, a orientação
do paralelogramo não tem importância alguma e é isso que
mostramos na ilustração acima, em (b).
Existe
ainda outra simplificação. O diagrama de fasores é muitas vezes
solicitado para superpor valores quadráticos médios [rms(s)] de
f.e.m.(s) ou de correntes. Estritamente, esses rms(s) devem ser
convertidos a seus valores máximos, antes de desenhar o
paralelogramo, e a seguir, o valor máximo da resultante deve ser
re-convertido para seu rms. Uma trabalheira!
Com o objetivo de evitar essas sucessivas conversões, é costume
(como foi feito na figura acima) representar diretamente seus
rms(s). Escolher o valor máximo da grandeza senoidal ou seu rms
para desenhar a figura dependerá apenas do uso que se deva dar ao
resultado da superposição.
Exemplo
2
A resultante de duas correntes senoidais tem valor de 5 ampères.
Se uma das componentes vale 3 ampères, estando 30o atrás
da resultante, determinar o valor da outra componente e sua relação
de fase com a resultante.
Solução:
A corrente resultante de 5 A é utilizada como fator de referência,
como se ilustra abaixo, e o componente de 3 A está desenhado com
atraso de 30o. Completa-se então o paralelogramo (traçando
as paralelas que faltam; tracejadas, na ilustração) para obter a
corrente que falta (em vermelho) e seu ângulo f com respeito à
resultante.
Nota:
Um método alternativo consiste em 'inverter' o fasor de 3 A (ou
seja, construir o fasor oposto daquele que representa os 3 A) e
adicioná-lo geometricamente (regra do paralelogramo) com o fasor
de 5A, para obter o fasor procurado. Isso se baseia na subtração
vetorial onde, subtrair o vetor b do vetor a
(efetuar a - b) nada mais é que somar geometricamente ao
vetor a o vetor oposto de b, que se indica por -b,
ou seja: a - b = a + (-b).
Ondas
não senoidais
As condições nos
alternadores práticos diferem consideravelmente daquelas de um
condutor ou uma bobina girando em um campo magnético uniforme. Na
realidade, por exemplo, o fluxo polar corta os condutores 'mais ou
menos' em ângulo reto e o próprio fluxo em si não está
uniformemente distribuído devido à presença das ranhuras. Ainda
que o projetista empregue vários recursos para obter uma onda que
se aproxime da senoidal, ou pelo menos uma com mesmo fator de
forma, poderá obter uma distorção considerável.
Também nos transformadores, continuando a exemplificar, a tensão
de saída pode estar distorcida devido aos efeitos de histerese no
núcleo e à variação na permeabilidade do ferro no decorrer do
ciclo magnético.
Ainda
que o fornecimento de tensão seja senoidal, a corrente
desenvolvida não o será, necessariamente. Uma lâmpada
fluorescente conduz somente quando a tensão instantânea excede um
certo valor e ainda existira uma distorção posterior devido à
variação na resistência dos gás ionizado. Assim, nos circuitos
de C.A., deveremos estar preparados para encontrar ondas ---
particularmente de correntes --- que se afastam da ideal. A teoria
das ondas senoidais, como discorremos nesse texto, não pode ser
aplicada diretamente em tais casos, porém será útil se as ondas
puderem ser decompostas em seus componentes senoidais. E é isso
que veremos.
Harmônicas
Existe um teorema, chamado de Fourier, que nos diz que qualquer
onda periódica completa pode ser considerada como constituída de
duas ou mais das seguintes ondas senoidais:
(i)
uma onda fundamental da mesma freqüência que a onda complexa.
(ii) ondas harmônicas cuja freqüência seja 2, 3, 4, ... etc.
vezes a freqüência fundamental.
Exemplos
disso ocorrem fartamente em música. Um diapasão vibra com
movimento harmônico simples (em primeira aproximação) e produz
no ar uma onda sonora sinusoidal. O tom da nota emitida, dependente
da geometria do diapasão, pode ser o Dó médio, com 256 Hz. Este
som produzido é 'seco' e até 'desagradável', segundo nos informa
os 'ouvidos bem apurados' dos mestres na arte.
Um instrumento musical, ou mesmo a voz humana, também poderá
produzir uma nota dessa mesma freqüência mas, sem dúvida, a onda
não será senoidal! Mesmo um ouvido não apurado discernirá o som
emitido pelo diapasão daquele emitido pelo instrumento ou da voz
humana. Essa onda produzida pelo instrumento conterá aquela freqüência
de 256 Hz e diversos harmônicos, de modo que a onda resultante
apresenta um 'timbre' totalmente diferente daquele do diapasão. A
onda resultante nada tem de aspecto senoidal! As fontes produtoras
do som são diferentes.
Harmônicas
na onda de C.A.
O teorema de Fourier se aplica também às ondas de C.A., que podem
ser consideradas, portanto, como formadas por uma onda fundamental
e uma ou mais ondas harmônicas. Para muitos propósitos, estes
componentes se comportam como se existissem 'em separado',
dando-nos então a vantagem de se poder aplicar a teoria
fundamental das ondas senoidais sucessivamente a tais componentes.
Os componentes podem ser medidos com instrumentos especiais ou, se
conhecemos a priori a forma de onda, podem ser calculados mediante
processo matemático denominado análise harmônica. Ainda
que a dificuldade de tais processos escapem ao teor desse texto (não
queremos nos aprofundar usando da matemática superior), é
vantajoso examinar alguns casos simples com o objetivo de entender
como as harmônicas afetam a forma de onda.
As
duas formas de onda resultante, nas ilustrações a seguir, foram
obtidas por soma algébrica das ordenadas de uma onda fundamental
(usei y = 2.senx) com uma harmônica (H).
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Fundamental
+ segunda harmônica
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Fundamental
+ terceira harmônica
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Fundamental
+ segunda + terceira + quarta + quinta harmônica
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Comentemos
... (em construção)
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Vantagens
da onda senoidal
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