|
||||||||
Onda
Senoidal
(Parte 3)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Harmônicos
Existe um teorema, chamado de Fourier, que nos diz que qualquer
onda periódica completa pode ser considerada como constituída de
duas ou mais das seguintes ondas senoidais:
(i)
uma onda fundamental da mesma freqüência que a onda complexa.
(ii) ondas harmônicas cuja freqüência seja 2, 3, 4, ... etc.
vezes a freqüência fundamental.
Exemplos
disso ocorrem fartamente em música. Um diapasão vibra com
movimento harmônico simples (em primeira aproximação) e produz
no ar uma onda sonora sinusoidal. O tom da nota emitida, dependente
da geometria do diapasão, pode ser o Dó médio, com 256 Hz. Este
som produzido é 'seco' e até 'desagradável', segundo nos informa
os 'ouvidos bem apurados' dos mestres na arte.
Um instrumento musical, ou mesmo a voz humana, também poderá
produzir uma nota dessa mesma freqüência mas, sem dúvida, a onda
não será senoidal! Mesmo um ouvido não apurado discernirá o som
emitido pelo diapasão daquele emitido pelo instrumento ou da voz
humana. Essa onda produzida pelo instrumento conterá aquela freqüência
de 256 Hz e diversos harmônicos, de modo que a onda resultante
apresenta um 'timbre' totalmente diferente daquele do diapasão. A
onda resultante nada tem de aspecto senoidal! As fontes produtoras
do som são diferentes.
Harmônicos
na onda de C.A.
O teorema de Fourier se aplica também às ondas de C.A., que podem
ser consideradas, portanto, como formadas por uma onda fundamental
e uma ou mais ondas harmônicas. Para muitos propósitos, estes
componentes se comportam como se existissem 'em separado',
dando-nos então a vantagem de se poder aplicar a teoria
fundamental das ondas senoidais sucessivamente a tais componentes.
Os componentes podem ser medidos com instrumentos especiais ou, se
conhecemos a priori a forma de onda, podem ser calculados mediante
processo matemático denominado análise harmônica. Ainda
que a dificuldade de tais processos escapem ao teor desse texto (não
queremos nos aprofundar usando da matemática superior), é
vantajoso examinar alguns casos simples com o objetivo de entender
como as harmônicas afetam a forma de onda.
As formas de onda resultante, nas ilustrações a seguir, foram obtidas por soma algébrica das ordenadas de uma onda fundamental (usei y = 2.senx) com uma ou mais de suas harmônica (Hi).
Fundamental + segundo harmônico
É costume expressar a harmônica como uma percentagem da fundamental. Nesta
primeira ilustração adotou-se o valor alto de 20% apenas com o objetivo de
ressaltar seu efeito. Ainda nesta ilustração, por simplicidade, se considera que
a harmônica passa por zero no mesmo instante que a fundamental, ainda que isto
não ocorra, necessariamente, em muitos casos práticos.
|
|
Observe que o segundo harmônico foi tomado como positivo com relação à fundamental ao iniciar seu primeiro período. Ao iniciar seu segundo período o segundo harmônico ainda é positivo ainda que a fundamental seja agora negativa. Deste modo, os dois semiciclos da onda resultante têm formas diferentes e uma delas não é imagem especular da outra, ou seja, invertendo-se o primeiro semiciclo ele não será superponível ao segundo semiciclo, por simples translações. Isto exclui o segundo harmônico e todos os harmônicos de ordem par das formas de ondas originadas nos alternadores (este é um requisito básico!).
Fundamental + terceiro harmônico
As coisas são diferentes com o terceiro harmônico, como veremos a seguir.
Ilustremos a superposição:
|
|
Aqui o harmônico se inverte três vezes enquanto que a fundamental se inverte uma vez, portanto ambas iniciam juntas o segundo semiciclo como o fizeram no primeiro. A onda resultante tem simetria especular (o inverso do primeiro semiciclo é superponível ao segundo semiciclo por simples translação) e isto se estende quando estão presente os harmônicos ímpares. O terceiro harmônico é a harmônica, no geral, mais provável nas ondas de C.A. e, harmônicas ímpares superiores, quando ocorrem, são geralmente de amplitudes decrescentes.
A fase do movimento harmônico simples pode ter efeito considerável na forma de onda resultante. Assim, se o terceiro harmônico na ilustração acima tiver deslocamento de fase em relação à fundamental, a forma da onda resultante apresentará sérias modificações. Se a onda harmônica se inverte (adiantada de 180º --- ilustração à direita) a onda resultante deve ter um pico em lugar de achatamento com cavidade.
|
|
![]() |
Fundamental + vários harmônicos
|
|
Uma aplicação das harmônicas é seu emprego na determinação do valor r.m.s. Cada componente da onda resultante produz seu próprio aquecimento proporcional a seu valor quadrático médio, sendo o efeito total de aquecimento igual ao da onda resultante. Por esta razão o valor r.m.s. da onda resultante é dado pela seguinte expressão:
![]()
onde os símbolos representam os valores rms da onda fundamental e das harmônicas.
Vantagens
da onda senoidal
Concluiremos este trabalho relativo à
curva senoidal com um resumo de suas principais vantagens:
1- A onda senoidal é a forma periódica mais simples possível,
posto que não pode ser decomposta em componentes mais simples que ela mesmo.
2- Por outro lado, qualquer onda periódica pode ser analisada em suas
componentes senoidais.
3- A rapidez com que se modifica uma grandeza senoidal é também senoidal
(derivada).
4- Quando se combinam várias curvas senoidais de mesma frequência, produz sempre
outras curvas senoidais.
5- Uma grandeza senoidal pode ser representada por um fasor e duas ou mais
senoidais de mesma frequência podem ser combinadas por adição de seus fasores.
Retornar
à Parte 1
Retornar
à Parte 2
|