Divisor
de tensão
(Teoria 3)
Prof. Luiz Ferraz Netto
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Nessa
Teoria III você descobrirá como funcionam os
circuitos divisores de tensão e saberá porque eles são
importantes nos circuitos eletrônicos em geral.
Tópicos
(para
navegar)
O divisor de tensão
Sensores de
temperatura
Ponte de Wheatstone
Sensores de som
Sinais de
interruptores
Conclusão

O divisor de tensão
Você vai ficar sabendo o que é
isso, mas não tenha pressa. Acompanhe atentamente o capítulo
e deixe a explicação aparecer naturalmente.
A ilustração acima
mostra um resistor dependente da luz, um LDR,
e seu símbolo nos circuitos de eletrônica.
A parte sensível à luz, no LDR,
é uma trilha ondulada feita de sulfeto de cádmio. A energia
luminosa inerente ao feixe de luz que atinge essa trilha,
provoca uma liberação de portadores de carga elétrica além
do normal, nesse material. Essa quantidade extra de
portadores faz com que a resistência do elemento diminua
drasticamente conforme o nível de iluminação aumenta.
Um sensor de luz usa um
LDR como parte de um divisor de tensão.
O circuito básico de um divisor
de tensão, por vezes também denominado "divisor de
potenciais elétricos" é o ilustrado a seguir:
Como você pode ver, foram
conectados dois resistores em séries, sendo a associação
alimentada pela tensão Uentrada, freqüentemente
proveniente da fonte de alimentação.
A tensão de saída, Usaída,
é recolhida sobre o Rde baixo e a expressão que
permite seu cálculo é a indicada sob a figura.
É recomendável a memorização (e
"traquejo") dessa expressão visto o grande número de
aplicações desse simples divisor de tensão.
O que acontecerá
se um dos resistores do divisor de tensão for substituído
por um LDR?
No circuito acima, o Rde
cima é um resistor de 10 kW
e o Rde
baixo foi substituído por um LDR.
Suponha que o LDR adquirido
tenha resistência de 500W
(0,5 kW)
sob luz brilhante e 200 kW
na sombra (esses valores
são bem razoáveis).
Quais as tensões
de saída, sob iluminação e à sombra?
Façamos alguns cálculos:
a) Quando o LDR estiver sob
iluminação intensa a Usaída , aplicando a
fórmula, será de:
Rde
baixo
0,5
Usaída =
¾ ¾ ¾ ¾ ¾ ¾ ¾ ¾
x Uentrada =
¾ ¾ ¾ ¾
x 9 = 0,43 volts
Rde baixo + Rde
cima 0,5 + 10
b) Quando
o LDR estiver à sombra, a Usaída , aplicando
a fórmula, será de:
Rde baixo
200
Usaída =
¾ ¾ ¾ ¾ ¾ ¾ ¾ ¾
x Uentrada =
¾ ¾ ¾ ¾
x 9 = 8,57 volts
Rde baixo + Rde
cima 200 + 10
Em outras palavras, esse
circuito "sensor de luz" entrega na saída uma tensão BAIXA
quando o LDR está intensamente iluminado e uma tensão ALTA
quando o LDR está na sombra. O circuito do divisor de tensão
dá uma tensão de saída que se altera com a iluminação.
Que tal pensar
num circuito "sensor de escuro"?
Ele poderia ser utilizado para
controlar a iluminação de um ambiente ao escurecer ¾
acendendo as luzes¾ e apagá-las ao raiar do dia.
Talvez isso não lhe pareça
terrivelmente excitante mas, fique sabendo que, praticamente
todos os circuitos sensores que você possa imaginar utiliza,
de algum modo, um divisor de tensão. A menos que você
invente um outro processo para isso!
Nesse divisor de tensão,
substituímos o Rde cima pelo LDR. O resistor de
10 kW
passou para baixo e a
tensão de saída está sendo recolhida entre seus terminais.
Que efeito terá
essa inversão sobre a Usaída?
A ação do circuito fica
invertida, ou seja, Usaída torna-se ALTA quando o
LDR está sob iluminação e BAIXA quando mantido à sombra.
Substitua os valores
adequadamente na fórmula do divisor de tensão para se
convencer de que isso é verdadeiro.
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Sensores de temperatura
Um resistor sensível à
temperatura é chamado de termístor. Há vários tipos
diferentes:
Na maioria dos tipos comuns de
termístores a resistência diminui à medida que a
temperatura aumenta. Eles são denominados termístores
de coeficiente negativo de temperatura e indicados
como NTC. Na sua simbologia, note o "- to".
Um termístor NTC típico é feito
de material semicondutor à base de um óxido metálico.
Lembre-se, os semicondutores exibem a propriedade de
resistência elétrica a meio caminho entre os bons condutores
e os bons isolantes. Com a elevação da temperatura, mais
portadores de carga tornam-se disponíveis e,
conseqüentemente a resistência elétrica diminui.
Embora não seja de uso
freqüente, fabricam-se também os termístores com coeficiente
positivo de temperatura, os PTC. São confeccionados com
outros materiais e exibem um aumento de resistência com a
temperatura.
Como poderíamos
fazer um circuito sensor para atuar como alarme de incêndio?
Vejamos; como opção pretendemos
um circuito que forneça uma ALTA tensão quando elevações de
temperaturas forem detectadas. Para tanto, vamos precisar de
circuito divisor de tensão, com um termístor NTC na posição
Rde cima. A Usaída será recolhida no Rde
baixo.
Acompanhe:
Veja que esse circuito satisfaz
plenamente o propósito para o detetor de incêndio.
Vejamos outro desafio:
Em países de clima bem frio é
comum a formação de gelo sobre as estradas.
Como você faria
um circuito sensor para detectar temperaturas abaixo dos 4oC
e com isso advertir os motoristas da possibilidade de gelo
sobre a pista?
Dessa vez, queremos um circuito
que entregue na saída uma ALTA tensão sob baixas
temperaturas. Para tanto devemos preparar um divisor de
tensão, usando um termístor NTC na posição Rde baixo
e recolher a Usaída sobre ele. Veja o esquema
básico:
Esta última aplicação levanta
uma pergunta importante:
Como saberemos
que valor a Usaída vai assumir quando a
temperatura chegar aos 4°C?
Para responder a essa pergunta,
você precisa calcular (ou saber de antemão) a resistência do
termístor a 4°C.
São fabricados muitos tipos de
termístores, cada um com seu próprio padrão característico
de alteração da resistência em função da temperatura. Os
fabricantes publicam gráficos que mostram as curvas
características desses termístores.
A ilustração que segue mostra a
curva característica de um particular termístor:
No eixo dos "y" (ordenadas) são
postos os valores de resistência em escala logarítmica. Esse
procedimento tem por finalidade comprimir o gráfico
verticalmente de forma a facilitar a visualização dos
valores de resistência com os aumentos de temperatura. Note
que, entre 100W
e 1000W
, cada intervalo
horizontal corresponde a 100 ohms, apesar de aparentar
"larguras diferentes". Entre 1000W
e 10000W
, cada intervalo
horizontal corresponde a 1000 ohms. Dos 10000W
aos 100000W
, cada intervalo indica
10000 ohms.
No eixo dos "x" (abscissas) são
postos os valores de temperatura em escala linear (divisões
e intervalos igualmente espaçados).
Como você pode observar esse
particular termístor tem uma resistência ao redor dos 70 kW
à 0 oC e
aproximadamente 1 kW
à 100 oC. Os
fabricantes normalmente catalogam seus termístores indicando
suas resistências aos 25 oC
¾
esse que ilustramos
apresenta resistência de 20 kW
à 25 oC
¾
. Marque esse ponto no
gráfico para mostrar que você entendeu mesmo o jeitão da
coisa.
Se você quiser avançar um pouco
mais no assunto eis outra informação: usualmente os
fabricantes acrescentam em seus catálogos outra informação a
respeito do termístor, é o seu beta ou o fator-b
. Em posse desses
dois dados RT0 (resistência de referência)
e o fator-b
, é possível calcular
um valor aproximado da resistência RT do
termístor para qualquer particular temperatura usando da
seguinte expressão:
{b
[(1/T) -
(1/T0)]}
RT
= RT0
x e
onde RT é a
resistência calculada na temperatura absoluta kelvin (T =
toC + 273), RT0 é a
resistência de referência a T0 em kelvin. Quando a
temperatura de referência é 25oC, T0 = 25oC
+ 273.
e
é a base dos logaritmos
naturais, elevado à potência [b
((1/T) - (1/T0))],
nessa expressão,
b
é o fator-beta, específico desse
termístor.
Você não precisa se preocupar em
aplicar essa expressão no momento, mas é bom saber que as
informações colhidas nos catálogos são suficientes para você
predizer o bom desempenho do termístor em seu projeto.
Dica:
Existem
programas que montam e traçam gráficos. O Excel é um
deles. Você entra com a fórmula (essa que mostramos acima) e
os valores de temperatura numa dada faixa (digamos entre 0 e
100, com passos de 5 graus célsius). O programa incumbe-se
de calcular e traçar a curva característica do termístor em
questão.
Com RT0 = 20 kW
e b = 4200, e
temperaturas de 0 a 10oC (passo de 1oC)
eis a curva característica desse termístor:
Do gráfico, a resistência a 4oC,
mostra um valor algo menor que 60 kW
; por cálculo obtemos
o valor 58,2 kW
.
IMPORTANTE:
A maior alteração em Usaída,
no divisor de tensão, é obtida quando Rde cima e
Rde baixo têm mesmo valor ôhmico.
Isso significa que,
selecionando-se um valor para Rde cima perto de
58,2 kW
, fará o divisor de tensão usado
como "alarme de gelo" ficar o mais sensível possível aos 4oC.
O valor mais próximo desse valor ideal nos padrões E12/E24 é
o 56 kW
. Esse detalhe é importante
uma vez que grandes alterações em Usaída
facilitam o projeto do sensor de gelo tornando-o mais
confiável para detectar temperatura abaixo dos 4oC.
Dispositivos usados como
sensores variam consideravelmente em resistência e você
poderá sempre usar dessa regra em seus divisores de tensão
para torna-lo tão sensível quanto possível no ponto crítico
escolhido.
Termístores são utilizados nos
lugares "mais estranhos" que você possa imaginar. Nos
projetos automotivos, por exemplo, citamos:
* injeção eletrônica de
combustível, na qual, monitora-se a quantidade de ar na
mistura ar/combustível, para a concentração ideal;
* ar condicionado e controle
automático de temperatura;
* indicador de temperatura do
óleo, nível do óleo etc;
* controle do motor do
ventilador, baseado na temperatura da água de refrigeração;
* sensores para freezers, em
relação à temperatura externa;
* etc.
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Ponte de
Wheatstone
Charles Wheatstone era um
cientista talentoso e versátil. Ele inventou a concertina,
experimentou com a fotografia estereoscópica, inventou o
estereoscópio e teve uma participação importante no
desenvolvimento das comunicações com o telégrafo da época.
Ele não reivindicou ter inventado o circuito que mais tarde
veio a receber o seu nome, mas foi certamente um dos
primeiros a explorar o circuito para fazer medidas de
resistências.
Então, vamos ver como é uma
ponte de Wheatstone. Esse é o circuito:
É óbvio que o circuito consiste
de dois divisores de tensão.
Suponha que RX
seja um valor desconhecido de resistência. RA
e RB são resistores de resistências
fixas e conhecidas.
Vamos ajustar RC
até que a Usaída sobre ele fique igual à Usaída
do divisor que contém RX. Quando esses
valores tornarem-se iguais, a ponte será dita "em
equilíbrio".
O "ponto de equilíbrio"
(atuando-se sobre RC) pode ser visualizado,
conectando-se um voltímetro ou um amperímetro aos terminais
de saída. Ambos os tipos de medidores darão uma leitura ZERO
quando o equilíbrio for alcançado.
Quando o equilíbrio for obtido,
a razão RX/RA será igual à razão RB/RC.
Reorganizando:
RA
x RB
RX =
¾ ¾ ¾ ¾
RC
Em outras palavras,
conhecendo-se RA, RB e RC,
é fácil calcular RX. Nos instrumentos baseados na
ponte de Wheatstone, RA e RB são fixos
e RC é ajustado a uma escala corrediça de tal
modo que o valor de RX é lido diretamente nessa
escala móvel.
Atualmente, a ponte de
Wheatstone não é mais corriqueiramente usada para a medida
de resistência, mas sim para artificiosos circuitos
sensores. O variômetro, por exemplo, que detecta mudanças na
pressão do ar devido às mudanças súbitas de altitude, muito
usado em planadores, é um sensor que usa dos recursos dessa
ponte.
O circuito desses variômetros
apresentam dois termístores NTC, cada um deles medindo a
temperatura do fluxo de ar que se movimenta sob a diferença
de pressão ocasionadas pela alteração da altitude.
O variômetro alerta o piloto
para uma corrente térmica ascendente e, com isso, ele pode
ganhar altura e voar durante um tempo maior.
Quando o instrumento é
inicialmente aferido, o resistor prefixado é ajustado para
uma tensão de saída ZERO. A vantagem da ponte de Wheatstone
é que só diferenças de temperatura entre os dois sensores
colocarão a ponte fora de equilíbrio.
A propósito, os circuitos com
ponte de Wheatstone são supostos prematuramente difíceis de
entender. Isso não deve acontecer com você.
Via de regra, muito devido às
aulas de Física, esse circuito é normalmente desenhado sob a
forma de um losângulo.
Sob esse formato fica menos
óbvio o circuito básico de dois divisores de tensão mas, uma
vez que você sabe disso, torna-se fácil entender a ação do
circuito.
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Sensores de som
Talvez você conheça um sensor
de som com outro nome; que tal, microfone.
A ilustração a seguir mostra um
tipo de microfone que mistura cerâmica com metal.
Pode ser identificado pelo nome CerMet ou
eletreto. Essa mistura é utilizada na parte sensível ao
som. Para que essa parte funcione adequadamente, deve
permanecer sob uma determinada tensão elétrica, cerca de 1,5
volts. No circuito que apresentamos ao lado do microfone, a
fonte de alimentação fornece 9 volts. Portanto, um divisor
de tensão faz-se necessário.
O resistor de 4,7 kW
e o de 1 kW
constituem um divisor de
tensão que provê uma saída de 1,6 V sobre o microfone. As
ondas sonoras que ele recebe geram pequenas variações de
tensão, normalmente na faixa dos 10 a 20 mV. Para isolar
essas pequenas variações, dos 1,6V que permanece fixo,
usamos um capacitor. Os capacitores serão tratados em
aulas futuras.
Com certeza você conhece outros tipos de microfones;
capacitivo, dinâmico, cristal, eletreto etc. Serão estudados
oportunamente.
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Sinais de interruptores
Quando um interruptor é usado
para prover uma entrada em um determinado circuito, seu
pressionamento normalmente gera um sinal de tensão. É esse
sinal de tensão que ativa o circuito propriamente dito.
Do que você
precisa para fazer o interruptor gerar um sinal de tensão?
Resposta perfeita ... isso
mesmo, você precisa de um divisor de tensão.
As ilustrações a seguir mostram
dois caminhos possíveis:
A tensão de saída no circuito da
esquerda é sempre BAIXA, exceto quando o botão é
pressionado. Ao pressionar o botão essa tensão alta é
utilizada para por em ação o circuito restante. No circuito
da direita a tensão de saída é sempre ALTA (a própria tensão
da fonte, no caso), exceto quando o botão é pressionado.
Pressionando esse botão, a tensão de saída cai a ZERO. Para
o resistor dos circuitos, um valor de 10 kW é o recomendado.
Em suma; quando o botão é
pressionado o primeiro circuito fornece uma Usaída
ALTA e o segundo uma Usaída BAIXA.
Nos circuitos que processam
sinais lógicos, uma BAIXA tensão é denominada "lógica 0"
ou simplesmente "0", enquanto que uma ALTA tensão é
denominada "lógica 1" ou simplesmente "1". Esses circuitos
divisores de tensão, com interruptores de botão, são
perfeitos para proverem entradas de sinais lógicos. [Há um
probleminha de "reboot" ... mais isso é outra história.]
Que tipos de
interruptores você usaria nesses circuitos?
Há uma grande variedade de
interruptores de botão (pressão). Os botões miniaturas
trabalham adequadamente e freqüentemente estão inseridos em
uma matriz de contatos.
Como você observa, o botão tem
externamente quatro pequenos terminais que são unidos, aos
pares e internamente, por tiras de metal. O botão leva um
anel metálico. Ao ser apertado, o anel toca as tiras,
fechando o circuito.
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Conclusão
Circuitos eletrônicos são
construídos a partir de sub-circuitos com finalidades
específicas. Cada um deles deve operar em termos de
entrada, processamento, saída. Há permanente
transferência de informações entre sub-circuitos. Essas
informações, sob a denominação de sinais, via de
regra estão sob a forma de tensões variáveis. Isso torna
inevitável que tais circuitos incluam divisores de tensão
como parte integrante de suas estruturas.
Divisores de tensão não são
apenas pequenos detalhes num circuito geral, eles são
fundamentais para a compreensão do circuito eletrônico como
um todo. Uma vez que você os entenda e saiba como
procura-los você os encontrará em todos os circuitos.
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Segue:
Praticando com os sensores

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