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R.M.S. Prof. Luiz Ferraz
Netto Valor
médio de grandezas variáveis Exemplo 1: Determinar graficamente o valor médio da corrente, para o semiciclo da onda triangular abaixo representada.
A base do triângulo da ilustração foi dividida em 6 partes iguais e a ordenada (em verde) foi levantada do centro de cada uma dessas partes:
Nota: Posto que a altura média de um triângulo é a metade de sua altura, o resultado obtido nesse caso simples é exato; todavia, se necessitará bem maior número de ordenadas, em uma curva típica, para se obter um razoável grau de precisão. Raiz
quadrática média Comecemos pela análise de uma corrente direta interrompida (sinal retangular), como a abaixo ilustrada, que se modifica a cada segundo, desde zero até 2 A, regressando depois de um segundo, novamente ao valor zero. O período do ciclo é de 2 segundos (T = 2 s).
Nosso problema será determinar que valor de corrente contínua e constante produzirá o mesmo efeito que essa corrente retangular em um circuito elétrico. A questão começa interrogando "que efeito particular usaremos"? Será o efeito químico? O efeito térmico? O efeito magnético? Consideraremos primeiramente o efeito químico, como na carga de uma bateria ou na galvanoplastia. A primeira lei de Faraday, da eletrólise, nos informa que "o efeito químico da corrente é proporcional à quantidade de carga elétrica (Q = I.t)"; assim, ao cabo de 2 segundos (1 ciclo), será: Qciclo = 0 x 1 + 2 x 1 = 2 coulombs A corrente estacionária que corresponde ao passo de 2 coulombs em 2 segundos tem o valor de 1 ampère; e esse será o valor médio (Im = Qciclo/T = 2/2 = 1 A). Poderemos querer generalizar e pensar que isso se aplica a todos os demais efeitos da corrente elétrica, porém, em geral, isso não é assim. No efeito térmico, por exemplo, a quantidade de calor dissipado é proporcional ao quadrado da intensidade de corrente, isso porque, é bom lembrar, a energia elétrica convertida em energia térmica (e dissipada em forma de calor), em 1 segundo, é, por definição, a potência elétrica: Eelet. = Qdiss.= Pelet..Dt . ou Eelet./Dt = Pelet. . No resistor, teremos: Pelet. = R.I2 . Assim, se a corrente considerada (1 ciclo da onda retangular) passa por um resistor de resistência 1 ohm, a quantidade de energia liberada em 2 segundos será, usando Eelet. = R.I2.Dt : Eelet. = 1ohm.02ampère2.2segundos + 1ohm.22ampère2.2segundos = 4 joules e a corrente estacionária necessária para fornecer 4 joules em 2 segundos será: Eelet.=
1ohm.I2ampère2.2segundos = 4 joules Essa quantidade se denomina "raiz quadrática média" (rms), ou ainda "valor quadrático médio", ou ainda "valor eficaz"; e recebe esse nome porque é a raiz quadrada do valor médio do quadrado da grandeza. No caso em questão: Irms = raiz quadrada[(02 + 22)/2] = 1,414 valor esse que é maior que o valor médio da corrente (Im = 1 A). Para uma simples demonstração experimental temos abaixo, uma lâmpada incandescente (L) de baixa tensão, alimentada pela bateria (fonte CC) através de um reostato, um par de contatos acionados mecanicamente e um amperômetro (A) de bobina móvel (este instrumento mede o valor médio da corrente, porque funciona através da força magnética que o condutor recebe num campo magnético, sendo a intensidade dessa força proporcional à intensidade de corrente).
O
experimento consiste no seguinte: RMS
de uma grandeza alternada O
rms de uma grandeza é representado pelo seu símbolo
corriqueiro (U e I, por exemplo). Os sub-índices são geralmente
omitidos porque, exceto que se diga outra coisa, fica entendido
sempre que estamos nos referindo ao valor rms. Assim, a tensão
nominal de uma fonte de alimentação C.A. ou a intensidade de
corrente nominal de um aparelho elétrico se dá como valor rms;
assim também são, com tais valores, calibrados os instrumentos de
C.A. Uma extensão do método das ordenadas médias facilita o cálculo do valor rms. Apesar de usarmos no exemplo que se segue a simples onda triangular que já vista, o método é geral e pode ser sempre empregado para qualquer forma de onda. Exemplo
2: Determinar o valor rms da
corrente, tipo onda triangular, do exemplo 1.
Nota: A ilustração abaixo mostra claramente que o gráfico do quadrado da corrente (em preto) tem forma diferente do gráfico da corrente original (triângulo em verde). Em geral, o quadrado de uma grandeza varia mais acentuadamente que a própria grandeza, tornando-se assim um tanto mais difícil a determinação precisa de seu valor médio, para se obter, a seguir, o valor quadrático médio ou rms. O resultado do exemplo visto acima deveria ser 1,73 A e não 1,71 A. Para contornar isso deveríamos tomar, no mínimo, o dobro do número de ordenadas na colheita de dados. Faça isso como novo exercício.
Relação
entre os vários valores da grandeza alternada Fator
de forma = valor rms/valor médio Para uma típica C.A. o valor de forma situa-se ao redor do 1,1, enquanto que o fator de pico (ou de crista, como se diz por vezes) fica ao redor do 1,4. Estes valores variam consideravelmente sendo, no geral, pequenos para as 'ondas achatadas' e maiores para as 'ondas bicudas'. Exemplo 3: Calcular os fatores de forma e de pico para a corrente de onda triangular dos exemplos 1 e 2.
Um detalhe digno de nota é que esses valores obtidos no exemplo acima dependem somente da forma de onda, aplicando-se não só à onda considerada como também a todas as ondas triangulares independente de sua amplitude e freqüência. As medições de valores rms são tremendamente importantes, assim, recomendamos uma boa leitura sobre os aparelhos de medida em C.A. |
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