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Fonte de
Alimentação AC/DC
(Postada
em 1999; atualizada em 10/01/2010)
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
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Barretos - 14783-192 - SP
Resumo
teórico
Como o sabemos, as fontes de alimentação constituem
uma das etapas básicas dos equipamentos elétricos e/ou
eletrônicos.
A função dessa etapa inicial é 'casar' a tensão elétrica
fornecida pela rede domiciliar/industrial com as tensões
adequadas às demais etapas do equipamento. É o caso, por
exemplo, de dispormos de uma tensão de 117 VAC ou 220 VAC e
necessitarmos de tensões de 6 VCC ou 12 VCC.
Uma fonte básica simples (ou linear, como dizem os mais
teóricos) é, via de regra, constituída por 4 blocos, cada um
com sua finalidade específica. Eis o diagrama de blocos:
Bloco 1-
Transformador - Altera os
parâmetros 'tensão e corrente' de entrada AC para outro(s)
valor(es) de 'tensão e corrente' de saída AC. Um dado valor
de tensão de saída AC podem ser maior, igual ou menor que a
tensão de entrada AC.
Bloco 2- Retificação -
Retifica os pulsos de saída do transformador, produzindo uma
nova saída polarizada, pulsante, CC.
Bloco 3- Filtragem -
Filtra a tensão pulsante de saída do bloco retificador
eliminando boa parte de sua pulsação.
Bloco 4- Regulagem -
Regula eletronicamente a saída do bloco de filtragem de modo
a se obter uma tensão contínua e constante. Esse bloco pode
incluir uma proteção
contra diversos 'aborrecimentos', como veremos ao final.
Transformador
abaixador de tensão
Abaixo mostramos a
simbologia, a curva característica e os parâmetros
envolvidos num transformador abaixador de tensão:
Parâmetros notáveis do
transformador:
Up=
tensão no primário (entrada) ; Ip= corrente no
primário (entrada) ; Np= número de espiras no
primário
Us= tensão no secundário (saída) ; Is=
corrente no secundário (saída) ; Ns= número de
espiras no secundário
Pp= potência absorvida no primário
(entrada) ; Ps= potência entregue pelo secundário
(saída)
Relações:
Up/Us= Np/Ns
; Pp = Ps (caso
ideal) ; Up.Ip= Us.Is
Efeito da
retificação
Há vários modos de
ligarmos diodos retificadores de modo a converter AC
para CC. Diferenciamos retificador de meia-onda e
retificador de onda-completa. É bem mais vantajosa a
retificação de onda-completa, a qual aproveita os dois
semiciclos da tensão alternada disponível. Para tal
retificação temos duas possibilidades, a saber: usar de
apenas 2 diodos retificadores, caso em que o secundário do
transformador deverá apresentar uma derivação central
('center tap' - CT) ou usar uma ponte retificadora com 4
diodos, caso o secundário não apresente derivação central.
Esquematizemos isso:
Uma ponte retificadora
consta de 4 diodos retificadores reunidos num só invólucro,
com 2 terminais marcados "~"
para a entrada AC e 2 terminais marcados com "+"
e "-"
para a saída polarizada CC. A ponte retifica os dois
semiciclos da tensão alternada (daí o nome 'retificação em
onda-completa'. Da tensão de entrada na ponte, perde-se 1,4
V, porque cada diodo determina uma queda de potencial
elétrico de 0,7 V (típica da junção PN de silício); e há
sempre 2 diodos em condução em cada semiciclo. Tais pontes,
facilmente obtidas no comércio eletrônico, são classificadas
pela intensidade máxima de corrente e pela máxima tensão
inversa que podem suportar. Como os diodos devem suportar os
picos de tensão, a ponte deve suportar, pelo menos, três
vezes a tensão rms da saída do transformador.
Efeito
da filtragem
'Filtragem' é ação de filtrar, retirar impurezas ou separar
partes distintas ... que não é o caso, em se tratando de
corrente elétrica. Filtragem, aqui, é um jargão
eletrônico para a ação de um componente cuja finalidade é
'acumular cargas elétricas', fornecendo-as quando
necessário. Quem age aqui como reservatório de cargas é um
capacitor de grande capacitância, notadamente o capacitor
eletrolítico. Eis a sua colocação no circuito da fonte:
A ação do capacitor de filtragem
é suavizar os 'solavancos' dos semiciclos provenientes da
retificação, convertendo-os em um fornecimento 'mais
contínuo' de cargas elétricas. O diagrama a seguir destaca a
tensão 'não filtrada' (em linha pontilhada) e a CC suavizada
(em linha sólida).
Notemos aqui, que a filtragem
aumenta significativamente a tensão média CC, para o valor
de pico (1,4 × valor RMS). Exemplifiquemos isso: suponhamos
que uma saída de 6 VACrms no secundário do
transformador, tenha sido retificada por uma ponte, da qual
obtivemos 4,6 VCCrms (1,4 volts foram perdidos na
retificação). A ação da filtragem eleva essa tensão para seu
valor de pico, ou seja, 1,4 x 4,6 VCCrms= 6,4 VCCpico.
Como a tensão elétrica nos terminais do capacitor cai um
pouco por ocasião das descargas (linha azul cheia, na
ilustração acima), a 'filtragem' não é perfeita, resultando
assim numa residual ondulação de tensão (tensão de
'ripple'). Para muitos circuitos a ondulação (ripple) de 10%
do valor da tensão total é satisfatória, e isso se obtém com
determinado valor (C) da capacitância do capacitor
eletrolítico. Eis a expressão para esse cálculo:
Capacitância para 10% de ripple = C =
5.Is/Us.f
onde: C é a capacitância
do capacitor de filtragem, em farads (F); Is é a
intensidade de corrente de saída, em ampères (A); Us
é a tensão de entrada, em volts (V) [este é o valor de pico
da tensão não filtrada]; f é a freqüência da tensão AC, em
hertz (HZ) [no Brasil, 60 Hz].
Sem dúvida, quanto maior a
capacitância do capacitor de filtragem, menor a ondulação da
saída CC!
Efeito
da regulagem
Circuitos integrados reguladores são encontrados no comércio
eletrônicos quer com valores fixos de tensões de saída (5,
6, 9, 12, 15VCC, etc.), quer com saída variável. São
classificados, além disso, pela intensidade máxima de
corrente que podem controlar.
Há uma quantidade substancial de
reguladores de tensão no mercado. A maioria deles incluem
proteção automática de excesso de consumo (proteção de
sobrecarga) e térmica (proteção de sobre-aquecimento).
Parte
experimental --- descrição
Essa é uma fonte de
alimentação bastante especial, própria para: laboratórios
científicos (física, química, biologia etc.),
experimentações em salas de aula e para exposições em Feiras
de Ciências.
Ela fornece tensões alternadas fixas (6VAC e 12 VAC) e
contínuas, na faixa de 0 a 12VCC, sob corrente de
intensidade até 2A. Além disso, apresenta proteção contra
eventuais e breves curtos-circuitos quando manuseada por
pessoas inexperientes (ou curiosas).
Circuito
Conforme pode-se observar no
diagrama de blocos da ilustração a seguir, essa fonte
apresenta:
a) Bloco ou etapa do transformador, que reduz a
tensão da rede (110/220VAC) para (6 + 6) VAC, com
secundários para 2A. O transformador apresenta "center-tap"
(derivação central) no secundário; desses três terminais
recolhemos diretamente as tensões alternadas de 6 e 12
volts.
Usaremos dessas tensões para a alimentação de lâmpadas de
colimadores da óptica, amperímetros térmicos, pequemos
motores de indução, experiências com correntes induzidas e
muitos outros experimentos onde estes valores de tensão
alternada, de freqüência 60Hz, for necessária.
b) O segundo bloco efetua a retificação da corrente.
Usamos, para tal finalidade, uma ponte retificadora com 4
diodos de silício, tais corno 1N4004, 1N4007, BY127 etc.
Essas pontes podem ser adquiridas nas casas do ramo, como um
componente único, dotado de 4 terminais.
c) O bloco da filtragem, incumbe-se de minimizar as
flutuações na tensão contínua obtida, constando de um
capacitor eletrolítico de grande capacitância (adotamos um
de 2000 mF x 25 V).
d) O bloco seguinte ocupa-se da regulagem eletrônica
da tensão de saída, mantendo-a no nível desejado.
Constitui-se de um transistor de potência (2N3055), um diodo
zener para referência de tensão (12 V x 400 mW) e um
potenciômetro de carvão (1k ou 2k2), no qual se efetua o
ajuste da tensão de saída. Um voltímetro de ferro móvel
(mais barato) ou um de bobina móvel é ligado aos terminais
de saída da fonte, para a leitura do valor atual da tensão.
e) O bloco de proteção contra curtos-circuitos
momentâneos emprega um transistor PNP de uso geral (BC558) e
dois diodos (BAX17 ou BAX18). Quando a ddp na saída cai a
zero (devido a um indesejável curto-circuito), essa etapa é
acionada limitando a corrente ao máximo da fonte, evitando
assim danos à ponte retificadora, no transformador e demais
componentes sujeitos a sobrecargas. Todavia, o transistor de
potência irá esquentar bastante se o curto não for retirado.
É uma proteção simples para curtos circuitos, porém para
breves intervalos de tempo.
Ao final, como complementação, apresento uma proteção
total contra curtos circuitos; 'triscou' o curto ...
a alimentação desliga!
Esquema geral
Na ilustração a
seguir temos o circuito esquemático da fonte em questão.
Na Sala de Eletrônica de nossa
Feira de Ciências teremos oportunidade de comentar sobre os
diagramas de blocos, símbolos de componentes e circuitos em
geral.
Lista de componentes
CH - Chave interruptora
acoplada ao potenciômetro;
F - porta-fusível e fusível para 1A;
T - transformador com primário para 110V e 220V;
secundário para (6 + 6)V, 2A;
D1, D2, D3, D4 - diodos de silício, 1N4007 ou
equivalentes;
LED - LED vermelho;
R1 - resistor; 470 W x 1/8 W;
R2 - resistor; 1200 W x 1/8
W;
R3 - resistor; 1500 W x 1/8
W;
R4, R5 - resistores; 100 W x
1/8 W;
C1 - capacitor eletrolítico; 2000 m
F x 25 V;
C2 - capacitor eletrolítico; 4,7 m
F x 16 V;
Z - zener para 12 V x 400 mW;
P - potenciômetro com chave; 1k ou 2k2;
TR1 - transistor de potência; 2N3055, com dissipador;
TR2 - transistor PNP; BC558 ou equivalente;
D5, D6 - diodos; BAX17 ou BAX18;
V - voltímetro para 12 ou 15 VCC;
A - amperímetro para 2A;
B1, B2 - bornes; vermelho (+) e preto (-);
Diversos - cabo de alimentação, placa de alumínio
para dissipador, conectores "Sindall", ponte de terminais,
caixa para alojar a fonte, parafusos, solda etc.
Montagem
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Na parte
frontal da caixa utilizada para alojar a fonte
(ilustração ao lado) instalam-se : o voltímetro,
o amperímetro, os bornes de saída (AC/DC), o
potenciômetro (que incorpora a chave
interruptora CH) e o LED indicador de "em
funcionamento". |
A
etapa reguladora contém o transistor de potência 2N3055
montado e aparafusado sobre uma placa dê alumínio
(ilustração a seguir) de (10 x 5) cm e espessura 1,5 ou 2mm.
Cantoneiras de alumínio permitem fixar essa placa (que age
como dissipador de calor) na caixa. Uma estratégica ponte de
terminais com dois pontos isolados e um terra, fixada no
mesmo parafuso que fixa o transistor na placa, permite
colocar o transistor e os dois diodos da etapa de proteção a
curtos. Na figura abaixo, o terminal central dessa ponte de
terminais foi 'esticado' por questões de clareza das
ligações.
Transformador, diodos retificadores, capacitor eletrolítico
etc., podem ser montados utilizando-se de conectores 'Sindall'
ou ponte de terminais.
Cuidados
1) Observe bem a polaridade dos diodos de retificação,
dos diodos de proteção, do diodo zener e dos capacitores
eletrolíticos.
2) Tome cuidado na ligação do potenciômetro; se houver
inversão, a fonte fornecerá tensão total logo que é ligada,
o que não é correto. Inverta os fios dos extremos.
3) Use bornes de cores diferentes para a saída retificada e
controlada; vermelho (+) e preto (-) são as cores
tradicionais.
Nota final
Se você dispõe de amperímetro de fundo de escala 2A,
instale-o também na parte frontal da caixa
(painel). Com isso terá total controla
para ajustar tensões e correntes. Sua instalação elétrica é
fácil, basta intercala-lo entre o coletor do 2N3055 e o
borne negativo de saída.
Uma fonte de alimentação encontra uso em uma enormidade de
situações. Em nossas sugestões, nos vários artigos neste
site, nos referiremos a ela como fonte de tensão
ajustável.
Complementação
1- Proteção
total para curtos-circuitos
Nessa complementação, o Vcc e o Terra devem ser ligados
direto aos diodos da fonte, antes do circuito de regulagem.
O resistor R1 é quem determina a corrente de proteção,
devendo ser calculado via lei de Ohm. O transistor BC337 (ou
equivalente NPN) irá conduzir quando a d.d.p. entre a base e
o emissor for maior que ~0,7 Vcc; então: R1 = U/i = 0,7/i .
Para i = 1 A, por exemplo, o valor de R1 será de 0,7 ohm
(valor adotado na ilustração abaixo).
Quando este transistor conduzir, o relé (de 12 Vcc) será
acionado e se manterá 'travado' até que se desligue e ligue
a fonte novamente. Assim, qualquer fechamento de curto nos
terminais da fonte resultará no desligamento da alimentação.
Uma boa opção é colocar um LED (com resistor série de 1 k)
em paralelo com a bobina do relé; seu acendimento acusará
que a proteção está acionada.
2-
Proteção com SCR e relé
Há várias
outras técnicas que
também podem ser utilizadas em circuitos de proteção, como é
o caso da associação SCR/relé, conforme ilustramos no
circuito abaixo:
Neste circuito, instalado
antes da regulagem (como no caso da proteção anterior),
quando a corrente circulante pelo resistor-sensor
(que é a corrente de carga total monitorada) alcançar um
valor que faça aparecer entre seus terminais uma tensão da
ordem de 1 V, o SCR irá disparar. Com isso, o relé fecha os
seus contatos, desligando imediatamente a fonte e acionando
um dispositivo de aviso, que pode ser um LED ou um
oscilador. Para rearmar a fonte, basta remover a causa da
sobre-corrente (em geral um curto-circuito) e desligar a
fonte por um instante.
Exemplo: se a tensão de entrada for de 12 VCC e a
intensidade máxima de corrente for estabelecida em 5A, o
resistor de carga do LED (R) terá valor de 1 k e o
resistor-sensor (Rs) terá valor de 0,2 ohms (lei
de Ohm ==> 1 V = Rs.5 A ==> Rs = 1V/5A
= 0,2 W).
Obviamente o relé deverá ter bobina para 12 V.
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