|
Fotosensor
- LDR
(Com
indicação sonora; sensor, multivibrador e amplificador)
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Objetivo
O projeto a seguir não constitui excepcional
novidade para os 'macanudos' em
eletrônica. Para o aluno e o espectador médio,
entretanto, é um mundo novo de pecinhas, fios entrelaçados e
esquemas intrincados.
A intenção desse projeto numa Feira
de Ciências é despertar alunos e espectadores
para essa realidade eletrônica que nos cerca, levantando uma
pequena ponta do véu do mistério. O aluno pode desenvolver
excelente trabalho sobre o tema, desenvolvendo-o passo a
passo, experimentando cada etapa num verdadeiro espírito
científico, diferenciando-se assim da mera função de montar
o dispositivo, incidir luz sobre o fotosensor resistivo e
escutar o som emitido. Esse alarde final, o som estridente,
é realmente, o que menos interessa, pois em seu lugar
poderíamos acender uma lâmpada (ou apagá-la), acionar um
motor elétrico, desligar o TV, acender o fogão, abrir a
válvula eletromagnética de uma torneira etc.; a finalidade
básica do projeto não é nenhuma dessas, e sim mostrar a
função eletrônica básica nas diversas etapas.
Material
TR1 e TR4 — BC558 ou equivalentes;
TR2 e TR3 — BC548 ou equivalentes;
TR5 — BD135 ou equivalentes;
R1
— 10 kW
(ver texto);
R2 — LDR, redondo, pequeno;
R3 — 12kW,
1/4W, 5%;
R4 — 3,3kW,
1/4W, 5%;
R5 — 15kW,
1/4W, 5%;
R6 e R9 — 5,6kW,
1/4W, 5%;
R7e R8 —56kW,
1/4W, 5%;
R10 — 100kW,
1/4W, 5%;
R11 —220
W,
1/4W, 5%;
R12
—
2,2kW,
1/4W, 5%;
Cl e C2 — 0,039mF,
250V, poliéster metalizado;
C3 — 1mF,
40V,
eletrolítico;
C4
— 0,1mF,
250V, poliéster
metalizado;
Fte — alto falante pequeno,
8ohms;
CHI -
interruptor simples;
porta-pilhas, placa para CI,
solda etc.
Montagem
O
projeto em questão foi dividido em 3
partes didáticas e, em cada uma delas o aluno pode (e
deve) efetuar medições, alterações, ajustes, etc. Essas
partes são: o sensor de luz
(LDR - Líght Dependent Resistor), o
multivibrador e o
amplificador de potência. Cada
uma dessas partes pode ser desenvolvida separadamente e ao
final, acoplá-las num projeto único.
Nas figuras a
seguir mostramos, á esquerda, o circuito esquemático do
sensor de luz, onde R2 é o LDR (de preferência montado no
fundo de um tubo opaco), no centro, em tamanho natural, a
pequena plaqueta do circuito impresso para o fotosensor,
vista pela face cobreada e, á direita, a disposição dos
componentes na plaqueta, vista pela face não cobreada.
Notamos nesse
fotosensor que, o transistor TR1 (BC558) apresenta uma
polarização de base projetada (e ajustada através de R1, R2
e R3) de tal modo que, na ausência de luz no LDR, ele
permanece em corte (não conduz).
Eis como verificar o bom funcionamento dessa etapa,
visualizando seu funcionamento:
a — alimente a etapa
com 6 VCC, com a polaridade correta;
b — obstrua a entrada de luz no LDR;
c — ligue um multiteste entre o coletor de TR1 (C) e o
negativo da fonte de alimentação. O multiteste deve
estar ajustado para medir tensões (usado como
voltímetro), na escala de 10 ou 12 VCC. As pontas de
prova (com garras jacarés) podem ser presas aos
terminais de R5;
d — ajuste o trim-pot ou potenciômetro R1 de modo
que a tensão em R5 seja,
aproximadamente, zero volts. Se necessário, ajuste
também R3 e R4;
e — com luz incidindo no LDR, a tensão em R5 deve ir
para (aproximadamente) 6 VCC. Uma vez ajustado R1 (R3 e
R4), ele pode ser substituído por resistores fixos de
mesmo valor ôhmico. Se você pretende manter um ajuste de
sensibilidade para várias intensidades de luz, deixe,
definitivamente, um potenciômetro miniatura de 47kW,
em R1.
Ao ser atingido
pela luz, a resistência do LDR (R2) diminui sensivelmente
(por quê?), tornando negativa a base de TR1 e esse, por ser
do tipo PNP, passa a conduzir, apresentando em C quase todo
potencial elétrico da fonte.
Se você retirar o
resistor R5 e substitui-lo por uma lampadinha de 6 V (um
experimento aconselhável), ela deve acender ao incidir luz
no LDR. No lugar da lampadinha pode ser colocado um LED
(diodo emissor de luz) em série com um resistor de 330 ohms,
ou um relê sensível para 6 V (mais dois procedimentos
aconselháveis). Veja a ilustração dessas substituições:
Eis, até então, o
esquema (e o funcionamento) de um dispositivo que liga ou
desliga um outro ao comando da luz. Basta colocar esse outro
componente (lâmpada, radinho, campainha CC etc) no lugar de
R5, desde que sejam respeitadas a tensão e a corrente máxima
permitida por TR1 (que pode ser outro p-n-p de maior
potência que o BC558).
Vejamos a etapa do
multivibrador. Nas figuras a
seguir temos, á esquerda, o circuito esquemático do
multivibrador; ao centro, a plaqueta do circuito impresso
para essa etapa e, à direita, a disposição dos componentes
na face não cobreada da plaqueta.
O multivibrador
usa dois transistores, na chamada
ligação cruzada e emissor comum. Cada transistor tem
seu resistor de carga (R6 e R9) e seu resistor de
polarização de base (R7 e R8) interligados em cruz, pelos
capacitores de acoplamento C1 e C2. Desse modo, o sinal de
TR2 vai para TR3 e o do TR3 vai para o TR2, permitindo a
oscilação do sistema (bloqueia um — conduz o outro e
vice-versa).
A rapidez dessa alternância abrupta (e que determina a sua
freqüência de funcionamento) depende dos valores dos
resistores (R6, R7, R8 e R9) e dos capacitores (C1 e C2).
Para os valores indicados a freqüência gerada produzirá (no
alto-falante da próxima etapa) um som muito estridente,
convém alterar esses valores para não ferir os ouvidos dos
espectadores que visitam a Feira. Muitos espectadores ficam
irritados com tais sons agudos (... sou um deles!).
Esse sinal gerado, cuja forma de onda é praticamente
retangular, pode ser recolhido do coletor de qualquer desses
dois transistores pelo capacitor de acoplamento de áudio C3
(eletrolítico). Observe que a alimentação desse
multivibrador não vem diretamente da fonte de 6 VCC e sim
recolhida do coletor de TR1 da etapa anterior. Desse modo, o
multivibrador só entra em funcionamento quando luz incidir
no LDR.
Você pode
substituir essa etapa (e a próxima) simplesmente ligando seu
radinho de 4 pilhas no lugar do multivibrador. As pilhas do
rádio servem para alimentar diretamente o fotosensor e este
comanda o funcionamento do rádio, na presença de luz. Eis
alguns detalhes:
Atente para as
ligações, basta puxar 3 fios do radinho [+, (1) e -].
Para tanto, basta intercalar um pedacinho de papel entre o
terminal positivo da última pilha do porta-pilhas e o
terminal do porta-pilhas, intercalando de cada lado do papel
os fios (+) e (1). O fio (—) vem da primeira
mola do porta-pilhas.
Voltando ao
multivibrador, o sinal recolhido por C3 é retangular e de
pequena amplitude. Esse sinal é levado para o
amplificador de áudio.
Vejamos, para encerrar, a etapa
amplificadora.
Nas figuras a
seguir, temos o esquema do pequeno amplificador para o
projeto; uma ilustração da plaqueta do circuito impresso e
nela, a disposição dos componentes.
O transistor TR4
(BC558) trabalha em condições de
comutação (conduz/não conduz), devido ao sinal
retangular negativo em sua base, proveniente de C3. Quando
TR4 está saturado (conduz), a base de TR5 (BD135) fica
positiva, ele conduz (por ser do tipo n-p-n), produzindo
forte pulso no alto-falante. Esse pulso no alto-falante é
ligeiramente filtrado pelo capacitor C4.
Não trás muito
interesse, para efeito de experiências e apresentação em
Feira de Ciências,
juntar as 3 etapas numa só plaqueta. Porém, para os
interessados, eis o circuito completo, a plaqueta única e a
disposição dos componentes nas ilustrações a seguir:
Bom
sucesso!
|