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Fonte de referência C.C.
(Ajustável de alta precisão)
Rosamaria Wu Chia Li
wuchiali@iq.usp.br
Mary Sanae
Nakamura
Jonas Gruber
jogruber@iq.usp.br
Artigo originalmente
publicado em Química Nova, 19(3), 311 (1996), revista da
Sociedade Brasileira de Química
e, a seguir, na revista SABER ELETRÔNICA 309/1998 -
www.sabereletronica.com.br -
rsel@edsaber.com.br
.
O autor e responsável pelo
site
www.feiradeciencias.com.br agradece aos autores acima
(envio dos originais) e ás revistas citadas pelas
autorizações concedidas para a reprodução desse artigo;
agradece ainda, em nome dos alunos e professores que se
utilizam desse site, a confiança aqui depositada. Esperamos
que esse precedente sirva de estímulo a outros autores que
queiram nos prestigiar.
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Apresentação
Descrevemos a
montagem de uma fonte de referência de tensão de alta
precisão, capaz de fornecer qualquer valor entre 0 V e 5,0
Vcc. Funciona com bateria comum de 9
V. Sua baixa
resistência de saída, tipicamente 500 ohms, garante
excelente estabilidade e imunidade a ruídos. Um exemplo de
aplicação é como referência para registradores X - Y.
Objetivo
Equipamentos
eletrônicos capazes de fornecer potenciais constantes
pré-selecionados são muito comuns nos laboratórios de
eletroquímica e são genericamente denominados
potenciostatos. Um exemplo de construção de um
potenciostato/galvanostato
(fonte
de corrente constante), para fins de
eletrossíntese orgânica foi por nós publicado há alguns
anos. Esses aparelhos são projetados para manterem um
determinado potencial constante entre um eletrodo de
trabalho e um eletrodo de referência, fazendo uso de um
terceiro eletrodo (auxiliar) através do qual o instrumento
aplica uma tensão de magnitude tal que garanta a
estabilidade do potencial do eletrodo de trabalho.
Entretanto, em
algumas aplicações, especialmente as que envolvem calibração
de equipamentos, tais como conversores analógico-digitais,
registradores X-Y etc., faz-se necessário o emprego de uma
fonte de tensão de referência, permitindo ajuste preciso da
tensão de saída e alta estabilidade da mesma.
Nos experimentos
de voltametria cíclica, empregamos um registrador X-Y (PAR
modelo RE0074) que apresenta uma chave seletora para cada
eixo coordenado, possibilitando através de suas 5 posições,
selecionar o ganho do amplificador interno, de modo que se
possa registrar o voltamograma com um número de mV/cm
conhecido. No entanto, como o fator de multiplicação entre
as diversas posições é de uma ordem de grandeza, muitas
vezes o registro se apresenta com tamanho menor que o
desejado, e a mudança de escala não é factível, urna vez que
nesse caso o registro ultrapassa os limites do papel.
Apesar de o
registrador oferecer uma opção de ganho variável, permitindo
o livre ajuste do tamanho do voltamograma através de um
potenciômetro, perde-se nessa modalidade o valor da escala
utilizada. Esse valor é muitas vezes importante para a
determinação de certos parâmetros eletroquímicos.
Achamos de
interesse projetar e construir uma fonte de referência de
tensão portátil que seria empregada para permitir a
determinação da escala (número de mV/cm),. sempre que o
registrador fosse utilizado nestas circunstâncias. Assim,
após o registro do voltamograma, o operador pode aplicar uma
tensão precisamente conhecida, tanto nos terminais de
entrada do amplificador X como Y, registrando no canto do
papel dois segmentos ortogonais que permitirão facilmente
determinar as escalas dos eixos coordenados.
A Figura, a
seguir, ilustra um esboço de um voltamograma genérico
acompanhado do registro dos segmentos correspondentes a uma
tensão de 200 mV aplicada nos eixos
X e Y.
A conversão para
corrente (eixo Y) pode ser calculada através da lei de Ohm
(i = U/R). sabendo-se o valor da resistência interna do
gerador de onda triangular.
Circuito
esquemático completo da fonte de referência
Descrição do circuito eletrônico
Empregamos como
regulador de tensão o circuito integrado LM317A (Q1) da
National Semicondutor. Trata-se de um regulador ajustável da
3 terminais capaz de fornecer em sua saída tensões entre 1,2
e 37 V com
uma corrente da ordem de 1,5 A e estabilidade melhor que 0.3
%. A tensão
de saída pode ser pré-fixada pelos valores dos resistores
(R1) e (R2), segundo a equação:
Vsaída
= 1,25(1 + R1/R2) + Iaj.R1
onde Iaj
é igual a 100 microampères e a parcela Iaj.R1
pode ser considerada desprezível (6,8 mV) nesta aplicação.
Os valores de R1 e
R2, por nós selecionados fornecem uma tensão de saída igual
a 1,56 V, aplicada a um divisor resistivo formado por um
‘trimpot’ de
precisão (R4) e um potenciômetro (R3) de 10 voltas, em cujo
eixo foi fixado um ‘dial’ dotado de trava com menor divisão
de escala correspondente a 0,02 voltas.
A calibração foi
feita com o cursor do potenciômetro (R3) no fim da décima
volta e ajustando (R4) de modo a obter 1,000
V como tensão de
saída, medida com o auxilio de um multímetro digital Beckman
modelo 3050.
Convém ressaltar
que, alimentando o circuito com uma bateria comercial de 9
V, é
possível, mediante adequada escolha dos valores de (R1) e
(R2), obter tensões estabilizadas de até 5,0V ou mais.
A fim de poder monitorar o estado da bateria de 9 V,
projetamos um circuito simples que indica através de um
único diodo emissor de luz (LED) bicolor (representado por
D2 e D3) as seguintes situações representadas na tabela
abaixo.
|
Indicação visual do estado
da bateria |
|
Cor acesa |
Ubat.
(volts) |
Significado |
|
Verde |
> 6,8
|
Bom
estado |
|
Vermelha |
Entre
3,8 e 6,8 |
Convém
substituir a bateria |
|
LED
não acende |
< 3,8 |
Não
usar o aparelho nesta condição
|
Conforme
ilustrado, no circuito esquemático acima, diodos zener de
6,1 V (Z1) e 3,1 V (Z2) foram conectados em série com as
bases dos transistores (Q2) e (Q3), responsáveis pelo
acendimento do LED bicolor (D2) e (D3), respectivamente.
Devido à queda de
aproximadamente 0,7 V sobre o diodo base-emissor de cada
transistor, as tensões de comutação aumentam para 6,8 e 3,8
V. A função do diodo (D1) é impedir que as duas cores
acendam simultaneamente sempre que a bateria apresentar uma
tensão maior que 6,8 V
Assim, quando (Q2)
estiver conduzindo e a cor verde estiver acesa, não haverá
tensão suficiente no anodo de (Z2). para levar (Q3) à
saturação, e a cor vermelha permanecerá apagada.
Como interruptor
geral utilizamos urna chave de pressão (CH1), normalmente
aberta, conectada em série com o terminal positivo da
bateria.
Material
Resistores (W,
1/3 W, 1 %)
R1
¾
68
R2
¾
270
R3
¾
500: trimpot, 15 voltas
R4
¾
500: potenciômetro 10 voltas
R5, R6
¾
10k
R7, R8
¾
470
Semicondutores
Q1
¾
LM 317A
Q2, Q3
¾
BC558
D1
¾
1N4001
D2/D3
¾
LED bicolor
Z1
¾
diodo zener 6,1 V
Z2
¾
diodo zener 3,1 V
Capacitores (tântalo)
C1
¾
10
mF/16V
C2
¾
1
mF/16V
Diversos
CH1
¾
interruptor de pressão normalmente aberto
B1
¾
bateria de 9 V
Montagem
O aparelho foi
montado sobre uma placa de circuito impresso padrão e
alojado num gabinete plástico de (7 x 8,5 x 5) cm.
No painel frontal foram fixados o potenciômetro de 10 voltas
com o ‘dial’ de precisão, o interruptor de pressão e o LED
bicolor.
No painel lateral, a saída foi feita via dois conectores do
tipo ‘banana’.
Aferição
do aparelho
Foram medidas com
um multímetro digital Beckman modelo 3050 as tensões de
saída para 11 posições diferentes no ‘dial’, começando com
0,00 e incrementando uma volta de cada vez até totalizar
10,00 voltas.
Os resultados dos testes de aferição indicaram que as
tensões de saída apresentaram um desvio máximo de ± 0.001V
com relação ao valor selecionado no ‘dial’ conforme
ilustrado na tabela abaixo.
Esse desvio reflete a precisão do aparelho, uma vez que a
menor divisão do ‘dial’ (0,02 voltas) corresponde a 0,002 V.
Tensões de
saída versus número de voltas do ‘dial’
|
No
de voltas |
Tensão de saída (V) |
|
0,00 |
0,000 |
|
1,00 |
0,099 |
|
2,00 |
0,199 |
|
3,00 |
0,300 |
|
4,00 |
0,400 |
|
5,00 |
0,500 |
|
6,00 |
0,600 |
|
7,00 |
0,700 |
|
8,00 |
0,800 |
|
9,00 |
0,901 |
|
10,00 |
1,001 |
A estabilidade
térmica da tensão de saída foi verificada entre 4 oC
e 50 oC e foi de ± 0,001 V,entre 0,000 V e 1,000
V.
Diversas aferições
feitas nos últimos dois anos demonstraram que não há
necessidade de calibrações freqüentes.
REFERÊNCIAS
J. Gruber; V.L. Pardini e H. Viertler,
Química Nova,
15, 83 (1992).
Instituto de Química da Universidade de São Paulo
- Caixa Postal
26077 - CEP 05599-970 -
São Paulo -
S.P.
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