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Proteja
seu patrimônio
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Os jornais diariamente nos
informam, e nos alertam, sobre invasões de lares. A polícia
sempre destaca os cuidados mínimos que devem ser tomados. A
negligência pode levar a perdas de bens adquiridos, com
sacrifício, durante anos de trabalho. Recomendação básica: é
essencial dispor de um eficiente sistema de alarme. No
entanto, sistemas sofisticados de alarme ou segurança, além
de muito caros, nem sempre apresentam resultados
satisfatórios, principalmente porque passam a
ser bem conhecidos dos
intrusos, que acabam por desativá-los. Um sistema que seja
só seu, não comercial, pode ser
a solução; é o que descrevemos
neste trabalho.
Os poucos componentes usados
neste alarme tornam-no muito barato, e o fato de ser um
circuito não comercial o torna mais eficiente para o que se
pretende. Por outro lado, o fato de termos um projeto feito
por quem já tem experiência com a eletrônica, faz com que
ele seja seguro, eficiente e atenda às exigências da maioria
das pessoas.
O aparelho que propomos trabalha
com baixa tensão nos sensores, o que o torna seguro em
relação à presença de crianças e animais e, ao mesmo tempo,
evita que o corte de energia (pelo desligamento da chave
geral) o desarme. Em suma, não existem perigos de choques e
a sensibilidade ao disparo é grande.
Outro fator de destaque para o projeto está na existência de
'trava' -- uma vez ligado, permanece ligado -- e na
possibilidade de serem usados sensores lineares (fios
desencapados) de grande comprimento.
O sistema de trava faz com que o alarme se mantenha travado,
ou seja, ligado, mesmo que o intruso descubra no que tocou e
procure re-armar o sistema para interromper o barulho.
O uso de sensores lineares
longos permite que grandes extensões de muros ou cercas
sejam protegidas, sem perigo de instabilidades de
funcionamento ou disparos acidentais. Em especial, os
alarmes que usam integrados CMOS ou circuitos muito
sensíveis não são recomendados para esta aplicação pois,
justamente por serem sensíveis às descargas elétricas, podem
disparar pela simples ameaça ou aproximação de chuva.
Material
K1 —
MC2RC1 ou equivalente — micro-relé de 6V com dois
contatos (Metaltex)
B1 — 4 pilhas pequenas
F1 — 1A — fusível
S1 — interruptor simples
Diversos: fios, caixa para montagem, cigarras ou buzina,
cabo de alimentação, suporte de 4 pilhas etc.
Como funciona
Um simples relé é o
coração do alarme. Este relé está ligado aos sensores e a
uma fonte de alimentação, formada por 4 ou 6 pilhas comuns.
Os sensores podem ser de diversos tipos, como por exemplo
pêndulos que estejam montados próximos a argolas (veja
figura 6) ou então um fio longo desencapado que passe por
uma seqüência de argolas, conforme mostra a figura 1.
Outra possibilidade consiste no
uso de sensores de alarmes comerciais para portas e janelas,
formados por interruptores de lâminas (reed switch),
conforme mostra a figura
2.
A aproximação do imã do
interruptor de lâminas faz com que estas encostem uma na
outra, fechando o circuito.
Em quaisquer dos casos, a ação
do intruso, quer seja balançando o objeto em que está o
pêndulo (caso de sua instalação num carro), quer seja
tocando num fio que rodeie um muro (no caso de uma proteção
doméstica), ou mesmo abrindo uma porta ou janela, faz com
que uma breve corrente circule pela bobina do relé.
O resultado é a atração dos
contatos, que se fecham, ativando então a carga externa
(buzina, sirene etc.) e o sistema de trava.
O sistema de trava consiste no
aproveitamento de um dos contatos do relé, de tal forma que
ele realimenta a própria bobina do relé. Isso quer dizer
que, mesmo que o impulso de corrente que provocou o disparo
seja cortado, o relé se manterá ligado, acionando o alarme
externo. A carga externa
pode ser uma sirene, ligada na rede de 110 ou 220V, ou outro
aparelho que faça barulho. Observe
que os contatos do relé são isolados da bobina, o que quer
dizer que a tensão da rede de 110
ou 220V não passa para o
circuito dos sensores, o
que dá segurança para o sistema.
Podemos também montar um
circuito de baixa tensão para o aviso, como por exemplo uma
buzina de moto ou bicicleta alimentada por pilhas grandes; é
o que se ilustra na figura 3 (apenas 1 pilha está
ilustrada).
As pilhas devem ser das grandes,
pois a corrente é intensa, mas, como elas só fornecem
energia no momento do disparo, terão boa durabilidade.
Para a alimentação da bobina
também ocorre o mesmo, ou seja, como as pilhas só fornecem
energia no momento do disparo, sua durabilidade será de
muitos meses, mesmo quando o aparelho ficar permanentemente
ligado.
O relé usado tem bobina para 6V
(tipo MC2RC1 ou equivalente), mas a alimentação deve ser
feita com 4 ou 6 pilhas. Use 4 pilhas se os fios sensores
forem curtos, de modo que sua resistência não influa no
acionamento. No entanto, se um grande terreno for cercado, a
resistência total dos fios pode significar uma perda de
tensão, o que dificulta o acionamento do relé. Neste caso,
devemos fazer a alimentação com 6 pilhas ou uma bateria
'quadradinha' de 9V, para compensar os efeitos desta
resistência.
Montagem
Na figura 4 temos o
diagrama geral, em que o sensor é do tipo "argola com peso".
Observe atentamente o relé que
no caso controla 'dois interruptores' (2p2p = 2 pólos, 2
posições). Os pólos são p.1 e p.2 e as
posições são n.a (normalmente aberto) e
n.f (normalmente fechado). Quando o
relé não está ativado, as lâminas móveis (ou pólos) p.1
e p.2 tocam os terminais n.a
(é o que indica a ilustração cima)
e, quando está ativado, tocam os terminais n.f . Esse
relé é equivalente a uma chave H-H, mas não é o seu
dedo que aciona a chave, empurrando os contatos de um lado
para outro, quem faz isso é o eletroímã que faz parte do
relé.
Observe novamente e veja que, mesmo com a chave S1
fechada o relé não 'arma' (não é ativado), pois não há
caminho elétrico para passar corrente pela sua bobina. Mas,
se o sensor 'balançar' e encostar na argola, agora há um
percurso fechado (bateria/relé) e o relé 'arma'; p.1
passa para n.a e p.2 passa para seu n.a.
O contato p.1-n.a mantém o relé travado (armado,
ativado) e o contato p.2-n.a mantém a cigarra
funcionando.
Na figura 5 temos o aspecto real
da montagem para o caso de proteção de um muro onde os
sensores são do tipo "argola envolvendo fio".
Pormenores do sensor de "argola
com peso" são mostrados na figura 6. A argola e o peso podem
ter sua montagem tanto horizontal (à esquerda) como vertical
(à direita), dependendo do tipo de balanço a ser detectado.
Variante: Para os adeptos da eletrônica em um
grau um pouquinho maior, sugerimos um circuito para aumentar
a sensibilidade, em que o relé é ativado por um transistor.
Este circuito é mostrado na figura 7.
Este circuito reduz a corrente
de acionamento a tal ponto que mesmo no caso de haver
acúmulo de sujeira ou a formação de uma película de óxido
nos fios dos sensores, ainda assim o acionamento ocorrerá
sem problemas.
Recomendamos este circuito para o caso de instalação ao ar
livre e de grande extensão. Para o caso do circuito que não
usa o transistor, é conveniente que o fio sensor seja lixado
periodicamente nos pontos em que deve fazer contato com as
argolas.
Observe novamente: mesmo com a chave S1 fechada, o
relé não é ativado 'porque não há qualquer sinal positivo na
base do transistor' mas, se o sensor colocado entre os
pontos x e x 'fechar', através de R1
chegará um sinal positivo à base; o transistor 'conduz' e o
relé 'trava' (pois o contato p.1-n.a, através do
resistor R2 levará um sinal positivo para sua base).
Como salientamos, o relé usado é
o MC2RC 1 (Metaltex), mas equivalentes de 6V com dois
contatos reversíveis também funcionarão (uma sugestão é
reaproveitar relés retirados de pisca-pisca de automóveis
que foram trocados). O
fusível de proteção para o caso de alarme alimentado pela
rede é muito importante.
Não use cigarras ou sirenes que
precisem de corrente maior que 2A (200W na rede de 110V ou
400W na rede de 220V). Uma cigarra ou sirene industrial
forte tem esta ordem de potência e faz muito barulho.
Instalação
A prova de
funcionamento é simples: basta encostar um fio (x) no outro
(x) da saída do sensor que o relé deve travar e assim
permanecer. Para desligar
o alarme e re-armar devemos atuar sobre S1 (interruptor
geral), desligando-o e ligando-o novamente.
Na figura 8 temos um exemplo de
instalação, observando-se que diversos sensores de proteção
podem ser ligados em paralelo para maior proteção de
um patrimônio. Todos os fios marcados com xx são
interligados ao circuito.
Feita a instalação, verifique a atuação, ativando os
sensores.
Com todos os sensores
funcionando bem, para usar o alarme, basta ligá-lo atuando
sobre S1, lembrando que, na condição de espera, não há
consumo de energia.
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