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Transmissão
- Recepção Prof.
Luiz Ferraz Netto Introdução Parte A - Conceitos Básicos Movimento
periódico -- período -- freqüência Examinemos um ponto material descrevendo uma trajetória circular, em movimento uniforme. Como o movimento é uniforme (velocidade constante), o ponto executa uma volta completa gastando sempre o mesmo tempo em cada volta. Isto significa que, de tempos em tempos iguais, o ponto material retorna a uma mesma posição (após dar 1 volta); ele repete não só a posição, como também, as demais características cinemáticas, como, velocidade, aceleração etc. O movimento circular e uniforme é, portanto, um movimento periódico.
Oscilação
Uma unidade de freqüência muito utilizada é a oscilação por segundo (osc./seg.). Recebe o nome particular de hertz (símbolo, Hz). Falamos ainda em ciclo por segundo e abreviamos assim: c.p.s. ou cps. Por exemplo, a freqüência de 1000 Hz significa 1000 oscilações por segundo ou 1000 cps. Na verdade, quando falamos em “algo” oscilatório, esse algo não é necessariamente o movimento de alguma coisa material. Poderá ser um campo elétrico, um campo magnético, uma tensão elétrica, enfim, alguma coisa que além de apresentar uma periodicidade, inverta regularmente seu sentido de variação. Um exemplo importante disso está na corrente alternada que é uma corrente oscilatória típica. Vamos tentar ilustrar abaixo a corrente elétrica no trecho AB do circuito em instantes sucessivos to, t1, t2, ... , t12.
No
instante to, a corrente flui de A para B e a sua
intensidade é máxima. Nos instantes t1 e t2
essa corrente diminui de intensidade (mas mantém o sentido de A para
B), tornando-se nula em t3; a seguir, passa a fluir em
sentido contrário, isto é, de B para A, inicialmente com
intensidade crescente. Assim, aumenta de intensidade nos instantes t4
e t5, tornando-se máxima em t6; decresce em t7
e t8; anula-se em t9, e a seguir, muda
novamente de sentido. Aumenta em t10 e t11,
tornando-se máxima em t12. O que acontece em t12
é a primeira repetição do que acontece em to;
tudo o que ocorreu entre to e t12 vai se
repetir entre t12 e t24 ; em t24,
verifica-se então, a segunda repetição do que acontece em to
e, assim sucessivamente.
Noções
sobre ondas e sua propagação Vejamos o que acontece quando uma das extremidades de uma corda é convenientemente deformada, como nos mostra a figura:
A deformação inicial é produzida por um rápido deslocamento, da extremidade da corda, de baixo para cima (A para B) e a seguir de cima para baixo (B para A) (ilustração acima, à esquerda). Esta deformação propaga-se ao longo da corda. Dizemos, neste caso, que um pulso de onda propaga-se ao longo da corda (ilustração acima, à direita).
Para tornar a coisa mais compreensível façamos uma comparação. Imaginemos um barco navegando sobre um lago e uma onda propagando-se na superfície líquida.
No
movimento do barco, verifica-se claramente que matéria (o corpo
material barco) está sendo transportado ao longo da superfície do
lago. Na onda, contudo, não há transporte de matéria através da
superfície, mas sim, de energia. Tanto isto é verdade, que a rolha
(flutuando no lago) não acompanha o deslocamento da onda; ela apenas
oscila verticalmente enquanto a onda se propaga. Assim, uma das características básicas do movimento ondulatório é o fato de que, nele, ocorre fundamentalmente uma propagação de energia. Período,
freqüência e comprimento de onda
A extremidade livre executa um movimento em torno da posição A. Como vimos, qualquer ponto da corda repete, no decorrer do tempo, a oscilação executada pela fonte. O período da onda é o intervalo de tempo que um ponto do meio (no caso, a corda), atingido pela onda, necessita para executar uma oscilação completa. A freqüência será, então, o número de oscilações executadas na unidade de tempo. O comprimento de onda é o espaço que a onda percorre num período. Habitualmente representamos o comprimento de onda pela letra grega l (lâmbda). Sendo v, a velocidade de propagação de onda, e T o seu período, poderemos escrever: l = v.T . Como T = 1/f , onde f = freqüência, teremos ainda: l = v/f . Não é difícil verificar que o comprimento de onda representa a distância entre dois pontos sucessivos que se encontram, ao longo da onda, em idênticas condições. Veja, por exemplo, a configuração da onda na corda, no intervalo de tempo compreendido entre os instantes t e (t + T), ou seja, num período.
No instante t, o ponto P é atingido por uma onda periódica. Enquanto esta onda se propaga, para a direita, o ponto P vai descrevendo um movimento oscilatório. De acordo com a própria definição de período, no instante t + T, o ponto P estará completando exatamente uma oscilação. Nesse intervalo de tempo, a onda terá percorrido uma distância d mostrada na figura acima. Tendo em vista a definição, essa distância d será o comprimento de onda d = l. Os pontos P e Q, separados por um l, estão em idênticas condições. Tudo o que acontece em Q, acontecerá em P, exatamente da mesma maneira. Dizemos que os pontos P e Q estão em fase. Daí definirmos o comprimento de onda como sendo a distância entre dois pontos sucessivos, da onda, que estão em fase. Elongação
e amplitude
Podemos escrever: a = |sA| = |sB| , onde: |sA| = valor absoluto da elongação de A, |sB| = valor absoluto da elongação de B e a = amplitude. Numa onda a amplitude tem significado semelhante.
Tipos
de ondas Enfatizemos que em toda onda existe basicamente uma transmissão de energia através de um meio. Assim, existe uma classe de ondas em que a energia envolvida é uma energia mecânica. A esta classe pertencem as chamadas ondas mecânicas. O exemplo típico de onda mecânica é o som; como toda onda mecânica, ele exige um meio material para se propagar; ele não se propaga no vácuo. Há uma outra classe de ondas, em que a energia envolvida é de natureza eletromagnética e a sua propagação não exige um meio material. É a classe de ondas eletromagnéticas. Pertencem à classe das ondas eletromagnéticas: as radiações gama, as radiações X, as ultra violetas, as infra-vermelhas, as micro-ondas, as ondas de TV e as ondas de rádio. As ondas são caracterizadas pelos valores das suas freqüências. Assim, as ondas eletromagnéticas de freqüências mais elevadas são as radiações gama; seguem-lhes, na ordem decrescente das freqüências, as radiações X, as ultra-violetas, as ondas visíveis (luz), as infra vermelhas, as micro-ondas, as ondas de TV e as ondas de radiodifusão. Um fato realmente importante é que, todas as ondas eletromagnéticas, quaisquer que sejam as suas freqüências, apresentam, no meio vácuo, sempre a mesma velocidade de propagação; é ela c = 300.000 km/s. Lembrando que o comprimento de onda é l = c/f, poderemos concluir que o comprimento de onda é inversamente proporcional à freqüência. Assim, uma onda de radiodifusão de freqüência 30 000 hertz (30 kHz) possui comprimento de onda duas vezes menor que a de 15 000 hertz (15 kHz).
Parte B - Produção e Recepção de Ondas Eletromagnéticas Como
produzir uma onda eletromagnética?
O
circuito formado por uma pilha, um condutor AB e uma chave K,
é colocado a alguns metros de um pequeno rádio ligado e sintonizado
numa estação qualquer. Ligando e desligando a chave K, e
repetindo este processo continuamente, pode-se ouvir um sinal
correspondente no rádio. Na prática, a chave K pode ser
substituída por uma lima; um dos fios é preso na lima e o outro
raspado contra ela).
Talvez
possamos ir um pouco além na explicação aqui apresentada.
Grosso modo, poderemos afirmar o seguinte: a variação da corrente em AB produz um pulso eletromagnético que se propaga com a velocidade de 300 000 quilômetros por segundo, o qual, atingindo a antena do rádio portátil, provoca um processo inverso, ou seja, o pulso eletromagnético gera, na antena, uma corrente elétrica cuja variação é idêntica àquela ocorrida no condutor AB. Desta forma, tudo passa como se aquela corrente variável tivesse sido transferida 'diretamente' do condutor AB para a antena do rádio. É preciso salientar que, nesta transferência há uma séria diminuição da intensidade do pulso mas, o modo como a corrente varia, é fielmente transferida de AB para o receptor. Dizemos
que o sistema, ao qual pertence o condutor AB, é um transmissor,
enquanto que o rádio, como sabemos, é um receptor.
O condutor AB é a antena do
transmissor. Repetindo o que já dissemos antes, na antena do transmissor, uma corrente elétrica varia e gera uma onda eletromagnética; esta atinge a antena do receptor, e ai, induz uma corrente elétrica que varia exatamente como na antena do transmissor. A diferença (no transmissor e no receptor) está portanto, na ordem em que as coisas acontecem. No transmissor temos, corrente elétrica ==> onda eletromagnética, enquanto que no receptor temos, onda eletromagnética ==> corrente elétrica. Não é de se estranhar, portanto, que os circuitos básicos do transmissor e do receptor sejam muito semelhantes entre si. O
transmissor e o receptor
No
microfone, as vibrações sonoras são convertidas em vibrações de
corrente elétrica. As vibrações da corrente elétrica, agora na
antena do transmissor, geram as ondas eletromagnéticas que se
propagam através do meio (ar, no caso) com a velocidade de 300 000
km/s. Na antena do receptor, a onda eletromagnética captada origina
vibrações da corrente elétrica, qualitativamente idênticas àquelas
que deram origem à onda, na antena transmissora. No alto falante,
uma das partes do receptor, essas vibrações da corrente elétrica são
convertidas em vibrações sonoras, qualitativamente idênticas àquelas
recebidas pelo microfone. Veja, no diagrama abaixo, a palavra alô passando por várias formas diferentes, ao ser transportada do microfone ao alto falante.
Parte C - O transmissor Noções
sobre o mecanismo de transmissão - AM e FM
Como já dissemos, a onda portadora não transmite informação nenhuma; ela caracteriza o transmissor que a emite. Assim, para receber, num dado receptor, a rádio Jovem Pan, deveremos sintonizar esse receptor na freqüência característica dessa emissora, ou seja, 620 kHz. Essa onda portadora da rádio Jovem Pan tem comprimento de onda de, aproximadamente, 484 m (veja cálculo no quadro acima). Para transmitir alguma mensagem, a onda eletromagnética correspondente a essa mensagem deverá ser sobreposta à onda portadora. A onda portadora, assim modificada, estará transportando a mensagem,justamente contida nessa modificação. Procure entender, o que dissemos, examinando com atenção as figuras abaixo.
Na primeira figura não está sendo transmitida mensagem nenhuma (CH-aberta). O transmissor emite apenas a sua onda portadora, de amplitude e freqüência constante.Na segunda figura, introduzimos uma informação no microfone (com CH-fechada). Esta informação (um som) convertida em onda eletromagnética, encontra-se sobreposta à onda portadora. Veja, como a amplitude da onda portadora, antes constante, varia exatamente como varia a onda que representa a informação a ser transmitida. Em suma, a variação da amplitude traduz a mensagem superposta. Dizemos, neste caso, que a onda está MODULADA EM AMPLITUDE. Em outras palavras, temos a transmissão de informações em amplitude modulada (A.M.). Outras vezes, prefere-se introduzir a mensagem na freqüência da onda portadora. Neste caso, faz-se variar a freqüência, antes constante, exatamente segundo a mensagem que se pretende transmitir. Dizemos que a transmissão é feita em freqüência modulada (F.M.). Procure entender, o que dissemos, nas figuras abaixo.
Na primeira figura, não há mensagem nenhuma, e o transmissor emite apenas a sua onda portadora de freqüência e amplitude constantes. Na segunda figura, o som captado pelo microfone é convertido em variação de corrente elétrica. Esta variação vai interferir na onda portadora, modificando, não a sua amplitude, mas a sua freqüência. A variação da freqüência da onda portadora contém a mensagem captada pelo microfone. Por isso dizemos que a onda está modulada em freqüência, ou então, que a transmissão é feita em freqüência modulada (F.M.). A esta altura, parece não haver mais dificuldades em definir modulação. Modulação é o processo de fazer variar alguma característica da onda portadora, de modo que ela possa transportar uma mensagem. Então, uma onda portadora alterada de tal maneira que passe a conduzir uma mensagem, denomina-se onda modulada. Exemplo do índio: Uma comparação, embora um tanto superficial, poderá ser feita para tornar mais fácil o entendimento básico a respeito da modulação. A fumaça de uma fogueira era utilizada, pelos índios, para resolver os seus problemas de comunicação. Mas, um fluxo, de fumaça, contínuo, como é fácil compreender, não contém mensagem nenhuma.
Uma fumaça “contínua”, poderá indicar, no máximo, que existe algum índio, do outro lado, querendo dizer alguma coisa. Não poderá contudo transmitir mensagem nenhuma. Esta fumaça contínua é comparável à onda portadora do rádio transmissor. Agora, interrompendo o fluxo de fumaça, periodicamente, segundo um certo código, previamente conhecido, a fumaça poderá estar transmitindo alguma mensagem; pelo menos, haverá condições para que isto esteja sendo feito.
A fumaça 'fragmentada' contendo informações é comparável à onda modulada da rádio transmissão. Parte D - O receptor Noções
sobre a recepção da onda eletromagnética
Na figura temos o circuito mais simples possível de um receptor radiofônico. Em (1) a onda modulada proveniente da 'estação transmissora' atinge a antena, onde gera uma corrente elétrica (2) que oscila da mesma maneira que a onda recebida. Esta corrente oscilante tende a circular entre a bobina e o capacitor, como se vê em (3). Para transformar em onda sonora (5) o modo de variação de amplitude dessa corrente oscilante, deveremos aproveitar apenas uma metade da corrente elétrica (4), a que circula somente num determinado sentido.
Para eliminar uma das metades da corrente oscilante, utilizamos um elemento de circuito chamado diodo. Este deixa passar a corrente elétrica num só sentido, bloqueando-a no sentido inverso -- é um elemento retificador de corrente.
Deixando
passar a corrente num só sentido, o diodo consegue eliminar uma
metade da corrente oscilante modulada, aproveitando-se apenas a outra
metade. No fone, a mensagem é convertida em energia sonora: a variação
da corrente elétrica, traduzindo a mensagem, é convertida em vibrações
mecânicas audíveis. O receptor que acabamos de mostrar, extremamente simples, é comumente chamado de rádio galena. E isto porque, os primeiros receptores de rádio eram deste tipo; fazendo o papel do diodo eles usavam um minério chamado galena. Daí a denominação rádio galena. Esse cristal de galena é normalmente substituído por um diodo de germânio que cumpre exatamente a mesma função do galena, ou seja, retificar a onda. Neste receptor não usamos nenhuma fonte de energia elétrica (pilha, baterias etc.). De onde vem, então, a energia necessária para produzir o som no fone? Não é difícil perceber que essa energia vem da própria onda eletromagnética captada pelo receptor. Indiretamente ela é fornecida, então, pelo transmissor. Ao ser captada, é muito pequena essa energia; mas, ela pode ser suficiente para fazer vibrar a membrana do fone, sem a necessidade de um reforço fornecido pelos 'amplificadores' (que contém geradores de energia elétrica, tais como, pilhas e baterias). O
circuito oscilante Com
o capacitor carregado, e a chave K desligada, toda a energia
encontra-se no campo elétrico que se estabelece no interior do
capacitor. Ligando a chave K, uma corrente elétrica passará a fluir
através da bobina, e como conseqüência, aparecerá um campo magnético.
O campo elétrico diminui no capacitor, à medida que a corrente elétrica,
e portanto o campo magnético, aumenta na bobina. Haverá um momento
em que a carga será nula no capacitor e a corrente máxima na
bobina. Nesse momento toda a energia estará no campo magnético da
bobina.
No receptor, para sintonizar as diferentes freqüências (as diferentes estações), deveremos variar, ou a sua bobina (normalmente através de um cursor que altera o número de espiras), ou então, o seu capacitor (normalmente usando um capacitor variável). E isto porque, para cada par bobina-capacitor existe uma determinada freqüência característica.
Na figura acima, em (a), sintonizamos as diferentes freqüências, variando o número de espiras da bobina com o auxílio do cursor C e, em (b), usando um capacitor variável. Em nossa Parte Experimental usaremos dessas duas técnicas. Ainda, dentro desta primeira etapa (rudimentos) de compreensão, damos a seguir um exemplo, em forma de diagramas, da transmissão e recepção de uma mensagem.
Descrição sucinta: (1) A onda modulada em amplitude (AM) atingindo a antena de um receptor. (2) A corrente elétrica induzida no circuito oscila da mesma forma que a onda modulada. Note que o modo de variação da amplitude traduz a mensagem transmitida. (3) O diodo deixa passar apenas a corrente elétrica que tem um determinado sentido. Como conseqüência, passa para o fone apenas uma metade da corrente oscilante pulsando de acordo com a mensagem. (4) No fone, a corrente variando segundo (3) faz vibrar a membrana, produzindo uma onda sonora idêntica àquela captada pelo microfone do transmissor. Ali a energia elétrica é convertida em energia térmica e sonora. Parte Experimental Nas
partes anteriores vimos de modo bastante simples de que modo podem
ser produzidas as ondas eletromagnéticas e sua propagação pelo
espaço. Nada melhor para fixar este aprendizado do que realizar
algumas experiências simples com ondas de rádio, tanto na transmissão
como na recepção. Introdução
Esta bobina consiste, na realidade, num transformador de alta tensão, de núcleo aberto, dotado de um vibrador acionado pelo magnetismo do próprio núcleo. Seu primário tem poucas espiras, mas seu secundário consta de milhares de voltas de fio, produzindo assim tensões muito altas. A menos do vibrador, isso que estamos descrevendo é exatamente a bobina de ignição automotiva (no caso, o vibrador é substituído pelo platinado do veículo). Quando ligada a uma bateria, a bobina produz faíscas de alta tensão que, aplicadas a um circuito ressonante e de antena, produz ondas de rádio.
É
claro que essas ondas não levavam informação alguma, pois são
ondas contínuas (Continuous Waves -- CW), mas podem
propagar-se a distâncias enormes. Interrompendo
em intervalos regulares estas ondas, pode-se estabelecer uma comunicação
codificada através do código Morse. Marconi,
Hertz e outros pesquisadores da era do rádio utilizaram este tipo de
configuração para experiências de transmissão de ondas de rádio.
Há uma variante desses transmissores na nossa Sala 15; clique
aqui. Projeto
1
O
“centelhador” é na realidade um vibrador que rapidamente
interrompe e estabelece a corrente que circula pelo circuito. Esta
corrente excita a bobina e o capacitor que formam o circuito
“ressonante”, produzindo assim a oscilação que se propaga pelo
espaço na forma de ondas eletromagnéticas. A
bobina L1 consiste de 100 voltas de fio comum (cabinho 22) num bastão
de ferrite, e o capacitor variável é do tipo comum (1 secção)
aproveitado de algum velho rádio. Nota: Observe que o sinal “se espalha” por boa parte da faixa de ondas médias. Este problema é que impede que o transmissor tenha aplicações diferentes das experimentais, pois interferiria em outras emissões. Projeto
2 Uma versão moderna, de freqüência estável, pode ser montada com apenas um transistor, conforme a esquematização a seguir:
A montagem, em ponte de terminais, é a ilustrada abaixo.
A
bobina L1 consiste de 80 voltas de fio, comum ou esmaltado (#22 ou
#24), enroladas num bastão de ferrite de 10 a 15 cm de comprimento,
1,0 cm de diâmetro, com tomada na 40a espira. O
transistor pode ser o BC548 ou qualquer equivalente de uso
geral. Para ajustar o transmissor, que opera emitindo onda continua (CW), basta apertar o manipulador e ajustar CV para que seu sinal seja captado num radinho nas proximidades, sintonizado num ponto livre da faixa de ondas médias.
Projeto
3
1. Fio de cobre esmaltado para o enrolamento da bobina. Vamos precisar de 20 metros de fio # 24 (lojas de enrolamentos e consertos de motores); 2. Um tubo de PVC, ou mesmo, de papelão duro, para enrolar a bobina. Para se ter uma idéia grosseira desse tubo, basta dizer, que é possível substituí-lo pelo tubo de papelão no qual vem enrolando o papel higiênico. Esse tubo de material bom isolante elétrico tem comprimento de 10 a 12 cm e diâmetro entre 2,5 e 3,0 cm. 3. Um capacitor fixo. Seu valor é algo como 78 pF (leia 78 picofarad), disco ou cerâmico. 4. Um diodo de germânio para RF. Serve o tipo OA-90 ou equivalente (1N34 etc.) 5. Um fone de ouvido (cristal). Obtido de antigos rádios à pilha (os atuais fones de 8 ohms não servem!). 6. Fios longos para serem usados como antena e como “Fio-terra’’. Uns 20 metros de cabinho # 22 devem ser suficientes. É claro, necessitamos das especificações técnicas de cada um destes elementos, pois do contrário, nenhuma loja poderá nos fornecer o material adequado. Damos estas especificações, acima, junto com a lista dos materiais. É possível que você não entenda exatamente o que elas significam; mas, pode estar certo de que, o homem da loja, ao ler a especificação, saberá, com exatidão, o que está sendo pedido. Em linhas gerais, a montagem de um rádio galena pode ser resumida nos itens abaixo.
1. Enrolar o fio esmaltado #24, no tubo, para obter uma bobina com núcleo de ar. Deixar 15 cm livre em cada extremidade e lixar essas extremidades para retirar o esmalte protetor (detalhe acima à esquerda). 2. A seguir, os diferentes elementos deverão ser ligados como mostra a figura acima. Seu professor ou um amigo técnico em eletrônica poderá auxilia-lo nessa etapa. Eis uma montagem caseira:
Projeto
4 Esse projeto já se encontra descrito na Sala 15 - Eletrônica sob o título: Transmissor/Receptor Elementar 2. Para se transferir para lá, clique aqui. Projeto
5 Como
se sabe, um rádio galena (também
denominado 'receptor de germânio', pelo fato do diodo de germânio
substituir o cristal de galena) não necessita de fonte de alimentação
própria para seu funcionamento; uma simples antena e uma boa tomada
de terra asseguram seu rendimento. A
bobina de sintonia pode ser feita com um tubo de PVC de 3,0 cm de diâmetro.
Para sintonizar as rádios de ondas médias (tradicional OM), o
enrolamento L1 comportará 40 espiras juntas e L2 com 120 espiras
juntas, com tomada na 45a espira a contar da extremidade
de terra. L1 e L2 são enrolados no mesmo sentido e o espaçamento
entre os dois enrolamentos deve ser de 3 mm. Ambos os enrolamentos
usam fio de cobre esmaltado de diâmetro 0,2 mm. O capacitor variável (CV) poderá estar compreendido entre 400 pF e 500 pF; podendo-se usar tanto o tipo de dielétrico de ar como o de mica. O capacitor (C1) que vai em paralelo com os fones de ouvido (filtro para a rádio-freqüência) é de 1500 pF, cerâmico. O diodo (D1) é do tipo de germânio e poderá ser um OA79, OA85, 1N34 etc. Os fones de ouvido devem ser de alta impedância; 2000 ohms ou mais.
A seletividade desse receptor não é muito alta, mas atende perfeitamente nossos motivos didáticos. Sua apresentação (e discussão) em Feira de Ciências é altamente recomendada, não só por esclarecer os princípios da rádio-difusão, mas por tratar-se de uma aplicação totalmente ecológica e sem o consumo de nenhuma energia extra (a não ser aquela já transportada pela própria onda eletromagnética).
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