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Transmissão -
Recepção
Rádio Galena
Iniciação aos fenômenos ondulatórios
[Recomendado
para 8a série e iniciantes em eletrônica]
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
É rara a apresentação, em Feira de Ciências, de um trabalho e/ou
experimento sobre a produção de ondas eletromagnéticas. A
apresentação, por sua vez, de rádios-galena (ou outros receptores de
ondas eletromagnéticas) não é nada rara, e isso é muito bom! O que
não é bom é que tais apresentações, no geral, são feitas sem o
respaldo de qualquer base teórica mínima para o entendimento do
tema. O aluno ou grupo responsável pelo trabalho, via de regra, não
sabe o que é transmissão, portadora, modulação, AM, FM, detecção e
coisas do gênero. A finalidade desse trabalho é tentar minimizar
essa falha. Espero contar com a ajuda dos professores para a
complementação desse trabalho. Escrevam-me apresentando suas
sugestões/comentários.
Parte A - Conceitos
Básicos
Movimento periódico
-- período -- freqüência
Movimento periódico é aquele em que, de tempos em tempos
sucessivos e iguais, um mesmo estado cinemático (posição,
velocidade, aceleração etc.) se repete. O
período é o intervalo de tempo mínimo que separa dois desses
estados iguais. A
freqüência é o número de vezes que um
mesmo estado se repete na unidade de tempo. Difícil? Bem, tentemos
um 'visualização' disso.
Examinemos um ponto material descrevendo
uma trajetória circular, em movimento uniforme. Como o movimento é
uniforme (velocidade constante), o ponto executa uma volta completa
gastando sempre o mesmo tempo em cada volta. Isto significa que, de
tempos em tempos iguais, o ponto material retorna a uma mesma
posição (após dar 1 volta); ele repete não só a posição, como
também, as demais características cinemáticas, como, velocidade,
aceleração etc. O movimento circular e uniforme é, portanto, um
movimento periódico.
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O período
(T) desse movimento é o intervalo de tempo necessário
para que o ponto execute exatamente uma volta completa.
A freqüência (f) é o número de voltas que o ponto
material executa na unidade de tempo.
Você deverá ser capaz de mostrar que:
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Oscilação
Movimento oscilatório é um movimento
periódico que se realiza em dois sentidos opostos, ora num, ora
noutro. É o caso do movimento pendular.
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O pêndulo descreve a
trajetória AB, ora num sentido (por exemplo de A para
B), ora noutro (de B para A). Além disto, o seu
movimento é periódico, pois, de tempos em tempos iguais,
o pêndulo assume uma mesma posição, com a mesma
velocidade e a mesma aceleração.
O
período do pêndulo é o intervalo de tempo
necessário para realizar uma oscilação completa. O
número de oscilações realizadas na unidade de tempo é a
freqüência do pêndulo. |
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Uma unidade de freqüência muito
utilizada é a oscilação por segundo
(osc./seg.). Recebe o nome particular de hertz
(símbolo, Hz). Falamos ainda em
ciclo por segundo e abreviamos assim:
c.p.s. ou cps. Por exemplo, a freqüência de 1000 Hz significa 1000
oscilações por segundo ou 1000 cps.
Na verdade, quando falamos em “algo”
oscilatório, esse algo não é necessariamente o movimento de alguma
coisa material. Poderá ser um campo elétrico, um campo magnético,
uma tensão elétrica, enfim, alguma coisa que além de apresentar uma
periodicidade, inverta regularmente seu sentido de variação.
Um exemplo importante disso está na
corrente alternada que é uma corrente
oscilatória típica. Vamos tentar ilustrar abaixo a corrente elétrica
no trecho AB do circuito em instantes sucessivos to, t1,
t2, ... , t12.
No instante to, a corrente
flui de A para B e a sua intensidade é máxima. Nos instantes t1
e t2 essa corrente diminui de intensidade (mas mantém o
sentido de A para B), tornando-se nula em t3; a seguir,
passa a fluir em sentido contrário, isto é, de B para A,
inicialmente com intensidade crescente. Assim, aumenta de
intensidade nos instantes t4 e t5, tornando-se
máxima em t6; decresce em t7 e t8;
anula-se em t9, e a seguir, muda novamente de sentido.
Aumenta em t10 e t11, tornando-se máxima em t12.
O que acontece em t12 é a primeira repetição do
que acontece em to;
tudo o que ocorreu entre to e t12 vai se
repetir entre t12 e t24 ; em t24,
verifica-se então, a segunda repetição do que acontece em to
e, assim sucessivamente.
O intervalo de tempo to |----| t12
equivale, portanto, ao período da corrente
elétrica em questão. De fato, esse intervalo separa duas
repetições sucessivas.
O gráfico abaixo "intensidade de corrente elétrica versus
tempo" é uma maneira cômoda de se observar essas variações descritas
acima:
Noções sobre ondas e
sua propagação
O que venha a ser
uma onda e quais são as particularidades ligadas à sua existência?
Eis, algumas das questões que deveremos esclarecer aqui.
Vejamos o que acontece quando uma das
extremidades de uma corda é convenientemente deformada, como nos
mostra a figura:
A deformação inicial é produzida por um
rápido deslocamento, da extremidade da corda, de baixo para cima (A
para B) e a seguir de cima para baixo (B para A) (ilustração
acima, à esquerda). Esta
deformação propaga-se ao longo da corda. Dizemos, neste caso, que um
pulso de onda propaga-se ao longo da
corda (ilustração acima, à
direita).
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É claro que uma sucessão
de pulsos poderá ser produzida na extremidade da corda;
neste caso, estabelece-se ao longo da corda uma onda em
propagação; dizemos, ainda, que se estabelece um "trem"
de ondas.
O que acabamos de mostrar é apenas um exemplo de onda,
aquela que se forma ao longo de uma corda. Neste
exemplo, bastante simples, poderemos observar uma classe
de propriedades e de grandezas comuns a todas as ondas.
Qualquer ponto da corda
atingido pela onda repete o movimento realizado pela
extremidade onde teve início a propagação. Esta
extremidade é a fonte de ondas.
Veja, por exemplo, o ponto P na sucessão da ilustração
ao lado. À medida que a onda se desloca para a direita,
o ponto P oscila na direção vertical, da mesma forma que
o fez a fonte (extremidade da esquerda). Agora, observe
o tipo de movimento realizado pelo ponto P e compare-o
com o movimento da onda. A onda se movimenta ao longo da
corda, no caso presente, na direção horizontal, enquanto
o ponto P, apenas, oscila, repetindo o movimento da
fonte. A onda não arrasta consigo o ponto material P;
ela consta basicamente de energia que se transmite de
ponto para ponto.
O que queremos enfatizar é que a onda transporta
energia através do meio de
propagação, mas não transporta matéria. |
Para tornar a coisa mais compreensível
façamos uma comparação. Imaginemos um barco navegando sobre um lago
e uma onda propagando-se na superfície líquida.
No movimento do barco, verifica-se
claramente que matéria (o corpo material barco) está sendo
transportado ao longo da superfície do lago. Na onda, contudo, não
há transporte de matéria através da superfície, mas sim, de energia.
Tanto isto é verdade, que a rolha (flutuando no lago) não acompanha
o deslocamento da onda; ela apenas oscila verticalmente enquanto a
onda se propaga.
Uma corrente de água (como a de um rio) não é, portanto, um
movimento ondulatório; nela, as partículas de água (matéria) estão
sendo deslocadas ao longo da corrente, e isto não pode acontecer
numa propagação ondulatória.
Assim, uma das características básicas
do movimento ondulatório é o fato de que, nele, ocorre
fundamentalmente uma propagação de energia.
Período, freqüência e
comprimento de onda
Retomando o exemplo da onda
na corda, admitamos que a extremidade, funcionando como fonte, seja
submetida a um movimento oscilatório. Com isso, obteremos uma onda
periódica, à qual poderemos associar as grandezas
período,
freqüência e comprimento de onda.
A extremidade livre executa um movimento
em torno da posição A. Como vimos, qualquer ponto da corda repete,
no decorrer do tempo, a oscilação executada pela fonte. O
período da onda é o intervalo de tempo
que um ponto do meio (no caso, a corda), atingido pela onda,
necessita para executar uma oscilação completa.
A freqüência
será, então, o número de oscilações executadas na unidade de tempo.
O comprimento de
onda é o espaço que a onda percorre num período.
Habitualmente representamos o comprimento de onda pela letra grega
l
(lâmbda). Sendo v, a velocidade de propagação de onda, e T
o seu período, poderemos escrever:
l =
v.T . Como T = 1/f ,
onde f = freqüência, teremos ainda:
l = v/f .
Não é difícil verificar que o
comprimento de onda representa a distância entre dois pontos
sucessivos que se encontram, ao longo da onda, em idênticas
condições. Veja, por exemplo, a
configuração da onda na corda, no intervalo de tempo compreendido
entre os instantes t e (t + T), ou seja, num período.
No instante t, o ponto P é
atingido por uma onda periódica. Enquanto esta onda se propaga, para
a direita, o ponto P vai descrevendo um movimento
oscilatório. De acordo com a própria definição de período, no
instante t + T, o ponto P estará completando exatamente uma
oscilação. Nesse intervalo de tempo, a onda terá percorrido uma
distância d mostrada na figura acima. Tendo em vista a
definição, essa distância d será o comprimento de onda d =
l.
Os pontos P e Q, separados
por um l,
estão em idênticas condições. Tudo o
que acontece em Q, acontecerá em P, exatamente da
mesma maneira. Dizemos que os pontos P e Q estão em
fase. Daí definirmos o comprimento de onda como sendo a distância
entre dois pontos sucessivos, da onda, que estão em fase.
Elongação e amplitude
Imaginemos um movimento
oscilatório executado por um ponto material
P, em torno da posição de
equilíbrio O.
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Sendo
P a posição genérica assumida no instante
t, a elongação (nesse instante ou nessa posição) é, por
definição, o valor algébrico do espaço
OP(s).
Orientando a trajetória de O para A (como mostra a
figura), as posições situadas no segmento
OA terão elongações
positivas e as posições situadas no segmento
OB, terão elongações
negativas.
A amplitude (a) é o valor absoluto das elongações
correspondentes aos extremos A
e B. Em outras
palavras, a amplitude representa o valor máximo da
elongação. |
Podemos escrever: a = |sA|
= |sB| , onde: |sA| = valor
absoluto da elongação de A, |sB| = valor absoluto
da elongação de B e a = amplitude.
Numa onda a
amplitude tem significado semelhante.
Tipos de ondas
Até aqui vimos um tipo de onda, muito
simples, facilmente observável, aquela que se estabelece ao longo da
corda. Mas, praticamente tudo o que aprendemos em relação a ela,
poderá ser estendido para qualquer outro tipo de onda.
Enfatizemos que em toda onda existe
basicamente uma transmissão de energia através de um meio. Assim,
existe uma classe de ondas em que a energia envolvida é uma energia
mecânica. A esta classe pertencem as chamadas
ondas mecânicas. O exemplo típico de onda mecânica é o som;
como toda onda mecânica, ele exige um meio material para se
propagar; ele não se propaga no vácuo.
Há uma outra classe de ondas, em que a
energia envolvida é de natureza eletromagnética e a sua propagação
não exige um meio material. É a classe de
ondas eletromagnéticas. Pertencem à classe das ondas
eletromagnéticas: as radiações gama, as radiações X, as ultra
violetas, as infra-vermelhas, as micro-ondas, as ondas de TV e as
ondas de rádio.
As ondas são caracterizadas pelos
valores das suas freqüências. Assim, as ondas eletromagnéticas de
freqüências mais elevadas são as radiações gama; seguem-lhes, na
ordem decrescente das freqüências, as radiações X, as
ultra-violetas, as ondas visíveis (luz), as infra vermelhas, as
micro-ondas, as ondas de TV e as ondas de radiodifusão.
Um fato realmente importante é que,
todas as ondas eletromagnéticas, quaisquer que sejam as suas
freqüências, apresentam, no meio vácuo, sempre a mesma velocidade
de propagação; é ela c = 300.000 km/s.
Lembrando que o comprimento de onda é
l
= c/f, poderemos concluir que
o comprimento de onda é
inversamente proporcional à freqüência. Assim, uma onda de
radiodifusão de freqüência 30 000 hertz (30 kHz) possui comprimento
de onda duas vezes menor que a de 15 000 hertz (15 kHz).
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