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Transmissão -
Recepção
Rádio Galena
Iniciação aos fenômenos ondulatórios
[Recomendado para 8a série e iniciantes em eletrônica]
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Parte D - O
receptor
Noções sobre
a recepção da onda eletromagnética
Captando a onda
modulada, o receptor deverá basicamente retirar a mensagem,
da onda portadora. Na antena do receptor, a onda modulada,
desde que haja sintonização, gera uma corrente elétrica,
cuja intensidade varia da mesma forma que a onda. Sendo a
modulação em amplitude, a mensagem estará contida no modo de
variação da amplitude. Nestas condições, devemos isolar uma
corrente que traduza apenas o modo de variação da amplitude
e não de toda a onda modulada. Vamos ilustrar isso tudo.
Na figura temos o circuito mais
simples possível de um receptor radiofônico. Em (1) a
onda modulada proveniente da 'estação transmissora' atinge a
antena, onde gera uma corrente elétrica (2) que
oscila da mesma maneira que a onda recebida. Esta corrente
oscilante tende a circular entre a bobina e o
capacitor, como se vê em (3).
Para transformar em onda sonora (5) o modo de
variação de amplitude dessa corrente oscilante, deveremos
aproveitar apenas uma metade da corrente elétrica (4),
a que circula somente num determinado sentido.
Para eliminar uma das metades da
corrente oscilante, utilizamos um elemento de circuito
chamado diodo. Este deixa
passar a corrente elétrica num só sentido, bloqueando-a no
sentido inverso -- é um elemento retificador de
corrente.
Deixando passar a corrente num
só sentido, o diodo consegue eliminar uma metade da corrente
oscilante modulada, aproveitando-se apenas a outra metade.
No fone, a mensagem é convertida em energia sonora: a
variação da corrente elétrica, traduzindo a mensagem, é
convertida em vibrações mecânicas audíveis.
Observe que no fone de cristal está entrando metade da onda
modulada em amplitude, ou seja, ali tem alta freqüência
(característica do transmissor) e baixa freqüência
(mensagem). O cristal do fone não reage bem às altas
freqüências típicas das ondas eletromagnéticas e, por isso,
deveremos eliminar essa parcela de alta freqüência
(normalmente isso é feito através de um capacitor de
filtro ligado em paralelo com o fone--- aguarde!).
O receptor que acabamos de
mostrar, extremamente simples, é comumente chamado de
rádio galena. E isto porque, os
primeiros receptores de rádio eram deste tipo; fazendo o
papel do diodo eles usavam um minério chamado galena.
Daí a denominação rádio galena. Esse cristal de galena é
normalmente substituído por um diodo de germânio que cumpre
exatamente a mesma função do galena, ou seja, retificar a
onda. Neste receptor não usamos nenhuma fonte de energia
elétrica (pilha, baterias etc.).
De onde vem,
então, a energia necessária para produzir o som no fone?
Não é difícil perceber que essa
energia vem da própria onda eletromagnética captada pelo
receptor. Indiretamente ela é fornecida, então, pelo
transmissor. Ao ser captada, é muito pequena essa energia;
mas, ela pode ser suficiente para fazer vibrar a membrana do
fone, sem a necessidade de um reforço fornecido pelos
'amplificadores' (que contém geradores de energia elétrica,
tais como, pilhas e baterias).
O circuito
oscilante
Infelizmente, nessa
primeira etapa de compreensão, não podemos detalhar o
funcionamento do chamado circuito oscilante, constituído
pela bobina e pelo capacitor. Mas saiba que, tanto o
transmissor, como o receptor, possui um circuito oscilante,
e que, para cada par bobina-capacitor existe uma determinada
freqüência característica.
Com o capacitor carregado, e a
chave K desligada, toda a energia encontra-se no campo
elétrico que se estabelece no interior do capacitor. Ligando
a chave K, uma corrente elétrica passará a fluir através da
bobina, e como conseqüência, aparecerá um campo magnético. O
campo elétrico diminui no capacitor, à medida que a corrente
elétrica, e portanto o campo magnético, aumenta na bobina.
Haverá um momento em que a carga será nula no capacitor e a
corrente máxima na bobina. Nesse momento toda a energia
estará no campo magnético da bobina.
A seguir, a corrente começará a diminuir, enquanto que o
capacitor passará a eletrizar-se (carregar-se) com sinal
oposto: o que era positivo torna-se negativo e o que era
negativo torna-se positivo. Haverá um instante em que a
eletrização no capacitor atinge um máximo e a corrente na
bobina torna-se nula.
A seguir, a corrente começará a fluir em sentido oposto ao
anterior; torna-se máxima, nesse novo sentido, enquanto a
carga no capacitor se anula. A corrente torna a diminuir e o
capacitor a carregar-se. Assim sucessivamente, entre o
capacitor e a bobina estabelece-se uma corrente variável,
que tem ora, um sentido, ora, outro. Dizemos que o circuito
é percorrido por uma corrente oscilante. Ora,
corrente oscilante apresenta carga elétrica em aceleração e
em desaceleração. Como tal, compreende-se que um circuito
oscilante possa emitir onda eletromagnética.
O processo inverso é também verdadeiro; uma onda
eletromagnética atingindo um circuito oscilante, poderá
produzir (induzir) neste, uma corrente elétrica oscilante. É
isto o que acontece no circuito oscilante de um receptor.
Nas figuras abaixo procuramos mostrar o circuito oscilante
em diferentes momentos, descritos acima.
No receptor, para sintonizar as
diferentes freqüências (as diferentes estações), deveremos
variar, ou a sua bobina (normalmente através de um cursor
que altera o número de espiras), ou então, o seu capacitor
(normalmente usando um capacitor variável). E isto
porque, para cada par bobina-capacitor existe uma
determinada freqüência característica.
Na figura acima, em (a),
sintonizamos as diferentes freqüências, variando o número de
espiras da bobina com o auxílio do cursor C e, em (b),
usando um capacitor variável. Em nossa
Parte Experimental usaremos
dessas duas técnicas.
Ainda, dentro desta primeira
etapa (rudimentos) de compreensão, damos a seguir um
exemplo, em forma de diagramas, da transmissão e recepção de
uma mensagem.
Descrição sucinta:
(1) A onda modulada em amplitude
(AM) atingindo a antena de um receptor.
(2) A corrente elétrica induzida
no circuito oscila da mesma forma que a onda modulada. Note
que o modo de variação da amplitude traduz a mensagem
transmitida.
(3) O diodo deixa passar apenas
a corrente elétrica que tem um determinado sentido. Como
conseqüência, passa para o fone apenas uma metade da
corrente oscilante pulsando de acordo com a mensagem.
(4) No fone, a corrente variando
segundo (3) faz vibrar a membrana, produzindo uma onda
sonora idêntica àquela captada pelo microfone do
transmissor. Ali a energia elétrica é convertida em energia
térmica e sonora.
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