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O
empuxo de Newton Prof.
Luiz Ferraz Netto Introdução Quando um corpo é imerso, total ou parcialmente, ele desloca uma certa porção de liquido empurrando-o. O líquido, por sua vez, aplica no corpo imerso, uma força vertical para cima, cujo valor é igual ao peso da porção líquida deslocada". Época, trezentos e setenta (e tantos) anos atrás. O jovem inglês
lsaac Newton, exercitando a mente, chegou à conclusão que deveria haver
uma proporcionalidade entre força e aceleração. Essa conclusão,
publicada por entidade acadêmica, ficou conhecida como a Segunda
Lei de Newton ou simplesmente, Princípio Fundamental da Dinâmica. No
ensino médio ele não é apresentado com sua roupagem histórica. Os
professores atuais preferem, via de regra, enuncia-lo assim: Desde os tempos de Arquimedes e Newton, muitos aparelhos, invenções, teorias e demonstrações têm sido feitas, utilizando-se dessas leis. Hoje, parece bastante normal ao aluno que, uma é um princípio fundamental na Hidrostática e a outra é um princípio fundamental na Dinâmica e, "como cada macaco tem seu galho" tais leis continuam a ser aplicadas, cada uma em seu setor. Generalizando "Quando um corpo é imerso, total ou parcialmente, num fluido
acelerado, esse (o fluido) aplica sobre aquele (o corpo) uma força (N),
que é proporcional ao produto da massa de fluido deslocado (m'), pela
aceleração do fluido (a); ambas as grandezas vetoriais, N e
a têm mesma direção e sentido ou, analiticamente, Essa força, de caráter geral, deveria ser batizada de Empuxo de
Newton (proposta do autor), mantendo-se a denominação de Empuxo de
Arquimedes, que é um principio "prático", bem particular,
para os casos "terrestres" de fluído em equilíbrio sob a ação
da gravidade. No fundo, ainda que por causas distintas, ambos os empuxos têm um
fator comum, a saber, um gradiente de pressão. Empuxo é força existente em corpo imerso num fluido, desde que haja
um gradiente de pressão (ou de densidade) nesse fluido. No caso do empuxo
de Arquimedes, esse gradiente de pressão é proveniente do próprio peso
do liquido. Uma camada comprime, pelo seu peso, a seguinte e assim,
progressivamente, na vertical para baixo, vai determinando um gradiente de
pressão. É um caso muito particular, pois o gradiente de pressão (crescendo verticalmente para baixo) tem o mesmo sentido do peso (ou da aceleração da gravidade) e o empuxo de Arquimedes é vertical para cima. Empuxo de Arquimedes e aceleração da gravidade, em corpos imersos em fluido em equilíbrio, têm sentidos opostos. Quem ainda não percebeu a "coisa" verá, mais adiante, que isso é um caso único no mundo das forças e acelerações; é um caso restrito a forças de campo e, totalmente inválido para forças inerciais.
Continuemos. Se um fluido acelera para a direita, o gradiente de pressão no fluido, por sua inércia, cresce para a esquerda, determinando no corpo imerso um empuxo de Newton para a direita, na mesma direção e sentido que a aceleração. Para clarear bem as idéias, vejamos três situações, envolvendo acelerômetros de pêndulo, em translação acelerada.
Na coluna (a), mostramos três sistemas físicos (acelerômetros de pêndulo)
montados num carrinho base, com aceleração horizontal para a direita. A
coluna (b) mostra os diagramas do corpo-livre e a coluna (c) mostra os
diagramas vetoriais. Nas ilustrações, A é o empuxo de Arquimedes,
N é o empuxo de Newton, P é o peso da bolinha, T é
atração aplicada pelo cordel e R é a força resultante. Em (1), na esferinha do pêndulo, agem apenas duas forças: seu peso P
e a tração T determinada pelo fio ideal. A componente de T, na vertical (T.cosq)
equilibra o peso P (P = T.cosq)
; a componente de T, na horizontal (T.senq),
não tem equilibrante, ela representa a resultante das forças atuantes na
esferinha (R = T. senq).
O sistema de equações: R=T.senq fornece: R = P.tgq e, como R = m.a e P = m.g, vem m.a = m.g.tgq ou a = g.tgq o que faz do dispositivo um acelerômetro. Em (2), na esferinha do pêndulo, mais densa que o líquido
envolvente, agem quatro forças: o peso da esferinha (P = m . g),
a tração devida ao cordel (T), o empuxo de Arquimedes (A),
devido a um gradiente de pressão ocasionado pelo peso do liquido e o
empuxo de Newton (N) determinado pelo gradiente de pressão
ocasionado pela inércia do líquido acelerado. Para destacar A e N
lembramos que: se o liquido é água, por exemplo, a pressão da água no
fundo do recipiente é maior que em seu topo e, a pressão na parede
interna traseira é maior que na parede interna dianteira.
A componente de T, na vertical, é T.cosq e, na horizontal, é T.senq. P = A + T.cosq {1} Na horizontal N + T.senq constitui a resultante R: R = N + T.senq {2} Sendo P = m.g, R = m.a (m = massa da esferinha), de
{1} e {2} vem: mg - A = T.cosq {3}
Dividindo-se, membro a membro, {4} por {3}, tem-se: ma
- N Recordemos que A tem intensidade igual ao peso do liquido
deslocado, logo, A = m'.g; indicando-se por m' a massa do líquido
deslocado pela esferinha. Lembremos também, que o empuxo de Newton é dado pelo produto da
massa de líquido deslocado pela aceleração do líquido, logo, N = m'. a. Substituindo-se em {5} , A e N, respectivamente, por m'.g e m'.a,
teremos: o que faz do dispositivo em questão, também, um acelerômetro. Perceba-se que, esse resultado (a = g.tgq), tanto para o acelerômetro (1) como (2), são independentes das
densidades dos fluidos, das massas e dos volumes das esferinhas dos pêndulos.
Por isso são chamados de acelerômetros: não importa formato,
constituição, líquido, volume etc, conhecido g, a é função exclusiva
de tgq (ou vice-versa). Para o acelerômetro (3), vamos nos limitar ao equacionamento, visto
ser análogo ao caso (2) : Na horizontal : R = N - T.senq {6} (N - R)/(A - P) = tgq a(m' - m)/g(m' - m) = tgq ou, novamente, a = g.tgq Os
resultados mostram que os acelerômetros "terrestres" dependem de
g, logo, num satélite em órbita ou zonas de imponderabilidade, eles não
funcionam. O empuxo de Arquimedes desaparece (pois é apenas uma lei
"prática", "terrestre", particular), pois não há
mais as forças de campo. Os pêndulos ficariam com os cordéis 'frouxos
“, pois não há quem os tracione!”. Eis uma solução "elástica" para tais situações: uma bóia
é mantida imersa num líquido por duas molas cujas constantes elásticas k
são ajustadas para serem as mesmas em todas as direções.
Acelerômetro inercial. Forças em relação às 'estrelas fixas' Nesse acelerômetro, a indicação será dada pelo vetor deslocamento d.
Do diagrama vetorial obtemos: R = N - k.d Sendo m' = u'.V e m = u.V,
onde u' e u são, respectivamente, as densidades absolutas do liquido e da
bóia, com u' > u e V o volume da bóia, vem: a.V(u' - u) = k.d k O deslocamento d pode ser alterado atuando sobre k, V, u' e u. Fixados esses valores, a aceleração a (no sistema inercial) e d são diretamente proporcionais. Ainda
na Sala 05
- Dinâmica, desse 'site' você encontrará, para reforço, outras
aplicações dos acelerômetros, incluindo-os na rotação uniforme. O
empuxo de Newton é, assim, substancialmente ressaltado. Respondendo
à questão proposta Primeira
hipótese: No campo de gravidade devido à massa M (colocada no ponto B),
todas as porções de nosso sistema (recipiente, água, cordel e bolinha)
adquirem mesma aceleração, devido às forças de campo. No líquido não
há gradiente de pressão, não há empuxo de Arquimedes ou de Newton. A
configuração do cordel e bolinha é qualquer. O recipiente, a água, o cordel e a bolinha terão a mesma aceleração
para a direita. Não há empuxo de Arquimedes. Talvez alguém relute em não entender porque na primeira situação
(forças de campo) não há empuxo de Newton, uma vez que o sistema está
acelerado, e porque na segunda situação não há empuxo de Arquimedes. Na primeira situação, todas as partículas da água já estão sob a
ação de forças externas (decorrentes da ação das massas) e nenhuma
quer ficar individualmente para trás (para obedecer ao princípio da inércia),
por isso, não precisam ser empurradas quer pelas outras partículas de água
ou pela parede "traseira" do recipiente. Não há forças normais
'de contato'. Cada partícula é independente por si só, apenas estão
juntas por forças internas de coesão (que não determinam acelerações).
Como as inércias dessas partículas já foram "vencidas" pelas
forças de campo e já estão aceleradas, não há necessidade de alguma
outra força (que seria o empuxo de Newton) para acelerá-las. Na segunda situação, não há forças de campo. Cada partícula de
água quer manter a velocidade atual (princípio da inércia). Para acelerá-la,
a partícula de trás deve-lhe aplicar uma força normal (fluido não
resiste a esforços tangenciais). A partícula que precede a de trás deve
aplicar força normal de intensidade duplicada (pois tem que acelerar duas
partículas) e assim sucessivamente, até que chega na parede "de trás",
que tem que aplicar a força necessária para acelerar toda a massa de água. Encerramos propondo uma situação mais "terrestre",
simplesmente colocando nosso recipiente com o pêndulo de bóia dentro de
um elevador em queda livre. Discuta essa situação. Que o empuxo inercial de Newton lhe seja útil. Segue-se, nessa Sala,
os exemplos para aplicação desse conceito "Empuxo de Newton" o
qual, possivelmente, é inédito nos textos de Mecânica. Veja na Sala 05 - Dinâmica, texto 31 os exemplos referentes ao Empuxo de Newton.
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