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Introdução à
Termodinâmica
Prof. Luiz
Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Nosso Universo vive não ao
capricho daqueles que nele "habitam", mas sim através de
leis naturais inexoráveis.
Na Terra, esse fato é até ‘providencial’, sendo como são os
seres humanos. O homem prega a democracia contra a ditadura
das leis naturais.
A Ciência pode ser definida como o estudo da natureza e,
pretensiosamente, o estabelecimento das leis que governam o
universo.
Ciência é conhecimento ---
conhecimento nas mentes humanas. O conhecimento científico
não afirma que o universo seja do modo como é descrito, tudo
que aprendemos são apenas modelos
- que, no geral, funcionam.
As águas de um rio fazem aquilo
que observamos. Fim!
Não fique tentado a dizer "correm", "escoam",
"movimentam-se" etc., pois esses nomes são
modelos postos pelo homem,
assim como "velocidade", "aceleração", "massa", "densidade"
etc. As águas nada têm a ver com isso!
Independentemente do que as águas realmente fazem (não tente
descrever, pois irá colocar apenas novos modelos humanos),
os modelos postos cientificamente exploram tudo daquilo que
as águas fazem (como um "parasitismo natural") e podemos até
reproduzir tais comportamentos, pois tais modelos são
"matematicamente" (outra bela coletânea de modelos humanos)
estruturados.
Para compreendermos bem isso que
apresento, considere o problema a seguir. Atente que as
águas nem terão "conhecimento" daquilo que faremos com elas,
pois elas apenas "fazem aquilo que fazem".
Suponha uma casa sobre certa
elevação, e um ribeiro correndo por uma ravina, quatro
metros abaixo.
Podemos dar um jeito tal que o
ribeiro forneça água de que a casa precisa, utilizando a
'força' do próprio curso d'água?
Resposta:
Sim.
Se construirmos uma represa (A) e instalarmos uma roda
hidráulica (B), que com a rotação produzida aciona a bomba
(C), essa levará a água morro acima, até a casa. Muito
simples, usamos modelos científicos.
Mas, se os donos da casa se
tornarem muito ambiciosos e experimentarem bombear toda a
água do ribeiro, irão ter aborrecimentos. A quantidade de
água que eles estão captando é elevada a 4 metros pelo resto
da água que, na roda hidráulica, cai 1 metro. Se toda a
torrente fosse levada para a casa, nada sobraria para
acionar a roda e fazer funcionar a bomba!
Qual a
máxima parcela das águas do ribeiro que pode ser levada á
casa?
A natureza não permite
'parasitismo' total! Vejamos o que dizem nossos modelos
científicos. Segundo eles,
o máximo que podemos fazer é conciliar as coisas de tal modo
que a energia potencial, liberada pelas águas que giram a
roda, seja igual à energia potencial necessária para elevar
a água até a casa.
Observe, até o momento, quantos modelos físicos já foram
usados; e tem mais, pois ainda nem usamos dos modelos
matemáticos! Vamos a eles!
Chamemos de X à porção de água
que se pode retirar do ribeiro, sendo toda água deste igual
a 1 (X é uma fração). Devemos ter:
X . 4 = (1 - X). 1
ou
X = 1/5
Deste modo, o máximo de água que
podemos levar á casa, por sua própria 'força', é um quinto
da torrente.
Qualquer exigência superior a esta, contraria os modelos
físicos (que se adaptaram ao que as águas podem fazer!).
Percebe, não é a água que obedece aos modelos; esses é que
são consistentes com o que as águas fazem ou podem fazer.
A situação é extremamente conforme com os engenhos a vapor.
Que é uma
máquina térmica (ou máquina de calor) e qual é sua
importância em nossa vida cotidiana?
Sem máquinas térmicas não
teríamos nenhuma força motriz para os automóveis, caminhões
etc., pois motores a gasolina, álcool e diesel são máquinas
térmicas. Todos os motores de combustão interna são máquinas
que liberam calor. Aviões a jato são máquinas de calor. A
potência nuclear é simplesmente usada como fonte de calor em
turbinas a vapor, a fim de produzirem eletricidade.
Examinando-se, cuidadosamente, a imensa maioria dos engenhos
de que utilizamos, percebemos que são máquinas de calor.
Vivemos, primordialmente, às custas da mais "vagabunda" das
castas das energias do universo --- a energia térmica.
Assim como nossa roda e bomba
hidráulica, da exposição inicial, não podem levar toda a
água do ribeiro para a casa, as máquinas térmicas
não permitem o uso integral do
calor, convertendo-o em energia mecânica útil.
Rendimento
de Carnot = (T1 - T2) / T1
"A maior fração do calor
inicial, 'baixando-o' da temperatura T1 para a temperatura
T2, que pode ser transformada em energia mecânica é, no
máximo, igual à razão entre a diferença das temperaturas e a
temperatura mais elevada, tomando-se como origem o zero
absoluto de temperaturas."
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