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Onda
sonora e onda de choque
Luiz
Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
É bem sabido que o som nada
mais é do que uma sucessão de ondas de compressão e rarefação se
propagando no ar e em outros materiais. Estudos experimentais revelaram um
fato curioso ---
a velocidade do som no ar é independente da densidade do ar e é a mesma
tanto ao nível do mar como na rarefeita atmosfera superior. Por outro
lado, essa velocidade depende da temperatura do ar, sendo diretamente
proporcional à raiz quadrada da temperatura absoluta.
Como
poderemos explicar esses fatos do ponto de vista da estrutura molecular e
do movimento térmico?
Conceito
Para tanto, temos de
lembrar que o ar é constituído por uma infinidade de moléculas ¾
as quais se deslocam de modo erradio no espaço e com velocidades que
aumentam com a temperatura. Quando
uma onda de compressão sonora é emitida, digamos, por um diapasão, as
moléculas de ar mais próximas de suas hastes são empurradas na direção
do movimento, e, por colisão com outras moléculas, mais afastadas (na
delgada camada seguinte de ar), comunicam a estas o impulso recebido pelas
hastes do diapasão. Essas, por sua vez, empurram as moléculas da camada
seguinte e, assim, a compressão se propaga através do ar, formando uma
onda sonora.
Como
as moléculas do ar devem deslocar-se ao longo de uma distância
relativamente grande (a chamada trajetória livre ou livre
percurso médio) antes de atingirem as moléculas da camada
seguinte, a velocidade de propagação é essencialmente determinada pela
velocidade térmica das moléculas. Esse quadro dinâmico explica os fatos
acima citados, concernentes à velocidade do som.
Na
verdade, a velocidade térmica das moléculas permanece igual a, uma
mesma temperatura, independentemente do grau de compressão ou
rarefação do gás. Por outro
lado, como a energia cinética das moléculas é proporcional à
temperatura absoluta, sua velocidade aumenta na razão direta da raiz
quadrada da temperatura. E, o
que se verifica para a velocidade das moléculas, deve ser também verídico
para a velocidade do som.
Uma
situação inteiramente diversa ocorre quando a velocidade do objeto que
produz a compressão no gás excede a velocidade do movimento térmico
molecular sob condições dadas. Isso acontece, por exemplo, quando os
gases quentes formados em uma explosão deslocam o ar circundante, ou
quando o ar é empurrado para os lados pelas asas e pela fuselagem de um
avião ou projétil supersônico. Neste
caso, a velocidade térmica das moléculas não é suficientemente alta
para fugir ao propulsor
que avança e começam a se empilhar umas sobre as outras, com o resultante
aumento de densidade. A
diferença entre este caso e o previamente discutido está,
esquematicamente, na ilustração a seguir.
(Esquerda)
- Formação de uma onda sonora num caso em que o propulsor se move mais
lentamente do que as moléculas;
(Direita) - Formação de ondas de choques (choques estacionários) quando
os propulsores
se movem mais
rapidamente.
A
frente progressiva de gás, altamente comprimido, forma o que é chamado onda
de choque. Em razão da densidade grandemente aumentada,
as ondas de choque têm superpressão correspondentemente aumentada, o que
explica seus efeitos destrutivos.
No
caso das explosões, a expansão dos gases quentes se retarda, a compressão
do ar se separa do propulsor
e continua deslocando-se como onda
de choque.
No
caso dos aviões e projéteis supersônicos, que se deslocam à velocidade
constante, impulsionados por seus motores, a onda de choque permanece
estacionária relativamente ao corpo em movimento (ou seja, a onda
permanece colada ao corpo) e é, por isso, conhecida como choque constante.
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