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Ciência ... para que serve? ( 1 )

Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br

 

Uma homenagem
Relatar, anotar, documentar. A mais simples observação nada vale se ficar apenas armazenada no cérebro, onde células se modificam e se perdem. Nem mesmo o mais inteligente e esperto dos homens pode sempre julgar o que é útil e o que não é.

Nunca houve um homem tão engenhosamente prático no julgamento do que é útil como o foi o senhor Thomas Alva Edison. Seguramente o maior inventor que jamais viveu, e isso nos permite tomá-lo como exemplo.

Em ciência tudo deve ser documentado

Em 1868, ele registrou o seu primeiro invento. Foi um dispositivo destinado a contar votos mecanicamente. Fazendo uso dele, um membro do Congresso (americano) poderia apertar um botão e todos os votos seriam instantaneamente registrados e adicionados. Não havia problema algum, pois o invento funcionava mesmo ¾ faltava era vendê-lo.

Um congressista, a quem Edison consultou, entretanto, disse-lhe, com divertimento e horror, que não havia a menor possibilidade de o invento ser aceito, por mais infalível que fosse o seu funcionamento. Edison surpreendeu-se.

Uma votação lenta, explicou-lhe o parlamentar, era, por vezes, uma necessidade política. Alguns congressistas poderiam mudar de opinião no decorrer de uma votação lenta, ao passo que uma votação rápida, num momento de emoção, poderia induzir o congressista a praticar algo indesejável.

Edison usou a Ciência para ajudar na Política: estrondoso fracasso

Edison, amargurado, aprendeu sua lição. Depois disso, decidiu nunca mais inventar nada, a menos que se sentisse seguro de que seria necessário e desejado — e não apenas pelo fato de funcionar.

Apegou-se, então, a isso. Até pouco antes de morrer, havia conseguido cerca de 1 300 registros — 300 deles no espaço de quatro anos, ou um a cada cinco dias, em média. E, sempre se fez guiar pela noção do útil e do prático.

Edison registrou 1 300 inventos: a lâmpada elétrica é apenas um deles

Em 21 de outubro de 1879, Edison produziu a primeira lâmpada elétrica prática, talvez a mais notável de suas invenções. (Basta-nos apenas sentar-nos junto a uma vela acesa, por alguns minutos, durante uma queda da energia elétrica, para descobrirmos até que ponto aceitamos a luz elétrica e quanto valor lhe damos.)

Em anos sucessivos, Edison trabalhou para melhorar a luz elétrica e, principalmente, para encontrar modos de fazer o filamento incandescente durar mais tempo antes de "queimar-se". De quebra, havia outro problema.

Com o uso, a parte interna superior do bulbo da lâmpada ficava enegrecida. Parecia que partículas de carvão saíam do filamento e grudavam no vidro. Como era de seu costume, tentou tudo aquilo que pôde pensar. Um de seus esforços, sempre nas tentativas de errar ou acertar, consistiu em soldar uma plaquinha metálica dentro do bulbo da lâmpada elétrica, em cujo interior fizera vácuo (completa retirada do ar), perto do filamento, porém sem tocar nele. A plaquinha e o filamento ficaram separados por um pequeno espaço de vácuo.

Edison, a seguir, ligou a energia elétrica para verificar se a presença da plaquinha conseguiria preservar mais a vida do filamento incandescente e se eliminaria a emissão de partículas que enegreciam internamente o bulbo da lâmpada.

Não conseguiu, e abandonou a tentativa. Entretanto, notara que uma corrente elétrica fluía do filamento da lâmpada para a plaquinha metálica, através do espaço de vácuo.

Nada, nos vastos conhecimentos de eletricidade prática de Edison, explicava aquilo; e tudo que Edison pôde fazer foi observá-lo, registrar o fato em seu livro de notas, em 1884. O fenômeno foi denominado efeito Edison, e essa foi sua única descoberta nos domínios da ciência pura — e não servia para nada !

Edison descobre algo muito fora de sua época

Edison não prosseguiu trabalhando no caso; deixou de lado a pérola, enquanto saboreava a ostra.

Ele realmente nada poderia ter feito — ainda não tinham inventado o elétron.

Então ... Bem, nossos pequenos relatos de História das Ciências continuam. Nossa intenção nesse texto é despertar em você a necessidade absoluta de anotar suas observações. Quer em Ciência, ou mesmo nos acontecimentos do cotidiano, documentar é importante.

Ah! Quase nos esquecemos de informá-lo: a descoberta de Edison o famoso efeito Edison, é que permitiu a construção das válvulas de rádio. Sem elas não teríamos rádio, televisão, comunicações via ondas de rádio etc. Sem o efeito Edison não teríamos tido rádios, televisões, radares, comunicações etc., durante as décadas passadas.

Atualmente o efeito Edson ainda é usado nos tubos de TV e monitores de vídeo; as válvulas comuns já foram substituídas pelos transístores, depois pelos integrados, depois pelos dedicados, depois .....

 

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