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Ciência ... para que serve? (2)

Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br


Para que serve o seu conhecimento?
Parece destino. Mais dia, menos dia, todo cientista encontra pela frente alguém que o interroga e mesmo o desafia a mostrar que o seu saber tem alguma utilidade. Contudo, pode não ser de nenhum interesse, para ele, que essa utilidade exista; ele pode simplesmente achar que o prazer de saber, de compreender, de investigar o universo, constitua a sua total recompensa. Com esse modo de pensar, o cientista pode até dar-se ao luxo de irritar-se, por vezes, com quem quer que seja que peça mais do que isso.

O saber vale mais que muitas moedas!
Vamos citar o caso famoso de um estudante que perguntou ao filósofo grego Platão, cerca de 370 a.C., para que serviam os teoremas complexos e abstratos que ele estava lhe ensinando. Platão, de imediato, ordenou a um de seus escravos que desse ao estudante uma pequena moeda, a fim de que ele não pensasse que havia ganho o conhecimento por nada; a seguir, demitiu-o da escola.

O estudante não precisava ter perguntado, e Platão não precisava tê-lo menosprezado tanto. Quem duvida, nos dias de hoje, de que a Matemática tem seus usos? Sem os teoremas matemáticos, as altas tecnologias atuais não passariam de ficções científicas.

Porém, essa história de Platão, famosa ao longo de 2 000 anos, não tornou o assunto mais claro para muita gente. Quantos ainda não se perguntam: "Para que serve a matemática ?"

A menos que a aplicação de uma nova descoberta seja clara e atuante, muitos continuarão a duvidar de seu valor.

Senhor, para que serve um bebê ?
Não menos notável e profunda é a história do cientista inglês Michael Faraday, que bem ilustra este ponto. Ele foi, em seu tempo, muito popular, como conferencista, e também como físico e químico de primeira classe. Em uma de suas palestras, nos anos de 1840, ele ilustrou o comportamento peculiar de um ímã e de um bocado de fio enrolado cujas pontas estavam ligadas em um medidor elétrico. Ele queria mostrar que era capaz de produzir com isso uma corrente elétrica. E realmente o fez; movendo o ímã próximo do rolo de fio, o ponteiro do medidor saía do zero, indicando a passagem de uma corrente elétrica.

Ao terminar a palestra, um homem do auditório se aproximou de Faraday e disse: "Sr. Faraday, o comportamento do ímã e do rolo de fio foi interessante, mas para que poderá servir?"

E Faraday, educadamente respondeu, com outra pergunta:

"Senhor, para que serve uma criança recém-nascida ?"

Foi precisamente tal efeito ¾ a indução eletromagnética ¾, cuja utilidade se viu questionada tão ingenuamente por um membro do auditório, que Faraday usou para desenvolver o gerador elétrico que, pela primeira vez, tornou possível obter energia elétrica barata e em grande quantidade.

A energia elétrica que você consome diariamente em sua casa nasceu naquele dia, naquele auditório, naquele laboratório público.

Esse notável experimento, por sua vez, tornou possível o desenvolvimento da tecnologia elétrica que nos cerca nos dias de hoje, e sem a qual a vida, no sentido moderno, seria difícil de imaginar. A demonstração de Faraday foi uma criança recém-nascida que cresceu e se transformou num gigante.

Para o autor dessas Leituras, a indução eletromagnética foi a maior e mais útil descoberta do milênio que acabamos de ultrapassar.

 

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