Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
é assim:
("metade" um)
O universo pode ter
começado há 15 bilhões de anos atrás. Assim sendo, há
7,5 bilhões de anos, o universo tinha a metade da idade
atual.
Qual era a
situação?
Ora, nosso sistema solar
ainda não existia e não existiria por mais 3 bilhões de
anos.
Toda a história da
Terra está contida na segunda metade da
existência do universo.
O Sistema Solar,
incluindo a Terra, naturalmente, foi formado há 4,6
bilhões de anos atrás. Assim, há 2,3 bilhões de anos, a
Terra tinha metade da idade atual.
Qual era a
situação
na Terra?
Havia vida, mas as formas
mais avançadas eram procariontes: bactérias e
cianobactérias. Os eucariontes, o tipo de células
encontradas em plantas e animais, das amebas aos seres
humanos, só começariam a existir depois de mais um
bilhão de anos.
Assim, toda a história
da vida vegetal e animal está contida na segunda
metade da
existência da Terra
ou no último 1/11 da história do universo.
Nesse caso, vamos nos
concentrar apenas no desenvolvimento dos eucariontes. Os
primeiros eucariontes podem ter aparecido há 1,4 bilhão
de anos. Há 0,7 bilhões de anos (isto é, 700 000 000 de
anos) atrás, os eucariontes tinham metade da idade
atual.
A vida multicelular havia
começado, mas seus representantes mais complexos eram
vermes primitivos. Não havia organismos suficientemente
avançados para criar conchas ou outras estruturas
capazes de se transformar facilmente em fósseis. Em
particular, os cordados (grupo de animais a que
pertencemos) só começariam a existir depois de mais 150
000 000 de anos.
Assim, toda a história
dos cordados esta contida na segunda metade
da existência
da vida multicelular
ou no último 1/28 da história do universo.
Os primeiros cordados
surgiram há cerca de 550 000 000 de anos.
Os cordados, portanto,
tinham metade da idade atual há 275 000 000 de anos.
Houve progressos extraordinários. A vida cordada
conquistara a Terra e os principais répteis surgiram
nessa ocasião. Mas os mamíferos, mesmo os mais simples,
ainda não existiam e não surgiriam por mais 55 000 000
de anos.
Toda a história dos
mamíferos, do mais simples monotremado ao homem,
está contida
na segunda metade
da existência da vida cordada e no último 1/68 da
existência do
universo.
Os primeiros mamíferos
apareceram há cerca de 220 000 000 de anos, de modo que
tinham apenas a metade da idade atual há cerca de 110
000 000 de anos atrás. Naquela época não havia primatas
(a ordem a que pertencemos), pois estes só viriam a
aparecer depois de mais 40 000 000 de anos.
Assim, toda a história
dos primatas, dos macaquinhos mais simples até o
homem, está
contida na segunda
metade da existência dos mamíferos ou nos
últimos 1/375 da
história do universo.
Os primeiros primatas
apareceram a 70 000 000 de anos atrás e portanto tinham
metade da idade atual há 35 000 000 de anos. Nessa
época, não haviam símios, pois estes só viriam a
aparecer depois de mais 5 000 000 de anos.
Toda a história dos
símios, do mono mais primitivo até o homem, está
contida na
segunda metade da
existência dos primatas ou no último 1/500 da
história do universo.
Os primeiros símios
apareceram há 30 000 000 de anos atrás, logo, há 15 000
000 de anos tinham metade da idade atual. Nessa época,
os primeiros antropóides (os ancestrais dos chimpanzés,
gorilas etc.) já existiam, mas não havia nenhum
hominídeo, pois estes só viriam a aparecer depois de
mais de 10 000 000 de anos.
Toda a história dos
hominídeos, do australopiteco mais primitivo até o
homem moderno,
está contida na
segunda metade da existência dos símios ou do
último 1/3 000 da
existência do universo.
("metade" dois)
Os primeiros hominídeos eram
australopitecos, que apareceram há 5 000 000 de anos
atrás. Os hominídeos tinham a metade de sua idade atual
há 2 500 000 anos.
Nessa época, os únicos
hominídeos ainda eram australopitecos e não havia
nenhuma criatura pertencente ao gênero Homo (nosso
próprio gênero), pois este só viria a aparecer depois de
mais 500 000 anos.
Assim, toda a história
do gênero Homo está contida na segunda metade
da existência
dos hominídeos ou
no último 1/7 500 da existência do universo.
O gênero Homo apareceu há
cerca de 2 000 000 de anos atrás, de modo que tinham
metade da idade atual há cerca de 1 000 000 de anos.
Naquela época, não existia
nenhuma forma do Homo sapiens, nem mesmo a mais
primitiva (o "homem de Neanderthal"), pois este só viria
a aparecer depois de mais 700 000 anos.
Assim, toda a história
do Homo sapiens está contida na segunda metade
da existência
do gênero Homo ou
no último 1/50 000 da existência do universo.
O Homo sapiens apareceu há
300 000 anos atrás e portanto tinha metade da idade
atual há 150 000 anos. Naquela época, o "homem moderno"
ainda não existia, pois só viria a aparecer depois de
mais 100 000 anos.
Assim, toda a história
do homem moderno está contida na segunda metade
na
existência do Homo
sapiens ou no último 1/300 000 da existência do
universo.
O homem moderno apareceu há
cerca de 50 000 anos atrás e tinha metade da idade atual
há 25 000 anos, época em que estava começando a popular
a Austrália e a América, mas a civilização ainda não
existia, pois só viria a aparecer depois de mais 15 000
anos.
Assim, toda a história
da civilização está contida na segunda metade
da existência
do homem moderno
ou no último 1/1 500 000 da existência do universo.
A civilização começou há
cerca de 10 000 anos atrás (por volta de 8 000 a.C. ),
com a invenção da agricultura e a fundação das primeiras
cidades.
Assim, a civilização tinha a
metade da idade atual há cerca de 5 000 anos (ou por
volta de 3 000 a.C.). Naquela época, a primeira "grande
civilização", a da Sumária, ainda não existia. A escrita
acabava de ser inventada, marcando o início da era
histórica.
Assim, toda a era
histórica está contida na segunda metade da
existência da civilização
ou no último 1/3 000 000
da existência do universo.
A era histórica começou por
volta de 3 000 a.C. (há 5 000 anos atrás), de modo que
tinha metade da idade atual há 2 500 anos ou por volta
de 500 a.C. Nessa época, Cristo ainda não havia nascido,
o que só iria ocorrer depois de mais 500 anos.
Assim, toda a era
cristã está contida na segunda metade da
era histórica ou no último
1/7 5000 000 da
existência do universo.
A era cristã começou com o
nascimento de Jesus no ano 0, há 1999,7 anos (observe
que não estamos negligenciando estes 0,3 anos (hoje, há
3 meses) que faltam para o ano 2000 d.C., pois deve ter
percebido o encolhimento dos anos para as rápidas
transformações. Nesses próximos 0,3 anos poderão ocorrer
coisas mais significativas que em todos os últimos 5 000
anos!), de modo que tinha metade da idade atual em
999,85 d.C.
O mundo estava na idade
média e Colombo ainda não havia descoberto a América
(fato que marcou o início da "era moderna"), o que só
iria acontecer depois de mais 492,15 anos.
Assim, toda a era
moderna está contida na segunda metade da
era cristã ou no
último 1/30 000 000 da
existência do universo.
A era moderna começou em
1492, há 507 anos atrás, de modo que tinha metade da
idade atual há 256 anos, em 1743.
Nossa proclamação da
República, ainda não havia ocorrido, teve que esperar
mais 146 anos.
Assim, toda a história
do Brasil República, desde 1889, ocorre na
segunda metade da era moderna ou no último
1/70 000 000 da existência do universo.
Eu nasci em
.....
Bem vamos parar por aqui.
Como você pode concluir,
cada passo no caminho para chegarmos ao que somos hoje
cabe confortavelmente na segunda metade do passo
anterior, isto é, que no passado do universo, todos os
trabalhos feitos pela metade mal haviam começado.
Se você pensar a respeito
disso, logo compreendera que isso quer dizer que a
velocidade das mudanças (pelo menos das mudanças que
interessam ao homem moderno) tem aumentado
constantemente durante toda a história do universo. Com
essa acelerarão dos acontecimentos