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A necessidade da DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

 Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br

  

O conhecimento científico possui as qualidades imperfeição e dúvida.  Muito do que se acredita em uma época pode mostrar-se errôneo em outra e sobre muitos assuntos não ha’ um consenso dentro da comunidade científica.
Outro aspecto importante da atividade científica é o de que a ciência não é a panacéia a resolver todos os males da humanidade.

Ocorre, muitas vezes, o contrario. Os princípios, teóricos e tecnológicos, para a elaboração das armas nucleares foram criados por cientistas.
Muitos dos atuais cientistas trabalham para a industria militar (que por cruel ironia produz emprego e riqueza em certas nações, que por conseqüência tem mais recursos para investir na atividade científica).

Seres humanos são usados como grupo controle — não recebem as pretensas drogas que curariam seus males — em casos de testes de medicamentos, como ocorreu em Tuskegee, Alabama.
A um grupo de pessoas foi prometido tratamento contra a sífilis mas, na realidade, era grupo que recebia água com açúcar (placebo). Isso, no mínimo, suscita importantes questões éticas.

Alem disso, a Ciência & Tecnologia produziram talidomida, CFC (responsável por parte da destruição da camada de ozônio), substancias desfolhantes (agente laranja), gases que atacam o sistema nervoso, poluição que pode arruinar o clima do planeta, extinção de espécies e armas biológicas.

Para encerrar esta longa lista de tragédias, lembremos ainda das crueldades impunes executadas por alguns médicos nazistas.

Estas imperfeições da pratica científica, tem justificado, para alguns, o aumento da propagação de crença em superstições ou em explicações pseudocientíficas.
A lógica destes raciocínios seria: se a ciência nem sempre esta’ correta e não é uma fonte de bens e riquezas morais, então o melhor a fazer é buscar uma “ciência alternativa”.
Uma vez colocada em duvida os conhecimentos fornecidos pela ciência — e este é o primeiro passo dos fundamentalistas, magos e apóstolos da “nova era”  — abre-se caminho para se aferrar a crenças tais como vida emocional das plantas, continentes que emergem e afundam rapidamente, Terras ocas, canalização dos mortos, deuses astronautas, estupro astral, alienígena entre nos, civilizações subterrâneas, criacionismo científico, só’ para lembrar algumas.

Ha’ centenas de livros sobre os continentes perdidos de Atlântica e Lemuria, auto-ajuda, anjos, cura por cristais, poder energético (seja lá’ o que isso signifique!) das pirâmides e, sobre a rainha de todas as crenças, a astrologia.
Mas o grande responsável pelo excessivo apego ‘a superstições e  crenças pseudocientífica não resulta de uma critica séria do método científico ou dos erros morais cometidos em nome da ciência e, o que é pior, não resulta de nenhuma prova material que possa sustentar estas crenças.
Esse comportamento advém de um grande desconhecimento do que seja a ciência e de como a atividade científica é desempenhada. No entanto, algo deve ser dito sobre aqueles que consomem os livros da “ciência alternativa”.

Desde os gregos, nos sabemos que o desejo de conhecer o mundo é inerente ‘a natureza humana. Nos somos, por natureza, curiosos. Por isso, pessoas que compram estas crenças e superstições em boas livrarias não devem ser consideradas ignorantes.
São pessoas inteligentes que desejam sinceramente compreender e sondar o mundo ao seu redor e que, por não entenderem a maneira como a ciência é feita, caem no conto do vigário e acreditam estar comprando livros com alguma informação sensata.

A ciência tem muitas deficiências. Listamos uma serie delas acima. Porém, para investigar fenômenos naturais e fornecer soluções para problemas concretos, é a melhor atividade de que dispomos.
Alem disso, a ciência, enquanto atividade pública — que não é feita isoladamente por um mago e seu caldeirão —, pode ter seus resultados testados e corrigidos.
O conhecimento produzido por um cientista esta’ sujeito à avaliação por outros cientistas. A história da ciência pretende mostrar que o máximo que o cientista pode esperar é o aperfeiçoamento de seu conhecimento.
Isto cria a possibilidade de que o conhecimento científico, ao invés de ser uma questão de disputas entre escolas, deve ser profundamente calcado na colaboração e crítica.

Inversamente, a superstição e a pseudociência se apegam à certeza da existência de fenômenos metafísicos e entidades ocultas, cujo acesso é privilegio de poucos e que, portanto, não pode ser corrigido nem criticado.
Como debater ou corrigir aquilo a que não se tem acesso? Ha’ aqui uma importante conseqüência: aquilo que não pode ser debatido ou corrigido é matéria de fanatismo e intolerância.

Além destas vantagens, a ciência moderna tem conseguido avanços em varias áreas. Doenças que vitimavam a humanidade têm sido mitigadas e curadas pela ciência.
A expectativa de vida na Europa Ocidental passou de 30 anos, na Idade Media, para 50 em 1915 e se aproxima dos 75 anos (quer maior possibilidade de aperfeiçoamento espiritual do que uma vida longa?!).
Caso haja vontade política, já’ temos alguns meios eficientes e seguros de produzir mais alimentos, dentre os quais, obviamente, não se incluem os transgênicos.

Conhecemos a intimidade da constituição da matéria e dispomos de boas hipóteses sobre a origem do Universo. Conhecemos as leis que regem o movimento dos planetas, assim como, embora ainda seja controverso, as que originaram a vida e a inteligência sobre a Terra.
O conhecimento da mais incipiente das ciências carrega um poder preditivo maior do que toda a historia da astrologia.
Prever eclipses com séculos de antecedência não é problema para a astronomia — mas, o “11 de agosto” não foi o fim do mundo, conforme previram muitos profetas.
A menos, é claro, que se ajuste o desastre de trem na Índia ou o terremoto na Turquia como o verdadeiro sentido da previsão de Nostradamus!

Apesar de tudo, por que pessoas inteligentes se apegam a crenças pré-medievais e não prestam atenção aos resultados da ciência moderna? A resposta é que o desconhecimento da capacidade explicativa da ciência abre caminho para a superstição.
Quando uma pessoa adoece, pode tomar remédio, rezar ou ambos. Ela fará’ o que, especialmente em momentos como estes, tiver algum sentido.
Se ela reza e não toma o remédio é porque esta’ convicta do poder curativo da reza e desconhece o que significa ser um tratamento cientificamente comprovado.

Esta dificuldade em se perceber o valor da ciência é resultado do fato de os cientistas, em todos os tempos, terem criado uma linguagem hermética que impede ao público leigo o acesso ao conhecimento que geram.
Conseqüentemente, o conhecimento fica entrincheirado nos domínios das Universidades e Institutos de Pesquisas, distantes do público ao qual deveria servir.
Portanto, é inconseqüente, o cientista, protegido pela aura misteriosa de um laboratório, debochar dos “reles” mortais que lêem e crêem na vida emocional das plantas.

Apenas a democratização do conhecimento científico o torna acessível e é capaz de barrar o avanço da superstição e da pseudociência.
Não acreditamos que a tarefa de divulgação da ciência seja impossível. Para mostrar que esta e uma tarefa razoável, basta lembrarmos dos nomes de Richard Leakey, Carl Sagan, Stephen Jay Gould, Isaac Azimov, Edward Wilson e José’ Reis.
Atividades de extensão e aperfeiçoamento de professores do ensino básico e fundamental podem ser realizadas por cientistas sem comprometer seu tempo de dedicação à pesquisa.
Basta que mudem sua linguagem, que é o mínimo que se espera numa comunidade democrática, onde as pessoas devem se entender. Alias, seria um serviço dos cientistas à compreensão da ciência que tanto prezam.

Finalmente, se quisermos o apoio popular para a reivindicação de verbas para a pesquisa científica, devemos mostrar para o público o valor da atividade que desempenhamos. E isso só‘ pode ser feito através da divulgação da ciência.

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Amiúde, antes de publicar um texto, submeto-o à leitura de diversas autoridades científicas, nos diversos ramos do saber. Entendo que as palavras tentam traduzir uma idéia, assim como entendo as divergências entre as idéias das pessoas. A idéia que entendo como 'correta' e transformo em palavras pode e deve ser de outro modo para outros. A leitura, comentários e críticas são o que há de mais salutar na metodologia científico. Na Ciência, como sabemos, não há a "palavra da autoridade" e, muito menos, o lastramento baseado no senso comum. Na Ciência prevalece o fato, sua reprodução parametrizada e a coerência com a Natureza e, as palavras que resultam disso, essas sim, devem resultam de um consenso de todos. Todos podem participar, contestando ou aprovando --- isso é o que diferencia a Ciência das pseudociências.

Reproduzirei abaixo os e.mails na ordem em que vão chegando:

 

 

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