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Prensa, pressão e paradoxo Prof. Luiz Ferraz Netto
PRENSA
HIDRÁULICA
Dois
pistões, um grande e outro pequeno, deslocam-se dentro de
cilindros (1 e 2) num recipiente hermético cheio de água.
Quando se aperta um deles (2), alguma coisa
é transmitida ao outro (1), uma vez que este se eleva. Com isto,
um certo volume de água (ou óleo) passará do cilindro (2) para o
cilindro (1).
Se indicarmos as áreas das
superfícies dos pistões por A1 e A2 e os
deslocamentos relativos que eles sofrem por d1 e d2,
a igualdade dos volumes de líquido que sai de um e entra no outro
(cálculo do volume de um cilindro = área da base x altura) permite-nos
escrever: ou ainda d1/d2 = A2/A1
(a) Como já sabemos boas coisas
sobre a Estática (lembra-se da máquinas simples?), pretendemos saber
qual a condição de equilíbrio dos pistões. Nada mais simples: basta
considerar que o trabalho da força aplicada pelo operador (t2
= F2.d2) deve ser igual ao trabalho da força
aplicada pela carga (t1
= F1.d1). Tem-se, portanto, t1 = t2
ou F1.d1
= F2.d2 ou ainda d1/d2 = F2/F1
(b) Comparando as igualdades (a) e
(b) vemos que: F2/F1 = A2/A1
(c) Uma prensa hidráulica permite
forjar e estampar metais, esmagar uvas, elevar fardos etc. O sistema de
freios de um automóvel é aplicação direta da prensa hidráulica. Claro que o ganho em força será
acompanhado por uma perda em deslocamento. Para comprimir um objeto na
extensão de 1 cm é preciso que a mão faça um trajeto que será tanto
maior quanto maior for a relação entre as forças F1 e F2. A equação (c) pode ser escrita
assim: Esta relação F/A, entre a força e a área
sobre a qual ela atua, é denominada pelos físicos por pressão.
Em lugar de se dizer: uma força de 1 kgf atua sobre uma área de
um centímetro quadrado, é preferível dizer: a pressão é
p
=
1 kgf/cm2. p1 =
p2 Portanto,
as pressões exercidas sobre
os
dois pistões
são iguais.
Esta conclusão não depende das
suas posições. Mantém-se
quer a superfície de trabalho seja horizontal quer vertical ou inclinada.
E, em geral, não se trata apenas de pistões: escolhendo ao acaso duas
secções de uma superfície no interior de um líquido em equilíbrio
pode-se sempre afirmar que as pressões sobre elas são idênticas. Prova-se assim que a pressão no
interior de um líquido é a mesma em todos os seus pontos e em todas as
direções. Ou seja, sobre uma superfície de determinada área no
interior de um líquido exerce-se a mesma força, independentemente da sua
posição e da sua orientação. É o Princípio
de Pascal. Pressão hidrostática Imaginemos no interior de um
líquido, um cilindro (de água --- estratificado para efeito de
raciocínio) reto de bases horizontais. A água assim delimitada exerce
uma pressão sobre a água que a rodeia e esta, por sua vez, exerce uma
pressão sobre o cilindro imaginário.
A soma de todas as forças que
atuam sobre a superfície lateral é, pois, nula. O peso P = mg será igual à
diferença das forças F2 - F1.
F2 - F1
= P = mg Para se obter a diferença
de pressão entre as duas bases do cilindro, dividimos ambos os
termos da expressão acima por A
(ou, em outras palavras, divide-se o peso da coluna de água pela área de
sua base), assim: (F2
- F1)/A
= (dghA De acordo com o princípio de
Pascal, a pressão exercida sobre iguais superfícies (quaisquer que sejam
suas orientações), desde que se encontrem à mesma profundidade é a
mesma. A diferença de
pressão entre dois pontos distanciados (desnivelados) de uma altura h
será, portanto, igual ao peso de uma coluna de líquido de secção
unitária e de altura h, ou seja: Dp = dgh . A pressão que o ar exerce,
devido a seu peso, sobre os pontos da superfície da Terra é denominada pressão
atmosférica. A superfície de todos os líquidos
expostos ao ar está sujeita à esta pressão. ptotal = patm + phid Para calcular a pressão exercida pela água basta, portanto, conhecer as dimensões da superfície (sua área) banhada e a altura da coluna. O resto, nos termos do princípio de Pascal, não desempenha qualquer papel. Onde
estão os 9N!
A
resposta está no conceito de máquina simples, que é o caso da prensa
hidráulica. Nenhuma máquina pode trabalhar sem o devido apoio; o
fulcro nas alavancas, o eixo nas polias e rodas etc. Para que o líquido
permaneça em equilíbrio, o recipiente (cilindros) fixo ao solo garante
os restantes 9 N que faltam. Em suma, a
parede interna, onde se localiza o cilindro menor, incumbe-se de aplicar
no líquido a força de 9 N em questão, proveniente do apoio que sustenta
esse recipiente.
Paradoxo
hidrostático
Note, para começar, que o vaso da esquerda contém muito mais
água. E, apesar de tudo, as
forças que os líquidos aplicam sobre esses fundos são ambas iguais a dghA nos
dois casos. É mais
que o peso da água contida no vaso da direita e menos que o peso da água
existente no da esquerda. Estranho não? Expliquemos: no primeiro caso as paredes
suportam o peso excedente e no segundo, pelo contrário, elas adicionam ao
peso da água as forças de reação. O curioso fenômeno é denominado paradoxo
hidrostático. Comentários
finais A pressão exercida pela água é
muito superior à do ar. À profundidade de 10 metros ela adiciona à
pressão atmosférica um valor complementar de 1 kgf por cm2. A
um quilômetro de profundidade será de 100 kgf por cm2.. Em certos locais onde a
profundidade do oceano ultrapassa 10 km a pressão é excepcionalmente
grande. Pedaços de madeira
colocados a uma profundidade de 5 km são comprimidos a tal ponto que,
colocados a seguir num recipiente com água (na superfície da Terra),
afundam como tijolos. Encontramos todos os dias
pressões consideráveis exercendo-se sobre pequenas superfícies.
Vejamos, por exemplo, a pressão que se estabelece sobre a ponta de uma
agulha. Suponhamos que a
área da ponta de uma agulha ou de um prego seja algo como 0,0001 cm2.
Se aplicarmos somente uma força de 10 quilogramas-força a ponta do prego
irá exercer uma pressão de 100 000 atmosferas. Este
exemplo mostra que a criação de grandes pressões sobre pequenas
superfícies é algo muito corrente.
Isso já não acontece quando se trata de criar altas pressões em
superfícies consideráveis. O
interesse que se tem na obtenção de pressões extra-elevadas nada tem de
gratuito. Com efeito, elas dão lugar a
fenômenos que é impossível desencadear de outro modo. Foi em 1955 que
se obtiveram os primeiros diamantes artificiais. O seu fabrico precisa de
pressões da ordem de 100 000 atmosferas e de uma temperatura de 2300oC. |
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