|
O
Sismógrafo
Marcelo
Moura
mmmoura.bh@terra.com.br
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Um terremoto
ocorre quando rochas da litosfera submetidas a altas
tensões se acomodam. Ondas de choque, chamadas
ondas sísmicas partem em
todas as direções de um ponto chamado foco ou
hipocentro. O ponto situado
na superfície exatamente acima do foco é chamado de
epicentro do terremoto. A
partir deste ponto, as ondas de choque fazem com que o
solo se mova em movimentos cíclicos que geram "ondas"
forçando o solo para cima e para baixo, as ondas
primárias ou verticais, e de um lado para o outro, as
ondas horizontais ou ondas de cisalhantes. Quando o
epicentro está abaixo de um mar ou oceano, ele pode
criar um maremoto ou um tsunami, uma onda gigante.
O
sismógrafo
Para detetar,
medir e determinar o foco de um terremoto, são
utilizados os sismógrafos.
Os chineses usam sismógrafos há quase 2000 anos. O mais
antigo deles, consistia em oito dragões de bronze
dispostos em círculo, com esferas metálicas equilibradas
na boca. Abaixo de cada dragão existia um sapo, também
de bronze, com a boca aberta. Quando ocorria um
terremoto, a esfera caia da boca do dragão para a boca
do sapo, gerando um som metálico, que alertava as
pessoas. Este modelo, além de tocar o alarme, registrava
a ocorrência do terremoto (caso ninguém escutasse a
campainha), e ainda indicava a direção do epicentro.
Hoje os sismógrafos contam com dispositivos
eletromecânicos e eletrônicos para registrarem
simultaneamente todos os movimentos.
O modelo mais conhecido entretanto, é o sismógrafo
mecânico inventado por John Milne, em torno de 1880,
chamado sismógrafo de pêndulo
invertido, ou sismógrafo de Milne. Para registrar
as ondas verticais é utilizado um pêndulo equilibrado
por mola e para as ondas horizontais são utilizados mais
dois, centrados pela gravidade, instalados a 90º um do
outro.
Montagem
(a)
Para construir um sismógrafo de Milne utilize
uma base de madeira de (2 x 15 x 30) cm.
(b) Fixe
numa das extremidades dessa base um sarrafo de (3 x 3 x
12) cm com cola e pregos,
(c) e sobre
esse sarrafo, a 90o, um outro sarrafo de (2 x
3 x 7) cm.
(d) Utilize
uma vareta de madeira leve de (0,5 x 1,5 x 25) cm para
fazer o pêndulo.
(e) Faça um
furo de 3 mm de diâmetro, afastado de 1 cm de cada ponta
dessa vareta, e mais um a 5 cm para prender a mola.
(f) Encaixe
nos furos das pontas dois pedacinhos de tubo plástico
(aquele que fica dentro das canetas esferográficas). Em
um desses tubinhos encaixe uma ponta porosa de caneta
hidrocor (hidrográfica), conforme se ilustra no detalhe
da figura acima.
(g) Fixe o
outro lado da vareta-pêndulo, com um prego por dentro do
tubinho, na coluna lateral, a 4 cm da base. A vareta
deve se mover facilmente.
(h) Faça
uma mola com um arame de aço e prenda no braço, como se
ilustra. A técnica para fazer molas pode ser vista na
Sala 02 do Imperdível (clique no destaque).
(i)
Consiga um pedaço de chumbo, dobre em
U e coloque-o 'montado' sobre a vareta-pêndulo. Ajuste a
mola ou desloque o chumbo ao longo da vareta até nivelar
o pêndulo.
(j) Arranje
uma latinha de ervilhas, vazia, para fazer o
registrador.
Cuidado! Martele as rebarbas da tampa para não cortar os
dedos. Aparafuse a latinha
pelo centro se seu fundo de modo que ela encoste na
ponta do 'traçador' (ponta macia entintada) e não aperte
muito o parafuso para que a lata possa girar.
(k) Cole um
pedaço de papel em volta da latinha com fita adesiva e
coloque uma gota de tinta na ponta porosa se essa
estiver seca.
Agora é só esperar que um caminhão
passe na rua. Quando o pêndulo oscilar, vá girando a
lata devagarzinho para criar o registro.
Nota: Se você for bastante cuidadoso e
habilidoso poderá dar um 'jeitinho' da lata ficar
girando o tempo todo dando uma volta a cada 12 horas, ou
a cada 1 hora ou a cada minuto. Já
vislumbrou a técnica?
Basta comprar um desses relógio com uma pilha nas lojas
de R$ 1,99; retirar o plástico que recobre o mostrador e
retirar cuidadosamente os ponteiros. A seguir, instale
esse relógio na horizontal e adapte o centro da lata no
lugar do ponteiro que interessar; das horas, dos minutos
ou dos segundos. Se você usar o eixo do ponteiro dos
segundos a latinha irá girar dando 'pulinhos' a cada
segundo, realizando uma volta completa a cada minuto.
Os sismógrafos deste tipo são fixados
em bases rígidas ou em rochas, para aumentar a
sensibilidade. O tambor do registrador é movimentado por
um motor que além do tremor registra também os pulsos de
um relógio para determinar a hora que o fenômeno ocorreu
e sua duração. Nós não temos terremotos no Brasil, mas
freqüentemente ocorrem abalos sísmicos na cordilheira
dos Andes que são registrados aqui.
Um pouco
de teoria
Os
sismógrafos profissionais
procedem sem interrupção ao registro dos movimentos do
solo. O princípio fundamental do seu funcionamento é
simples: uma considerável massa é colocada de tal modo
que consegue permanecer inerte quase que de modo
absoluto frente à ação do movimento do solo. Acoplado à
massa há um sistema de alavancas muito leves, que, por
intermédio de uma ponta entintada ou outro dispositivo
adequado, efetua o registro. O
sismograma (sucessão dos registros em um papel) é
portanto uma representação amplificada do movimento
relativo entre a massa e o solo.
Qualquer sismógrafo é
semelhante a um pêndulo, que se pode pôr em oscilação
mediante um impulso. Uma tal oscilação designa-se por
oscilação livre e o
respectivo período (To) é o período próprio
do pêndulo. Se o período do movimento do solo (T) é
sensivelmente menor do que o período próprio do
sismógrafo (T<<To), a massa deste (M) ficará
em repouso e o movimento relativo solo/massa é
registrado com o auxílio das alavancas amplificadoras.
Se o período do movimento do solo é muito maior do que o
período próprio do sismógrafo (T>>To), a
massa acaba por acompanhar o solo no seu movimento, não
há movimento relativo, nem por conseguinte registro.
Entre estas duas hipóteses
situa-se o caso da ressonância:a massa oscila livremente
e com amplitude crescente, à medida que chegam novas
ondas do mesmo período (T = To). O máximo de
ressonância, frente ao amortecimento do sismógrafo, pode
ser mais ou menos reduzido, até completa supressão. Por
outro lado, o amortecimento impede a manifestação de um
defeito do sismógrafo, que seria o falso registro de
ondas após a chegada de um único impulso, pelo fato do
sismógrafo entrar em oscilação livre.
Quando o amortecimento é
forte (c), na ilustração acima, obtém-se registros
aceitáveis das oscilações do solo cujo período seja
inferior ao dobro do período próprio do sismógrafo. De
sismos afastados chegam-nos períodos de 20 s e mais,
pelo que os períodos próprios devem ser pelo menos da
ordem dos 10 s.
Ora, um pêndulo simples com este período tem o
comprimento de 25 m; mas é possível com determinados
dispositivos mecânicos atingir o período desejado sem
exagerar as dimensões dos aparelhos. Podem obter-se
amplificações de centenas ou milhares de vezes com o
sistema de alavancas, que devem ser leves e o mais
possível livres de atrito nas articulações. Apesar
disso, para vencer o atrito da ponta de registro sobre o
sismograma, tornam-se necessárias grandes massas (1 a 20
toneladas).
O registro óptico
(fotográfico) é completamente livre de atrito, permite
reduzir a massa a 1 kg ou ainda menos e, paralelamente,
realiza amplificações da ordem de centenas de milhares
ou mesmo milhões de vezes. A transformação das
oscilações mecânicas em correntes elétricas pulsantes,
por via eletromagnética, é bastante prática. Tais
sismógrafos podem dispor igualmente do registro óptico,
quando acoplados a galvanômetros de espelho.
Cada sismógrafo deve possuir
um dispositivo de marcação de tempos, que, na maior
parte das vezes, consiste em pequenas interrupções do
registro (1 a 2 segundos) no inicio de cada minuto e
comandadas por um bom relógio de quartzo, cujo estado
deve ser determinado diariamente por sinais-rádio
oriundos de algum observatório astronômico. O tempo
utilizado é sempre o tempo médio de Greenwich (TMG).
Deve-se a E. Wiechert a
concepção e montagem do primeiro sismógrafo capaz de
fornecer registros legíveis de sismos afastados. O seu
princípio fundamental é o do pêndulo invertido. Com os
seus colaboradores, Wiechert fundou a investigação do
interior da Terra, com os primeiros resultados bem
estabelecidos.
|