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Física
Quântica
... para os esotéricos, místicos etc.
(Parte 2)
A
natureza ondulatória das partículas atômicas
Feixe de Partículas e de Luz
Chegamos agora ao conjunto de observações mais chocante
e mais revelador, relacionadas com a natureza das
partículas atômicas. Consideremos a forma mais simples
em que as partículas atômicas, como os elétrons, podem
ser encontradas. Isto se dá quando elas são retiradas
dos átomos e movem-se livremente no espaço vazio. Um
conjunto de elétrons que se movem na mesma direção e
sentido, e com a mesma velocidade, constitui o que
chamamos “feixe de elétrons”.
Feixes desse tipo são produzidos em válvulas de rádio e,
particularmente, nos tubos de televisão. Atingem o vídeo
da televisão pela parte de dentro e formam a imagem. Os
feixes de elétrons devem ser produzidos no vácuo, pois,
no ar, os elétrons chocar-se-iam com as moléculas e
rapidamente sairiam do alinhamento.
Provavelmente você imagina
que esses feixes de elétrons têm propriedades muito
simples. O 'visual' é que eles são constituídos por um
grupo de partículas que se movem ao longo de trajetórias
paralelas, todas com a mesma velocidade. No espaço livre
elas devem mover-se em linha reta, se encontrarem um
obstáculo devem espalhar-se em todas as direções.
Entretanto, ao contrário de tudo isso, encontramos
fenômenos estranhos e inesperados.
Antes de descrever esses
efeitos, consideremos outro tipo de feixe, o
feixe de luz — por exemplo,
o feixe bem focalizado de um farol. Admitamos que a luz
tenha uma única cor.
Comparemos esses dois
feixes. Podemos esperar que eles sejam fundamentalmente
diferentes: o feixe de luz é constituído por ondas
eletromagnéticas propagando-se no espaço em determinada
direção; não há matéria se movendo, apenas o estado do
campo eletromagnético está variando no espaço. Ao
contrário, um feixe de partículas consiste de matéria
real, em pequenas unidades, movendo-se em linha reta. É
de se esperar que os dois feixes sejam tão diferentes
quanto o movimento de ondas num lago e o movimento de um
cardume de peixes nadando todos na mesma direção.
Relembremos as experiências
pelas quais foi verificada a natureza ondulatória da
luz, particularmente aquela em que um obstáculo é
colocado no caminho do feixe, como ilustramos abaixo
(para a luz) e a ilustração seguinte (para um feixe de
elétrons). Essas montagens parecem ideais para mostrar a
diferença entre um feixe de ondas e um de partículas. Se
o obstáculo for colocado no caminho de um feixe de
partículas, as que o atingirem não atingirão o anteparo;
as que não o atingirem alcançarão o anteparo; as que
passarem raspando pela borda do obstáculo poderão ser
espalhadas e desviadas de sua trajetória.
Fig. 24 Aparelho para
difração do feixe de elétrons, semelhante ao aparelho
para difração da luz da Fig. 14. Por questão de clareza,
as linhas produzidas pela interferência foram desenhadas
muito mais largas do que o são na realidade.
Portanto, se usarmos um
anteparo do mesmo material de que são feitos os vídeos
de televisão, deveremos observar uma região de sombra e
uma região de luz, com uma transição não muito nítida
por causa do espalhamento na borda. Não esperamos
observar faixas quando não há um fenômeno ondulatório.
Entretanto, qual não foi a
surpresa dos físicos quando realizaram esta experiência
e outras semelhantes e verificaram que os feixes de
elétrons apresentam propriedades ondulatórias
semelhantes às dos feixes de luz!
A ilustração abaixo mostra, a esquerda, a figura formada
sobre um anteparo, por um feixe de luz (como na
experiência acima, para o feixe de luz). É uma
configuração idêntica à da ilustração a direita,
produzida por um feixe de elétrons. Esse resultado
espantoso é apenas um dentre os muitos que mostraram,
fora de qualquer dúvida, que os feixes de elétrons devem
possuir algum tipo de natureza ondulatória; a propagação
de um feixe de partículas parece ter as características
de uma configuração ondulatória. Deve haver uma onda
relacionada com o movimento dos elétrons.
Um estudo quantitativo
dessas figuras de interferência
permite medir o comprimento de onda dessa misteriosa “onda
de elétrons”. O comprimento de onda depende da
velocidade do elétron — quanto maior a velocidade, menor
o comprimento de onda; para elétrons cuja energia é de
alguns elétron-volts, o comprimento de onda é do tamanho
dos átomos. É realmente um comprimento de onda muito
pequeno e é por esse motivo que não é fácil observar a
natureza ondulatória dos feixes de elétrons. Na maior
parte das aplicações práticas dos feixes de elétrons,
como os tubos de
televisão, a natureza ondulatória não desempenha papel
algum.
Afinal, o
elétron é uma onda ou uma partícula?
A observação desse fenômeno
constituiu uma descoberta fundamental — a natureza
ondulatória das partículas. O resultado é desnorteante e
altamente inesperado. Os físicos tiveram de realizar
muitas experiências até se convencerem de que os efeitos
ondulatórios não eram produzidos por algum outro
fenômeno. Entretanto, todas essas experiências tornaram
cada vez mais claro que as ondas desempenham um papel no
movimento dos elétrons e também das outras partículas
atômicas, como os prótons.
Uma questão óbvia coloca-se
por si mesma: Como pode um elétron
ser uma partícula e uma onda ao mesmo tempo?
Uma onda é alguma coisa que se espalha no espaço de
maneira contínua, enquanto uma partícula é algo
nitidamente localizado; num dado momento, a partícula
está aqui, não lá, enquanto que uma onda é “um estado de
tensão” do espaço, o qual tem que se espalhar numa
extensão de alguns comprimentos de onda pelo menos, para
constituir alguma coisa que possa ser chamada onda.
Será possível realizar alguma
experiência crucial de maneira a decidir a questão sem
ambigüidade? Afinal o elétron é uma partícula ou uma
onda?
Esta é, talvez, a pergunta
mais interessante da Física moderna. Mas, antes de
discutir esse problema, precisamos estar conscientes do
fato mais interessante relacionado com as ondas dos
elétrons: o fato de que a
dualidade de natureza dos elétrons, como
partículas e como ondas, contém a chave do enigma da
estrutura atômica! As propriedades inesperadas dos
elétrons que circulam em torno dos núcleos atômicos
estão diretamente relacionadas com a natureza
ondulatória.
Propriedades das ondas confinadas em espaços limitados
Para compreender a relação
entre as ondas associadas aos elétrons e as propriedades
dos átomos, devemos, antes de mais nada, estudar. o
comportamento peculiar das ondas quando estão confinadas
a uma região limitada.
Consideremos o exemplo mais
simples: ondas ao longo de uma corda estendida. Se esta
for muito longa, poderemos produzir uma onda dando à
extremidade da corda uma pequena sacudidela
perpendicular à corda, como qualquer criança que brinca
com uma corda de pular sabe fazer. Se a outra
extremidade da corda estiver presa a um objeto fixo e se
a corda estiver sob tensão, o impulso percorrerá a corda
e, em certos casos, voltará, refletido no ponto em que a
corda está presa. Com alguma habilidade, podemos
produzir na corda 'qualquer forma de onda', com
comprimento de onda longo ou curto, como quisermos. Para
grandes comprimentos de onda, as oscilações serão
lentas; para os pequenos comprimentos de onda a corda
vibrará depressa.
Confinemos agora a corda entre dois pontos próximos.
Nesse caso, é melhor pensar num fio metálico sob tensão,
ou corda de instrumento sonoro, em vez de corda comum. A
vibração de uma corda desse tipo é conhecida como
onda estacionária. Não
temos mais escolha de comprimento de onda e freqüência.
Na realidade só podem ser estabelecidas as vibrações
cujos meios-comprimentos de onda ('gomos') cabem uma, ou
duas, ou qualquer número inteiro de vezes no espaço
entre os dois pontos fixos, como indica a ilustração.
Fig. 25 Ondas estacionárias.
Vibrações de uma corda, confinadas entre os pontos em
que a corda está presa. Só são produzidas as vibrações
para as quais 1, 2, 3, 4, etc, meios comprimentos de
onda caibam exatamente na distância entre os pontos
fixos. A linha branca reta indica a posição da corda em
repouso.
Não apenas as formas das
vibrações, mas também as freqüências (número de subidas
e descidas por segundo) ficam determinadas, desde que a
tensão mecânica na corda seja mantida fixa.
Cada uma das vibrações que
podem ser estabelecidas tem sua freqüência
característica, de maneira que a corda só pode vibrar
com um conjunto de freqüências determinadas. A mais
baixa dessas freqüências, a mais fácil de estabelecer, é
aquela cujo meio comprimento de onda é exatamente igual
à distância entre os dois pontos fixos. É a
freqüência fundamental.
Essa é a freqüência tocada pelo violinista quando põe a
corda em movimento com seu arco. Mas ele pode também
tocar freqüências mais elevadas, os chamados tons
harmônicos, nos quais dois ou mais meios-comprimentos de
onda cabem na corda.
Mesmo quando ele toca um tom
normal, o movimento da corda não é constituído
exclusivamente pela vibração mais baixa. O movimento
real é uma combinação de várias formas permitidas de
movimento. Na realidade, o tom musical comum de um
violino contém, até certo ponto, os modos mais elevados,
que são os harmônicos,
cuja presença é importante
para a beleza do som caracterizando o seu 'timbre'.
A diferença entre o tom de um 'virtuose' violinista e o
de um violinista comum, está na combinação de
harmônicos. Mas, qualquer que seja a combinação, ela só
pode conter as freqüências do conjunto permitido à corda
que está sendo tocada.
A lição aprendida com a
corda vibrante é verdadeira para todos os tipos de
ondas. Sempre que há ondas
confinadas em um espaço finito, observamos formas
especiais de ondas e um conjunto de freqüências
determinadas, características do sistema. A maior parte
dos instrumentos musicais é construída com base nesse
princípio. Os instrumentos de corda usam a série
descontínua de freqüências características da corda. Os
instrumentos de sopro são baseados nas freqüências
permitidas para ondas do ar preso dentro do tubo, quer
se trate de uma trombeta, quer de um tubo de órgão.
Outro exemplo interessante
desse fenômeno pode ser observado em ondas confinadas na
superfície da água, num copo, por exemplo. Pode-se
observar um exemplo marcante desse tipo de onda
estacionária quando se viaja em um avião a hélice. Ás
vezes, quando a freqüência das vibrações do motor é
igual a uma das freqüências possíveis das ondas
confirmadas no copo, torna-se visível uma configuração
especial de vibrações na superfície da água. Quando a
freqüência do motor muda, ou quando a quantidade de água
é modificada, outras configurações entram em ressonância
com a freqüência do motor. Observamos freqüências
características relacionadas com configurações
ondulatórias características.
Seria perfeitamente possível
calcular a forma dessas ondas e predizer em que
freqüência de vibração cada uma delas deve aparecer.
Tudo o que se precisa saber é a forma do copo e as
propriedades das ondas na superfície da água.
Ondas
associadas aos elétrons e estados quânticos
Voltemos agora às ondas
associadas aos elétrons. Como
poderemos confinar ondas de elétrons e observar
fenômenos do tipo que acabamos de descrever?
Em qualquer situação na qual os elétrons estejam
confinados, as ondas associadas aos elétrons estarão
também confinadas. Tal situação existe quando um elétron
está próximo a um núcleo atômico. A carga positiva do
núcleo atrai o elétron e o impede de se afastar da
vizinhança imediata do núcleo; o elétron fica confinado
ao espaço próximo ao núcleo. Que
efeito terá esse confinamento sobre a onda associada ao
elétron?
Esta pergunta foi formulada e respondida por
Erwin Schroedinger, em
1926.
Ele foi capaz de calcular a
forma e as freqüências das formas que se desenvolvem
quando as ondas associadas aos elétrons estão confinadas
por um núcleo. Trata-se de um problema 'simples' de
dinâmica de ondas confinadas, pois conhecemos a relação
entre o comprimento de onda e a velocidade do elétron. O
resultado é uma série de vibrações distintas, cada uma
delas com forma e freqüência características. A natureza
ondulatória do elétron “explica” imediatamente o fato de
que ele só pode assumir certos estados bem definidos de
movimento dentro do átomo.
Este resultado é de
importância fundamental. Encontrou-se uma relação entre
a natureza do elétron e a existência de
estados discretos no átomo.
Nesse ponto estamos tocando o próprio cerne da natureza.
Quando um elétron está confinado numa região limitada em
torno do núcleo, suas propriedades ondulatórias permitem
apenas certos estados especiais e predeterminados de
movimento. Portanto, o átomo não pode modificar seu
estado de maneira contínua; tem que mudar abruptamente
de um estado permitido para outro. Permanecerá no estado
de energia mínima até obter energia suficiente para ser
elevado ao estado seguinte, como foi observado na
experiência de Franck-Hertz.
O sucesso do modelo de ondas
associadas aos elétrons no átomo é ainda mais notável
por causa de sua concordância com os fatos em todos os
detalhes quantitativos.
Schroedinger começou por calcular o problema mais
simples — o do átomo de hidrogênio,
no qual apenas um elétron é confinado pelo núcleo.
Encontrou uma série de estados de vibração que
correspondem em todos os aspectos aos estados quânticos
observados para o átomo de hidrogênio. Em particular as
freqüências das vibrações da onda associada ao elétron
correspondem exatamente às energias dos estados
quânticos observados, calculadas usando-se a famosa
fórmula de Planck, que relaciona freqüências e energias:
"a energia correspondente é sempre igual à freqüência
n
multiplicada pelo número fixo chamado h, isto é,
E = h
n
".
O número h é a chamada
constante de Planck. Essa relação é quase
incrível: Schroedinger calculou as vibrações de uma onda
confinada pela atração do centro. Multiplicou as
freqüências pela constante de Planck e obteve
exatamente, até a última casa decimal, as energias dos
estados quânticos do hidrogênio, os valores permitidos
da conta bancária de energia do átomo de hidrogênio. Ou,
nas palavras de Enrico Fermi: "Não há nada que tanto
venha a calhar!".
Nota: h é um número
muito pequeno; se medirmos as energias em elétron-volts
e as freqüências em subidas e descidas por segundo
(hertz), h será igual a 4.10-15 . Isto
significa que uma vibração de 1015 vezes por
segundo corresponde a 4 elétron-volts de energia.
Obviamente, a natureza
ondulatória do elétron deve ser um fator decisivo para a
compreensão das propriedades atômicas.
O confinamento das ondas
associadas aos elétrons admite uma série de estados
possíveis e fornece um conjunto de freqüências
permitidas. Se tivermos sempre em mente a lei
fundamental que relaciona freqüência e energia,
obteremos uma série de estados com energias
preestabelecidas. O de freqüência mais baixa é o mais
importante, pois é o estado quântico de energia mais
baixa, o estado normal do átomo.
É também aquele que apresenta a natureza ondulatória de
maneira mais marcante.
As ondas associadas aos
elétrons confinados nos átomos não podem ser observadas
diretamente. Podemos medir sua extensão, suas
freqüências (para sermos mais exatos, as diferenças
entre freqüências, que são observadas como diferenças de
energia) e outras propriedades indiretas. Mas é
construtivo e impressionante observar representações
dessas configurações ondulatórias. Não se trata de
fotografias — isso seria impossível.. São modelos
construídos a partir de resultados de cálculos.
A ilustração a seguir apresenta as configurações das
ondas associadas a elétrons, na ordem crescente da
freqüência (ou da energia), para os sucessivos estados
quânticos de um elétron confinado por um núcleo. O
estado mais baixo, o fundamental, é o mais simples;
quanto mais alta a freqüência, mais complicada a
configuração. O estado fundamental tem simetria
esférica. Os seguintes têm a forma de um oito. Os mais
elevados são, em geral, mais complicados, embora
encontremos também algumas configurações simples entre
eles.
Essas configurações são da
maior importância na fisionomia da natureza. Elas
constituem as formas fundamentais sobre as quais a
matéria é construída. São as formas, e as únicas formas,
que os “movimentos” dos elétrons podem assumir nas
condições que prevalecem nos átomos — isto é, sob a
influência de uma força central (a atração do núcleo)
que mantém os elétrons confinados. Portanto, essas
formas são os símbolos da maneira como a natureza
combina e forma tudo o que vemos em torno de nós.
As configurações da
ilustração acima e suas simetrias inerentes determinam o
comportamento dos átomos; constituem a base do arranjo
ordenado nas moléculas e também do arranjo simétrico dos
átomos ou moléculas nos cristais. A beleza simples de um
cristal reflete, em escala maior, as formas fundamentais
das configurações atômicas.
Em última análise, as regularidades de forma e estrutura
que vemos na natureza, desde a forma hexagonal de um
floco de neve até as intrincadas simetrias das formas
vivas nas flores e nos animais, são baseados nas
simetrias das configurações atômicas.
Olhando para as últimas
formas daquela ilustração, vemos que, quanto mais alta a
freqüência (ou energia), mais fina é a configuração,
isto é, menor é a distância entre as elevações e
depressões. O comprimento de onda torna-se menor. Se
chegarmos a freqüências (energias) muito altas, a
configuração será tão variada e fina que parecerá quase
contínua. Em conseqüência, o movimento descrito será
aproximadamente o de uma partícula comum sem
propriedades ondulatórias. Vemos aqui, de novo, que o
modelo ondulatório reproduz exatamente o que encontramos
nos átomos. Quando a energia é alta, os fenômenos
quânticos deixam de ser importantes e o átomo
comporta-se como se fosse um sistema planetário comum. A
transição para a condição de “plasma” em alta energia
também está contida na natureza ondulatória do elétron.
O átomo de hidrogênio no
estado fundamental vibra de acordo com a configuração
mais simples possível — a primeira forma da ilustração
acima. Outros átomos, entretanto, apresentam padrões
mais complicados no estado fundamental.
Isto é explicado por um princípio muito importante,
descoberto por Wolfgang Pauli
em 1925. Esse princípio afirma que, "quando há mais de
um elétron confinado em um átomo, cada elétron tem que
assumir uma configuração diferente". Assim, um elétron
acrescentado terá que assumir a configuração seguinte na
escala ascendente. O estado fundamental de um átomo
complexo é um estado excitado de um átomo mais simples.
Ao ser apresentado o
clássico 'modelo planetário', ou seja, a constatação de
que existe uma estrutura no átomo, de pronto havia
surgido a questão: de que maneira podem essas diferenças
quantitativas serem a causa das diferenças qualitativas
observadas nas propriedades dos elementos? Como é
possível, por exemplo, que o bromo com 35 elétrons, seja
um líquido marrom que forma muitos compostos químicos
característicos, enquanto que o criptônio, com 36
elétrons seja um gás que não forma composto algum, e o
rubídio, com 37 elétrons, seja um metal? Por que um
elétron a mais ou a menos faz tanta diferença nas
propriedades dos átomos?
Encontramos, agora, no mundo do elétron confinado, uma
explicação para o fato de um elétron acrescentado ou
removido fazer tanta diferença no mundo atômico.
A configuração do último
elétron acrescentado determina a configuração do átomo.
Esta, por sua vez, determina a maneira pela qual os
átomos unem-se uns aos outros formando um cristal, um
líquido ou um gás. Essa configuração pode mudar
apreciavelmente quando se passa de certo número de
elétrons para o seguinte, como podemos observar nos
exemplos da ilustração acima. No mundo atômico, a
quantidade se torna qualidade; um elétron a mais pode
conduzir a uma completa modificação das propriedades.
A descoberta de Schroedinger
a respeito do significado fundamental, para a estrutura
do átomo, da onda associada ao elétron, e o
desenvolvimento dessa teoria por Heisenberg, Max Born e
Pauli marcam uma guinada na compreensão da natureza pelo
homem, comparável à descoberta, por Newton, da
gravitação universal, à teoria eletromagnética de
Maxwell sobre a luz e à teoria da relatividade de
Einstein. As propriedades dos átomos, que pareciam tão
estranhas e incompreensíveis na base do modelo
planetário, adquirem
sentido quando consideradas à luz do fenômeno de ondas
confinadas.
Uma onda confinada assume certas formas e freqüências
bem definidas semelhantes às vibrações do ar num tubo de
órgão, da corda de um violino, ou da superfície da água
num copo em vibração. Em todos esses casos, temos uma
série de formas vibrantes, começando com a mais simples,
que vibra com a freqüência mais baixa, e indo até as
mais complicadas, de freqüências mais elevadas. O mesmo
acontece com as vibrações das ondas associadas aos
elétrons no átomo.
A
Estabilidade, a Identidade e a Regeneração
Com essa nova maneira de
encarar a natureza, podemos agora entender as três
propriedades notáveis do átomo enumeradas ao iniciarmos
essas explanações.
A
estabilidade vem do fato de que é preciso
acrescentar muita energia para transformar o estado
fundamental no seguinte --- de acordo com a fórmula de
Planck, essa energia é igual à diferença entre as
freqüências multiplicada pela constante de Planck.
Enquanto as ações sobre o átomo corresponderem à
energias menores do que essa, o átomo continua na
configuração fundamental, apresentando, portanto, uma
estabilidade típica.
A
Identidade dos átomos vem do fato de que as
configurações ondulatórias são sempre as mesmas e são
determinadas pela maneira como as ondas são confinadas.
Um átomo de sódio é idêntico a outro porque a onda
associada ao elétron é confinada em todos os átomos de
sódio pelas mesmas condições, ou seja, a atração do
núcleo e os efeitos elétricos dos outros elétrons do
átomo. A identidade de dois átomos de ouro vem do fato
de que há o mesmo número de elétrons confinados pela
mesma carga elétrica no centro, produzindo, portanto, as
mesmas vibrações ondulatórias.
Finalmente, a
capacidade de regenerar sua
forma primitiva, depois de uma distorção, é exatamente o
que se espera de um fenômeno de vibração ondulatória,
pelos mesmos motivos que explicam a identidade. Quando
as condições iniciais são restabelecidas, a vibração tem
que assumir de novo a mesma configuração que antes, pois
as configurações são unicamente determinadas pelas
condições nas quais o elétron se move e são
completamente independentes do que aconteceu antes. As
configurações não dependem
absolutamente da história anterior do átomo;
podemos destruir um átomo removendo alguns elétrons, ou
distorcê-lo comprimindo o material de maneira a formar
um sólido, mas, sempre que trazemos o átomo de volta às
condições iniciais, as ondas associadas aos elétrons
assumem os mesmos estados quânticos anteriores. Existe
uma única configuração ondulatória de freqüência ou
energia mais baixa.
É notável o fato de
encontrarmos realmente no mundo dos átomos aquilo que
Pitágoras e
Kepler procuraram em vão no
movimento dos planetas. Eles acreditavam que a Terra e
outros planetas moviam-se em órbitas especiais, cada uma
delas sendo única para o respectivo planeta e
determinada por algum princípio independente do destino
particular e da história passada de nosso sistema
planetário. Não há esse princípio no movimento dos
planetas, nossos velhos sábios se enganaram, mas há no
movimento dos elétrons nos átomos — o princípio
ondulatório. Isso nos faz lembrar a harmonia pitagórica
do mundo: os estados quânticos atômicos têm formas e
freqüências especiais unicamente determinadas. Todos os
átomos de hidrogênio possuem a mesma seqüência de
vibrações, determinada pelo seu conjunto de freqüências
características. Encontramos, assim, “a harmonia das
esferas” reaparecendo no mundo atômico, mas, desta vez,
claramente entendida como um fenômeno de vibração de
ondas confinadas associadas a elétrons.
Segue Parte 3 -
O quantum de luz
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