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Primeiros Passos da
Física
(Parte3)
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3- Termologia
Gás, Pressão.
Poucos são como os gases, que têm aparecido em tantos ramos e, em
cada aparição, proporcionado tantas descobertas importantes. O
conceito de átomo e molécula surgiu das características das reações
químicas dos gases, conforme foi explicado no
Primeiros Passos da Ciência (Aspectos Gerais).
A teoria cinética dos gases, por sua vez, tornou-se um protótipo da
teoria moderna sobre a estrutura da matéria, como veremos na
Parte 4 desse trabalho. As pesquisas
sobre pressão de gases, expansão térmica etc, foram iniciadas no
século XVII, e sua aplicação para máquinas foi reunida no século
XIX. Tais pesquisas produziram um ramo da física denominado
termodinâmica.
Na Idade Antiga, contudo, não existia quase nenhum conhecimento
correto sobre os gases e a sua pressão. Heron descreveu um aparelho
de gás muito simples que girava pelo recuo, devido ao vapor ejetado,
e também o uso do sifão. O primeiro era tratado simplesmente como um
instrumento de uso religioso. Foram classificados em ramos
completamente diferentes, porque não se imaginava que houvesse
relação com a pressão dos gases. Nessa época, os gases eram
reconhecidos mais como um meio de propagação do som, sendo bem
antigas as descrições nesse sentido. Aristóteles já reconhecia o som
como uma oscilação do ar, e também, até certo ponto, a relação entre
o intervalo musical e a freqüência do som. Quanto à velocidade,
porém, descreveu errôneamente que ela variava com a fonte e a altura
do som. (Foi Galileu quem esclareceu a relação entre o intervalo
musical e a freqüência do som. A medição da sua velocidade foi feita
no século XVII. Newton apresentara uma fórmula teórica da velocidade
do som, mas era incorreta; no
século XVIII, foi apresentada a fórmula correta por Laplace. O valor
absoluto da freqüência do som foi medido diretamente pelos estudos
do seu batimento no século XVIII.)
Até a época de Galileu, havia muitas
falhas nos conhecimentos sobre os gases, e isso é comprovado pelo
fato de que ainda ignoravam a existência do peso do ar. Galileu
apontou esse fato, colocando gás numa esfera de vidro à pressão
ambiente, uma primeira vez e, em outra, em alta pressão, mostrando
que havia diferença de peso entre um e outro caso. Não havia, pois,
nenhuma descrição quantitativa sobre as propriedades dos gases até a
Idade Moderna, talvez pelo fato de o conceito da pressão de fluido
ser ainda bastante obscuro. O primeiro reconhecimento correto sobre
pressão foi dado em 1653 por Pascal (1623-1662), cuja lei é:
“A pressão exercida sobre um líquido propaga-se em todos os sentidos
sem reduzir a sua intensidade, e é exercida verticalmente sobre
todas as áreas com a mesma força”. Ele explicou corretamente o
princípio do elevador hidráulico através dessa lei.
Ainda não existia o conceito de pressão
atmosférica. Foi Galileu quem primeiro o introduziu. Observando que,
quando usava a bomba de sucção, a água subia somente pouco mais de
10 metros, ele obteve o conceito de pressão atmosférica, embora de
modo não muito claro ainda. Seu aluno Torricelli (1608-1647),
em 1643, usou o mercúrio ao invés de água e esclareceu essa idéia.
Mas, no seu caso, o interesse foi para a relação entre o estado
atmosférico e a altura da coluna de mercúrio. A existência da
pressão atmosférica foi confirmada plenamente depois que Pascal
observou a diferença na altura da coluna de mercúrio num lugar plano
e numa montanha. O princípio do sifão foi explicado corretamente por
ele. Guericke descobriu independentemente a existência da pressão
atmosférica, em 1663, relacionada com a fabricação da bomba de
vácuo. Boyle, informado das pesquisas de Torricelli e Guericke,
começou em 1660 a mesma espécie de experiência e descobriu, em 1666,
a sua lei em que o volume do gás era inversamente proporcional à
pressão. Essa lei também foi descoberta, independentemente, por
Mariotte (1620-1684), em 1676. Desde então, à medida que a
relação entre a temperatura e a pressão foi sendo esclarecida, essa
propriedade dos gases foi focalizada como sendo a porta para uma
nova ciência.
Temperatura,
Calor. Embora o calor e o frio sejam captados diretamente
pelos sentidos humanos, não existia nenhuma descrição sobre eles até
a Idade Moderna, exceto expressões primitivas como muito quente, bem
frio, etc. Isso foi devido ao desconhecimento do método de descrição
quantitativa da temperatura e do calor.
O primeiro termômetro foi feito em 1593 por Galileu. Era um tubo de
vidro com a extremidade superior
esférica, colocado verticalmente num tanque com água, a qual descia
pela expansão e compressão do ar na esfera. Os resultados eram
facilmente influenciáveis, como podemos observar, pela variação da
pressão atmosférica, e portanto o termômetro não era muito preciso.
Foi na década de 1660, quase 50 anos depois, que, colocando esse
aparelho de Galileu na posição invertida e fechando o topo,
construiu-se o termômetro da forma atual.
No início, colocou-se álcool no tubo.
Com isso, foi possível medir temperaturas relativas com bastante
precisão, porém não existia nenhuma opinião definida sobre a escala
absoluta e foram usados vários padrões arbitrários, corno a
temperatura do corpo humano normal, o ponto de fusão da manteiga, a
temperatura da terra num porão etc. Entretanto, com o
desenvolvimento do termômetro, várias propriedades térmicas de
materiais tornaram-se rapidamente claras. Halley (1656-1742)
inventou os coeficientes de expansão térmica de vários líquidos, e
Fahrenheit (1686-1736) descobriu que os pontos de ebulição e
fusão de vários materiais eram constantes. Este último difundiu o
uso do termômetro de mercúrio. Boyle esclareceu a relação entre a
pressão e o ponto de ebulição.
A expansão térmica de gases foi investigada detalhadamente muito
mais tarde, na primeira metade do século XIX, por Charles
(1746-1823), Gay-Lussac, Regnault (1819-1878) e
outros. No século XVIII, as escalas de temperatura atingiram o
máximo de confusão, tanto que, em 1779, existiam oR, de
Réamur (1683-1757), oF, de Fahrenheit, oC
(apresentado em 1742), de Celsius (1701-1744) e Linné
etc., num total de 19 escalas. Foi bem mais tarde, já em 1848, que a
escala termodinâmica de temperatura, que é independente do tipo do
material usado e bastante teórica, foi apresentada por W. Thomson
(1824-1907), depois Lord Kelvin.
Quanto à medição da quantidade de calor,
devido à confusão causada por vários erros com a hipótese
flogística, já mencionada no PP das Ciências (Aspectos Gerais),
permaneceu bastante atrasada, em comparação com a da temperatura. O
calor latente foi descoberto em 1756 por Black (1728-1799).
Em 1760, ele introduziu o conceito da capacidade térmica. O conceito
do calor específico foi devido a Wilcke (1732-1796). Por
volta de 1783, Lavoisier e Laplace (1749-1827) mediram o
calor específico de vários materiais e construíram o calorímetro de
gelo. A propósito, a primeira máquina a vapor, na qual se usava o
próprio cilindro como caldeira, foi construída no século XVII por
Papin (1647-1712); em 1711, Newcomen (1663-1729) separou
o cilindro da caldeira e Watt (1736-1819), em 1769, conseguiu
aumentar a eficiência da máquina, evitando o resfriamento do
cilindro, através da instalação separada do condensador. Nessa
época, o progresso da tecnologia adiantava-se ao pensamento
científico.
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Marmita
de Papin |

Máquina
de Savery |

Máquina
de Newcomen |

Máquina
de Watt |
Completamento
da termodinâmica. Em 1798, von Rumford (1753-1814)
notou, durante a fabricação de um canhão, o surgimento do calor de
fricção, ao observar que resíduos de ferro tinham temperatura muito
alta. Nessa época, a hipótese do flogístico já havia sido
desprezadas graças a Lavoisier e, então, foi aparecendo lentamente o
raciocínio de que o calor era uma forma de energia.
Em 1842, Mayer (1814-1878) calculou a equivalência do
trabalho em calor, a partir da expansão adiabática de gases. Na sua
longa pesquisa de quase 30 anos, a partir de 1845, Joule
(1818-1889) mediu diretamente a equivalência de trabalho e calor, em
'eletricidade' etc. Essa equivalência foi formalizada
matematicamente em 1847 por Helmholtz (1821-1894), de modo
mais geral, sob a forma da lei de conservação da energia, que se
tornou o que atualmente chamamos de primeira
lei da termodinâmica.
Por outro lado, Carnot (1796-1832) obteve, em 1824, a sua
lei, onde a eficiência da máquina térmica ideal, que funcionava
através transferência do calor da fonte quente de temperatura T1
para a fonte fria de temperatura T2, é dada por (T1
- T2)/T1.
A utilidade dessa lei, que surgiu por necessidade tecnológica, foi
sendo reconhecida e, em 1848, W.
Thomson explicou o abaixamento do ponto de solidificação pela
aplicação da pressão e, em 1850, Clausius (1822-1888)
deduziu, também com isso, a equação de Mayer e Poisson
(1781-1840) para o gás ideal. Ambos chegaram à idéia da
generalização do princípio de Carnot (o primeiro em 1851 e o último
em 1850), e concluíram a segunda lei da
termodinâmica, na qual não se pode transferir calor de um
lugar de temperatura baixa para o de temperatura alta sem acarretar
alguma mudança fora do sistema.
Foi Clausius que, em 1865, modificando matematicamente ainda mais
essa lei, chegou ao conceito de entropia. A
terceira lei da termodinâmica, em que o calor específico à
pressão constante é nulo na temperatura 0 K, foi obtida em 1906 por
Nernst (1864-1941). Em 1910, essa lei foi coordenada por
Planck (1858-1947) sob a forma de que a entropia de material
quimicamente homogêneo torna-se zero a 0 K.
A essa altura, a termodinâmica era utilizada em um vasto campo,
cobrindo as ciências pura e aplicada, e começando a mostrar sua
força como um ramo já concluído da ciência.
Em 1874, Gibbs (1839-1903) começou a tratar o equilíbrio
químico termodinamicamente e, em 1875 Rayleigh (1842-1919)
esclareceu a relação entre a entropia e a direção das reações
químicas. Em 1877, van’t Hoff (1852-1911) resolveu
termodinamicamente o problema da solução diluída. No mesmo ano,
Helmholtz obteve êxito ao aplicar a termodinâmica para o problema da
transformação da energia na pilha.
Primeiros Passos da Ciência (Geral)
Primeiros Passos da Física (parte 1)
Primeiros Passos da Física (parte 2)
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