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Primeiros Passos da
Física
(Parte4)
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4- Completamento da
Física Clássica
Teoria cinética
dos gases. Chegando à segunda metade do século XIX, foi
sendo gradativamente esclarecida a inter-relação entre a
mecânica, a
teoria eletromagnética e a
termodinâmica, que até então eram desenvolvidas de modo
completamente independente, e então se misturaram reunindo-se num só
corpo. A origem dessa união foi o sucesso da
teoria cinética dos gases, que se deve aos dados obtidos nas
reações químicas. Foi D. Bernoulli (1700-1782), já no século
XVIII. quem, considerando a pressão como sendo causada pelas
colisões de muitas partículas microscópicas sobre a parede do
recipiente, deduziu pela primeira vez a lei de Boyle e Mariotte.
Todavia não é preciso dizer que foi por volta da metade do século
XIX, quando o conceito do átomo e da molécula tornava-se popular na
química, que o raciocínio da teoria cinética dos gases foi realmente
desenvolvido.
Em primeiro lugar, supondo que todas as moléculas tinham energias
iguais proporcionais à temperatura, Clausius deduzia a lei de
Boyle-Charles. Mais ainda, ele apontou que, como existe uma
diferença entre o calor específico dos gases a volume constante e à
pressão constante, deve-se considerar o grau de liberdade interna
das moléculas, e defendeu que as moléculas de hidrogênio, oxigênio
etc, eram diatômicas. Em 1859, Maxwell obteve a lei de distribuição
das velocidades moleculares e deduziu o calor específico dos gases,
a equação de estado, a viscosidade, o índice de difusão etc. em
termos das constantes mecânicas. Boltzmann generalizou ainda mais e
conseguiu explicar até a segunda lei da termodinâmica, combinando-as
com a teoria da probabilidade. Esse tipo de tratamento foi
generalizado para outros materiais além dos gases, pelo trabalho de
Maxwell, em 1879. Assim, com o surgimento da
mecânica estatística clássica, a discriminação entre a
mecânica e a termodinâmica tomou-se obscura e uma classificação sob
outro ponto de vista passou a ser considerada.
Teoria do
elétron. Desde a descoberta do elétron, no fim do século
XIX, a teoria eletromagnética começou a revelar outro aspecto. Em
meados do século XVIII, quando a eletrologia havia dado um grande
passo e a técnica de vácuo havia sido desenvolvida por Guericke e
outros, foi descoberta a descarga no vácuo por Grumert
(1719-1776), Watson (1715-1787) e outros. Faraday também
demonstrou um forte interesse e, em 1836, observou a chamada região
negra de Faraday, que aparece perto do cátodo. Depois, o tubo de
descarga no vácuo foi melhorado bastante por Geissler
(1815-1875), Crooks (1832-1919) e outros, e a rarefação do
tubo também progrediu. Em 1858, Plücker (1801-1868) observou
que, quando o gás do tubo se torna extremamente rarefeito,
desaparece a luminescência e, por sua vez, aparece uma fluorescência
na parede do vidro, atrás do ânodo.
Sob o ponto de vista atual, esse é o
fenômeno fluorescente causado pelas colisões com o vidro dos
elétrons de alta velocidade emitidos do cátodo; mas, no começo,
pensava-se que eram novos raios emitidos do cátodo ou oscilação do
éter, e a confusão continuava. O nome “raios catódicos” foi dado em
1876 por Goldstein (1850-1930), e a palavra elétron por
Stoney (1826-1911) em 1890, quando calculou a quantidade
elementar de eletricidade pela combinação da lei da eletrólise de
Faraday e o número de Avogadro. A experiência de 1897 de J. J.
Thomson (1856-1940) foi o primeiro trabalho que confirmou que os
raios catódicos eram a própria corrente de elétrons. Ele aplicou
simultaneamente os campos elétrico e magnético aos raios catódicos e
mediu a quantidade e/m, onde e é a carga elétrica do
elétron e m é a sua massa. [e foi medido com precisão
pela experiência da gota de óleo de Millikan (1868-1953), em
1908.]
Com a descoberta do elétron, o
significado da corrente elétrica e o mecanismo da emissão de onda
eletromagnética ficaram esclarecidos; a teoria eletromagnética e a
mecânica que trata dos movimentos dos elétrons começaram a ser
relacionadas. Ainda mais, quando as várias propriedades
eletromagnéticas da matéria foram sendo explicadas pela teoria dos
elétrons através da pesquisa de Lorentz (1853-1928), no
início deste século, o estudo das propriedades da matéria tornou-se
parecido ao da mecânica, como no caso da termodinâmica.
Completamento
da física clássica e sua re-coordenação. À medida que a
mecânica, a
teoria eletromagnética e a
termodinâmica iam sendo relacionadas através da matéria
microscópica, que era uma nova descoberta, foi surgindo uma ciência
chamada Física, com sua imagem bastante
clara.
No campo da mecânica, até o início do século XIX, devido aos
esforços de Euler (1707-1783), Lagrange (1736-1813),
Hamilton (1805-1865), Jakobi (1804-1851), e outros, a
equação de Newton já podia ser deduzida a partir do princípio mais
geral da ação mínima. Além disso, ainda no início do século, pela
pesquisa de Lorentz e outros, ficou esclarecido que as equações
eletromagnéticas de Maxwell também podiam ser deduzidas de modo
análogo a partir de uma equação hamiltoniana convenientemente
definida. Como já foi mencionado, a equivalência da termodinâmica e
da mecânica foi demonstrada por Boltzmann pela introdução do
raciocínio de probabilidade na mecânica.
A essa altura, tornando-se impossível cada ramo coexistir
independentemente, elas foram incluídas em um conceito unificado,
denominado física. A sua subdivisão foi
sendo feita de acordo com o objetivo de sua utilização, dando origem
à mecânica celeste, mecânica de construção, hidrodinâmica,
tecnologia eletromagnética, teoria da estrutura da matéria etc.
Assim, juntamente com o completamento da física, entramos no estágio
da re-coordenação. Neste século, porém, a mecânica de Newton, a
teoria eletromagnética de Maxwell
e a mecânica estatística de Boltzmann foram sendo novamente postas
em dúvida, devido às descobertas de novos fenômenos (possivelmente,
um próximo trabalho a ser posto no Feira de Ciências). Dessa maneira
foram sendo criadas novas físicas. Entretanto, como a física de até
então forma um sistema completo dentro da região limitada de
fenômenos a que pode ser aplicada, resolveu-se mantê-la com o uso de
um adjetivo, qual seja, a física clássica.
Primeiros Passos da Ciência (Geral)
Primeiros Passos da Física (parte 1)
Primeiros Passos da Física (parte 2)
Primeiros Passos da Física (parte 3)
Primeiros Passos da Física (parte 4)
Primeiros Passos da Física Clássica (Parte 1)
Primeiros Passos da Física Clássica (Parte 2)
Primeiros Passos da Física Moderna
Primeiros Passos da Mecânica Quântica (Parte 1)
Primeiros Passos da Mecânica Quântica (Parte 2)
Primeiros Passos da Mecânica Quântica (Parte 3)
Métodos dos Passos da Física (Parte 1)
Métodos dos Passos da Física (Parte 2)
Métodos da Teoria da Relatividade (Parte 1)
Métodos da
Teoria da Relatividade (Parte 2) (em
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