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Primeiros Passos da
Mecânica Quântica
(Parte 2)
leobarretos@uol.com.br
... continuação ...
Fórmula de
interpolação de Planck
Seguindo o caminho normal, Planck
(1858-1947) empenhou-se na construção de uma lei empírica relativa
aos espectros de radiação de cavidade. No artigo publicado em 19 de
outubro de 1900, apresentou uma fórmula de interpolação do tipo

Essa fórmula não foi deduzida com base
numa profunda consideração teórica.
Segunda Wien, quando
l
~ 0,

Segundo
Rayleigh-Jeans, quando
l
~ ¥,

Tais fórmulas, dentro do seu domínio de
validade, são perfeitas. Planck procurou então uma fórmula de
interpolação que, em cada um dos domínios, concordasse com cada uma
das fórmulas, encontrando a fórmula acima. O raciocínio usado era,
assim, bem simples. Mas a fórmula deduzida concordava perfeitamente
com a experiência. Era uma lei empírica completa. Agora sim,
realmente, fora dado um passo na direção da nova mecânica.
Hipótese do
quantum de luz de Planck
Planck considerou que seria possível deduzir teoricamente a sua
fórmula, imaginando um modelo simples (dezembro de 1900). Primeiro,
reescrevendo a sua fórmula como

comparou com a fórmula geral de
Rayleigh-ieans. Isso significa que
a energia média da luz não era kT, mas

Reescrevendo outra vez, obtemos

Segundo a fórmula geral da mecânica
estatística, se um sistema
mecânico pode tomar as energias E0, E1, E2,
. . ., a energia média, à temperatura T, é dada por

Comparando com a equação anterior vemos
que a luz não pode tomar valores arbitrários de energia, mas só
múltiplos inteiros de el
= kb/l
são permitidos. Assim, Planck, pondo h = kb/c , afirmou que a
energia da luz de freqüência
n só admitia múltiplos de ---
en
= hn
---.
Esse pensamento explicava por completo a
radiação de cavidade. Era o nascimento
de uma nova teoria substancialística.
Teoria do
efeito fotoelétrico de Einstein
Em 1905, Einstein (1879 -1955), para
explicar o efeito fotoelétrico, desenvolveu a idéia de Planck e
afirmou que, ao invés de se imaginar a luz como uma onda de energia
discreta, era melhor imaginá-la como uma partícula. Dessa forma,
introduziu-se o conceito de fóton e uma
teoria de modelo foi completada.
Desse ponto vai-se passando, gradativamente, para o estágio
essencial, porém, antes disso, um acúmulo de teorias de modelo é
necessário, porque a “mecânica” é obtida pelas abstrações dos pontos
comuns dessas várias teorias de modelo.
Espectro atômico
Estrutura
atômica
Como foi exposto anteriormente, no início do século XIX, o conceito
de átomo e de molécula já era formado, devido aos trabalhos de
Dalton (1766 -1844) em 1807 e de Avogadro (1776 -1856) em 1811. No
princípio, pensava-se que o átomo era realmente indivisível. As
primeiras dúvidas começaram a surgir desde a descoberta do elétron,
por Plücker, Crooks, Stoney, J. J. Thomson e outros, no fim do
século XIX. A partir dessa época, começou-se a admitir que o átomo
era constituído de íons e elétrons, e o fato de existirem átomos de
várias espécies seria devido à diferença da estrutura interna.
O núcleo atômico foi considerado como um conceito obscuro, e os seus
detalhes não eram conhecidos, tendo sido imaginados vários modelos
incorretos. Por exemplo, J. J. Thomson imaginou um modelo em que o
núcleo seria como uma grande piscina na qual os elétrons estariam
nadando. Por outro lado, Nagaoka (1865 -1950) acreditava num modelo
onde o núcleo era uma esfera grande e dura, em torno da qual os
elétrons estariam girando semelhantemente aos anéis de Saturno.
Os conhecimentos detalhados da estrutura atômica ficaram
estabelecidos graças aos trabalhos de Rutherford (1871-1937), em
1911. Ele imaginou que poderia saber a forma do núcleo, se incidisse
outras partículas carregadas sobre o átomo, e estudasse o aspecto do
espalhamento. Se o núcleo ocupasse um grande volume, como nos
modelos de Thomson e Nagaoka, a força elétrica sobre a partícula
incidente com carga seria fraca, e o espalhamento se daria
principalmente para a frente. Caso o núcleo fosse pequeno,
contrariamente, a força coulombiana reinante seria forte, e poderia
haver um número considerável de espalhamentos no sentido oposto ao
incidente. Rutherford bombardeou átomos de várias espécies com
partículas a
e descobriu que os núcleos são extremamente pequenos com raio entre
10-12 e 10-13 cm.
Pesquisa do
espectro atômico
Com os trabalhos de Rutherford, foi sendo bastante esclarecida a
estrutura do átomo de hidrogênio, isto é,
imaginou-se a existência de um próton
muito pequeno no centro com os elétrons girando em torno. Contudo,
tal estrutura não era consistente com os espectros emitidos pelos
átomos de hidrogênio. A história da pesquisa do espectro era antiga
e, em 1821, Fraunhofer (1787-1826) já havia determinado os
comprimentos de onda, como foi exposto em
PPF - 1.
Em 1885, Balmer (1825 -1898) já havia descoberto as linhas
espectrais do átomo de hidrogênio na parte visível. Em fins do
século XIX, era bem conhecido que determinadas espécies de átomos
emitiam as linhas espectrais próprias. Esses fatos contradiziam
evidentemente o modelo atômico determinado por Rutherford. Se o
elétron girava em torno do núcleo com velocidade constante, pelos
cálculos da teoria de Maxwell, só poderia emitir luzes de uma só
freqüência. Por outro lado, emitindo luz, deveria perder energia e
iria se aproximando do núcleo. Concomitantemente, a linha espectral
deveria se deslocar. Como resultado, a luz de hidrogênio mostraria
um espectro contínuo e não-linear.
Esse fato era inconsistente com a realidade observada. Por esse
motivo, reconheceu-se que o átomo também era um fenômeno de um
novo ramo.
Leis empíricas
sobre o espectro atômico
O estágio era agora realmente de descobrimento de leis empíricas. Em
primeiro lugar, Rydberg (1854 -1919)
descobriu que as freqüências das linhas espectrais do hidrogênio são
dadas pela fórmula

onde R é uma constante de
proporcionalidade e n, m números inteiros, sendo n
< m.
Em seguida, Ritz descobriu que as
freqüências das linhas espectrais dos átomos de elementos em geral
satisfaziam a lei de combinação, isto é, sempre é possível achar,
das inúmeras linha espectrais, muitos conjuntos de três linhas,
cujas freqüências satisfazem a relação ---
nc
= na
+ nb
---.
==>
Cronologicamente falando, essas descobertas antecederam as pesquisas
de Rutherford. É mais exato dizer que, como o modelo de Rutherford
contradizia a existência das linhas espectrais, essas leis empíricas
foram focalizadas repentinamente como uma teoria fenomenológica, que
deveria ser o primeiro passo para a construção de uma nova mecânica.
Modelo atômico
de Bohr
Com base no modelo de Rutherford e
na fórmula de Rydberg, N. Bohr (1885
-1962) apresentou em 1913 a
seguinte teoria de modelo:
a) O elétron
gira em torno do próton em órbitas circulares. O seu momento
angular, no entanto, não é arbitrário, devendo ser um múltiplo
inteiro de h/2p.
b) A luz não é emitida quando o movimento se dá segundo as órbitas
permitidas. Quando houver uma transição de uma órbita para outra, a
diferença entre as suas energias é emitida em forma de luz.
Como no caso de Kepler, o próprio Bohr
também não sabia ao certo por que essas condições eram impostas ao
movimento do elétron. Mas, a partir desse modelo, a fórmula de
Rydberg foi corretamente deduzida. Pode-se dizer que foi
acrescentada mais uma teoria importante ao estágio substancial.
Teoria de De
Broglie
O ponto mais estranho na teoria de Bohr estava no fato de que a
constante h, introduzida por Planck no caso da luz, aparecia
como urna constante para limitar o movimento do elétron. Seria
simplesmente coincidência? Foi um problema que atormentou a muitos.
Em 1 924, foi apresentada uma teoria filosófica por
De Broglie. (A implicação da palavra
"filosofia" será explicada depois.)
"Foi confirmado pelo trabalho de Planck-Einstein que a luz, que
antes era considerada uma onda, mostrava agora também um
comportamento corpuscular, por meio de uma constante h.
Então, como o movimento do elétron era limitado pelo h na
teoria de Bohr, não seria possível que o elétron, até agora
considerado uma partícula, manifestasse um comportamento ondulatório
através de h ?“
Com esse raciocínio, concluiu que o elétron de energia E e
momento p deve ser considerado uma onda através de urna
equação inversa à da luz, a saber, ---
l
= h/p , n
= E/h.
Se a difração de um feixe de elétrons
tivesse sido descoberta antes disso, e se De Broglie considerasse o
modelo do elétron acima para explicar esse estranho fenômeno,
poderíamos denominá-la uma teoria substancialística que nasceu
passando por urna ordem correta de desenvolvimento. Na realidade,
porém, só em 1927 a difração do elétron foi descoberta por
Davisson (1881-1958) e
Germer. Nesse sentido, o trabalho de De
Broglie é um produto de pensamentos
filosóficos que antecedeu a experiência. Por esse motivo, o
seu poder persuasivo não era forte. Apenas alguns deram certa
importância como uma possibilidade de explicar o aparecimento de
h na teoria de Bohr.
De qualquer maneira, porém,
completavam-se as teorias substancialísticas ou teorias de modelo. A
base estava preparada para o nascimento da teoria essencial...
... e surgiu a
Mecânica Quântica (PPMQ
- parte 3).
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trabalhos anteriores:
Primeiros Passos da Ciência (Geral)
Primeiros Passos da Física (parte 1)
Primeiros Passos da Física (parte 2)
Primeiros Passos da Física (parte 3)
Primeiros Passos da Física (parte 4)
Primeiros Passos da Física Clássica (parte 1)
Primeiros Passos da Física Clássica (parte 2)
Primeiros Passos da Mecânica Quântica (parte 1)
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