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Primeiros Passos da
Mecânica Quântica
(Parte
3)
leobarretos@uol.com.br
... e surge a Mecânica
Quântica
Teoria de
Heisenberg
Quando as teorias de modelo ficam acumuladas, segue-se a teoria
essencial. Em 1925, Heisenberg
procurava um método para calcular a intensidade das linhas
espectrais, pois o modelo de Bohr explicava a freqüência, mas não a
intensidade.
Na eletrodinâmica clássica, a intensidade de um oscilador circular,
como é o caso do átomo de hidrogênio, é proporcional ao quadrado do
raio. Porém, segundo o modelo de Bohr, a luz não é emitida nesse
estado estacionário. A emissão de luz só se faz no caso de uma
transição de uma órbita de raio rm, para a de rn.
Portanto, ao calcularmos a intensidade, não sabemos se devemos usar
rn2 ou rm2. Mas, no fim,
imaginando que devia ser um certo rmn onde aparecem os
dois índices m e n, e comparando com a teoria de Bohr, construiu uma
nova mecânica como se estivesse decifrando um código. Com essa nova
mecânica, podia-se calcular não só a freqüência, mas também a
intensidade de cada linha espectral do átomo de hidrogênio. A
concordância com a experiência era perfeita.
Dizem que Heisenberg não compreendera a
estrutura matemática da teoria que construíra. Quando mostrou o seu
trabalho a Bohr, este informou-lhe que era matriz. A teoria recebeu
o nome de mecânica das matrizes. Assim,
finalmente, havia chegado ao estágio essencial.
Teoria de
Schrödinger
A teoria de Heisenberg foi aceita como o
nascimento de uma nova mecânica porque concordava
precisamente com a experiência e era bem geral (não se restringia
apenas ao caso do átomo de hidrogênio). Mas, como parecia mais uma
resolução de um código, o verdadeiro significado físico não foi
compreendido. Em 1926, Schrödinger
construía a nova mecânica numa forma muito mais compreensível.
Baseando-se na idéia de De Broglie, ele tentou, considerando o
elétron como onda, construir primeiro a
equação de onda para descrever o seu movimento e, em seguida,
dar a essa onda um caráter corpuscular.
A equação de onda podia ser facilmente
conhecida se a relação de dispersão satisfeita pela onda fosse
conhecida. No caso da luz, por exemplo, a relação de dispersão vale
c2k2 =
w2
onde k é o vetor-número de onda,
isto é, a direção de k representa
a de propagação da onda e o seu módulo
representa |k| = 2p/l;
w
é a freqüência angular [ w
= 2pn
].
Substituindo-se nessa relação de
dispersão,


Assim, Schrödinger pensou que a equação
de movimento para o elétron era a equação de onda acima mais a
condição de normalização. Aplicando-a ao caso do átomo de
hidrogênio, como seria natural, a
freqüência e a intensidade foram calculadas corretamente. Era o
nascimento de uma outra nova mecânica, que foi chamada de
mecânica ondulatória.
No mesmo ano de 1926, o conceito de
rotação do elétron, spin, foi introduzido por
Pauli (1900 -1958), e foi explicada
corretamente a tabela periódica de Mendeleev.
Com isso, pode-se dizer que os trabalhos no estágio essencial também
ficaram concluídos.
Unificação das
duas teorias
Havia, assim, nascido duas espécies de mecânica, mas, no início, as
pessoas ficaram um tanto confusas, pois as duas apresentavam formas
completamente diferentes. Contudo Schrödinger apontava o fato de
que, se as descrevesse usando uma matemática mais avançada, a
teoria do espaço de Hilbert, poderíamos
ver facilmente que ambas eram expressões diferentes de uma mesma
equação, e os seus conteúdos eram completamente iguais. Essa idéia
foi formulada de um modo elegante por Dirac,
Jordan, von
Neumann e outros. Atingia-se assim o
estágio de refinamento.
A partir dessa época, a
mecânica quântica começou a ser
aplicada não só aos problemas dos átomos, mas também à teoria da
estrutura molecular, à teoria do estado sólido etc. Mais tarde,
também foi usada nos problemas do núcleo atômico. A partir desse
ponto, entramos no estágio de aplicação.
Por outro lado, em 1928, Dirac tentou a unificação da mecânica
quântica com uma outra teoria essencial já concluída há algum tempo,
a teoria da relatividade, e nasceu assim a
mecânica quântica relativística.
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trabalhos anteriores:
Primeiros Passos da Ciência (Geral)
Primeiros Passos da Física (parte 1)
Primeiros Passos da Física (parte 2)
Primeiros Passos da Física (parte 3)
Primeiros Passos da Física (parte 4)
Primeiros Passos da Física Clássica (parte 1)
Primeiros Passos da Física Clássica (parte 2)
Primeiros Passos da Mecânica Quântica (parte 1)
Primeiros Passos da Mecânica Quântica (parte 2)
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