Método da Teoria da
Relatividade
(Parte 1)
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Primeiros Passos da Teoria da ReIatividade
Nessa Parte 1,
exporemos como a teoria da relatividade
foi sendo paulatinamente construída pelo método indutivo, partindo
dos vários fenômenos e dados experimentais relacionados com a
velocidade da luz. Na Parte 2,
explicaremos o processo segundo o qual essa teoria, uma vez
concluída, foi sendo estendida a outros campos pelo método
contemporâneo de pesquisa, explanado no trabalho precedente, que
consiste da combinação do método dedutivo e do método de tentativas
e erros, produzindo, finalmente, o sistema da
teoria da relatividade especial. Na
Parte 3, veremos a conclusão da
teoria da relatividade generalizada como uma conseqüência das
aplicações do novo método estendidas até de modo incomum.
Velocidade da
luz e o movimento do corpo emissor
Os Primeiros Passos dessas teorias teve sua origem nas tentativas de
medição da velocidade da luz. No início, não se conhecia ao certo
nem mesmo como a velocidade da luz estava relacionada com a
velocidade do seu corpo emissor (fonte). Supunha-se vagamente que a
velocidade da luz era maior quando emitida no mesmo sentido
que o do movimento do corpo emissor e menor quando no sentido
oposto.
Somente quando se descobriram as estrelas binárias ficou esclarecido
que a velocidade da luz é independente da velocidade do corpo
emissor. Sendo uma binária duas estrelas gêmeas girando uma
em torno da outra, se não houvesse independência entre a velocidade
da luz e a velocidade do corpo emissor, devido à enorme distância
entre as estrelas e a Terra, haveria uma grande diferença nas horas
de chegada das luzes de ambas as estrelas e, conseqüentemente, o
movimento observado na Terra não seria o de uma periodicidade
simples, donde se segue a conclusão acima.
Movimento
absoluto do sistema solar
Como nessa época o problema da velocidade da luz era considerado um
fenômeno simples de um ramo já conhecido, surgiu uma teoria de
modelo, a teoria do éter, para explicar
a lei empírica que acabamos de mencionar. Como a velocidade de
propagação era independente da velocidade do corpo emissor, como no
caso do som que se propaga num meio, imaginou-se que a luz também
percorreria um meio, introduzindo-se então o conceito do éter.
Diversas tentativas no sentido de verificar a existência real do
mesmo foram feitas, mas a mais importante é a
determinação da velocidade do sistema solar em relação ao éter.
Para isso, foram utilizados os eclipses dos
satélites de Júpiter. O método para esse trabalho é o que
segue.
Mede-se corretamente o tempo do eclipse
dos satélites de Júpiter primeiro quando a Terra e Júpiter estão,
respectivamente, nas posições A e A’, como na ilustração abaixo.
Depois de meio ano, quando Terra e
Júpiter estão, respectivamente, em B e
A’, efetua-se nova medição. O período de translação de Júpiter é de
12 anos, logo a sua posição não variou muito. Esse último valor deve
estar quase 16 minutos atrasado em relação ao valor calculado com os
dados observados em A. A razão desse atraso é simples: a luz deve
percorrer a mais a distância
l.
Seja t1 esse atraso medido com precisão. Aproximadamente
6 anos depois, quando a Terra estiver em B e Júpiter em B’, mede-se
novamente o eclipse. Meio ano depois, repete-se a medição:
seja t2 o atraso nesse caso.
Se porventura o sistema solar estiver se movendo de B’ para A’ com
velocidade v, temos:

onde c’ é a velocidade da luz em relação
ao éter. Eliminando l,
obtemos

Os resultados experimentais deram como
resultado v = 0, ou seja, obteve-se a conclusão de que o sistema
solar estava parado em relação ao éter.
Movimento da
Terra em relação ao éter
Evidentemente, a realidade acima foi aceita, tendo-se considerado
que o sistema solar, talvez por coincidência, estava parado em
relação ao éter. Então, como a Terra está em movimento em relação ao
Sol com uma velocidade conhecida, imaginou-se que se poderia medir
diretamente a velocidade da Terra em relação ao éter, o que
realmente foi confirmado pela observação da aberração estelar.
Na ilustração acima, do instante da
penetração da luz das estrelas na
lente da objetiva de um telescópio até atingir a ocular, o
telescópio moveu-se de B para B’. Por isso, para poder observar a
estrela é necessário dar ao mesmo uma inclinação
a
em relação à direção da estréia. A inclinação
a
é dada por
a
@ tg
a
= v/c @
20,5”.
A direção do movimento terrestre muda
completamente no período de um
ano. A extremidade do telescópio descreverá, portanto, uma
elipse de semi-eixo maior com 20,5”.
Isso foi realmente observado e a
conjetura acima foi confirmada. (Historicamente, esse fenômeno fora
usado para a medição da velocidade da luz.)
Experiência de
Michelson e Morley
No entanto os resultados de uma experiência extremamente precisa
realizada por Michelson (1852-1931) e
Morley (1838-1923) em 1887 eram
inconsistentes com essas realidades. Eles construíram um dispositivo
experimental como o esquematizado abaixo.

Como o comprimento de onda
l
é muito pequeno comparado com
l1 + l2
, mesmo que v seja bem
menor que c, pode-se calcular com suficiente precisão.
Entretanto o resultado foi v = 0, o que é um fato inconsistente com
a experiência anterior.
Assim, esse problema, que era considerado como de um ramo já
conhecido, começou repentinamente a ser indagado sobre a
possibilidade de ser um problema de um novo ramo. Nesse sentido, a
pesquisa de Michelson e Morley tornou-se um trabalho no estágio
fenomenológico para a formação de uma nova mecânica.
Hipótese de
Fitzgerald
Estamos, finalmente, no estágio do surgimento da teoria de modelo.
Em 1892, Fitzgerald (1851-1901), para
explicar a experiência acima, assumiu a seguinte hipótese:
“O comprimento dos materiais contrai-se de um
fator [1 - (v/c)2 ]1/2 na direção do
movimento”.
Não se sabia a razão dessa contração, mas a hipótese foi admitida.
Então:

e
D -
D'
= 0, isto é, o deslocamento
da franja não é observado. Essa é uma teoria substancialística.
Transformação
de Lorentz
Como é natural, somente com os elementos vistos até aqui não se pode
esperar ainda o aparecimento da teoria essencial, mas é ainda
necessária, como já dissemos, uma acumulação de teorias
substancialísticas. Em 1904, quando se empenhava no estudo da
teoria de Maxwell,
Lorentz (1853-1928) descobriu um fato
estranho.
Seja um sistema de referência L
(x, y, z, t) e um outro L’ ( x‘, y', z’, t’), em movimento em
relação ao primeiro com uma velocidade v. Esquematizemos
isso:
A relação entre os dois sistemas é dada
pela bem conhecida transformação de Galileu:
x' = x, y' = y, z' = z -v.t, t' =
t
Entretanto a equação de Maxwell não é
invariante em relação a essa transformação. Se aplicarmos, por
exemplo, num D’ Alambertiano,

Se um marciano (caso exista, claro)
repetir o mesmo estudo, como o intervalo de tempo requerido no caso
é pequeno, poder-se-á considerar Marte movendo-se em relação à Terra
com uma velocidade v, valendo, portanto, a transformação
acima, e a lei obtida pelo marciano será

Esse é um fato estranho. Está em
contradição com o conceito da universalidade das leis. Estas, seja
na Terra ou em Marte independentemente do lugar onde forem obtidas,
devem, de preferência, ter a mesma forma. Afinal, a luz emitida na
Terra ou aquela vinda de Marte é a mesma luz.
Então, Lorentz,
tomando como referência as idéias de
Fitzgerald, negou a validade da transformação de Galileu e
propôs como a verdadeira
Transformação de Lorentz
Não houve maiores motivos ou
significados na construção dessa transformação. Ela simplesmente foi
assumida porque as equações da teoria
eletromagnética tornar-se-iam universais. Nesse sentido, esse
trabalho também pertence ao estágio substancialístico. Na verdade, a
sua aceitação, no início, não foi fácil, pois o tempo deixava de ser
absoluto, fato esse jamais posto em dúvida desde
Newton.
Pensamento de
Einstein
Chegando 1905, Einstein apresentou, finalmente, a
teoria essencial. Foi uma espécie de
teoria revolucionária, como aconteceu com Copérnico. Einstein
afirmava que tomar como hipótese a
contração de Fitzgerald ou a
transformação de Lorentz para explicar a constância da
velocidade da luz ou a universalidade das leis não era o caminho
verdadeiro. Essas últimas, porém, deveriam ser a base,
tomando-as como axiomas, e, a partir delas, as outras deveriam ser
deduzidas.
Assumiu, em primeiro lugar, como axioma, a
universalidade das leis e a constância
da velocidade da luz. Em seguida, tentou deduzir a
transformação de Lorentz. Se, como afirmou Fitzgerald, o comprimento
variava, a terceira equação de Galileu
devia ter a forma
az'
= z - vt, (L ==> L')
a
era um fator ainda desconhecido. Da universalidade das equações
físicas, a transformação inversa deveria ter a forma
az
= z' - (-v)t', (L' ==> L)
A diferença entre esses dois sistemas
inerciais é que os sentidos dos seus movimentos são opostos.
Resolvendo essas duas equações, temos

Daqui se pode obter a transformação de
Lorentz.
O raciocínio de Einstein era, pois, que o fato de o tempo ser
diferente para cada sistema de referência seria um resultado
deduzido do axioma e o ponto mais interessante seria como
interpretar esse fato.
Para navegar pela
série PP:
Primeiros Passos da Ciência (Geral)
Primeiros Passos da Física (parte 1)
Primeiros Passos da Física (parte 2)
Primeiros Passos da Física (parte 3)
Primeiros Passos da Física (parte 4)
Primeiros Passos da Física Clássica (parte 1)
Primeiros Passos da Física Clássica (parte 2)
Primeiros Passos da Física Moderna
Primeiros Passos da Mecânica Quântica (parte 1)
Primeiros Passos da Mecânica Quântica (parte 2)
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Métodos dos Passos da Física (parte 1)
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