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Astronomia
... também
para astrólogos
Céu e Terra -
noções básicas
Parte 02
Prof. Luiz Ferraz
Netto (*)
leobarretos@uol.com.br
#6 - Precessão
da Terra
A eclíptica, e portanto seu eixo, são fixos na esfera
celeste. Já o eixo Sul-Norte da Terra e o eixo Sul-Norte celeste,
assim como os planos do equador terrestre e celeste, movem-se
lentamente. O eixo Sul-Norte descreve em torno do eixo da eclíptica
um cone de revolução de semi-abertura e
em sentido retrógrado. É este o movimento de precessão da Terra;
seu período é T = 25 790 anos.
O Sol aparente passa pelo ponto A (Figuras 05 -parte1- e 10)
em 21-mar, início da primavera no hemisfério Norte da Terra. Em
astronomia este ponto é chamado de "ponto vernal" (do latim: ver,
vernis = primavera); ele é representado pelo símbolo
^
(signo de Áries, ver #7).
Hiparco (aproximadamente 160 -125 antes de Cristo), fundador da
astronomia científica, localizara o ponto
^
na constelação de Áries. Desde então, devido à precessão da Terra, o
ponto ^
recuou para a constelação de Peixes.
O ponto A', nas figuras 05 e 10, é chamado de "ponto de
outono" (símbolo
d,
signo Libra). Originalmente ele correspondia a constelação da Libra;
atualmente está na constelação da Virgem.
A reta AA' é chamada linha dos equinócios (ver #10); por
isso, o recuo do ponto vernal
^
é chamado "precessão dos equinócios".
Os signos do Zodíaco (ver #7) acompanham o ponto vernal
^,
logo sofrem precessão em relação às constelações. Datas,
signos e estações do ano são acoplados de modo imutável.
É desconsiderando o lentíssimo movimento de precessão que se pode
afirmar: o eixo Sul-Norte da Terra executa movimento de translação
elíptico (aproximadamente circular) em torno do Sol.
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Figura 10
- A Terra é um giroscópio com três movimentos de
rotação: o "spin" (rodopio, movimento diurno), a
precessão e a nutação. O "spin" tem eixo de rotação
Sul-Norte.
Em relação à esfera celeste o eixo Sul-Norte move-se
lentamente levando consigo o plano do equador, que lhe é
normal.
A intersecção AA' do plano do equador (em precessão) com
o plano da eclíptica (fixo) gira lentamente em torno do
eixo da eclíptica (Pólos Austral e Boreal).
A nutação é um floreio da precessão; presentemente não
interessa. |
#7 - Zodíaco. Signos
Do grego: zóon = ser vivo). É na esfera celeste, a zona
compreendida entre 8,5º acima e 8,5º abaixo da eclíptica. Nele se
movem o Sol aparente, a Lua, todos os planetas grandes e a maioria
dos pequenos. A partir do ponto vernal
^ ele é
dividido em 12 partes iguais, cada uma se estendendo por 30º de
longitude. A cada parte se atribui um nome e um símbolo:
signo do Zodíaco.
Os signos são designados pelos nomes das constelações que ocupavam
suas partes no século II antes de Cristo (Hiparco).
O Sol aparente penetra no signo de Áries no ponto vernal
^ em 21-mar.
A partir desta data o ano é dividido em intervalos de
aproximadamente um mês cada. Na sucessão destes intervalos o Sol
aparente ocupa respectivamente a sucessão dos signos. Em 23-set o
Sol aparente passa pelo ponto de outono (símbolo
d)
ingressando no signo Libra.
Devido à precessão do ponto vernal
^ (ver #6), o
conjunto dos signos gira lentamente recuando em relação às
constelações.
Atualmente correspondem-se:
|
Signo |
Constelação |
|
Áries |
Peixes |
|
Libra |
Virgem |
A reta (^- d)
é o eixo equinocial (AA' nas figuras 05 e 10). Ver #10 -
Equinócios.
Signos do
Zodíaco
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Nome |
Símbolo |
Data |
|
Áries |
^ |
21-Mar. |
|
Touro |
_ |
|
|
Gêmeos |
` |
|
Câncer |
a |
21-Jun. |
|
Leão |
b |
|
|
Virgem |
c |
|
Libra |
d |
23-Set. |
|
Escorpião |
e |
|
|
Sagitário |
f |
|
Capricórnio |
g |
21-Dez. |
|
Aquário |
h |
|
|
Peixes |
i |
A seqüência dos signos corresponde à
escala de longitudes celestes (ver #8 - A3). A correspondência
imutável entre datas e signos simplifica a explicação dos equinócios
(ver #10) e dos solstícios (ver #11), portanto, das estações do ano.
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Figura 11
Seqüência dos signos do Zodíaco
Áries/Libra
linha equinocial
Câncer/Capricórnio
linha solsticial
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#8- Referenciais astronômicos
Adotam-se coordenadas esféricas. Visando um astro P
na esfera celeste, é r
g
infinito (coordenada inútil).
Restam duas coordenadas angulares. Elas determinam univocamente a
direção na qual, a partir do observador O, se encontra o
astro visado. Apresentamos três referenciais astronômicos, a saber:
A1 - Referencial
Horizontal (R.H.)
A2 - Referencial Equatorial (R.Eq.)
A3 - Referencial Eclitical (R.Ecl.)
A1) Referencial Horizontal.
Seja O qualquer o local do observador na superfície do globo
terrestre. Sua latitude seja
j, com |j|
< 90º (por desinteressante, excluímos observador O em pólo
geográfico N ou S da Terra).
Plano horizontal em O é o plano tangente ao globo neste
ponto. Ele intercepta a esfera celeste no horizonte de O. A
vertical por O contém o centro C do globo terrestre.
Na esfera celeste a vertical determina o Zênite no alto e o Nadir em
baixo. O plano do horizonte e o eixo Na - Z são os elementos
essenciais do R.H. em O. Plano vertical que interessa contém
a vertical Na - Z do local. Referencial Horizontal depende do local
do observador. Figuras 12 e 13.
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Figura 12
- Referencial Horizontal. O plano da figura é o
meridiano de O. Ele contém os eixos coincidentes SN
terrestre e ScNc celeste, o local
O do observador e os correspondentes zênite e Nadir. O
plano meridiano de O intercepta o plano horizontal
segundo a reta Sul-Norte local, tangente à linha
meridiana. Na citada reta, os pontos impróprios Sh
e Nh situam-se na esfera celeste
respectivamente ao Sul e ao Norte do paralelo por O.
Fica assim determinada a "Rosa dos ventos" local em O.
Todo plano que contém a vertical Na - Z é vertical, logo
normal ao horizonte. Interessam dois planos verticais
contendo Na - Z : o meridiano de O e o plano vertical
pelo astro P.
Na figura:
wT
=
rotação da Terra em relação à esfera celeste;
wE
=
rotação aparente da esfera celeste em relação à Terra,
tem-se:
wE
= - wT.
Estando geralmente em outro meridiano, o ponto P não
está representado. |
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Figura 13
O mesmo Referencial Horizontal em O visto em
perspectiva.
O R.H. em
O é transladado para o centro C do globo terrestre. Ao
plano do horizonte fixa-se a rosa-dos-ventos: pontos
impróprios Sh, Nh, E e W com E - W
perpendicular a Sh- Nh
Os arcos medem ângulos. As coordenadas de P no R.H. do
observador são:
altura h = arco PP'
azimute a = arco ShP'
A altura h é medida no plano vertical por P.
Ao invés da altura H, é usual também a distância zenital
(90º - h) = arco ZP. |
Visando-se o Sol (com proteção eficiente dos olhos!), seja P
o centro do disco solar. A altura h de P é nula ao
nascer-do-Sol (a Este, E, aurora), e novamente ao pôr-do-sol
(a Oeste, W, crepúsculo). A altura do Sol passa por seu
máximo (culminância) ao meio-dia local (passagem do Sol pelo
meridiano do observador).
A2) Referencial Equatorial
Ele compõe-se de plano do equador e eixo Sul-Norte da
Terra. Ele não depende do local do observador. Por conter Na - Z e S
- N, o meridiano de O interliga os referenciais R.H. e R.Eq.
O plano meridiano de origem contem o ponto vernal
^.
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Figura 14
R.H. e R.Eq.
O plano
da figura é o plano meridiano do local do observador.
Ele é elemento comum aos referenciais R.H. e R.Eq.
O meridiano de O e o plano do equador interceptam-se em
CM.
Imagine-se O em C. |
O observador em O visa o ponto P na esfera celeste.
Pelo ponto P passam os planos: NPS - meridiano de P
(perpendicular ao equador) e ZPNa - vertical em
P (perpendicular ao horizonte).
No R.Eq. as coordenadas de P são:
declinação d = arco TP
ascensão reta a = arco
PT
Em particular, a declinação d do
Sol depende da posição da Terra em sua órbita. (Ver figuras 08 e 09
- parte1).
É útil também o conceito de ângulo horário - arco TM.
As medições são efetuadas no R.H. e transformadas para o R.Eq. ou
para o R. Ecl.
A3) Referencial Eclitical
O observador O é imaginado no centro do Sol.
Plano-base é o plano da eclíptica; normal a ele adota-se o eixo da
eclíptica (com pólos austral e boreal).
As coordenadas de P são análogas às terrestres:
latitude celeste j
longitude celeste l
A longitude é medida a partir do ponto vernal
^.
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Segue Parte 03 ***
(*) Nesse trabalho contei com ajuda
inestimável do astrônomo
Marcelo Moura, do
Observatório Phoenix e responsável pela Sala 24 - Astronomia -
desse site. Além de exímio datilógrafo (digitalizando todo o
original) retificou os deslizes 'astronômicos' por mim cometidos. A
física Lígia Amorese
transformou alguns de meus 'garranchos' ilustrativos em obras de
arte. Meus agradecimentos a ambos.
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