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Conversão
direta da energia Prof.
Luiz Ferraz Netto Como
'ferver' os elétrons de um metal
Fig. 7- Conversor termiônico a vácuo, em funcionamento. Já sabemos que os metais têm abundância de elétrons livres que se deslocam por toda a estrutura metálica (nuvem eletrônica). É muito fácil provocar um deslocamento 'orientado' desses elétrons livres dentro do metal através da aplicação de um conveniente campo magnético, porém, resulta muito mais difícil faze-los 'ferver' de modo que escapem para o exterior. Para conseguir isso teremos que dispor de energia com o propósito de anular (minimizar) os campos elétricos criados pela capa superficial de átomos do metal, os quais apresentam ligações não saturadas na parte voltada para o espaço exterior. A energia necessária para liberar completamente um elétron da superfície recebe o nome de função de trabalho do metal (para alguns autores, trabalho de extração). Por exemplo, no caso do tungstênio a função de trabalho tem o valor aproximado de 4,5 elétrons-volt (4,5 eV). Para relembrar, 1 eV é a energia adquirida por um elétron quando se o acelera através de uma d.d.p. de 1 V; equivale a 1,6.10-19 J. A
medida que se eleva a temperatura do metal, os elétrons de valência do mesmo
vão também aumentando sua temperatura (amplitude de sua agitação térmica
caótica) e sua velocidade (energia térmica). Podemos imaginar como uma
espécie de 'gás eletrônico'. Alguns elétrons alcançam tal velocidade que
permite seu escape da superfície do metal. Temos algo bem parecido com isso em
nossa alta atmosfera, onde partículas gasosas conseguem escapar da atração
gravitacional. Para os elétrons no metal, isso ocorre quando sua energia
cinética é maior que a função de trabalho do metal.
Fig. 8- Em (b), Th = T2 é a temperatura da fonte quente (emissor) e Tc = T1 a temperatura da fonte fria (coletor). O melhor desempenho forneceria: h = 1 - T1/T2. Para isso, preenche-se o espaço entre as placas com um gás que contenha partículas com carga positiva (íons). Estas se misturam com os elétrons e neutralizam suas cargas. A mistura de partículas com cargas positivas e negativas recebe o nome de plasma. A presença do plasma converte o gás em um bom condutor. Os elétrons emitidos podem, agora, deslocarem-se com facilidade até o coletor onde, para continuar com a analogia do 'gás eletrônico', se condensam na superfície mais fria. Resultado:
um termopar de plasma Resumindo: a emissão termiônica de elétrons cria a possibilidade de que se produza uma corrente elétrica. Se são empregados elementos com funções de trabalho diferentes, o conversor termiônico se transforma em um gerador de energia elétrica. Vamos
fazer uma comparação interessante que ajudará a descrever o fenômeno.
Suponha que o emissor seja a superfície do oceano e o coletor um lago
localizado numa cadeia de montanhas. A máquina térmica atmosférica evapora a
água do oceano e a transporta até as alturas mais frias das montanhas, onde se
condensa sob a forma de chuva, acabando por reunir-se no lago. Quando a água do
lago desce até o nível do mar poderá mover uma turbina hidráulica com sua
energia cinética adquirida em sua descida. Como os conversores termiônicos podem funcionar a temperaturas bem mais elevadas que os pares termelétricos ou os geradores dinâmicos, a temperatura do radiador T1, também será elevada. Em conseqüência, os geradores de energia espaciais que utilizem-se de tais conversores levarão radiadores de pequeno tamanho. O lento progresso na tecnologia sobre tais conversores continua e, a menos que alguém descubra algo bem melhor, sempre continuará. Isso é Ciência.
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