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Conversão
direta da energia
(Parte6 - Conversões
eletroquímicas)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
D.D.P.
e ligações químicas
Se apertarmos um limão para que seu sumo fique livre em seu interior e a
seguir espetamos nele duas pequenas lâminas, uma de zinco e outra de
cobre poderemos medir uma diferença de potencial entre os dois
metais. Os elétrons passam por uma carga exterior sem a necessidade de
aquecermos lâminas ou limão ou mesmo dar algum movimento a essas partes.
A 'pilha' química foi o primeiro aparelho de conversão direta. Esta foi
durante 2 centenas de anos a única fonte de corrente elétrica contínua
de que dispunham os cientistas. Como pilhas e baterias funcionam sem
necessidade de calor é lógico perguntar-se de onde procede a energia que
provoca a passagem de corrente elétrica. A bateria não tem
semicondutores porém, do mesmo modo que o par termelétrico e o diodo
termiônico, seus eletrodos são de materiais diferentes. Também utiliza
um líquido ou sólido condutor que permita a passagem da corrente entre
os eletrodos. No exemplo do limão, o cobre e
o zinco são os eletrodos e o sumo do limão é o líquido condutor ou eletrólito,
que fornece íons positivos e negativos. A bateria obtém sua energia de
seu complemento de combustível químico.
A d.d.p. se deve à distinta intensidade das ligações químicas. A ligação
química tem natureza eletrostática: há átomos que apresentam
afinidades elétricas mais intensa que outros.
Reações
químicas nos geradores eletroquímicos
Observemos as seguintes reações química que têm lugar nas baterias
mais comuns e em algumas pilhas eletroquímicas de alimentação constante
(das quais daremos mais detalhes adiante):
| Reações
em baterias |
Reações
em pilhas |
| Pb+PbO2+2H2SO4
<=> 2PbSO4+2H2O |
2LiH <=> 2Li+H2 |
| Fe+NiO2
<=> FeO+NiO |
2CuBr2
<=> 2CuBr+Br2 |
| Zn+AgO+H2O <=> Ag+Zn(OH)2 |
2H2+O2
<=> 2H2O (Bacon) |
| Pb+Ag2O
<=> PbO+2Ag |
PbI2
<=> Pb+I2 |
Em
princípio, todas essas reações são análogas à que têm lugar dentro
do limão, ainda que cada tipo de pilha apresente diferentes valores em
sua f.e.m. (força eletromotriz, grandeza interna), ou na d.d.p. entre
seus terminais (grandeza externa). Isso se deve às distintas 'afinidades'
químicas dos átomos e moléculas que intervêm em cada reação. Existem
literalmente centenas de materiais que podem servir de eletrólitos e de
eletrodos.
Não temos que fornecer calor para romper essas ligações químicas ou
retirá-lo para a sua reconstrução numa bateria eletroquímica; ela
sempre converterá energia química em energia elétrica (e vice-versa, em
muitos casos). A energia da reação química passa à carga exterior com
um rendimento quase igual a 100%. Nesse caso, não existe a limitação do
ciclo de Carnot; só atuam forças eletrostáticas "frias".
No entanto, essas reações químicas não duram indefinidamente porque a
bateria tem uma quantidade muito limitada de combustível. Chega um
instante em que esse combustível foi totalmente consumido e a d.d.p. cai
a zero (cuidado! Não a f.e.m.!).
A
eletrodinâmica explica isso, para a tradicional bateria, de um modo
bastante simples, avaliando a 'resistência interna' (r):
a-
no início a resistência interna (r) é pequeno (muito soluto na
solução) e a d.d.p. entre os seus terminais alimenta uma carga externa
(R) fixa é: U = E - r.i , com E = constante;
b- durante o uso a resistência interna (r) vai aumentado (porque a
quantidade de soluto na solução vai diminuindo) e, com isso a 'queda de
tensão interna' (r.i) vai aumentado, determinando uma diminuição
na d.d.p. (U);
c- no final, a resistência interna adquire um valor tal que o produto r.i
torna-se igual a E, anulando o valor da d.d.p. (U). Quando
(r) assume tal valor é porque, praticamente, não há mais soluto na
'solução' (torna-se praticamente água pura -- não condutora --).
Todos
esses inconvenientes das pilhas e baterias podem ser evitados na 'pilha
eletroquímica de alimentação contínua', onde há um fornecimento contínuo
de combustível.
Um
velho conhecido no espaço extraterrestre
Praticamente todo satélite e veículo interplanetário leva a bordo uma
bateria química, cuja função não consiste tanto em produzir energia elétrica
continuamente e sim desempenhar o papel de 'acumulador elétrico recarregável',
para fornecer energia elétrica quando a carga passa por um máximo. Também
se necessitam dessas baterias convencionais que armazenam energia química
para serem usadas nos períodos nos quais as pilhas solares não recebem
luz do sol devido à sombra da terra e, por conseguinte, não funcionam.
Para tais aplicações a antiga bateria continua sendo muito útil à ciência
moderna.
Pilha
eletroquímica de alimentação contínua
A bateria comum tem um parentesco muito próximo com a pilha eletroquímica
de alimentação contínua. A diferença fundamental entre as duas
consiste em que na última existe um fornecimento contínuo de combustível.
A pilha de hidrogênio-oxigênio ilustrada abaixo é um exemplo típico.
Fig.11-
O diagrama mostra o funcionamento de uma pilha eletroquímica de hidrogênio-oxigênio.
A bateria química funciona do mesmo modo porém as substâncias químicas
são distintas e não há um fornecimento contínuo proveniente do
exterior. A água produzida por essa pilha H-O pode ser utilizada para
beber nos veículos interplanetários.
Fundamentalmente
queima hidrogênio e oxigênio para formar água. Ao se conseguir uma
alimentação contínua de hidrogênio e oxigênio e uma extração contínua
da água produzida, a vida da pilha pode prolongar-se consideravelmente.
Isso se consegue facilmente na pilha eletroquímica de alimentação contínua,
cujos princípios físicos, como já dissemos, são idênticos aos da
bateria comum.
Provavelmente
a tarefa mais difícil e interessante que poderão desempenhar essas
pilhas será a de combinar o oxigênio da atmosfera com carbono, quer em
seu estado natural ou ligeiramente elaborado, gás e combustíveis
derivados do petróleo. Se se tornar possível fabricar pilhas eletroquímicas
que utilizem estes combustíveis tão abundantes, o elevado rendimento
inerente às pilhas as tornará muito superiores, desde o ponto de vista
econômico, às centrais elétricas térmicas que prestam serviços na
atualidade.
Até
o momento temos falado da pilha eletroquímica como sendo um sistema de
conversão frio que não está limitado pelo rendimento de Carnot.
Entretanto, outro aspecto pode ser considerado. Imaginemos uma pilha de
iodeto de hidrogênio (HI) cuja temperatura elevamos até os 2 000 K. Nas
grandes velocidades que alcançam tais moléculas nessa temperatura,
muitas delas se chocarão entre si e se dissociarão em hidrogênio e
iodo: 2HI = H2 + I2 ; quanto mais elevada for a
temperatura maior será a dissociação. Se separarmos o hidrogênio e o
iodo no estado gasoso e retornamos a introduzir na pilha, na qual se
recombinam, haveremos eliminado o problema do fornecimento de energia e
criaríamos uma pilha regenerativa. Mas, teríamos
voltado a introduzir a máquina térmica e a obediência do ciclo de
Carnot. A pilha térmica regenerativa é uma autêntica máquina térmica
que utiliza como fluido um gás que se dissocia.
Os
maiores incentivos para se conseguir uma pilha praticável provém de
programas espaciais. No momento são os mais interessados. Tal pilha terá
magníficas propriedades para as missões espaciais que durem menos de um
mês. É uma fonte limpa e sem vibrações. Se for utilizada a pilha de
Bacon do tipo H-O (essa que ilustramos), tal servirá inclusive para
produzir água potável para a tripulação do veículo.
Nossa
questão de finalização de tema:
Um veículo interplanetário tripulado necessita uma potência média de 2
kW. Um gerador termelétrico aquecido por um reator nuclear, cuja massa
total (incluindo a blindagem) é de 1 000 kg, pode produzir a energia
necessária durante 10 000 horas. A pilha eletroquímica básica tem massa
de 50 kg e consome 0,5 kg de reagentes por hora. Os depósitos de
reagentes têm massa de 25 kg.
Qual é a máxima duração da missão com a qual a massa total da pilha
permaneça inferior a da central nuclear?
Segue: Conversão Direta -
Parte 7 : Pilhas
Solares
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