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Pequeno histórico da química

Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br


A descoberta dos metais, como indica o nome “era de bronze”, é bem antiga. Usava-se, no início, o cobre nativo, depois o minério oxidado, que podia ser facilmente tratado pela fundição e redução simples. O método de tratamento do minério sulfuroso veio depois do apogeu de Roma. A produção de bronze pela adição de estanho era praticada desde a Antiguidade. A descoberta do ferro também é remota, usando-se, no início, o minério oxidado. Por volta de 1 000 anos A. C., parece que a quantidade da produção aumentou consideravelmente, mas a maior parte foi usada como armas. 

No fim da Idade Antiga, já se conhecia o método de produção do ouro, chumbo, estanho, zinco, mercúrio e também do vidro. Produziu-se o sabão misturando-se a soda natural ao óleo. A técnica de ligas desenvolveu-se. Era conhecido o método de produção do licor e do perfume. Estes também são descritos sem inter-relação e em lugares menos esperados, como no caso da geometria. Com relação a teorias, existem várias, como a do átomo de Demócrito (460- 370 A.C.), a teoria dos quatro elementos, terra, água, fogo e ar, de Aristóteles (384-322 A.C.) etc., mas vamos suprimi-las aqui, porque elas provieram da pura imaginação e estão distantes da ciência. 
A metalurgia da Idade Antiga foi introduzida na Arábia e, sob o desejo de produzir metal nobre a partir de metal pobre, foi transformada em alquimia; foi ainda re-introduzida na Europa e sobreviveu até por volta do século XVII. Durante esse período, o desenvolvimento da ciência foi pequeno, mas as técnicas das experiências químicas progrediram e várias espécies de substâncias novas foram separadas e
extraídas; podemos dizer, portanto, que serviu de degrau para uma. nova era. Os alquimistas descobriram muitas espécies de sais, além de álcoois e álcalis. Os ácidos clorídrico e sulfúrico foram produzidos no século XVI e o ácido nítrico antes. 
Já no século XIV, o explosivo primitivo, uma mistura de nitrogênio, enxofre e carvão, era produzido. O éter, a acetona, o ácido de benjoim foram descobertos antes do século XVII. Entretanto, como o método de produção dessas substâncias ficou encerrado por trás de um véu misterioso como segredo de alquimistas, ou como segredo nacional, a sua saída para outros países foi impedida, e não se puderam ver suas descrições através de letras. 

Devemos levar em consideração que, em seu sentido amplo, as descrições mencionadas no começo foram feitas nessa época através da conservação dos produtos, da transmissão secreta ao discípulo etc. Quanto às classificações, existem muitos ramos independentes, surgidos de modo natural, ligados intimamente às técnicas, como, por exemplo, o ramo ligado à produção do ferro que em linguagem atual, seria uma combinação da mineralogia e da metalurgia, o ramo ligado aos trabalhos de alquimistas, que seria a ciência das ligas e dos ácidos; o ramo ligado à produção de licores, que seria a ciência de fermentação e química orgânica; o ramo ligado aos trabalhos da chamada “bruxa”, que seria a venenologia e a anestologia etc. Mas não há nenhuma evidência de que tivesse havido intercâmbio entre eles.

Mas, ao serem descobertas muitas substâncias de espécies diferentes no século XVII e à medida que as suas inter-relações foram sendo esclarecidas, esses ramos independentes de classificação começaram também a ser pesquisados globalmente.
O fato de a pesquisa científica ter sido estabelecida em outros ramos, como a matemática ou a física, influenciou bastante. Boyle (1627-1691), que deixou pesquisas sobre as propriedades dos gases nesse sentido, foi um dos criadores da química. Mas, até chegar-se à química no sentido verdadeiro, foi preciso ainda mais de um século; isso devido à falta de interpretação científica da combustão de substâncias.

Na segunda metade do século XVIII, sucederam-se descobertas sobre gases e, relacionadas a elas, começou-se a considerar detalhadamente o significado científico da combustão. Foi descoberto em 1754 o gás 'significado', em 1774 o oxigênio, e em 1776 o hidrogênio. A separação do nitrogênio e do cloro também ocorreu nessa época. Entretanto, com relação à combustão, não existia em tal período senão um raciocínio bastante primitivo. Na época de Boyle, pensava-se que o fato de o metal tornar-se pesado com a combustão era devido à adição de “partículas de fogo”. Esse raciocínio, no qual se considerava o fogo uma espécie de substância, chegou a seu clímax no início do século XVIII, quando Stahl (1660-1747) imaginou uma substância denominada flogístico

Foi Lavoisier (1743-1794) quem primeiro negou tal hipótese e transformou a experiência química, que até então era qualitativa, em quantitativa. Usando uma balança, ele mediu com precisão o aumento e a diminuição da massa dos gases e das substâncias observados durante a combustão das substâncias, no interior de um recipiente perfeitamente fechado, e descobriu que o elemento imaginado, o flogístico, não existia, que a massa total das substâncias era constante, e que a combustão significava combinação com o oxigênio. Com essa descoberta, foi abstraído e estabelecido o conceito de elemento químico que era inextinguível nas reações químicas, e, unificando vários ramos miúdos que existiam até então independentemente, a química foi concluída como uma ciência em que se estuda a combinação e a separação dos elementos.

Desde então, a pesquisa progrediu rapidamente e, passando sucessivamente pelas leis das proporções constantes de Proust (1754-1826), das proporções múltiplas de Dalton (1766-1844), pela teoria atômica apresentada por ele em 1808, pela lei das reações dos gases de Gay-Lussac (1778- 18500 etc., foi apresentada em 1811 por Avogadro (1776-1856) a teoria molecular, a qual ficou enterrada, entretanto, até quando Cannizzaro (1826-1910) foi buscá-la, em 1860. Embora os conceitos de átomo e molécula tenham assim vagueado um pouco no seu caminho, o raciocínio de elemento químico apresentado por Lavoisier foi promovido intensamente por Berzelius (1779-1848), que por sua vez produziu mais de 2 000 espécies de compostos químicos e mediu as massas atômicas de 43 espécies de elementos. Até essa época, pensava-se que a substância orgânica podia ser extraída somente do corpo de um ser vivo e que a sua pesquisa pertencia a um outro ramo. Mas, desde que Wohler (1800-1882) conseguiu sintetizar a uréia, esse estudo entrou também para o ramo da química.

O conceito de valência química é devido aos esforços de Frankland (1825-1899), Kolbe (1818-18 84), Kekulé (1829-1896) e outros, na metade do século XIX. Em 1865, Kekulé conseguiu a fórmula estrutural correta do benzeno. Juntamente com isso, várias características dos elementos foram pesquisadas e em 1869 Mendeleiv (1834-1907) apresentou a tabela periódica. Pode-se dizer que, com isso, ficou concluída, em linhas gerais, a química no sentido clássico. Posteriormente, juntou-se à teoria da estrutura atômica da física, surgindo a físico-química, e a química também entrou no estágio de re-coordenação.

 


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