Prof. Luiz Ferraz
Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Esse projeto é
especialmente interessante, quer para Feiras de Ciências ou
Trabalhos Escolares, quer para trabalhos dos primeiranistas de
cursos superiores de exatas. Mostraremos como fazer uma agulha
magnetizada girar, à moda do rotor de um motor, dentro de um
'yoke', sob a ação de campos magnéticos defasados.
Material
Para
sua construção necessitaremos apenas de :
#
um yoke (qualquer modelo),
# um transformador [primário para 110V;secundário para (6 +
6)V, 500mA],
# uma rolha,
# uma chave interruptora 1p2p (um pólo, duas posições),
# um eixo (agulha de aço) e
# uma agulha magnética grande.
Comentando
Todos
os técnicos em televisão, assim como os estudantes de eletrônica
conhecem o YOKE ou bobinas defletoras. Trata-se de dois
enrolamentos distintos, efetuados sobre uma mesma forma especial,
que encaixa justinho no pescoço do tubo de raios catódicos (TRC)
do televisor. Essas bobinas permitem a obtenção de dois campos
magnéticos perpendiculares entre si e perpendiculares ao eixo do
tubo (onde passa o feixe de elétrons provenientes do canhão
eletrônico).
Sua função é, a partir dos campos magnéticos que produzem;
aplicar forças magnéticas nos elétrons, determinando assim, suas
deflexões na horizontal e na vertical.
A figura a seguir apresenta um esquema desse comportamento
eletromagnético.
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Esquema do sistema
defletor do feixe eletrônico
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(1)- bobinas
defletoras horizontais
(estão montadas
verticalmente)
(2)- bobinas defletoras verticais
(estão montadas
horizontalmente)
(3)- feixe de elétrons
(produzindo no canhão
eletrônico)
(4)- feixe defletido
(seguindo para a tela
sensível) |
Se,
num dado instante, o campo produzido pelas bobinas (1) é vertical
para cima (por exemplo) e o produzido pelas bobinas (2) é
horizontal para a direita, os elétrons do feixe os 'vê' conforme
indica a figura abaixo, onde B1 e B2
são os vetores indução magnética que caracterizam esses campos
naquele ponto.
Imagine
agora esse yoke colocado sobre a mesa, com a 'boca' para cima e,
uma agulha magnética suspensa, bem centrada em seu interior. Como
ela se estabiliza?
Vejamos isso, por etapas, usando fonte de tensão constante alimentando
as bobinas:
Frente
aos campos magnéticos produzidos por essas bobinas, o campo
magnético terrestre pode ser desprezado.
O que aconteceria com a bússola se os campos
magnéticos produzidos pelas bobinas pudessem variar defasados de
180°?
Eis o que se observaria na bússola, imaginando o processo
em câmara lenta, usando agora uma fonte de tensão AC:
É
isso aí. Veríamos a agulha magnética girando, ao redor de seu
eixo de suspensão, com freqüência igual, múltipla ou
sub-múltipla daquela da variação dos campos magnéticos, Criamos
um campo magnético resultante girante.
Montagem
Para efetivar nossa montagem (retire os pequemos ímãs que
acompanham o yoke) e fixe-o numa base de madeira suficientemente
grande para conter o yoke e um pequeno transformador,
Só nos resta agora obter esses campos magnéticos defasados, em
função do tempo (variação senoidal) e um eixo fixo para agulha
magnética. A parte do eixo é simples. Coloque uma rolha na parte
estreita do yoke (derreta parafina no contorno, se necessário,
para ajudar na fixação) e espete uma agulha longa no seu centro.
A
alimentação das bobinas também é simples. Basta usar um
transformador com primário de acordo com a rede elétrica
(110/220V) e secundário (6 + 6) ou (9 + 9)V, para 500mA.
Abaixo ilustramos esse transformador, indicando os terminais do
secundário por (a), (ct) e (b).
Não
é novidade para ninguém, do campo da eletrônica que, em
relação ao ct, os potenciais elétricos de (a) e (b) estão
defasados de 180°, variando ambos senoidalmente com o tempo.
Assim, já temos nossas duas tensões defasadas e alternadas.
Mais um pequem detalhe; os enrolamentos horizontal e vertical do
yoke têm indutâncias diferentes. Isso
pode ser verificado com um ôhmímetro, medindo-se as resistências
dos fios dos 2 enrolamentos, para verificar que uma é
praticamente, 10 vezes maior que a outra.
Desse
modo, devemos ligar o enrolamento de menor resistência
(horizontal) em 6V (ou 9V) e o de maior resistência (vertical) em
12V (ou 18V). O enrolamento de maior resistência elétrica vai
ligado direto aos terminais (a) e (b) do transformador e o
enrolamento de menor resistência terá um extremo ligado direto no
(ct); o outro terminal irá para (a) ou (b). Essa escolha
implicará no sentido de rotação da agulha magnética. Coloque
uma chave 1x2 (um pólo, duas posições) nessa ligação e assim
poderá escolher, à vontade, o sentido de rotação da agulha
sobre seu eixo. Veja esquema a seguir.
Dando
partida
Coloque a agulha sobre o eixo, apoiada por seu mancal de vidro
(para reduzir o atrito ao mínimo), ligue o cordão de força na
rede elétrica. Você verá que a agulha começa a trepidar
tentando acompanhar o campo magnético girante mas, sua inércia, a
impede. Por isso, deve-se dar um ligeiro impulso inicial. Com isso
a agulha passará a girar muito rapidamente.
Dependendo
do impulso inicial você obterá diversas freqüências de
rotação. Eis o conjunto numa montagem didática.
Finais
No yoke, o enrolamento horizontal é constituído, na verdade, por
2 enrolamentos em paralelo. Se você conseguir separá-los,
ligando-os em série e concordância, haverá melhoria no
desempenho.
Como
dissemos, é um excelente trabalho para estudantes de eletrônica,
alunos do ensino médio em geral e tema para Feiras de Ciências.
Atente que a técnica proposta pode ser preparada para funcionar em
conjunto com um circuito dente de serra, controlado por osciladores
independentes e com isso colocar a agulha em qualquer posição que
lhe interesse. Ficará algo parecido com os motores de passo. Seu
uso vai deste controles servo-mecânicos até leituras de
'mensagens do além', por simples comandos de botões que levam a
agulha sobre as letras do alfabeto marcadas num disco sob a agulha;
esoterismo muito comum nos dias de hoje, onde a falta de cultura
popular é caminhada para a mistificação.
Aliás, grande parte da culpa é nossa, por não explicarmos a
todos, os truques que são utilizados para essas poluições do
além.