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Motor Bimetálico
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Introdução
Esse motorzinho didático baseia-se num dos equipamentos mais comuns no estudo
do calor: um termômetro. Neste caso, o termômetro
usado não é o do tipo mais comum, com o líquido termométrico encerrado num
tubo de vidro, e sim daqueles que existem, por exemplo, nas tampas do forno de
um fogão: o termômetro bimetálico. O 'coração'
desse motor é uma tira bimetálica (dois metais distintos rigidamente unidos)
enrolada em forma de espiral. Uma extremidade da espiral (a final) é fixada
na tampa do forno (internamente) e a outra extremidade (a central), livre,
leva um ponteiro que se desloca sobre uma escala. Essa espiral bimetálica é
facilmente obtida nas lojas de peças para fogões. Para detalhes sobre o termômetro
de lâmina bimetálica veja o seguinte trabalho, da Sala 08:
Termômetro bimetálico
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O termômetro bimetálico do autor (fotos abaixo), para fins didáticos, consta de uma tira bimetálica em espiral, uma placa de acrílico, uma base de madeira e um ponteiro. A foto esquerda superior mostra o aparelho de frente, a direita superior mostra o verso, a esquerda inferior o perfil (onde se percebe que na placa de acrílico há um furo e por ele passa o eixo do ponteiro que se fixa no centro da espiral) e a direita inferior um 'close' da espiral e ponteiro. Na placa de acrílico foram feitas algumas marcas (com caneta para circuito impresso) para leitura relativa de temperaturas.
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Descrição
do motor bimetálico
O conceito por trás desse 'brinquedo' térmico é bastante simples. A espiral
bimetálica (termômetro) é colocada numa 'gangorra' equilibrada;
contra-pesos na espiral e na extremidade livre da gangorra permitem o equilíbrio
crítico dessa 'balança'. Se o termômetro indica "frio" (seu
contra-peso pende para a esquerda -- sentido anti-horário) a gangorra penderá
para a esquerda e baterá na haste de apoio; se o termômetro indica
"quente" (seu contra-peso é levado para a direita -- sentido horário)
a gangorra penderá para a direita e eleva o termômetro afastando-o da fonte
quente (e encontrando ar mais fresco). Como o termômetro esfria, o
contra-peso é girado novamente para a esquerda desequilibrando a gangorra que
será levada novamente para a esquerda aproximando-se da fonte de calor (xícara
com água fervendo) ... e o fenômeno se repete várias vezes.
Eis um visual de uma das montagens:
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A lâmina bimetálica para termômetro de fogão, em espiral, tem normalmente a extremidade externa reta (e um tanto longa) e serve para a fixação na tampa do fogão; essa extremidade vem bem a calhar para a fixação do parafuso. Nesse motor, os contra-pesos são parafusos de latão de 1/8" e porcas; as porcas permitem o bom ajuste do equilíbrio na posição "quente". Uma vez que as cabeças dos parafusos não são necessárias, podem ser cortadas com serra de metal. Eis a foto da extremidade esquerda de nossa gangorra:
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O
parafuso foi fixado na parte reta do termômetro com dois pequenos pedaços de
fios de cobre torcidos firmemente com um par de alicates. O centro da espiral
é fixado com dois fios de cobre mais finos (um por cima e outro por baixo da
lâmina e torcidos firmemente. Depois, pode aplicar solda comum. Essa
soldadura, a seguir, é fixada nos dois arames que formam a gangorra.
A gangorra propriamente dita pode ser feita com dois pedaços do arame
aproveitado de um cabide; esses pedaços de arames devem ser lixados nos
locais onde se farão as soldas. Cada arame é enrolado (uma espira) no arame
(ou prego) que servirá de eixo para a gangorra e postos lado a lado; pequenos
pedaços de fio de cobre foram usados para dar a conveniente rigidez à
gangorra. Eis alguns detalhes:
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O contra-peso na extremidade direita dessa gangorra é, também, um parafuso de latão de 1/8" (com cabeça) e porcas (nesse modelo, uma porca foi soldada entre os arames da gangorra).
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Nessa montagem, repare que a gangorra de arame é ligeiramente encurvada para cima, de modo que o ponto de suspensão fique abaixo do centro de gravidade do sistema, o que dará certa instabilidade à gangorra. É justamente esse tipo de equilíbrio aquele que mais convém para o funcionamento desse motor bimetálico. Quando está "frio", o parafuso da esquerda desce, baixa o centro de gravidade e a gangorra pende para a esquerda. É só ter a devida calma para obter o ponto certo do ajuste.
Funcionamento
Numa primeira montagem usamos uma xícara de água bem quente, como fonte térmica,
colocada logo abaixo do termômetro bimetálico. O vapor quente aquece a lâmina,
ela enverga, desenrola e arrasta o contra-peso para a direita (o parafuso
sobe). Isso eleva o centro de gravidade em relação ao eixo da gangorra; a
gangorra desequilibra e gira para a direita. Essa é a fase onde os devidos
ajustes são necessários. No lado direito há um apoio para a gangorra para
impedir o giro completo; esse apoio deve ser experimentado antes de se fazer o
furo definitivo no bloco de madeira.
Algumas melhorias para esse motor podem ser pensadas. Uma delas é substituir a xícara de água quente por uma lata de refrigerante (com cortes laterais) que tem uma vela acesa em seu interior e água colocada no "fundo" da lata. A água permanece fervente e temos uma melhor fonte de calor. Eis o visual da coisa:
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Veja como fica o sistema quando o termômetro está inclinado para a esquerda:
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Veja como fica o sistema quando o termômetro está inclinado para a direita:
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Nessa segunda montagem veja como ficou a extremidade direita da gangorra.
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Bem, espero que se divirta bastante com essa máquina térmica. Bom sucesso em sua montagem e, não esqueça de escrever-me, contando suas dificuldades e peripécias para o bom funcionamento da engenhoca.
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