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Motores
Elétricos Síncronos
(Modelos Didáticos)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Apresentação
Nesse experimento ressaltam-se dois fenômenos, o efeito
magnético das correntes alternadas e a magnetização
do ferro, por influência. Devidamente combinados podem resultar no princípio
de funcionamento de vários dispositivos; aqui destacaremos um didático motor
elétrico síncrono.
Comecemos
experimentando com uma bobina com núcleo de ar,
como na ilustração (a) abaixo. Sendo alimentada com tensão
alternada, a corrente alternada cria campo magnético que alterna com a
mesma freqüência da corrente (60 Hz, por exemplo, da rede domiciliar).
Na
ilustração (b) acima, inserimos no interior da bobina um núcleo
de ferro doce. Esse núcleo de ferro imanta-se, tornando-se um ímã
cuja polaridade inverte de sentido com a mesma freqüência da corrente na
bobina. Temos um eletroímã de corrente
alternada.
Na ilustração (c) fomos um pouco além, colocamos um cilindro de
ferro doce (capaz de girar ao redor de um eixo horizontal, como ilustrado)
próximo da extremidade superior de nosso eletroímã de corrente
alternada. Por influência (ação do campo magnetizante sobre os dipolos
elementares do ferro) esse cilindro converte-se em ímã de polaridade que
se alterna, também, com a mesma freqüência do núcleo da bobina ou da
corrente alternada circulante.
Abaixo
ilustramos alguns detalhes desse último experimento.
O
motor síncrono
Na situação ilustrada acima, ao ligarmos a corrente de alimentação da
bobina, a haste de ferro imanta-se e o momentâneo pólo oposto ao do núcleo
da bobina será atraído e essa haste (agora na vertical) ficará
'vibrando' na freqüência da tensão alternada de alimentação. Mas, se
você der um impulso tangencial (um 'piparote' com o dedo médio, como se
fosse expulsar um cisco de cima da mesa) na extremidade dessa haste, ela
começara a girar. Se o impulso for adequado, ela 'engrena' com a freqüência
das alternância (sincronismo) e continuará girando até que seja
desligada a corrente (ou bloqueada com a mão). Eis nosso 'didático
motor elétrico síncrono'.
O
material para a construção desse motor é de obtenção muito simples;
uma bobina com núcleo de ferro, uma haste de ferro, um eixo e mancais para
tal eixo. A bobina pode ser obtida de várias fontes: um eletroímã de
campainha comum de residências, o eletroímã de um relé para 110V,
eletroímãs para 12V (nesse caso precisamos de um transformador de
110VAC/12VAC), parte de um transformador com primário para 110VAC etc.
Montei
vários desses motores, cada qual eletroímã obtido de aparelhos
diferentes, vamos mostrá-los:
1)
Eletroímã extraído de um velho relé.
2)
Enrolamento e núcleo de um pequeno transformador de 110VAC (observe a
recolocação do núcleo):
3)
Enrolamento de um antigo relógio elétrico de parede (o núcleo é um
parafuso):
4) Eletroímã retirado de
um antigo relé de computador de cartão perfurado:
Esse
enrolamento não era para 110VAC e sim para 63 VAC, por isso, aquecia
demasiado ao permanecer ligado por alguns minutos na rede domiciliar de
110VAC. A solução foi colocar um diodo retificador (1N4002) em série.
Melhorou e o motorzinho ainda funcionou muito bem com 1/2 onda. Acrescentei
ainda um resistor de fio (10 ohms, 10 W) em série com o enrolamento, por
segurança. Agora, gira, com aquecimento mínimo.
Comentários
Obviamente os motores descritos são puramente didáticos. Os motores
elétricos síncronos reais trabalham na base de campos magnéticos
girantes.
Na ilustração a seguir, temos três eletroímãs ao redor de um círculo
(espaçados de 120o) e no centro do círculo uma simples agulha
magnética extraída de uma bússola para fins escolares. Cada bobina está
alimentada em sua própria fase em uma rede elétrica
trifásica.
Como
se observa, cada eletroímã produz alternativamente um pólo N/um pólo S,
na extremidade voltada para o centro. As flutuações de polaridade,
representadas por letras, estão em cor preta
acentuada quando o magnetismo é intenso, em cor
cinza quando é débil. Para bem acompanhar a ilustração, fixe
sua atenção na extremidade vermelha da bússola e observe que ela sempre
'corre' em busca do pólo S.
A flutuação na intensidade de magnetização desses pólos corresponde
exatamente à flutuação na tensão de cada fase que alimenta as bobinas.
Quando uma das fases alcança seu máximo, a corrente nas outras duas estão
circulando em sentidos opostos e com apenas metade da tensão. Dado que a
duração da corrente em cada eletroímã é apenas 1/3 daquela de um ciclo
isolado, o campo magnético dará uma volta completa
por ciclo. Eis o campo magnético girante.
A
agulha da bússola (com seu pólo N pintado de vermelho) seguirá
exatamente o campo magnético e completará uma volta por ciclo. Em uma
rede trifásica de 50 Hz a agulha realizará 50 voltas em 1 segundo, o que
equivale a 50 x 60 = 3 000 r.p.m. (rotações por minuto). Na rede de 60
Hz, a agulha realizará 3 600 r.p.m.
Vale
lembrar, ainda, que as correntes alternadas produzem os mesmos
efeitos que aqueles observados nas correntes contínuas: efeito magnético,
térmico, químico, luminoso, indução, auto-indução etc. Só para
destacar o efeito magnético, o que nos interessa no momento, ilustramos
abaixo, em (a) a ação de um campo magnético (perpendicular ao
plano da figura), sobre uma corrente alternada (no plano da figura).
Observe que um cada 1/2 ciclo da alternância, (1) e (2), a
força magnética que surge, inverte seu sentido de atuação.
Em
(b) ilustramos uma corda metálica tensa vibrando em ressonância
com a corrente alternada que a atravessa.
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