|
Mundo
Atômico
(Parte 1)
Prof.
Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
Conceito
do átomo até Rutherford
Introdução
As idéias sobre a descontinuidade
da matéria remontam à época dos antigos filósofos gregos, há mais de
2.000 anos.
Atribui-se, precisamente a eles a idéia de que a matéria é uma combinação
de pequenas partes indivisíveis ou inseparáveis a que chamaram átomos.
O átomo foi considerado como a unidade indivisível ou indestrutível da
matéria. É necessário mencionar, entretanto, que essas idéias sobre a
estrutura da matéria foram combatidas durante muitos anos e que os
cientistas e filósofos argumentavam com igual convicção sobre uma
estrutura continua da matéria, ou seja, uma divisibilidade sem limite.
O
caráter e as propriedades dessas unidades de matéria
confundiram os pesquisadores durante anos. Alguns conhecimentos com base
verdadeiramente científica só foram adquiridos quando no século XIX John
Dalton formulou sua teoria atômica.
O
fato que sem dúvida alguma intrigava os pesquisadores era que muitas substâncias
químicas podiam decompor-se em outras muito mais simples que foram
denominadas elementos.
Dalton
formulou sua lei das proporções definIdas após
experiências cuidadosas que demonstraram que quando dois ou mais elementos
se combinam quimicamente para formar um composto, as quantidades relativas
desses elementos têm que ajustar-se cuidadosamente a uma proporção
definida para que não haja sobra de elementos uma vez terminada a reação.
Por exemplo, se o hidrogênio e o oxigênio se combinam para formar a água,
a proporção entre eles devia ser 1:8, isto é, o peso de oxigênio tinha
de ser oito vezes o peso do hidrogênio; caso contrário, sobraria algo do
elemento em excesso ao término da reação.
A
lei das proporções múltiplas foi outro dos
princípios estabelecidos por Dalton. Segundo essa lei, quando dois ou mais
elementos se combinam para formar uma série de compostos, fazem isso
sempre de forma tal que sigam uma relação simples. Por exemplo, o oxigênio
e o hidrogênio combinam-se para formar a água na proporção em peso de
8:1; entretanto, combinam-se também para dar o peróxido de hidrogênio,
no qual a proporção é o dobro, 16:1 ou seja, exatamente o dobro da
quantidade de oxigênio do que no caso da água.
De
acordo com esses princípios estabelecidos através da experimentação,
Dalton convenceu-se que cada elemento químico estava constituído por
pequenas unidades indivisíveis, todas iguais, denominadas átomos e que a
união dos átomos individuais dava origem à formação da molécula que
era a menor unidade possível do composto.
As
idéias de Dalton sobre a constituição da matéria foram as primeiras que
tiveram por base trabalhos científicos. Elas representaram um avanço
extraordinário, principalmente para a Química.
Elétrons
e Prótons
O estudo das descargas elétricas
através dos gases rarefeitos, isto é, a pressões baixas, apaixonou os
cientistas do século XIX; não obstante, foi praticamente no fim do século,
que se realizaram experiências que revolucionaram a história da Física e
que conduziram a uma 'verdadeira' explicação dos processos que ocorriam
nesses fenômenos, apesar dos trabalhos realizados previamente por Faraday.
Em
1854 Heinrich Geissler desenvolveu e aperfeiçoou uma bomba de vácuo,
assim como um tubo de descarga, tubo este constituído de um vidro largo,
fechado, com eletrodos circulares em suas extremidades, como indicamos na
ilustração 23_MA01_01.
|

23_MA01_01 - Tubo de
Geissler
|
O
tubo de descarga tinha uma saída que podia ser acoplada a uma bomba de vácuo,
de forma a se poder diminuir a pressão do gás no tubo. Com
a montagem referida, podemos estudar a passagem da corrente eletrônica
através de um vácuo adequado, aplicando-se uma alta tensão aos
eletrodos.
Esse
tubo de descarga sofreu numerosas modificações; mas mesmo em sua forma
mais simples observaram-se fenômenos interessantes;por exemplo, o que esta
indicado na 23_MA01_02.
|
23_MA01_02-
Aspecto da descarga elétrica em um tubo cuja pressão
do ar em seu interior é de 0,1 mm de mercúrio.
|
Quando
a pressão do tubo de descarga é da ordem de 10-5 atmosferas e
se aplica uma alta tensão aos eletrodos, digamos, usando uma bobina de
indução ou outros meios, aparece um fluxo elétrico constituído por
cargas negativas que se deslocam em uma linha reta, do eletrodo negativo ou
catodo para o eletrodo positivo ou anodo. A essas radiações provenientes
do catodo denominaram-se raios catódicos.
Em
1895 Perrin verificou que os raios catódicos eram um fluxo de eletricidade
negativa, recolhendo-os em um cilindro metálico ao qual ligou-se um
eletroscópio; entretanto, a natureza dos raios catódicos foi determinada
pela primeira vez por Sir J.J.Thomson (1897) que demonstrou que eles se
constituíam de partículas muito pequenas carregadas negativamente e que
se moviam em grandes velocidades (3 x 109 cm/seg).
Em
seus estudos sobre os raios catódicos Thomson submeteu-os a ação de
campos magnéticos e elétricos comprovando que eles eram afetados da mesma
forma que as partículas portadoras de carga elétrica com “massa"
bem definida e que obedeciam a 'dinâmica newtoniana'. Na ilustração
23_MA01_03 temos um tubo de raios catódicos típico.

23_MA01_03 - Experiência
de Thomson |

23_MA01_04 - Esquema de
um tubo de Thomson para medir a velocidade
dos raios catódicos. |
Até
essa época as tentativas para conseguir-se o desvio do feixe de raios catódicos
mediante campos eletrostáticos haviam falhado. Thomson conseguiu desviá-los
diminuindo a pressão do gás. Assim procedendo, o efeito de blindagem
criado pelos íons positivos produzidos pelos choques dos raios catódicos
com o gás do tubo diminuía e o desvio do feixe se tornava mais eficiente.
Como
resultado de suas experiências, Thomson determinou a chamada carga
específica, ou seja a relação da carga com a massa (e/m),
para as partículas que constituíam os raios catódicos. Esta relação, e/m,
era umas 2000 vezes maior do que a relação já conhecida para o íon do
hidrogênio e seu valor era o mesmo independentemente do gás que preenchia
o tubo de descarga, assim como do material que constituía o catodo.
Concluiu-se, desse modo, que as partículas eram constituintes universais
da matéria e receberam o nome de elétrons.
Planejaram-se
muitas experiências para determinar a relação carga-massa para o elétron.
Na 23_MA01_05 ilustramos o processo de Lennard e Classen (1908). Ao
aquecer-se o filamento emitem-se elétrons que são acelerados por uma
diferença de potencial, U, entre o filamento e o anodo, A, perfurado.
|

23_MA01_05 -
Procedimento de Lennard e Classen
para determinar e/m.
|
Os
elétrons adquirem uma energia crítica:
Ecin.
= (1/2)mv2 , provocada pela U (diferença de potencial
acelerador), ou seja,
(1/2)mv2
= e.U donde: e/m = v2/2U
... (1).
Os
elétrons, depois de atravessarem a perfuração A, encontram-se submetidos
a um campo de indução magnética B (perpendicular ao plano do
papel e saindo dele -- o --).
Como conseqüência aparece uma força constante e perpendicular à
velocidade v dos elétrons. Essa força de
Lorentz, que é do tipo de uma resultante centrípeta, faz com que
os elétrons sigam uma trajetória circular. Recordamos, que nesse caso, o
valor da força que o campo magnético exerce sobre a carga é: Fmag.
= evB , então,
Fmagnética
= Fcentrípeta ou evB = mv2/R ... (2)
equação
do movimento, na qual R é o raio do semicírculo.
Eliminando v entre (1) e (2), tem-se:
e/m
= 2U/B2R2 ... (3)
Foi
possível, graças a essas experiências, estudar a relação entre a massa
e a velocidade do elétron até velocidades muito próximas à da luz,
comprovando-se a variação da massa com a velocidade como previu a teoria
especial da Relatividade conforme vimos nessa Sala 23 -- Relatividade.
Conhecendo
a relação e/m e a velocidade da luz é possível calcular o raio ro
do elétron supondo que essa partícula seja uma esfera diminuta
superficialmente carregada com a carga e.
De acordo com as idéias da mecânica quântica essa suposição não tem
qualquer sentido; porém, de qualquer forma, como as elocubrações teóricas
da mecânica quântica também não me fazem qualquer sentido, essa é uma
constante útil para exprimir alguns resultados.
Depois
do descobrimento do elétron, por Thomson, sucederam-se as teorias sobre
a estrutura atômica e a natureza da carga positiva que devia existir em
razão da neutralidade dos átomos.
Em
1904 Thomson propôs, por sugestão de Lorde Kelvin, um modelo atômico,
considerando o átomo como uma esfera de carga positiva na qual os elétrons
estavam distribuídos como “as passas de um pudim”.
Thomson
estudou os raios positivos ou raios canais
produzidos nos tubos de descarga. Observou-se que esses raios se dirigiam
em sentido oposto aos raios catódicos ou seja, em sentido ao catodo.
Utilizando-se um catodo com perfurações os raios positivos passavam através
das perfurações ou 'canais' e podiam ser examinados nas mesmas condições
que os raios catódicos. Experiências realizadas com o objetivo de desviar
esses raios, utilizando-se campos elétricos e magnéticos, demonstraram
que eles eram constituídos por partículas dotadas de cargas positivas. A
massa das partículas variava dependendo do gás residual no tubo de
descarga. A partícula mais leve com carga positiva que foi observada tinha
uma massa quase igual à do átomo de hidrogênio.Acreditou-se que esta
partícula era um íon positivo de hidrogênio, isto é, um átomo de
hidrogênio sem um elétron. Sugeriu-se, mais tarde, para esta partícula o
nome de próton, da palavra grega protos
que significa “primeiro”
Experiências
de Rutherford
Apesar da importância extraordinária
que a estrutura do átomo apresentava, o modelo atômico
de Thomson manteve-se durante mais de uma década,até que em 1911
ele sofreu uma mudança radical pelos trabalhos de Ernest Rutherford na
Universidade de Manchester.
No
princípio deste século não se dispunham das modernas máquinas
aceleradoras (cíclotrons, bétatrons etc.) para produzir feixes de partículas
com energias elevadíssimas; dispunham somente de substâncias radioativas
naturais como fonte de partículas carregadas: partículas alfa (núcleos
de hélio) e partículas beta (elétrons).
Em
1911, Rutherford e seus colaboradores Geiger e Marsden estavam estudando os
efeitos de um feixe de partículas alfa (como
veremos, carga 2e e massa 4) sobre uma lamina muito delgada de ouro. Como
fonte destas partículas, eles utilizaram uma pequena amostra de certos
elementos que emitiam espontaneamente as radiações em questão.
O
objetivo principal da experiência era observar as direções em que se
desviavam as partículas ao atravessarem a lâmina, com uma tela
fluorescente (ZnS) colocada atrás da lâmina. A fluorescência algo difusa
na tela, provocada pelo feixe de partículas, levou Rutherford a fazer
outras investigações.
Geiger
e Marsden, por sugestão de Rutherford, utilizando dispositivos especiais
de telas e microscópios, observaram que uma fração apreciável de partículas
sofriam desvios com ângulos muito grandes; algumas inclusive eram totalmente
repelidas. Se as idéias de Thomson sobre o átomo eram corretas, as forças
elétricas sobre as partículas alfa seriam fracas e por isso estas partículas
deveriam continuar em linha reta após passarem através da fina lâmina de
ouro; isto é, não existiria possibilidade alguma para os grandes desvios
observados.
Em
um trabalho memorável apresentado por Rutherford, ele concluiu de suas
experiências que toda a carga positiva e em essência toda a massa de
um átomo estavam concentradas em uma região
extraordinariamente pequena ,o núcleo.

23_MA01_06 - Experiência
famosa de Rutherford que permitiu postular o conceito do núcleo |
As
colisões frontais com estes diminutos núcleos dotados de massa e com
carga positiva explicam os desvios acentuados sofridos por um número
pequeno das partículas alfa. Isso significa que forças extraordinárias
atuavam sobre as partículas alfa para
produzir os desvios observados. Ainda a distâncias muito pequenas as leis
de Coulomb para as cargas permaneciam válidas. O tamanho do núcleo
se mantinha em 10-13 — 10-12 cm, enquanto que átomo
tinha dimensões da ordem de 10-6 cm!. O átomo era praticamente
espaço vazio! A massa e a carga
positiva se reuniam em um núcleo extraordinariamente pequeno e denso,
enquanto que os elétrons estavam ao redor deste núcleo a distancias
relativamente grandes.
O modelo atômico de Rutherford parecia a solução
para o problema da estrutura atômica; não obstante, de acordo com o
modelo referido, os elétrons não poderiam permanecer estacionários, isto
é, sem mover-se como estabelecia o modelo de Thomson, dada a forte atração
eletrostática do núcleo. Logo, a única solução é que
os elétrons se movem em órbitas, que poderiam ser comparadas com a dos
planetas, ao redor do núcleo.
|

23_MA01_07 - O átomo de
Rutherford
|
Do
ponto de vista dinâmico não haveria dificuldade em explicar este fato,
pois tudo estaria de acordo com as leis de Newton e as de Coulomb; porem
examinemos a teoria eletromagnética, bem conhecida naquela época e
observaremos que "toda carga elétrica acelerada
irradia energia na forma de ondas eletromagnéticas”. De acordo
com isso um elétron que gira ao redor do núcleo perderia ou irradiaria
energia, e seu movimento seguiria uma trajetória em espiral, terminando
finalmente por precipitar-se sobre o núcleo.

23_MA01_08 - O elétron,
de acordo com a
'teoria eletromagnética clássica',
terminaria precipitando-se sobre o núcleo. |
Não
obstante, tal fato não se verifica no caso dos átomos ou tudo o que nos
rodeia, pois nos mesmos estaríamos
entrando em colapso ou contrariando a nós mesmos (ilustração
23_MA01_08).
Acaso
a Física do átomo é diferente?
As
respostas a estas perguntas foram dadas, ou melhor ainda, contestadas em
parte, pela teoria quântica que eliminou os conceitos de “partículas”
e “ondas” como questões puras, separadas,
harmonizando os dois conceitos.
Teoria
Quântica de Planck e o Efeito Fotoelétrico
O século XX, com razão, tem sido
chamado de Era Atômica. Os trabalhos
experimentais e as teorias vem se sucedendo de forma extraordinária desde
1900. Max Planck iniciou uma nova etapa com sua teoria
quântica para explicar o espectro da radiação de um corpo
negro considerando como tal um corpo que absorva todas as radiações e
que, portanto, seja também o melhor emissor
de radiação (leis de Kirchoff).
Na prática, obtém-se um corpo negro abrindo-se um pequeno orifício na
parede de uma cavidade que se mantém a uma temperatura fixa. O orifício
comporta-se, neste caso, como um corpo negro. Com efeito, a radiação que
penetra por ele sofre inúmeras reflexões e absorções nas paredes,
existindo uma probabilidade mínima de que “saia uma fração apreciável
da energia incidente”.
Planck
derivou uma formula para o espectro desta radiação como uma função da
temperatura do corpo, estabelecendo que a radiação não seria emitida,
nem absorvida em forma contínua, senão em porções definidas a que
chamou de quantos de energia.
A
energia de um quanto relacionava-se com a freqüência da radiação
emitida ou absorvida mediante a relação E = hn
em que h é a constante de Planck, tendo o valor de 6,63 x 10-34
joules/segundo e n
é a freqüência em segundo-1 ou Hz.
Apesar
do valor científico da teoria de Planck, deve-se acrescentar que, ainda
que ela postulasse que a radiação emitida por um corpo aquecido se
realizava de forma descontínua, mediante quanta, Planck aceitava
que a “radíação se propagava de forma contínua através do espaço
como ondas eletromagnéticas”.
Albert
Einstein interpretou de uma maneira mais ampla esta teoria, estabelecendo
que a luz não somente é emitida em forma de quanta mas que se
propaga na forma de “quanto individuais”. O efeito fotoelétrico que
havia sido observado foi explicado por Einstein aplicando as condições quânticas
de Planck.
O
efeito fotoelétrico
No fim do século XIX observaram-se
certos fenômenos que estavam em contradição com a representação
ondulatória da luz. Com efeito, ao se iluminar com luz ultravioleta os
eletrodos entre os quais se produz uma descarga elétrica, esta aumenta de
intensidade (efeito observado por Hertz, em 1887). Observou-se,
posteriormente, que ao iluminar-se laminas de certos metais (Zn, Na etc.)
carregadas negativamente e unidas a um eletroscópio, este descarregava-se.
Isso significava que as superfícies limpas dos metais podem emitir elétrons
se iluminadas com luz de uma freqüência
apropriada para cada metal. Nesse caso, a emissão eletrônica é produzida
simultaneamente com a iluminação da superfície, é independente da
intensidade luminosa, porem depende da freqüência da luz incidente.

23_MA01_09 - Efeito
fotoelétrico |
Isto
é, a energia dos elétrons emitidos (chamados fotoelétrons) depende
somente da freqüência da luz incidente e unicamente o número de elétrons
desprendidos é proporcional à intensidade da luz.
Se
analisarmos com cuidado este fenômeno, observaremos que: para emitir um
fotoelétron de 1 ev de energia, com base na teoria ondulatória da luz,
isto é, descartando a teoria de Einstein e utilizando luz ultravioleta
sobre uma superfície de sódio, seria necessário quase um ano para
arrancar um elétron da superfície de um metal!
Utilizando-se
a teoria de Einstein e se se considera a luz como uma corrente de pequenas
unidades chamadas fótons, dotados cada uma de
uma energia hn,
o efeito fotoelétrico pode facilmente ser explicado. Com efeito,
suponhamos que Ø seja a energia necessária para extrair um elétron de um
metal, sendo mínima para os elétrons muito próximos da superfície.
Quando um fóton cede sua energia a um elétron do metal, parte dessa
energia é utilizada para arrancar o elétron e a energia restante para
proporcionar energia cinética. Portanto,
hn
= (1/2)mv2 + Ø ... (4)
em
que: Ø = energia necessária para arrancar o elétron do metal; tem um
valor característico para cada metal; (1/2)mv2 = energia cinética
dos fotoelétrons e hn
= energia do fóton ou quanto de luz
incidente.
O
valor de Ø é relativamente pequeno para os metais alcalinos (Na, K etc),
de maneira que a luz correspondente à parte visível do espectro é
suficiente para desprender elétrons desses metais. Para metais como o Zn
(zinco), Ø é muito maior e, como conseqüência, deve utilizar-se luz
ultravioleta (freqüência elevada) para produzir o efeito fotoelétrico.
A
energia necessária para arrancar um elétron ou um fotoelétron do
material depende da posição do elétron, sendo mínima para os elétrons
da superfície. Indicando com Øo esta energia teremos para a máxima
energia dos fotoelétrons:
[(1/2)mv2]máx.
= hn
- Øo ... (5)
Logo,
nem todos os fotoelétrons emitidos por um material têm a mesma energia,
pois possuem energia diferentes, até um valor máximo.
Se colocamos em um gráfico a energia dos fotoelétrons no efeito fotoelétrico,
em função da freqüência, obteremos a figura (23_MA01_10) ilustrada a
seguir:

23_MA01_10 - Energia máxima
dos
fotoelétrons emitidos em função
da freqüência da luz utilizada
para produzir o efeito fotoelétrico. |
na
qual se observa o valor no
denominado freqüência limiar ou mínima.
Abaixo deste valor não há emissão de fotoelétrons.
De
acordo com a teoria quântica: no
= Øo/h ... (6), de modo que a equação
(5) pode ser escrita, também, sob a forma: [(1/2)mv2]máx.
= hn
- hno
... (7).
A
interpretação que Einstein ofereceu para, o efeito fotoelétrico nos leva
a imaginar que “a luz se propaga no espaço por meio de quanta de energia
ou fótons de valor hn
que ao chocar com um elétron ou átomo, podem ser absorvidos”,
abandonando assim a teoria ondulatória, excelente para explicar a reflexão,
a refração, os fenômenos de interferência, a difração etc.
Sem
duvida alguma, após estudar este fenômeno fotoelétrico, poderíamos
perguntar-nos se seria possível, o oposto, converter a energia de um elétron
em movimento em um fóton?
A resposta é afirmativa e praticamente foi estudada por Roentgen, em 1895,
ao produzir raios X bombardeando um alvo (metal) com elétrons energéticos.
Entretanto, a natureza ondulatória dos raios X (ondas eletromagnéticas)
foi determinada posteriormente à teoria de Einstein e mais adiante a
mencionaremos com mais pormenores.
Como
mencionamos, no princípio, as idéias sucedem-se com rapidez extraordinária:
o átomo de Bohr (nova idéia sobre a constituição do átomo), o efeito
Compton, o estudo dos raios X (difração, a polarização etc.), as idéias
de De Broglie sobre a dualidade onda-partícula e enfim uma série de fenômenos
intermináveis conduzem ao desenvolvimento das idéias mirabolantes da Mecânica
Quântica com a concepção atual do átomo; mas seguindo nosso
desenvolvimento mais ou menos histórico passemos agora ao estudo do átomo
de Bohr.
|