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Ondas
ou partículas? Prof.
Luiz Ferraz Netto Luis
de Broglie [Prince Louis-Victor Pierre Raymond de Broglie] Os físicos tiveram que aceitar a dualidade das ondas luminosas, considerando-as, sob determinadas condições, como fótons de energia E = hv e quantidade de movimento linear p = hv/c (c = velocidade da luz). Agora podemos perguntar: seria possível que o oposto fosse correto? ou seja que as partículas se comportassem como ondas? Luis
De Broglie em 1924, propôs que em determinadas circunstâncias as
partículas se comportariam como ondas. De acordo com De Broglie, as
partículas teriam associado a elas certo tipo de movimento
ondulatório. De Broglie estabelecia que a equação (3.4) era geral e podia aplicar-se tanto a partículas como a fótons. Logo de (3.1) e (3.4) deduz-se: l = h/mv ...(3.5) na qual m e a massa relativística: m = mo / [1 - (v/c)2] ... (3.6) mo = massa em repouso; v = velocidade da partícula; c = velocidade da luz. Velocidade
das ondas de De Broglie Chamando m a velocidade da onda temos: m = l.n ...(3.7) onde l = comprimento de onda e n = freqüência; mas de acordo com as idéias de De Broglie (equação 3.5): l = h/mv, com v = velocidade da partícula, sempre menor que c, e como E = hn = mc2 como foi afirmado no princípio, então, n = mc2/h ... (3.8) Substituindo (3.5) e (3.8) em (3.7): m = (h/mv).(mc2/h) , ou seja, m = c2/v ...(3.9) Ou,
como se observa, a velocidade da onda é maior do que
a velocidade da luz! Se considerarmos um grupo de ondas propagando-se através de um meio no qual a velocidade de uma onda (m) depende de seu comprimento, as ondas que possuem diferentes comprimentos de onda propagar-se-ão como um grupo com uma velocidade (velocidade de grupo) diferente da velocidade de onda (m). Pode-se provar, com certa facilidade (como o faz A. Beiser - Concepts of Nuclear Physics -, por exemplo) que é a “velocidade de grupo nas ondas de De Broglie associadas com uma partícula".
O comportamento ondulatório das partículas foi determinado posteriormente por Davisson e Germer nos Estados Unidos numa experiência que provou a difração dos elétrons (fenômeno próprio dos movimentos ondulatórios).
Davisson e Germer ao estudarem o espalhamento de elétrons utilizaram um cristal de níquel (esse cristal foi obtido de maneira acidental ao colocar o metal no forno para eliminar o óxido que havia se formado na superfície) como alvo fazendo incidir sabre sua superfície um feixe de elétrons acelerados por uma pequena diferença de potencial, e observaram que os elétrons comportavam-se como ondas que haviam sofrido difração nos planos do monocristal. Aplicação
das idéias de De Broglie ao átomo de Bohr n.l = 2prn , com n = 1, 2, 3, .... etc. ...(3.10) Por exemplo, para n = 1, l = 2pr1 ; n = 2, 2.l = 2pr2; n = 3, 3.l = 3pr3 .... etc., o que de certo modo ajudaria a descrever as idéias postuladas por Bohr. rn representa o raio das órbitas e o número inteiro n representa o número quântico da órbita ou número quântico principal. Com efeito, partindo-se da equação (3,10), n.l = 2pr, podemos escrever: h.n.l = 2pr.h, ou seja, n(h/2pr)
= h/l,
mas h/l
= p, logo: L = n.(h/2p) ...(3.11) O momento angular (L) dos estados estacionários é um múltiplo inteiro de h/2p (idéias de Bohr). Sem
duvida, depois de colocarmos as idéias de De Broglie, cabe perguntarmos
então, o que e correto? É
mais lógico pensar no elétron em termos de ondas ou de partículas? O
Principio de Incerteza Heisenberg ilustrou este principio com uma “experiência ideal” para estudar o movimento de uma partícula. Imaginou que fosse possível utilizar um equipamento capaz de disparar um único elétron numa câmara completamente evacuada (vácuo perfeito, sem uma única molécula de ar) e utilizar uma fonte luminosa capaz de emitir fótons de qualquer comprimento de onda e em qualquer número, inclusive emitir um único fóton. Ao
examinarmos um elétron com luz de um certo comprimento de onda, os fótons
que constituem a luz ao interagir com o elétron alterariam sua quantidade
de movimento linear, o que introduziria uma “incerteza" na
velocidade. O
físico alemão chegou a conclusão que, utilizando grandes comprimentos de
onda, poderíamos determinar com precisão a velocidade do elétron;
entretanto, a precisão na sua posição diminuiria. Fazendo-se o oposto,
usando freqüências elevadas ou seja comprimentos de onda curtas para a
luz, a posição da partícula poderia ser determinada com nitidez mas a
imprecisão na velocidade aumentaria. Dx . Dv = h/m ... (3.12) onde: Dx = incerteza na posição e Dv = incerteza na velocidade; ou expressando de outro modo: Dx . Dp > h ...(3.13) onde Dp = incerteza na quantidade de movimento linear. Em outras palavras, não é possível expressar com exatidão a posição e a quantidade de movimento do elétron em um átomo com uma precisão menor que a constante de Planck. Como estabeleceu Gamow (G. Gamow -- The Principle of Uncertainty -- Scientific American - janeiro -1958), referindo-se à trajetória do elétron, a ”banda de incerteza é tão larga quanto a distancia da órbita do núcleo". Ou,
reafirmando, é impossível predizer com certeza a velocidade e a posição
de uma partícula em escala atômica, porque nunca podemos conhecer as
condições iniciais. Podemos medir somente a probabilidade de um
evento. A
função de onda A “probabilidade” agora se interpreta de uma maneira diferente daquela conhecida na física clássica. Assim, falaremos da probabilidade de que um evento ocorra, por exemplo, “a probabilidade de encontrar uma partícula num ponto dado em um instante dado”, “a probabilidade de que um fóton sofra uma colisão em um certo ponto” etc. Para expressar em linguagem matemática estas idéias, utiliza-se a chamada função de onda (Y). Se considerarmos uma quantidade variável associada ao movimento de uma partícula e supusermos que o valor dessa quantidade num ponto do espaço e em um dado instante esta relacionada com a probabilidade de encontrarmos essa partícula nesse ponto e nesse tempo, teremos o “valor da função de onda”. A função de onda tem sido chamada por alguns autores como função amplitude. Esta função caracteriza as ondas de De Broglie. Sem dúvida a interpretação física de Y é difícil, ou melhor, não se tem uma verdadeira interpretação física. Entretanto, podemos pensar que onde Y é maior, será mais provável encontrar a partícula que representa o sistema considerado. Além disso, a amplitude de uma onda poderá ser positiva ou negativa e não tem sentido algum falar de probabilidades negativas. Por isto, utiliza-se Y2 (densidade de probabilidade), estabelecendo-se então: P(x) = |Y(x)|2.dx ... (3.14) Esta expressão é interpretada como a probabilidade de encontrar a partícula considerada, descrita por (Y) no intervalo entre x e x + dx. Como a partícula deve encontrar-se em alguma parte, estende-se a soma a todo o espaço. Esta condição traduz-se matematicamente pela expressão:
Como indicamos em parágrafos anteriores, o comprimento de onda de De Broglie associado a uma partícula é determinado por: l = h/p = h/mv ... (eq. 3.5) Sem duvida a determinação do comprimento da onda (Y) não é tão simples e requer o uso da mecânica quântica desenvolvida a partir de 1924, tomando como base as idéias expostas. “Comoção
na Física” Como já foi exposto ao explicar o princípio de incerteza, enquanto a mecânica de Newton supõe que é possível medir com exatidão, no mesmo instante, a posição e a velocidade, ou melhor, a quantidade de movimento linear, a mecânica quântica estabelece que isto não e possível e só se estudam estas variáveis em termos de “probabilidades”. Assim, já não utilizaremos expressões como o raio do átomo, mas sim o valor mais provável do raio. Cabe
pensar, então, que devem ser estabelecidas diferenças entre a física do
mundo macroscópico (Física Clássica) e a física cio mundo microscópico
(Física quântica)? A
Equação de Schrödinger Como não cabe nestas Leituras tratarmos em detalhe da solução da equação de Schrödinger, vamos simplesmente escrevê-la e diremos ainda que esta equação e as soluções da mesma nos dão a máxima informação que pode ser obtida de um sistema atômico. A equação de Schrödinger para o átomo de hidrogênio em três dimensões é:
na
qual o elemento ondulatório Y
associa-se aos elementos corpusculares: m (massa), E energia total do
sistema e V energia potencial eletrostática do elétron (carga -e) quando
este encontra-se a uma distancia r do núcleo. A solução da mesma é a função de onda que tem a forma de um produto de três funções, que descrevem respectivamente:
Não vamos entrar em detalhes sobre soluções que, aparentemente são complicadas, mas que representam a forma mais correta para descrever o átomo de hidrogênio. Passamos em seguida a explicar brevemente o significado dos números quânticos que são conseqüências das soluções da equação de Shrödinger para o átomo de hidrogênio. Números
quânticos Ao estudar o átomo de hidrogênio, do ponto de vista quântico, observa-se que a energia do elétron se conserva, podendo tomar qualquer valor positivo, mas só determinados valores negativos dados por: En = - 2p2me4/(n2.h2) ...(3.17) onde n é um número inteiro positivo chamado número quântico principal: n = 1, 2, 3, ..... De forma assombrosa verifica-se que a equação anterior é exatamente a que descreve os estados estacionários explicados por Bohr. Além do número quântico principal (n), a solução da equação de Schrödinger exige outros números quânticos: a) O número quântico orbital (l) que determina a medida da grandeza do momento angular do elétron. O momento angular do elétron (L) não somente se conserva mas é também quantizado, ou seja, pode ter somente determinados valores. Estes valores representam-se mediante a expressão: L = l (l +1) (h/2p) ...(3.18) Os valores do número quântico orbital (l). são inteiros como os do número quântico principal, mas estão restritos somente aos seguintes valores: l= 0, 1, 2, ...... , n-1 Assim, para três exemplos:
b) O número quântico magnético (ml) que “quantiza” a direção do vetor momento angular com respeito a um campo magnético externo. Isto é, a direção de L fica determinada com relação a um campo magnético externo por sua componente na direção do campo, LZ = ml.h/2p ...(3 19) Para o numero quântico ml. os valores possíveis vão de +l até -l , passando por zero. De modo que, se n = 2, por exemplo, l valeria 0 e 1 e os valores de ml seriam +1, 0, -1 ou seja 2l + 1 valores.
De
modo que a aplicação de um campo magnético faz com que um estado
atômico com um número quântico n se “desdobre” em vários
sub-estados de energia ligeiramente maiores ou menores que aqueles que
existiriam na ausência de campos magnéticos. Aparentemente, estas novas idéias complicam o modelo simples de Bohr que visualizava o átomo como uma "nuvem de elétrons” ao redor do núcleo Entretanto, com essas novas idéias podem ser explicados muitos fenômenos que o átomo de Bohr não era capaz de esclarecer nem interpretar. Um resultado surpreendente é o da 'regra de seleção' relativa às “transições proibidas”. De acordo com a “regra de seleção , as únicas transições dos elétrons que podem ocorrer entre dois estados de um átomo descritos por n, l, m e n', l', m' respectivamente, são aquelas onde l muda em +1 ou -1 e ml não muda ou o faz em +1, 0 , -1, isto é: Dl
= +1 ou -1
"Spin"
do elétron Com efeito, observando-se na ilustração MA03_06 na qual se representam os espectros dos átomos dos metais alcalinos (um único elétron de valência), notaremos a estrutura dupla das raias ou linhas espectrais de sua serie principal. Isto é, na realidade os níveis de energia, para este caso, são constituídos de "sub-níveis de energia muito próximos que aparecem como duas linhas quase iguais”. A explicação dada a este fenômeno é “uma interação magnética entre o momento angular orbital (L) e o momento angular intrínseco ou “spin” do elétron.
Todos os elétrons possuem o mesmo número quântico de "spin", s = 1/2, então a medida do momento angular intrínseco ou "spin", S, é dada por: S = s.(s + 1).(h/2p) .... (3.21) e como s = 1/2, teremos: S = (1/2)(1/2 + 1)(h/2p) = (1/2)(3/2)(h/2p) A existência do "spin" introduz outro número quântico: ms (número quântico magnético de "spin", que dá duas possíveis orientações para S, ou seja, ms = + 1/2).
Princípio
de Exclusão de Pauli
Momento
angular total O momento angular total também é quantizado e seu modulo é dado por: J = j(j + 1)(h/2p) ...(3.22) onde j = l + s ou j = l - s (semi-inteiro) JZ = mj(h/2p) ...(3.23) com mj = ml + ms ou mj = ml - ms (também semi-inteiro). Se há mais de um elétron contribuindo para o momento angular total J , seu modulo será dado pelo modelo vetorial onde: J = L + S ...(3.24) Este tipo de acoplamento é chamado L - S ou acoplamento de Russell-Saunders. Por fim, poderíamos mencionar outro número quântico relacionado com a simetria da função de onda, conhecido como paridade da função de onda, mas seu tratamento se dá fará em um nível mais avançado. Reflexões
Depois desta breve descrição da “atual concepção do átomo”, cabe a seguinte pergunta:”teria sido possível chegar a estas idéias se estas grandes descobertas não se tivessem dado nesta forma escalonada? O desenvolvimento das ciências tem demonstrado que de qualquer maneira teria sido possível chegar a uma teoria quântica consistente. Talvez, por caminhos diferentes, que não foram seguidos, as coisas teriam sido mais rápidas, Em todos os ramos da ciência algo semelhante aconteceu. Em mais de uma oportunidade foram feitas descobertas simultâneas por vários investigadores, utilizando técnicas diferentes, seguindo caminhos diferentes em diferentes países.
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