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Física Quântica
... também para os esotéricos, místicos etc.
(Parte
1)
Introdução
Esse texto é dirigido a todos que
têm sede de saber; eu mesmo seria um felizardo se o pudesse ter lido a
umas dezenas de anos atrás. Durante algum tempo, na fase pré-universitária,
prendi-me à Física de Newton, a qual absorvia com requintado sabor. Era
o conhecimento exigido nos vestibulares e, os demais novos tópicos da Física,
eram apenas leituras não obrigatórias. Einstein era pouco mais que um
estranho e da simplória leitura de que dispunha, deixava a mente esvoaçar
pelo imaginário e desconhecido. Incrível! Quantas falsas analogias eu não
criei nesse miúdo cérebro em formação!
Hoje, lendo e ouvindo, vejo que a ‘coisa’ não mudou muito! Esotéricos,
místicos e mesmo muitos jovens estudantes, 'vira e mexe' ainda tentam
argumentar suas enevoadas idéias, citando trechos esparsos da teoria da
relatividade, personalidades do mundo da ciência (e Einstein não escapa
com seu famoso: “Deus não joga dados”) e, principalmente,
‘coisas’ da mecânica quântica. Era assim mesmo que eu o fazia quando
estava apenas apoiando-me em simplórias leituras.
Realmente,
insisto, a ‘coisa’ não mudou muito, mas hoje consigo ver de
onde surgiram tais falhos argumentos postos para reforçar suas 'emanações
e influências do amarelo', energias cósmicas e coisas do gênero. São,
ainda, as simplórias leituras que pululam pelas prateleiras de livrarias
e bancas de jornais, as causas de tais devaneios. Até os Espíritas, Maçons
e Rosacruzes começaram a se referir á 'quântica' em suas profundas
incursões, no intuito de associar suas ilusões humanas sobre seres
transcendentais com o assentado 'status' da Ciência e da Tecnologia.
Se
bem recordo, essa nova 'onda', ou coqueluche, começou com o lançamento
do livro "O Tao da Física", de Fritjof Capra, cuja visão mística
da Física, acrescida de seus argumentos forçados, deturparam
sobremaneira a conceituação científica dos fatos. Ainda hoje, ao
afirmarmos que Física Quântica nada tem a ver com misticismo, sempre
aparecerá um deles a dizer: "Ah, mas Capra é físico e diz que tem
sim". Ser Físico é algo mais do que falar sobre física, e com
certeza absoluta, quem diz isso, não leu nada desse autor em algum periódico
científico de respeito, uma vez que suas teorias não são científicas
(experimentais, falseáveis, empíricas etc.). Isso me lembra alguém
querendo defender a "Teoria da Terra Oca". Não é porque que
alguém é geólogo e defende a “Teoria da Terra Oca” que isso
signifique que a Terra seja realmente oca ou o que tal pessoa diga sobre
geologia deva ser verdadeiro. O inverso é também verdadeiro, não é
porque alguém publica um trabalho sério no meio científico que tudo
aquilo que ele diz ou pensa, dali para frente, passa a ser verdade. Todos
são livres de ter as idéias que quiserem, mas só terão validade quando
forem cientificamente testadas. E até hoje, nenhuma das idéias posta por
algum místico foi cientificamente comprovada e, muito menos, usada em
qualquer aplicação prática para a sociedade.
Então, não é porque Capra é físico que tudo que ele diz sobre Física
é respaldado na verdade científica. Na Ciência não cabe a ‘palavra
da autoridade’. Se fosse assim, médicos nunca errariam, prédios jamais
cairiam porque os engenheiros deveriam fazer tudo perfeito etc.
Decididamente
as idéias postas por CAPRA constituem o eixo dessa atual visão mística.
Depois de "O TAO DA FÍSICA" ele ainda escreveu "PONTO DE
MUTAÇÃO", um outro livro onde a Física Quântica (FQ) é a
"explicação para os eventos sobrenaturais" etc. São
livros baseados em crendices e sem aprovação alguma daqueles que
seriamente se dedicam à Física.
Apreciaria
lançar um desafio para que tais místicos lessem um livro inteiro sobre o
que vem a ser uma abordagem científica posta academicamente (e
referenciada pela comunidade científica) para que pudessem constatar por
si mesmos que nada é baseado em crendices, lá nada há de 'místico'.
Pensando bem, faço esse desafio: --- Que tal ler integralmente o livro de
Física Quântica (Átomos, Moléculas, Sólidos, Núcleos e Partículas)
de Eisberg e Resnick, Editora Campus ?
Eu
também não sou nenhum especialista em física quântica, mas muito me
agradaria colocar um texto acessível a todos aqueles que querem usar da física
quântica para tentar lastrear suas 'falas'. Quem sabe, lendo-o, os
argumentos esotéricos melhorem, ou desapareçam por completo, ao notarem
as falácias postas como analogias. Mas o texto, como já salientei, não
é apenas para místicos, é também para quem quer saber um pouco mais
sobre física quântica e, com isso, poder dialogar com maior riqueza de
argumentos com as pessoas que acreditam em tudo que lêem em livros, tais
como os de Capra.
Em fim, proponho que este texto seja uma ‘dilatação de idéias’, uma
leitura inicial nos acordes de uma divulgação científica, com o propósito
de expor alguns esclarecimentos que ajudem a "desmistificar a Física
Quântica", e a incentivar seu estudo mais profundo para aqueles que
viam nela algo estranho o suficiente para parecer místico.
Não
é nada simples dividir essa divulgação em partes significativas, quer
histórica ou factual. No geral é um confronto de modelos, que nada mais
é, que “o modo como a ciência avança”. Os modelos que aqui se
defrontam carregam, cada um, sua postura básica, um - o clássico -
assenta-se em “partículas”, ou outro - o quântico - em “ondas”
e, não por isso, se digladiam; essas diferenças de bases estruturais não
é o cerne do confronto. Cada modelo, no seu campo de aplicação, tem
coerência; em particular, cada um trata da ‘energia’ a seu próprio
modo --- e é ai que se desentendem! No modelo clássico a energia é contínua,
qualquer valor é possível, na quântica não. Chegar ao consenso, se
possível, é o que justificará o modo como dividimos os tópicos aqui
apresentados.
Essa
divulgação será posta em três partes:
Parte
1 - Os estados quânticos do átomo
Parte
2 - Natureza ondulatória das partículas atômicas (feixes de partículas
e de luz)
Parte
3 - O caráter corpuscular da luz e a complementaridade.
Iniciando
...
Para quem já iniciou seus estudos da Teoria Atômica, chamamos a atenção
para as sérias questões que se apresentam quando estudamos a estrutura
do átomo.
Por um lado, o modelo do átomo que temos é o de um ‘pequeno sistema
planetário’ com elétrons circulando em torno do núcleo; por outro
lado encontramos uma série de propriedades características que um
sistema planetário não apresenta, a saber:
1.
Estabilidade - os átomos conservam suas
propriedades características apesar das violentas colisões e de outras
perturbações às quais estão sujeitos.
2. Identidade - todos os átomos do mesmo
tipo (mesmo Z = número de elétrons) apresentam propriedades idênticas;
emitem e absorvem as mesmas freqüências, têm exatamente o mesmo
tamanho, a mesma forma e os mesmos movimentos internos. Veremos, adiante,
mais detalhes desse comportamento.
3. Regeneração - se os átomos são
deformados e suas órbitas eletrônicas forçadas a se modificar por uma
pressão elevada ou por grande aproximação dos átomos, eles voltam
exatamente às suas formas e órbitas iniciais quando a causa da deformação
é removida.
Entretanto,
experiências indicam que o átomo é um sistema planetário constituído
por elétrons que circulam em volta do núcleo --- mas, um sistema planetário
que não deveria apresentar essas três propriedades. Portanto,
esse modelo do átomo não pode explicar de maneira alguma a
especificidade das qualidades da matéria. O
modelo do átomo planetário é de Rutherford; Bohr,
posteriormente, alterou ligeiramente essa idéia.
Nota:
Tanto quanto se sabe, o
sistema planetário real não é quantificado. E sendo assim, é de
se esperar, que tenha outras propriedades características distintas
daquela do átomo planetário.
Urge
encontrar um traço novo e essencial na estrutura do átomo, que não
esteja contido no modelo clássico de sistema planetário. Essa nova visão
da natureza do átomo foi fornecida pelo desenvolvimento da teoria quântica
--- é essa história que vamos contar.
Quando tentamos penetrar na estrutura
interna do átomo, observamos coisas que parecem contraditórias porque são
muito diferentes de nossas experiências com a matéria comum em larga
escala. Elas também não estão de acordo com nossos modelos habituais
sobre partículas e seu comportamento. Estamos conscientes de que alguma
coisa nova deve ser descoberta se desejarmos explicar os fatos da natureza
observados ao nosso redor.
Vamos começar por dar uma descrição mais detalhada de outras observações
não usuais a respeito dos átomos e das partículas atômicas, e
esperamos, com isso, abrir caminho até os novos fenômenos que governam o
interior dos átomos. Não apresentaremos relato histórico. Infelizmente,
no estágio atual de desenvolvimento da ciência, é raro que uma
descoberta seja feita no momento em que poderia ser mais útil para nossa
compreensão dos fatos; em geral ela só é realizada depois que o
desenvolvimento tecnológico já criou os meios de se efetuar as medidas
necessárias.
Nessa primeira Leitura, destacaremos
apenas um conjunto de observações
sobre as novas descobertas, dos três
que revelam características incomuns do mundo atômico.
Esse primeiro conjunto engloba as descobertas dos estados
quânticos do átomo (o segundo -
nossa parte 2
- diz respeito à natureza quântica da luz, e o terceiro
- nossa parte 3
-, às propriedades ondulatórias das partículas materiais).
Estados
quânticos do átomo
Em 1913, James Franck e Gustav Hertz realizaram uma série de experiências
nas quais tentaram modificar as órbitas planetárias dos elétrons no átomo.
Eles raciocinaram da seguinte maneira: o átomo parece resistir a qualquer
modificação das órbitas eletrônicas; tentemos modificar "à força"
essas órbitas para vermos de que maneira e até que ponto o átomo pode
resistir. Uma hipótese aceitável, no modelo do sistema planetário,
leva a crer que as órbitas dos planetas sejam modificadas se uma estrela
passasse perto de nosso sistema solar. Franck e Hertz planejaram uma
experiência que corresponderia, no mundo atômico, a um cataclismo solar
daquele tipo.
Em termos simples, a experiência foi a
seguinte: temos um recipiente cheio com um gás de átomos - por exemplo,
átomos de sódio ou hidrogênio. Vamos fazer passar através do gás um
feixe estreito de elétrons. Como os elétrons exercem intensa ação elétrica
uns sobre os outros, esperamos que um feixe de elétrons que passe perto
de um átomo exerça uma influência sobre os elétrons orbitais do átomo
e modifique suas órbitas, da mesma maneira que a estrela modificaria a órbita
da terra.
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Esta ilustração dá uma idéia geral de
uma experiência para medir as variações de energia sofridas por elétrons
quando colidem com átomos de um gás.
Os elétrons saem de um emissor de elétrons,
são acelerados por uma diferença de potencial e penetram na câmara
central, com energia conhecida.
Nessa câmara, atravessam uma amostra de gás
(vapor de mercúrio, por exemplo). A energia que lhes resta depois das
colisões é medida na câmara da direita. |
Não podemos olhar diretamente as órbitas eletrônicas para verificar
se foram modificadas, mas podemos descobrir indiretamente o que aconteceu.
Fazemos com
que todos os elétrons do feixe tenham exatamente a mesma velocidade
quando penetram no gás. Qualquer modificação que os elétrons produzam
nos átomos estará associada com uma modificação na sua própria
velocidade. Essa previsão é conseqüência da lei da conservação da
energia. É necessário energia para alterar a órbita de um elétron num
átomo; portanto, se a órbita for modificada por um elétron que passa
por perto, esse elétron deverá perder alguma energia.
A energia cinética depende diretamente da velocidade
da partícula; a velocidade do elétron será reduzida e
essa redução pode ser observada quando o feixe sai do outro lado do
recipiente que contém o gás. O mesmo aconteceria se uma estrela passasse
pelo nosso sistema solar. Sua passagem daria um empurrão na Terra,
aumentando a energia da Terra e diminuindo a energia da estrela.
O que deveríamos
esperar, baseado no modelo planetário?
Haveria todos os tipos de modificações de órbitas, pequenos e grandes,
dependendo de quão próximo do átomo houvesse passado o elétron. Deveríamos
esperar todos os valores de perdas de energia (ou, às vezes, ganho) a
partir de zero; a perda média deveria ser menor quando o feixe
atravessasse um gás mais rarefeito, pois, nesse caso haveria menor número
de passagens próximas a átomos.
Entretanto, os fatos observados foram completamente diferentes. Quando a
energia dos elétrons era menor do que um certo mínimo, não se observava
variação alguma na velocidade. Essa energia mínima era bastante alta
--- mais de cem vezes maior do que a energia térmica de elétrons
em temperaturas habituais. Quando a energia era maior do que esse mínimo,
os elétrons perdiam certas quantidades especificas de energia ou nenhuma
energia. Essas quantidades específicas e também a energia mínima são
características do tipo de átomo do gás; não dependem da densidade do
gás nem de nenhuma outra circunstância externa.
O que pode significar esse resultado inesperado?
Ele nos diz que não podemos modificar as órbitas dos elétrons no átomo
de maneira arbitrária. Ou elas não mudam, ou sofrem alterações
especificas e bastante grandes de energia.
Nesse ponto, entra o conceito de "quantum"
de energia. A energia pode ser fornecida a um átomo apenas em
pacotes de tamanhos característicos - nem mais, nem menos.
Tudo se passa como se o átomo aceitasse energia apenas em pacotes de
tamanhos predeterminados. Não aceita uma pequena porção, mas apenas o
pacote completo. Cada átomo só pode aceitar pacotes de energia característicos.
Se oferecermos menos, o átomo absolutamente não reage .
Reage (muda o seu estado) apenas se lhe oferecemos a quantidade certa.
Essa situação é, certamente, distinta
da nossa imagem de um sistema planetário. Uma estrela que passe pode
fornecer qualquer quantidade de energia à Terra. Quanto maior for a distância
de passagem, menor será a quantidade de energia transferida. Mas o
resultado dessa experiência não é tão surpreendente em vista do que já
sabemos acerca do átomo. Ele mostra que o estado do átomo tem uma
estabilidade intrínseca. Impactos fracos não podem modificá-lo; para
consegui-lo é preciso uma grande quantidade de energia. Deve haver alguma
coisa que conserva o átomo em seu estado normal característico, e essa
alguma coisa só pode ser vencida por grandes energias.
Esse fato não poderia
estar relacionado com o fenômeno que dá origem à especificidade dos átomos?
E, que obriga sempre os elétrons a uma configuração característica de
cada tipo especial de átomo?
Nesse ponto, precisamos ser mais quantitativos.
Qual é a energia mínima necessária para modificar
o estado de um átomo'?
Façamos, agora, uma pequena pausa na
discussão, para saber como são expressas as energias nos problemas atômicos.
Medimos a energia de partículas atômicas com uma unidade chamada
"elétron-volt", símbolo "eV". O elétron-volt
é a quantidade de energia que um elétron recebe/cede ao passar de um
ponto a outro, cuja diferença de potencial elétrico é de 1 volt (U =
1V). Essa unidade substitui o "joule" (J) nas interações atômicas.
Vamos dar
mais um pincelada nisso, em forma de perguntas (P) e respostas (R). Mas,
para não quebrar a continuidade do tema colocamos essas perguntas e
resposta no final dessa página. Clique
aqui.
Retornemos agora às experiências de Franck e Hertz, nas quais energia é
transmitida a átomos por meio de um feixe de elétrons. Verificou-se que
a energia limiar de um átomo de sódio --- isto é, a energia mínima que
ele é capaz de receber e adicionar ao seu conteúdo de energia --- é de
2,1 elétron-volts; no átomo de hidrogênio, essa energia mínima chega a
10 elétron-volts. São energias muito mais altas do que as energias do
movimento térmico à temperatura ambiente. Imediatamente ligamos esse
fato àquele outro de que os átomos de um gás á temperatura ambiente
conservam sua identidade e não são modificados apesar das muitas colisões
sofridas. A energia dessas colisões está bem abaixo da energia limiar,
isto é, abaixo do menor quantum de energia que o átomo pode aceitar.
Portanto, as experiências de Franck-Hertz mostraram, a
surpreendente estabilidade dos átomos, dando
a ela um aspecto quantitativo. O átomo permanece inalterado e estável
enquanto os impactos recebidos transportam menos energia do que uma
energia mínima necessária para alterar o átomo. Essa energia mínima,
chamada de energia limiar, tem um valor característico para cada
elemento.
Sem dúvida, Franck e Hertz medira a estabilidade atômica.
Os resultados das experiências de Franck.Hertz. vão ainda além.
Elas nos informam não apenas da quantidade mínima de energia que os átomos
aceitam, mas nos dão a série completa de valores específicos da energia
que o átomo é capaz de aceitar. Apenas esses valores podem ser
fornecidos ao átomo; ele ignora qualquer valor entre esses valores
característicos.
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Por exemplo, o átomo de hidrogênio
aceita apenas as seguintes quantidades: 10 eV, 12 eV, 12,5 eV e 12,9
eV, e valores mais elevados e mais próximos uns dos outros.
O átomo de sódio, por sua vez, aceita
somente 2,1 eV, 3,18 eV, 3,6 eV, 3,75 eV, etc.
A ilustração ao lado é uma representação
gráfica dessas energias, para o hidrogênio e para o sódio. Cada
energia corresponde a um certo estado de movimento do elétron no átomo.
Portanto, cada linha representa um estado particular que o átomo pode
assumir.
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Ao que parece, todos os outros estados
situados entre esses são proibidos. Os estados permitidos, que
caracterizam uma quantificação, são chamados estados
quânticos. O estado de mais baixa energia é o estado
fundamental; é nesse estado que o átomo está geralmente; os
outros são chamados estados excitados. O íon,
por exemplo, caracteriza um estado excitado do átomo. A energia limiar é
a diferença entre a energia do primeiro estado excitado e o estado
fundamental.
Um
'Banco' quântico e os espectros das contas correntes
Estes fatos ressaltados pelo experimento acima estão em contraste com o
que esperamos a partir do comportamento do modelo planetário.
Por que a energia
dos elétrons dentro do átomo seria quantizada?
O que nos impede de acrescentar uma quantidade
arbitrariamente pequena de energia a um átomo?
Se compararmos a energia de um átomo a uma conta bancária, tudo se passa
como se o banco só permitisse a retirada e o depósito de determinadas
quantias, de maneira a manter a conta em certos valores predeterminados.
Consideremos agora mais detalhadamente os
diferentes estados quânticos. Em geral designamos a série de valores
permitidos para a energia como o "espectro"
do átomo. O espectros da ilustração acima (para o hidrogênio), assim
como outros (não ilustrados), revelam uma propriedade geral muito
importante dos estados quânticos :
quanto mais alto é o valor da energia acima do estado fundamental, menor
é o intervalo entre os estados quânticos (repare bem isso, na ilustração
acima). Essa é uma propriedade observada em todos os sistemas atômicos;
para grandes energias de excitação, os estados quânticos tornam-se tão
próximos uns dos outros que praticamente se confundem.
Para energias elevadas, os efeitos quânticos desaparecem -- ou melhor
dizendo, tornam-se negligenciáveis; não deixam de existir, mas outros
efeitos tornam-se mais marcantes e prevalecem sobre aqueles. O átomo pode
ser, quando num estado excitado de grande energia, afetado por qualquer
quantidade de energia, como um sistema planetário comum o seria. Tudo se
passa como se as regras a respeito da conta bancária fossem abandonadas
para contas muito altas, pois os depósitos e retiradas permitidos
tornam-se cada vez menores para grandes contas.
Verificou-se que esse fato é de importância muito mais fundamental do
que parece.
O
plasma
Atualmente sabemos que, se introduzimos grandes quantidades de energia nos
átomos, eles se comportam como sistemas planetários. Essas condições
podem ser realizadas em temperaturas extremamente altas, que podem ser
produzidas por meio de fortes descargas elétricas em gases. Nessas condições,
o gás atinge o estado de
"plasma" -- que é um outro estado
da matéria* -- , e os átomos perdem
suas propriedades características. Um plasma de neônio gasoso, no qual
cada átomo tem 10 elétrons, tem as mesmas propriedades que um plasma de
sódio gasoso, no qual cada átomo tem 11 elétrons.
Não há mais órbitas eletrônicas selecionadas; não há mais radiação
característica. Entretanto, no espaço cósmico, esse estado é
encontrado nos gases expelidos pelo Sol e por outras estrelas
quentes.
*Esse mesmo estado de plasma pode ser encontrado na
natureza, no espaço cósmico, nas estrelas. Os “gases” expelidos pelo
Sol, por exemplo, são na realidade porções de plasma.
No plasma, desaparecem todas as características
de ordem pelas quais distinguimos um átomo de outro. À ordem e a
diferenciação ocorrem apenas quando os átomos estão em seus estados de
baixa energia, os quais estão afastados uns dos outros na escala de
energia. Nesses estados (baixa energia), encontramos a estabilidade que
conduz a formas, órbitas e estados de energia especificos e, conseqüentemente,
a propriedades químicas e físicas especificas. Para energias elevadas,
todas essas características desaparecem. Tenhamos presentes, entretanto,
que foram as propriedades características de 'baixas' energias que
definiram nossas concepções. O comportamento desordenado dos átomos em
energias elevadas é exatamente o que esperaríamos de um modelo planetário,
isto é, de sistemas planetários colidindo uns com os outros em altas
velocidades.
NOTA: O nome "plasma" não tem nada a ver com o plasma sanguíneo,
ou com a matéria viva da célula. A expressão deriva do fato de que as
primeiras realizações de um plasma atômico em um tubo de descarga
assemelhavam-se ao plasma biológico.
P:
De onde vem a energia elétrica?
R: A energia elétrica decorre da separação de cargas elétricas num
sistema. Visualize um sistema formado por dois lápis de cor, um vermelho
eletrizado positivamente e um azul eletrizado negativamente. Devido à
natural atração das cargas positivas e negativas, esse sistema de dois lápis
eletrizados terá energia elétrica mínima quando estiverem juntos
(estado natural --- energia potencial elétrica nula). Para separar esses
lápis, deve-se aplicar forças que contrariem essa atração elétrica. O
trabalho realizado por essas forças externas ao sistema será a medida da
quantidade de energia potencial elétrica que eles lápis apresentarão
quando separados. Então, lápis eletrizados juntos = sistema isento de
energia potencial elétrica; lápis eletrizados separados = sistema dotado
de energia potencial elétrica. Esses dois lápis separados têm agora
algo que não apresentavam quando eletrizados e juntos. Cada lápis
apresentará uma energia potencial elétrica em relação ao outro. Se
referenciarmos um deles como 'energia zero' ou outro armazenará, graças
à sua carga elétrica, um certo 'tanto' de energia potencial elétrica.
Esse 'tanto' de energia elétrica, por unidade de carga, caracterizará a
tensão elétrica ou diferença de potencial entre eles.
P:
Como medir essa tensão elétrica?
R: Vamos exemplificar usando, de início, de uma bateria de automóvel.
Uma bateria armazena energia potencial química, ou seja, os componentes
da solução estão 'fora de seu estado natural'. Dizer que entre os
terminais dessa bateria existe uma tensão elétrica de 12V é o mesmo que
dizer que, cada 'coulomb' (1C) de carga elétrica, para passar de um
terminal a outro, deve receber/ceder 12 joules de energia elétrica. Se
ele passar 'por dentro' da bateria, ele recebe esses 12 J (e a energia química
da bateria diminui de 12J) e se ele passar via circuito externo, cede 12J
(para os elementos que participam do circuito externo). Na tomada de sua
casa a tensão elétrica entre os dois 'furos' (terminais) é de 110V
(nominal). Esses terminais, no fundo, traduzem os terminais do gerador
eletromecânico que abastece sua casa com energia elétrica. Se você liga
um aquecedor elétrico nessa tomada, cargas começarão a 'circular' pelo
circuito todo, de modo que, cada coulomb de carga que passa pelo gerador,
recebe 110J de energia elétrica e cada coulomb de carga que passa pelo
aquecedor cede 110J de energia (o aquecedor transformará esses 110J de
energia elétrica em térmica). Se, em lugar de 1 coulomb de carga
tomarmos, por unidade, o valor absoluto da carga do elétron, a energia
trocada com a bateria passaria a ser de 12eV e a trocada com a tomada de
110eV.
Nesse último caso, os elétrons sairiam do terminal positivo do gerador,
passariam por dentro dele, e sairiam do terminal negativo com a energia de
110eV; em continuação, sairiam desse terminal negativo da tomada,
passariam pelo aquecedor, entregando a ele os 110eV e retornando ao
terminal positivo.
A tensão elétrica ou d.d.p. indica, portanto, quanto de energia elétrica
a unidade de carga recebe ou cede ao passar de um ponto a outro.
O
elétron-volt (1eV) é a unidade de energia
potencial elétrica quando se toma como unidade de carga o
valor absoluto da carga do elétron (|e|) e como unidade de tensão, 1
volt (1V), como sendo a diferença de potencial entre os dois pontos
considerados. [ 1eV = 1|e|.1V ]. Como exercício, relacione as unidades
joule e eV.
Os
elétrons não saltam de um terminal da tomada para o outro devido ao meio
(ar) ser um mau condutor de corrente elétrica mas, se aproximarmos
suficientemente um terminal do outro, os elétrons vencerão essa
dificuldade, saltando. Observamos esse fenômeno sob a forma de uma faísca.
O
elétron-volt é uma unidade de energia conveniente para nossos problemas.
Por exemplo, no ar, á temperatura ambiente, as moléculas voam em todas
as direções com energia cinética média de 1/30 de elétron-volt. Essa
é a energia média por átomo de qualquer tipo para o movimento térmico
á temperatura ambiente; é, por exemplo, a energia das oscilações térmicas
irregulares que os átomos
efetuam num pedaço de metal, aquelas que causam a fusão a
temperaturas mais elevadas, quando as forças que mantêm os átomos no
lugar são sobrepujadas.
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Segue Parte 2 - Natureza
ondulatória das partículas atômicas
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