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Física
Quântica ... para os esotéricos, místicos etc. O quantum de luz O
caráter corpuscular da luz Todas
as observações a respeito da propagação da luz indicam que a luz é uma
onda contínua de campos eletromagnéticos oscilantes. Mas, quando foram
estudados os efeitos da luz sobre a matéria, observaram-se alguns fenômenos
inesperados que, aparentemente, contradiziam a idéia
de um fluxo contínuo de luz. O que acontece quando a
luz incide sobre a matéria? A energia da luz absorvida tem que aparecer de alguma outra maneira. Sentimos calor quando a luz do Sol é absorvida por nossa pele. Quando a luz é absorvida por alguns metais, sua energia é muitas vezes transferida aos elétrons que, então, adquirem tanta energia que saltam do metal. Esse salto é chamado efeito fotoelétrico, e tem utilidade prática quando desejamos transformar pulsos luminosos em pulsos elétricos. Todos sabemos que esse efeito é o que conferiu o Nobel a Albert Einstein. E
possível medir com grande precisão a energia transferida à matéria
quando a luz é absorvida. Essas medidas tiveram o mais inesperado dos
resultados: a energia luminosa só pode ser absorvida em unidades definidas
de determinado tamanho; nunca pode ser absorvida uma fração dessas
unidades. No efeito fotoelétrico, cada quantum de luz que atinge o metal força um elétron a saltar do metal. A energia do elétron que salta é uma medida do tamanho do quantum de luz (mede a quantidade de explosivo de cada projétil). O número de elétrons que saltam mede a intensidade do feixe de luz.
A
quantidade de energia de um quantum de luz depende do tipo de luz em questão.
É diferente para luz de diferentes comprimentos de onda: as ondas mais
longas têm unidades menores; as ondas mais curtas têm maiores unidades. O
quantum de energia da luz visível é pequeno. Contém uma energia de
apenas alguns elétron-volts: cerca de 10-12 (um milionésimo de
milionésimo) da energia necessária para um toque no seu dedo de maneira
que você mal consiga percebê-la. Embora
a luz seja uma onda eletromagnética, seu efeito sobre a matéria, sobre
nossos olhos, sobre uma célula fotoelétrica é quantificado. Ela age como
se o feixe de luz consistisse de pequenos grãos, todos do mesmo tamanho. Sejamos um pouco mais quantitativos. O tamanho do quantum de energia da luz está relacionado com a freqüência da luz pela mesma fórmula de Planck. A energia E de um quantum é dada por E = hn, onde n é a freqüência da luz e h é a constante de Planck. Um quantum de luz amarela (n = 5.1014 vibrações por segundo) tem cerca de 2 elétron-volts de energia. Apesar de muito pequenos, esses quanta não são quantidades pequenas de energia em comparação com as energias dos átomos. São da mesma ordem de grandeza das energias dos estados quânticos dos átomos. Por exemplo, o quantum de luz amarela (2 elétron-volts) é exatamente igual à energia necessária para elevar o átomo de sódio do estado fundamental ao primeiro estado excitado. Os Átomos e os Quanta de Luz Por
mais estranha que seja a idéia do quantum de luz, ela abre uma nova
perspectiva à questão de como o átomo emite
e absorve a luz, de como a luz é produzida pelos átomos e de como os átomos
são influenciados pela luz. Combinemos o conceito do quantum de luz com o
conceito dos estados quânticos do átomo. Essa
propriedade explica imediatamente porque os átomos irradiam e absorvem luz
com certas freqüências típicas. Por exemplo, um átomo em seu estado
fundamental só pode aceitar luz cujo quantum de energia seja exatamente do
tamanho certo para elevar o átomo até um dos estados quânticos mais
elevados. Um átomo só pode absorver luz cujas freqüências correspondam
a esses quanta. Tomemos
o átomo de sódio como exemplo. No sódio gasoso frio, todos os átomos
estão no estado fundamental e não há
emissão de radiação. O gás é transparente à luz, exceto para aquela
cujos quanta sejam capazes de levá-lo a um estado mais elevado (chamamos
esses estados de “estados excitados”). Por
exemplo, de acordo com a ilustração dos espectros, em nossa Parte 1, o
primeiro estado excitado está 2,1 ev acima do estado fundamental;
portanto, a luz cuja freqüência seja n
= 2,1 eV/h = 5,2.1014
tem exatamente o quantum certo e será absorvida pelo sódio gasoso. O mais notável de tudo é a concordância entre os resultados das experiências de emissão de luz e os resultados das experiências de Franck-Hertz. Sem exceção, todas as freqüências emitidas e absorvidas pelos átomos correspondem a transições entre estados quânticos. A complementaridade entre o modelo corpuscular e o modelo ondulatório Agora,
voltemos à nossa questão fundamental: como pode o
elétron ser uma partícula e uma onda ao mesmo tempo? Uma das características da física clássica que precisamos colocar em questão é a “divisibilidade” desses fenômenos. Isto é, a idéia de que todo processo físico pode ser considerado como uma sucessão de processos particulares. De acordo com essa idéia, teoricamente ao menos, cada processo pode ser seguido passo a passo no tempo e no espaço. A órbita de um elétron em torno do núcleo deveria ser pensada como uma sucessão de pequenos deslocamentos. Este tipo de descrição é consistente com o que encontramos dentro dos átomos? De
acordo com nossa antiga maneira de ver as coisas, o elétron deve ser ou
uma partícula ou uma onda. Não pode ser ambas as coisas ao mesmo tempo.
Afinal de contas, seguindo-se cuidadosamente o elétron em seu caminho,
deve-se poder decidir em que categoria ele deve ser colocado. Encontramos,
assim, o problema da divisibilidade dos fenômenos atômicos. Podemos
realmente seguir o elétron em seu caminho? Essa reação não é peculiar a experiências em que usamos a luz para seguir a órbita do elétron. De maneira geral, todas as medidas que poderiam ser usadas para decidir entre a natureza ondulatória ou corpuscular do elétron (ou do próton, ou qualquer outra entidade), tem a mesma propriedade. Se efetuamos essas medidas, o objeto muda completamente seu estado no próprio ato da medida e o resultado desta não se aplica ao estado inicial, mas ao estado no qual o objeto foi colocado pela medida. Este último estado, entretanto, é um estado de energia muito alta e que não apresenta mais nenhuma propriedade ondulatória. A natureza quântica da luz ou de qualquer outro meio de observação torna impossível decidir entre onda e partícula. Não nos permite subdividir a órbita atômica numa sucessão de movimentos parciais, sejam eles deslocamentos de partículas ou oscilações de ondas. Se forçamos uma subdivisão do processo e tentamos olhar com mais acuidade para a onda para descobrir onde o elétron “realmente” está, nós o encontraremos lá como uma partícula real, mas teremos destruído a sutil individualidade do estado quântico. A natureza ondulatória terá desaparecido e, com ela, todas as propriedades características do átomo. Afinal de contas, foi a natureza ondulatória que deu origem às propriedades típicas dos estados quânticos — a forma simples, a regeneração da forma original depois de uma perturbação, e todas as outras qualidades específicas do átomo. A natureza ondulatória do elétron é advogada com base na indivisibilidade do estado quântico. A grande idéia nova da Física quântica é o reconhecimento do fato de que os estados quânticos individuais formam um todo indivisível, que existe apenas enquanto não é atacado por um meio de observação. No estado quântico, o elétron não é nem uma partícula nem uma onda no velho sentido. O estado quântico é a forma que um elétron assume quando entregue a si mesmo para ajustar-se às condições de baixas energias. Ele forma uma entidade individual definida, cuja configuração corresponde a um movimento ondulatório, com suas propriedades características espalhando-se sobre uma região finita do espaço. Qualquer tentativa de olhar para os detalhes de sua estrutura por observação direta inevitavelmente o destrói, pois os instrumentos de observação dariam tanta energia ao sistema que a condição de baixa energia não prevaleceria mais. Nesse
ponto de nossa discussão, deverá parecer natural que as previsões dos
fenômenos atômicos tenham que permanecer, às vezes, como afirmações de
probabilidades apenas. A previsão do ponto exato em que o elétron será
encontrado depois de ter sido destruído o estado quântico com luz de alta
energia é um caso desse tipo. Se o estado quântico for examinado com luz
“de ponta de alfinete”, o elétron será encontrado em algum lugar na
região da onda, mas o ponto exato não pode ser previsto com acuidade. Só
podemos fazer afirmações probabilísticas, como, por exemplo, que o elétron
será encontrado muito provavelmente no local em que a onda associada ao elétron
é mais intensa. Finalizando ... A mecânica quântica deu-nos uma resposta inesperada, mas matematicamente bela, ao grande dilema. Por um lado, os átomos são as menores partes de uma dada matéria; são considerados indivisíveis e dotados de todas as propriedades específicas da substância. Por outro lado, sabe-se que os átomos têm uma estrutura interna; que consistem de elétrons e núcleos; que os primeiros, necessariamente, devem efetuar movimentos mecânicos semelhantes aos dos planetas em volta do Sol e que, portanto, não podem apresentar as propriedades necessárias. A resposta está na descoberta dos estados quânticos que preenchem até certo ponto o primeiro requisito. Seu comportamento ondulatório dota-os das propriedades de identidade, integridade e especificidade, mas o alcance desse comportamento é limitado. Eles só preservam sua identidade e suas propriedades específicas se forem expostos a perturbações menores do que um valor limiar característico. Se forem expostos a perturbações mais fortes, os átomos perderão suas propriedades quânticas características e apresentarão o comportamento atípico que se espera a partir das propriedades mecânicas de sua estrutura interna. O
estado quântico não pode ser descrito em termos de um modelo mecânico.
É um novo estado da matéria, diferente de tudo o que experimentamos com
objetos grandes. Ele tem uma maneira especial de escapar da observação
comum pelo fato de que tal observação necessariamente destrói as condições
de sua existência. As propriedades quânticas só se apresentam quando o átomo não é perturbado ou quando é exposto a perturbações menos energéticas do que o limiar quântico. Nesse caso, encontramos o átomo com suas simetrias características e ele comporta-se como uma entidade indivisível. É esse o caso quando estamos lidando com matéria em condições normais. Mas, quando tentamos olhar os detalhes do estado quântico usando algum instrumento agudo de observação, necessariamente introduzimos muita energia nos átomos. Nessas condições, eles se comportam como se estivessem a temperaturas muito altas, isto é, como um plasma. Observamos, então, os elétrons como partículas comuns, movendo-se sob a força atrativa dos núcleos, sem nenhum fenômeno quântico, e exatamente como esperaríamos se tivéssemos que lidar com partículas comuns à moda antiga. Os
fenômenos atômicos apresentam uma realidade muito mais rica do que
estamos acostumados a encontrar na Física clássica macroscópica. As
propriedades ondulatórias dos estados quânticos, a individualidade desses
estados, o fato de que não podemos descrever completamente o átomo em
termos de coisas familiares, tais como partículas ou ondas clássicas, são
características que não ocorrem com os objetos de nossa experiência
macroscópica. Portanto, a descrição do átomo não pode ser tão
“desligada” dos processos de observação quanto eram as descrições
clássicas. Só podemos descrever a realidade atômica dizendo exatamente o
que acontece quando observamos um fenômeno de diferentes maneiras, embora
pareça incrível, para os iniciantes (como eu), que o mesmo elétron possa
comportar-se de maneiras tão diferentes quando observado nas duas situações
complementares.
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