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RELATIVIDADE Prof. Luiz Ferraz Netto As limitações da Mecânica Newtoniana e a teoria da Relatividade Restrita A
TEORIA DA RELATIVIDADE RESTRITA E AS TRANSFORMAÇÕES
DE LORENTZ Einstein
propôs dois postulados: O
primeiro postulado provem das evidências experimentais. A
partir destes dois postulados é possível substituir as transformações
de Galileu por um novo conjunto de transformações ¾
transformações de Lorentz ¾
que coincidem com as de Galileu para as pequenas velocidades, e que
permitem obter concordância com os resultados obtidos em situações que
envolvam velocidades extremas (próximas á da luz). Como
conseqüência destes postulados, novos resultados são previstos e muitos
já foram observados experimentalmente. Para
estudar as transformações de Lorentz
consideremos um referencial S (x, y, z, t) e
um referencial S’ (x’, y’, z’, t’),
que se move em relação a S com velocidade ui
(i é o versor do eixo x). O
significado de t no sistema S é que devemos imaginar que em
todos os pontos do espaço S temos um sistema de relógios
sincronizados que indicam o tempo t, ¾
veremos
mais adiante como isso pode ser feito. No sistema S’, também
teremos um conjunto de relógios que marcarão o tempo t’ e que estão
sincronizados entre si. Veremos logo que não podemos fazer a hipótese de
que t = t’ pois não é possível
“sincronizar” relógios em dois sistemas que se movem um em relação
ao outro ¾
este
é um dos resultados surpreendentes da teoria da relatividade. Vamos
imaginar o seguinte fenômeno: quando as origens dos dois sistemas
coincidem e os relógios nas origens marcam zero [o ponto P(0, 0, 0,
0) coincide com o ponto P’ (0, 0, 0, 0)], um lampejo de luz é
gerado nas origens coincidentes de S e S’ e a frente da
onda gerada se propaga em todas as direções. No
sistema S pode-se escrever: No
sistema S’ pode-se escrever: A
transformação de Lorentz é a transformação
que permite obter x’, y’, z’ e t’ a partir de x, y, z e t a qual,
em virtude do postulado 2, deve ser
linear e simétrica. Além disso, deve
recair na transformação de Galileu para u
pequeno (na região de valores em que se verificou que é válida). É possível
mostrar que só há uma solução possível. A transformação de Lorentz
é a seguinte: x'
= g
(x - u.t) ==> (3) sendo g
= (1 - b2)-1/2
==> (7) A
transformação acima deixa as equações de Maxwell invariantes e se reduz
á transformação de Galileu para u/c « 1. A dependência com u/c mostra
também que a região de velocidade em que há discordância com as
transformações de Galileu está fora da experiência usual e por isso não
se havia encontrado dificuldades na sua aplicação. A
transformação de Lorentz foi proposta em fins do século XIX e, antes da
teoria da relatividade de Einstein era encarada como um artifício matemático,
sem grande realidade física. Devemos hoje encara-las com a máxima
seriedade e realidade. Elas
implicam que o espaço e o tempo em dois referenciais inerciais que se
movem um em relação ao outro tem comportamento diferente e, além disso,
as coordenadas de espaço e tempo não podem ser tratadas de forma
independente, mas aparecem intimamente interligadas. É
fácil mostrar que a transformação inversa tem o mesmo aspecto que a
anterior (com exceção da troca de sinal de u), assim x
= g
(x' + u.t') ==> (9) g e b têm o mesmo significado de antes. Para
tentar interpretar a transformação de Lorentz devemos imaginar uma serie
de observadores ligados ao sistema S, todos eles com relógios
sincronizados e que no instante t = 0, olham para o sistema S’
lendo as coordenadas imediatamente próximas e os relógios próximos
ligados ao sistema S’ (assim não há problemas com o tempo de trânsito
da luz entre os pontos lidos e os observadores). Nota:
É possível sincronizar um relógio de um sistema com um relógio de outro
sistema, em um determinado instante e quando estão no mesmo lugar; daí em
diante marcarão tempos diferentes. A
sincronização de relógios em um
mesmo referencial pode ser feita do seguinte modo: Um
relógio A envia um sinal luminoso no instante ta o qual
é recebido por um relógio B no instante tb
(marcado pelo relógio B que está em repouso em relação a A);
o sinal
é refletido de volta para A sendo recebido no instante t'a.
Se tb - ta = t'a - tb
, dizemos que os relógios estão sincronizados e não há ambiguidade
neste processo. As experiências até hoje realizadas confirmam as conseqüências das transformações de Lorentz; se verificam, assim que: todos os tipos de relógios que possam ser construídos, quando no referencial S', permanecem síncronos (dentro de sua precisão) e atrasam em relação a seus congêneres no referencial S. Próxima Leitura: Relatividade - Parte V - Transformação de velocidades
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