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RELATIVIDADE
(Parte IV)
Prof. Luiz Ferraz Netto
leobarretos@uol.com.br
As limitações
da Mecânica Newtoniana e a teoria da Relatividade Restrita
A
TEORIA DA RELATIVIDADE RESTRITA E AS TRANSFORMAÇÕES
DE LORENTZ
Einstein
propôs dois postulados:
1
- A velocidade da luz no vácuo
é constante e a mesma em qualquer referencial inercial.
2
- As leis da natureza são as
mesmas quando os fenômenos são observados de dois
referenciais inerciais quaisquer.
O
primeiro postulado provem das evidências experimentais.
O segundo postulado é uma extensão do principio de Galileu englobando
agora todos os fenômenos.
A
partir destes dois postulados é possível substituir as transformações
de Galileu por um novo conjunto de transformações ¾
transformações de Lorentz ¾
que coincidem com as de Galileu para as pequenas velocidades, e que
permitem obter concordância com os resultados obtidos em situações que
envolvam velocidades extremas (próximas á da luz).
Como
conseqüência destes postulados, novos resultados são previstos e muitos
já foram observados experimentalmente.
Para
estudar as transformações de Lorentz
consideremos um referencial S (x, y, z, t) e
um referencial S’ (x’, y’, z’, t’),
que se move em relação a S com velocidade ui
(i é o versor do eixo x). O
significado de t no sistema S é que devemos imaginar que em
todos os pontos do espaço S temos um sistema de relógios
sincronizados que indicam o tempo t, ¾
veremos
mais adiante como isso pode ser feito. No sistema S’, também
teremos um conjunto de relógios que marcarão o tempo t’ e que estão
sincronizados entre si. Veremos logo que não podemos fazer a hipótese de
que t = t’ pois não é possível
“sincronizar” relógios em dois sistemas que se movem um em relação
ao outro ¾
este
é um dos resultados surpreendentes da teoria da relatividade.
Vamos
imaginar o seguinte fenômeno: quando as origens dos dois sistemas
coincidem e os relógios nas origens marcam zero [o ponto P(0, 0, 0,
0) coincide com o ponto P’ (0, 0, 0, 0)], um lampejo de luz é
gerado nas origens coincidentes de S e S’ e a frente da
onda gerada se propaga em todas as direções.
No
sistema S pode-se escrever:
x2 + y2 + z2
= c2.t2 ==>
(1)
No
sistema S’ pode-se escrever:
x'2 + y'2 + z'2
= c2.t'2 ==> (2)
A
transformação de Lorentz é a transformação
que permite obter x’, y’, z’ e t’ a partir de x, y, z e t a qual,
em virtude do postulado 2, deve ser
linear e simétrica. Além disso, deve
recair na transformação de Galileu para u
pequeno (na região de valores em que se verificou que é válida). É possível
mostrar que só há uma solução possível. A transformação de Lorentz
é a seguinte:
x'
= g
(x - u.t) ==> (3)
y' = y
==> (4)
z' = z
==> (5)
t' = g
(t - u.x/c2) ==> (6)
sendo
g
= (1 - b2)-1/2
==> (7)
b =
u/c
==> (8)
A
transformação acima deixa as equações de Maxwell invariantes e se reduz
á transformação de Galileu para u/c « 1. A dependência com u/c mostra
também que a região de velocidade em que há discordância com as
transformações de Galileu está fora da experiência usual e por isso não
se havia encontrado dificuldades na sua aplicação.
A
transformação de Lorentz foi proposta em fins do século XIX e, antes da
teoria da relatividade de Einstein era encarada como um artifício matemático,
sem grande realidade física. Devemos hoje encara-las com a máxima
seriedade e realidade.
Elas
implicam que o espaço e o tempo em dois referenciais inerciais que se
movem um em relação ao outro tem comportamento diferente e, além disso,
as coordenadas de espaço e tempo não podem ser tratadas de forma
independente, mas aparecem intimamente interligadas.
A relação (6) mostra que, se como foi suposto, para t = 0 o ponto x’ =
0 coincide com o ponto x = 0, e nesse ponto t’ = 0, vemos logo que no
referencial S’ os tempos t’ dependerão de x. Vemos ainda que
para t = 0 as coordenadas x’ não coincidirão com as coordenadas x.
Estes resultados parecem fugir á nossa intuição.
É
fácil mostrar que a transformação inversa tem o mesmo aspecto que a
anterior (com exceção da troca de sinal de u), assim
:
x
= g
(x' + u.t') ==> (9)
y = y'
==> (10)
z = z'
==> (11)
t = g
(t' + u.x'/c2) ==> (12)
g
e b
têm o mesmo significado de antes.
Para
tentar interpretar a transformação de Lorentz devemos imaginar uma serie
de observadores ligados ao sistema S, todos eles com relógios
sincronizados e que no instante t = 0, olham para o sistema S’
lendo as coordenadas imediatamente próximas e os relógios próximos
ligados ao sistema S’ (assim não há problemas com o tempo de trânsito
da luz entre os pontos lidos e os observadores).
A transformação de Lorentz de (3) a (6) com t = 0 descreve o
que os observadores em S verão. Os observadores em S’
acharão que cada um deles está sendo observado em um instante diferente.
Assim, o que é simultâneo em S não é simultâneo em S’.
Se no sistema S’ tivermos um conjunto de observadores que no
instante t’=0 olham o que se passa no sistema S (cada um vendo o
que se passa na sua vizinhança imediata) o que eles veriam é descrito
pela transformação de Lorentz de (9) a (12), com t’ = 0. As discrepâncias
nas descrições entre os dois conjuntos de observadores não
está ligada ao fato de que a luz deve percorrer um certo trajeto até
atingir os observadores, mas está ligado ás características
intrínsecas exibidas por um sistema de referência quando visto de
outro, em movimento relativo, e á impossibilidade de
definir simultaneidade entre dois sistemas de referência, ou o que
é o mesmo, sincronizar os relógios de dois sistemas.
Nota:
É possível sincronizar um relógio de um sistema com um relógio de outro
sistema, em um determinado instante e quando estão no mesmo lugar; daí em
diante marcarão tempos diferentes.
A
sincronização de relógios em um
mesmo referencial pode ser feita do seguinte modo:
Um
relógio A envia um sinal luminoso no instante ta o qual
é recebido por um relógio B no instante tb
(marcado pelo relógio B que está em repouso em relação a A);
o sinal
é refletido de volta para A sendo recebido no instante t'a.
Se tb - ta = t'a - tb
, dizemos que os relógios estão sincronizados e não há ambiguidade
neste processo.
Assim, se A for sincronizado com B e B com C, A estará
sincronizado com C, conforme poderá ser verificado (estando A,
B e C num mesmo referencial).
Entretanto, se A estiver num referencial e B’ em outro e se
tentar sincronizar A com B’, sucederá em geral que C,
estando no mesmo referencial de A e sincronizado com este, não será
síncrono com B’ , assim, não tem sentido sincronizar relógios
em referenciais diferentes.
As
experiências até hoje realizadas confirmam as conseqüências das
transformações de Lorentz; se verificam, assim que: todos os tipos
de relógios que possam ser construídos, quando no referencial S',
permanecem síncronos (dentro de sua precisão) e atrasam
em relação a seus congêneres no referencial S.
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de velocidades
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