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RELATIVIDADE Prof. Luiz Ferraz Netto As limitações da Mecânica Newtoniana e a teoria da Relatividade Restrita TRANSFORMAÇÃO DE VELOCIDADES ENTRE DOIS REFERENCIAIS INERCIAIS Vamos
estudar agora como se transformam velocidades de um referencial inercial
para outro. Sabemos que no caso da transformação de
Galileu, se um objeto tem uma velocidade v’ em relação a um
referencial
S’ que se move com velocidade u em relação a um
referencial S ¾
u e v’ tem mesma direção e sentido
¾
então em relação a S o móvel terá velocidade
v = v’ + u. Já
temos argumentos para suspeitar que esta relação não deve valer no caso
da relatividade, pois um dos postulados da RR (relatividade
restrita) implica, explicitamente, que se v’ for a velocidade da luz c,
então, v também será igual a c. Além disso, sabemos que os ingredientes
da velocidade, espaço (x, y, e z) e tempo (t) são profundamente alterados
quando se passa de
S para S’. Vamos
considerar os mesmos referenciais
S e
S’ adotados na discussão da transformação
de Lorentz (relações de 3 a 12) posto na Parte IV dessas Leituras. As
componentes da velocidade de um móvel que se move em relação a S serão dx/dt, dy/dt
e dz/dt.
Diferenciando as expressões
de (9) a (12) obtemos:
dx =
g.dx’
+ g.udt’
==> (13) assim:
É
interessante notar duas características desta transformação (17 a 19). Primeiro,
nunca se criará a situação de se ter uma velocidade em relação a S que seja maior do que c,
por maiores que sejam u e v’x . Em particular, se v’x
= c (isto implica em que necessariamente v’y = v’z
= 0), então, vx = c. Segundo,
apesar de que na transformação de Lorentz de espaço e tempo, quando a
velocidade u é ao longo de x, as coordenadas y e z ficam
inalteradas, no caso das velocidades transversais vy e vz,
estas são afetadas numa transformação de coordenadas. Este
fato reflete que na velocidade, intervem o tempo que é diferente em um
sistema e no outro, sendo ainda, função da posição [ver (6) e (12)]. Ao
se trabalhar com velocidades em relatividade, é importante lembrar que,
para se medir a velocidade de um objeto, em um sistema de referência
inercial á imprescindível usar espaços e tempos referidos a esse mesmo
sistema. No caso não relativístico este
cuidado é desnecessário com relação ao tempo,
pois os intervalos de tempo permanecem inalterados em uma transformação
de Galileu. A
limitação para a velocidade de propagação de
sinais e partículas, em relação a um dado referencial, imposta
pela velocidade da luz c, não implica que “coisas” que
não sejam sinais se propaguem com velocidade maior do que c.
Assim, se girarmos uma lanterna rapidamente, seu foco, projetado numa
parede suficientemente afastada, poderá varrê-la com velocidade superior
a c. Além disso, se dois móveis se dirigem um em direção ao outro com
velocidade 0,9 c medida no referencial S,
podemos dizer que a distância entre eles (em S) decresce á razão de
1,8.c (5,4 x 108 m/s), e isto não quer dizer que a
velocidade de um em relação ao outro seja de 5,4 x 108 m/s.
Próxima Leitura: Relatividade - Parte VI - Variação da massa e momento linear, na relatividade
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