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RELATIVIDADE Prof. Luiz Ferraz Netto As limitações da Mecânica Newtoniana e a teoria da Relatividade Restrita MOMENTOS
LINEARES RELATIVÍSTICO Como vimos na Parte VI, o momento linear relativístico de um sistema isolado é uma constante do movimento e se conserva. A expressão do momento é diferente da expressão newtoniana clássica, entretanto a grandeza física considerada é a mesma. Para melhor sentir este fato, vamos considerar a colisão perfeitamente inelástica de uma partícula relativística (isto é, uma partícula que se move com velocidade comparável com a da luz e para a qual se deve aplicar a expressão relativística do momento) com outra partícula de massa suficientemente grande. Após a colisão inelástica, quando ambas as partículas formam um só sistema, este se move com velocidade muito menor do que c e pode pois ser tratado como tendo um momento dado pela expressão newtoniana usual. Explicitamente vamos supor que a partícula relativística tem massa de repouso mo e se move com velocidade v ~ c, isto é , que se verifique: g = (1 - v2 /c2)-1/2 »1). A outra partícula, inicialmente em repouso, tem massa Mo (M » gmo). Após a colisão ambas as partículas se moverão como uma só partícula de massa Mo + gmo ~ Mo e velocidade V« c. O momento linear antes da colisão será p = gmov. Havendo conservação do momento linear, após a colisão teremos MoV ~ gmov » mov. Em experiências nas quais as condições acima são satisfatórias e os vários parâmetros são medidos, confirma-se que a expressão do momento relativístico deve ser usada em lugar da expressão clássica, quando a velocidade da partícula é comparável com c. Assim, se um momento relativístico de uma partícula leve e rápida é transformado, por meio de uma colisão, em um momento igual ao de uma partícula pesada e lenta, verificamos que o momento relativístico e o momento clássico se referem a uma mesma propriedade de um sistema. Uma
situação análoga à descrita acima é encontrada no processo da
desintegração de um núcleo atômico pela emissão de uma partícula b
(emissão de um elétron). Como o elétron tem uma massa muito menor do que
a do núcleo residual e pode ser emitido com velocidades comparáveis com c,o
núcleo recua com um momento que pode ser calculado com a expressão
newtoniana usual, e que será igual ao momento do elétron. O momento do elétron
deve ser calculado pela expressão relativística para que haja concordância
com a medida de velocidade. Com base em experimentos como os acima descritos, os físicos confiam plenamente na conservação do momento linear para um sistema isolado, quando observado de qualquer referencial inercial. É entretanto essencial levar em consideração a relação entre momento, massa e velocidade dada pela expressão relativística (27) , a qual concorda com a definição newtoniana para velocidades pequenas. Vamos re-analisar agora a colisão estudada na Parte VI e representada na primeira ilustração do texto. Vamos descrever agora a colisão como é vista por um observador ligado a um referencial S’’ que se move com uma velocidade w « c, normal a u, em relação ao referencial S’. Vamos considerar os componentes do momento paralelos a w. Antes da colisão o momento será 2.m(u).w. Após a colisão o momento será Mo.w. Por conservação do componente do momento para o sistema temos Mo.w = 2.m(u).w. Vemos assim que Mo = 2.m(u) > 2.mo. Este resultado está de acordo com as considerações feitas quanto à forma de se adicionar massas (*). O momento linear relativístico pode ser decomposto em seus componentes. Cada componente do momento linear se conserva, quando a partícula não está sob a ação de forças segundo a direção daquele componente. Veremos a seguir a relação que existe entre massa e energia e, em particular, como deve ser alterada a expressão newtoniana da energia cinética para levar em consideração a variação da massa com a velocidade. (*) A forma de se adicionar massas, para se obter uma soma, como a introduzida na expressão (22) não é um postulado a mais da teoria, apenas uma hipótese 'plausível', justificada pelos resultados coerentes. É possível, em tratamentos mais sofisticados, obter a relação (26) sem utilizar essa hipótese adicional. Próxima Leitura: Relatividade - Parte VIII - Equivalência entre Massa e Energia
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