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Lunetas
e Telescópios
(Tipos
e características) |
Observatório Phoenix
Perguntas e Duvidas?
Lunetas
são óculos de alcance para
uso terrestre, normalmente pequenos, que
fornecem imagens direitas. Geralmente são do tipo Galileu, combinação
de uma lente positiva de pequeno diâmetro (objetiva convergente) com
uma lente negativa (ocular divergente), que fornecem imagens
virtuais. Ela é assim chamada porque foi Galileu quem, pela primeira
vez, em 1609, a usou para observar o céu e registrar suas
descobertas. Como o aumento é pequeno, cerca de 10X (10 vezes),
podem ser usadas nas mãos e algumas (tipo 'telescópicas') podem ser
"fechadas" para caberem no bolso, como aquelas que
aparecem em filmes de piratas. Outras, mais evoluídas, podem ter
lentes positivas, como num telescópio, mas com inversores de
imagens, para uso terrestre, o que as torna mais compridas. Como os
objetos observados são claros, não precisam ter objetivas de grande
diâmetro.
Telescópios
(do grego, tele=longe; scopio=observar) usam lentes positivas. Uma
objetiva de grande diâmetro, que fornece uma imagem real e invertida
(no céu não existe a preocupação com o "lado de cima"),
e uma ocular ou lupa forte (também positiva) para examinar a imagem.
Podem ser refratores (de lentes), refletores (de espelhos) ou catadióptricos
(de lentes e espelhos combinados). Podem trabalhar com grandes
aumentos, mas precisam de uma base ou montagem móvel para se
manterem estáveis.
Num telescópio, a característica mais importante não é o numero
de aumentos que ele dá, e sim a quantidade de
luz que pode concentrar. Esta característica é chamada de
Poder de Ganho de Luz (PGL) e está ligada ao diâmetro da objetiva.
É por isso que a cada dia se constroem telescópios maiores para se
conseguir ver mais longe.
Hoje, os maiores do mundo, os telescópios gêmeos Keck
I e II, têm 10 metros
de diâmetro, e estão em Mauna Kea, um vulcão extinto de 4 150 m de
altitude, no Hawaii. Cada um tem quatro vezes o PGL do telescópio
Hale do Monte Palomar. E a luz dos dois telescópios pode ser
combinada dobrando este número.
O telescópio
refrator é o tipo mais conhecido, e o mais encontrado nas
lojas. Consiste em uma objetiva acromática (doublet) montado num
tubo, geralmente longo, que suporta também o focalizador, onde são
colocadas as oculares. Telescópios refratores, geralmente são de
pequena abertura, devido ao alto custo das objetivas de maiores diâmetros,
e são geralmente escuros, isto é, têm a relação f / D
muito grande (onde f é a distância focal e D o diâmetro
da objetiva).
Esta relação é usada largamente em aparelhos ópticos, para
indicar a luminosidade por unidade de área da imagem. As máquinas
fotográficas usam esta relação em suas lentes, para permitir a
determinação do tempo de exposição e da sensibilidade do filme a
ser utilizado. Como está ligada ao diâmetro da objetiva, foram
padronizados números múltiplos de 2 para sua utilização, como: 2
- 2,8 - 4 - 5,6 - 8 - 11 - 16 - etc. Cada ponto desta escala,
significa que precisaremos do dobro da luz para obter o mesmo efeito,
assim de 4 para 5,6 temos a metade da área da objetiva, e, conseqüentemente
a metade da luminosidade.
Vejamos o 'porque' desses números: ao passar de um ponto para outro,
a área do círculo-objetiva reduz-se
pela metade (A1 = A/2), como A1 = pD12/4
e A = pD2/4
vem:
pD12/4
= (pD2/4)/2
ou
D12
= D2/2 ou ainda D = Ö2.D1.
Assim, se D1 = 4, D = Ö2.4
= 5,6; se D1 = 5,6, D =
Ö2.5,6
= 7,91959... ~ 8 etc.
A relação
f / D dos refratores é geralmente em torno de 15. Costuma-se anotar
abreviadamente f/15. Isto se deve a dois
motivos principais: aberração cromática e aberração esférica.
Aberração cromática é uma distorção
devida à característica ondulatória da luz durante sua propagação
nos meios ópticos. A banda de luz visível abrange comprimentos de
onda desde o ultra-violeta até o infra-vermelho (0,4 a 0,72 micrômetros).
E cada comprimento de onda se comporta de maneira diferente quando a
luz é refratada. O índice de refração está ligado à cor da luz
que atravessa o meio refringente, ou seja, o índice de refração é
função da freqüência da onda e assim, para cada cor teremos um
desvio diferente (para uma lente isso é equivalente a dizer que,
para cada cor, a lente terá foco principal em posição diferente).
É aquele fenômeno que observamos na decomposição da luz em um
prisma, criando o arco-íris, o espectro da luz. (Visite a Sala
9 de Óptica)
Para minimizar este problema, utilizamos duas lentes (doublet) ou
mais lentes, que combinadas, forçam a coincidência dos raios no
ponto focal.
Esta correção é tanto mais difícil (e mais cara) quanto menor for
a nossa relação f / D. Este problema complica a fabricação dos
refratores, mas, como todo desafio esconde uma oportunidade, ele nos
permitiu descobrir de que substâncias as estrelas são feitas através
da análise de sua 'luz'. Foi assim que o Hélio (em grego Helius =
Sol) foi descoberto no Sol antes de ser conhecido na Terra.
O
telescópio refletor mais simples é o Newtoniano, inventado pelo
astrônomo e matemático inglês, Sir Isaac Newton (1642-1727). O
mesmo que conseguiu solucionar o problema da gravitação, permitindo
o equacionamento das órbitas dos planetas e revolucionando a
astronomia.
Como a luz é refletida, não atravessando a objetiva, ele não sofre
da aberração cromática, nem precisa de vidro óptico de alta
qualidade. Isto permitiu a fabricação de telescópios de grande
abertura, com menores custos. Sir Isaac Newton usou um pequeno
espelho plano diagonal, que intercepta os raios vindos da objetiva,
jogando-os para a lateral do tubo, onde pode ser instalada a ocular.
Estes
telescópios, se muito curtos apresentavam o mesmo problema da aberração
esférica, já conhecido nos refratores. A solução matemática para
o problema foi o uso de superfícies não-esféricas, no caso um
parabolóide.
Foram
construídos grandes telescópios newtonianos, que permitiram um avanço
extraordinário da astronomia, mas estes telescópios eram difíceis
de manusear, construídos sobre plataformas giratórias enormes e
suspensos por cordas e roldanas. Eram necessárias várias pessoas
para posicionar o telescópio e mantê-lo apontado, porque a rotação
da terra tinha de ser compensada.
Em 1663 James Gregory sugeriu uma montagem combinada onde um espelho
primário parabolóide concentrava a luz sobre um espelho hiperbolóide,
também côncavo, que devolvia a luz através de um furo no primário
para atingir a ocular. Apesar deste modelo ser promissor, não foi
possível construí-lo na época, devido à falta de meios de teste.
Em 1672 um francês de nome Cassegrain sugeriu um novo arranjo.
Um primário parabolóide concentraria a luz sobre um secundário
convexo hiperbolóide, que devolveria o feixe através do primário
para a ocular. Este arranjo seria mais curto que o Gregoriano, e o
espelho convexo minimizaria a aberração esférica do conjunto,
enquanto o côncavo a agravaria, como provou mais tarde Jesse
Ramsden.
Na
tentativa de fabricar telescópios cada vez mais curtos, e conseqüentemente
mais claros, com campo de visão maiores e de menor curvatura, vários
especialistas-ópticos sugeriram combinações de superfícies não-esféricas.
| Tipo |
Primário
| Secundário |
| Cassegrain clássico |
Parabolóide |
Hiperbolóide |
| Dall-Kirkhan |
Elipsóide |
Esférico |
| Pressman-Camichel |
Esférico |
Semi-Hiperbolóide |
| Ritchey-Chrétien |
Semi-Parabolóide |
Semi-Hiperbolóide |
Com o crescente uso do espectrômetro, foram desenvolvidos telescópios
ainda mais curtos f/2 ou f/1 que permitiram sensibilizar chapas
fotográficas no foco primário. Foram utilizadas lâminas
corretoras, que permitiram o uso de espelhos primários esféricos
nos arranjos Cassegrain.
São os telescópios catadióptricos. Os mais famosos são os
Schmidt, inventados por Bernhard Schmidt (1879-1935), que projetou e
construiu vários deles. Originariamente projetado como telescópio
fotográfico, tornou-se mais tarde o modelo preferido dos amadores,
devido à sua grande abertura e facilidade de operação. Em 1941 um
russo, D. D. Maksutov, desenvolveu um modelo matemático, onde todas
as superfícies eram esféricas, e portanto, de mais fácil construção.
Os
arranjos Cassegrain, em algumas de suas versões, se tornaram os mais
usados nos grandes observatórios, e são até hoje largamente
utilizados, baseados na Terra, a bordo de aviões e até no espaço.
Vários deles estão em órbita, como o Hubble.
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