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Entendendo as marés Observatório Phoenix Todos nós já aprendemos que o movimento das marés está ligado à perturbação gravitacional da Lua e, em menor intensidade, à do Sol (Veja "O paradoxo das marés" na sala 19). A Lua perturba o campo gravitacional, e atrai os corpos em sua direção. Não só as águas dos mares e oceanos, todos os corpos são afetados por esta mudança. Como as águas têm uma maior liberdade de movimento, é nela que notamos de maneira mais clara esta variação. Noutra oportunidade comentaremos as marés sólidas que se manifestam na crosta terrestre as quais, habitualmente, você não as percebe. Quando o Sol e a Lua estão alinhados, na Lua nova ou na Lua cheia, sua influência é somada ou subtraída e temos as marés de sizígia, ou marés de águas vivas, como dizem os marujos. As maiores marés. Nas Luas quarto crescente e quarto minguantes, temos as marés menores, chamadas marés de quadratura. Até aí, tudo bem. Mas
as marés variam com um ciclo de 12 horas, e não de 24 horas como
seria de esperar. Neste caso temos duas marés diárias em vez de
uma.
Vamos supor, para facilitar o nosso raciocínio, que a Terra não gire em torno de seu eixo. De um lado temos a maré gerada pela influência da Lua. E do outro? Que maré é esta? Quando vamos a analisar o sistema o ponto de vista astronômico, temos que determinar certos parâmetros, que normalmente são esquecidos. Em primeiro lugar, a Lua gira em torno da Terra, certo? Errado! O centro de massa do sistema Terra-Lua não está no centro da Terra! Todos
sabemos que a Terra tem uma massa
MTerra
81,3 vezes maior que a massa MLua
da Lua. A diferença é grande mas não pode ser desprezada. A distância média da Terra à Lua é de DTerra Lua = 384 500 km, então, para equilibrar os momentos: MLua x DTerra Lua - MTerra x DCentro de massa = 0 Como MTerra = 81,3 x MLua DCentro de massa = MLua x DTerra Lua / 81,3 x MLua DCentro de massa = 384 500 / 81,3 = 4 729 km Isto significa que tanto a Lua, quanto a Terra giram em torno de um ponto que fica a aproximadamente 4 729 km do centro da Terra. Como a Terra tem 6 380 km de raio, este ponto está abaixo da superfície da Terra.
Considerando
que o conjunto Terra-Lua gira num período de 27,3 dias, com
velocidade constante, poderemos calcular o valor da aceleração a
do ponto material P,
localizado a uma distância R = 4 729 + 6 380 = 11 109 km
do centro de massa do sistema. Adicionando esta aceleração à
aceleração da gravidade glocal,
teremos como soma um valor ligeiramente menor para gefetivo,
que é suficiente para provocar aquela maré. Como, na realidade a Terra está girando em torno de seu eixo, o atrito arrasta as marés no sentido da rotação, causando um atraso de cerca de uma hora nos níveis máximos e mínimos em relação à linha que liga a Terra à Lua. Apenas para registro, a massa da Terra é de 5,976 x1024 kg e a da Lua 7,353 x 1022 kg.
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