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A óptica
adaptativa
Observatório
Phoenix
Dúvidas
e Perguntas?
Teoricamente
o poder separador de um telescópio está diretamente ligado à sua
abertura. Mas, na prática, isto é verdade?
Não! A turbulência da atmosfera não permite que um instrumento
atinja seu limite teórico. A qualidade de nossas imagens são
determinadas, mais pelas condições atmosféricas, que pelo tamanho
e qualidade das superfícies ópticas. Para que este limite fosse
atingido, teríamos que ter uma absoluta estabilidade da atmosfera.
Camadas
de ar de diferentes densidades, temperaturas e conseqüentemente
diferentes índices de refração se movimentam na frente do
instrumento, desviando o raio de luz, deformando as imagens e
reduzindo drasticamente a resolução. Nós observamos este fenômeno
na cintilação das estrelas. Uma maneira de reduzir o problema foi
escolher montanhas altas e com baixa umidade do ar para instalar os
telescópios, como o vulcão Mauna Kea, no Hawaii, que deixa metade
da atmosfera abaixo de seu pico de 4 150 metros, La Sila na Sicília,
La Palma nas Ilhas Canárias ou os picos dos Andes como Cerro Tololo
e Cerro Paranal, este último considerado o melhor local de observação
do mundo, no norte do Chile.
Além
disso podemos corrigir a imagem através de um sistema revolucionário:
a óptica adaptativa. Se pudéssemos
corrigir os desvios do feixe de luz, com um sistema óptico, a imagem
ficaria nítida. Uma estrela forte poderia servir de referência, mas
como solucionar o problema para um corpo de maiores dimensões, como
um planeta, uma galáxia ou para estrelas muito fracas? Como fornecer
um referencial para o computador? Precisaríamos de uma estrela
artificial para o referencial de ajuste, sensores para detetar o
desvio e computadores ultra rápidos para comandar a correção.
Quando
os cientistas norte americanos começaram um programa, mais tarde
conhecido como Guerra nas Estrelas, uma
das idéias analisadas foi usar feixes de raios lazer para focalizar
e destruir satélites em órbita. Durante 20 anos Robert Fugate e sua
equipe trabalharam em segredo no desenvolvimento de um sistema para
uso militar, utilizando telescópios especiais, com alta velocidade
de deslocamento, capazes de rastrear e focalizar satélites em órbita.
Em 1985, dois astrônomos franceses, Renaud Foy e Antoine Labeyrie
publicaram um artigo discutindo o conceito do feixe de laser para
corrigir imagens astronômicas. Finalmente, em 1991, os americanos
abriram seus segredos aos astrônomos. Utilizando raios laser de alta
potencia no comprimento de onda do sódio uma estrela artificial pôde
ser criada e utilizada com sucesso.
Basicamente
o sistema consiste em um canhão laser que emite pulsos através do
próprio telescópio ou paralelamente a ele. Este raio é focalizado
por meio de lentes em uma camada da atmosfera entre 10 e 100 km de
altura formando uma estrela artificial. O telescópio coleta a luz
desta estrela junto à imagem do fundo e a envia a um filtro que
separa seu comprimento de onda e a dirige a um sensor enquanto a luz
do fundo é dirigida a uma câmara. Quando o sensor detecta um
movimento lateral este dado é enviado a um processador de alta
velocidade que comanda um espelho fazendo-o oscilar e reposicionar o
feixe. Quando o raio é desfocado devido a uma variação do índice
de refração do ar, um espelho deformável corrige imediatamente o
foco. Apesar do raio laser afetar ligeiramente a imagem recebida, uma
melhora espetacular é obtida. Com o contínuo desenvolvimento dos
sensores, podemos esperar que no futuro o feixe de lazer seja
eliminado e a correção possa ser feita através da própria imagem.
Sistemas
similares, de menor custo e complexidade já equipam algumas câmaras
de vídeo para estabilizar a imagem durante a gravação.
Vários grandes telescópios foram projetados e estão sendo construídos
com esta nova tecnologia. A primeira luz do telescópio Naos-Conica
do ESO (European Southern Observatory), relevou imagens de qualidade
que rivalizam com as do telescópio orbital Hubble. Este é o
primeiro de um conjunto de quatro instrumentos de 8,2 metros de diâmetro,
a serem instalados em Cerro Paranal, no Chile. Após a conclusão dos
quatro aparelhos, suas imagens serão combinadas em uma imagem de
qualidade única, nunca antes obtida.

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