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Os Calendários

Observatório Phoenix
Dúvidas e Perguntas?

Desde os primórdios da civilização, a contagem e o registro do tempo se mostrou como uma necessidade cada vez mais premente. Durante muito tempo o ciclo da Lua serviu como base para esta medição. Os povos antigos, com seus rústicos meios de medição, criaram vários calendários, mas quase todos tentavam, de alguma forma, ajustar o tamanho do ano ao número de lunações, o que finalmente se mostrou incompatível. É importante notar que não importa a maneira de se dividir o ano, em 10, 12 ou 18 meses, já que esta divisão é apenas uma convenção. O importante foi a determinação do número de dias do ano.

Para isso era necessário medir o ano solar e o ano sideral, e depois comparar um com o outro. O ano solar é definido por duas passagens consecutivas do Sol pelo equinócio. Esta medição era feita através de um gnômon (relógio de Sol), ou pelo ponto do nascer do Sol no alinhamento de grandes monólitos, como os de Stonehenge ou das pirâmides Maias. O ano sideral é medido em relação a uma estrela distante, de preferência de grande brilho. Após séculos de tentativas, o número de dias do ano solar foi definido como sendo de 365 dias. Vários povos da antiguidade chegaram a este número.

Os calendários gregos se baseavam no ciclo lunar, com uma intercalação de um 13º mês, segundo a determinação da autoridade local. Isto tornou o sistema grego tão complicado que dele só restou o ciclo de 19 anos, chamado ciclo metônico, devido ao astrônomo grego Meton, que o descobriu. Este ciclo é o período de 6 940 dias e 235 lunações, que nos dá um ano de 365,26 dias (6 940/19).

Os babilônios dividiam o ano em 12 meses de 30 dias, que eram determinados pelo aparecimento da Lua crescente. Só dividiam o ano em duas estações: verão e inverno. Para ajustar o calendário eram feitas intercalações de um mês, a cada ciclo metônico, herdado dos gregos. Cada cidade fazia esta intercalação segundo suas próprias conveniências, gerando divergências. Em 541 AC foi regulamentado um sistema para todo o império.

O calendário judeu antigo era dividido em 12 meses que somavam 354 dias. A Bíblia não esclarece como eram completados os 11 dias que faltam. Atualmente os judeus usam um calendário lunar para os meses e um solar para os anos. O sistema foi adaptado do sistema babilônio e o número de dias do ano varia para ajustar os dois ciclos a cada 19 anos.

Os Maias, na América pré-colombiana, conheciam o tamanho do ano e o dividiam em 18 meses de 20 dias, cada um dedicado a um deus, mais 5 dias "de azar" adicionais. Os Astecas usavam um sistema parecido.

O calendário muçulmano ou islâmico usa 12 meses alternadamente de 30 e 29 dias. O tamanho do último mês do varia de modo a ajustar o número de dias do ano: 354 ou 355. Deste modo os meses mudam de estações e se repetem a cada 32,5 anos. É usado até nossos dias.

Os egípcios antigos dividiram o ano solar de 365 dias em três estações, a das enchentes, a da semeadura e a da colheita, com 4 meses de 30 dias cada. Para completar o ano, 5 dias eram acrescentados. Como o início do ano era marcado pelo nascimento simultâneo do Sol e de Sirius (Sothis), os egípcios notaram o atraso do nascimento da estrela a cada ano, e que no quarto ano este atraso acumulava exatamente um dia (período sótico). Deste modo, foram os primeiros a chegar a um ano solar de 365,25 dias comparando o ano solar com o ano sideral de 366,25 dias (um dia a mais devido à translação). Em 238 AC, Ptolomeu Euergertes sugeriu a inserção de um dia a cada quatro anos mas sua argumentação não foi aceita.

Os romanos usavam o calendário de 10 meses com um total de 304 dias. O ano começava em março e o período de inverno não era computado! Os primeiros meses eram dedicados aos deuses, março a Marte, abril a Vênus, maio a Maia, e junho a Juno; aos imperadores, julho a Julius e agosto a Augustus (meses anteriormente chamados quintus e sextilis) e os últimos, setembro = sétimo, outubro = oitavo, novembro = nono e dezembro, o décimo e último mês do ano, nomes que conservamos até hoje. Acredita-se que Numa Pompilius tenha adotado os meses de janeiro e fevereiro sete séculos antes de Cristo. Como os romanos usavam o calendário lunar, de tempos em tempos era necessária a intercalação de um 13º mês para acerto. Como estas correções nem sempre eram feitas de maneira correta, em 49 AC, sob o reinado de Júlio César a divergência chegou a 80 dias!

O astrônomo Sosígenes, de Alexandria, antiga capital do Egito, foi então chamado para fazer uma correção definitiva no calendário. A defasagem foi corrigida e ficou estabelecido que a cada quatro anos seria acrescentado um dia, para compensar a diferença de 0,25 dia. Assim, todos os anos múltiplos de 4 teriam mais um dia. O sistema criou uma tão grande confusão que só foi entendido e implantado corretamente no ano 8 DC. Estes anos foram chamados bissextos e o sistema conhecido como Calendário Juliano foi usado por mais de 1 500 anos!

Hoje sabemos que a duração do ano é de 365,242 199, e não 365,25 dias, o que resulta em uma diferença de 0,007 801 dia, implicando na defasagem de um dia a cada 128 anos. Ao longo dos 1 500 anos de uso, o Calendário Juliano foi acumulando este pequeno erro, até que em 1582 a diferença chegou a 10 dias entre o equinócio eclesiástico e o equinócio real. Isto significava que a abstinência de carne não estava sendo rigorosamente cumprida nas datas corretas. Para eliminar esta heresia o papa Gregório XIII decidiu mais uma vez reformar o calendário, reposicionando o equinócio da primavera no dia 21 de março, como ficara definido no concílio de Nicéa, em 325 DC. Auxiliado pelo astrônomo Lélio, implantou a reforma gregoriana.

A duração do ano ficou definida como sendo de:

365,242 199 = 365 + 1/4 - 1/100 +1/400 - 1/3300 dias

Gregório XIII determinou então:

1- a omissão de 10 dias na contagem do mês de outubro de 1 582, de modo que da quinta feira, dia 4 de outubro, se passe à sexta-feira, dia 15 de outubro.

2- os anos múltiplos de 100 não serão bissextos, exceto quando forem múltiplos de 400.

3- a Páscoa deve ocorrer entre o dia 22 de março e 25 de abril, no primeiro domingo após a Lua Cheia Eclesiástica, segundo o ciclo metônico. Caso o dia referido ocorra além do prazo a Páscoa será antecipada.

Este é o Calendário Gregoriano que usamos hoje, considerado como calendário universal, apesar de alguns povos não o adotarem.

Na astronomia usamos ainda um Dia Juliano que é um calendário onde os dias são numerados seqüencialmente para facilitar os cálculos. O Dia Juliano 2 452 276 começou no dia 1 de janeiro de 2002 ao meio dia, no Tempo Universal, ou seja, às 9 horas da manhã no Brasil.

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