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Altazimutal
X Equatorial
Observatório
Phoenix
Dúvidas
e Perguntas?
Introdução
Esta é uma discussão comum entre astrônomos amadores e temos
recebido um grande número de consultas sobre esta questão. Afinal
de contas, qual a melhor montagem para seu telescópio?
Muitos amadores pagam caro por uma montagem com círculos
graduados, recursos de ajustagens e sistemas de iluminação dos
indicadores que provavelmente nunca serão usados, simplesmente
porque nunca serão devidamente orientados, por deficiência dos
tripés, falta de instruções ou falta de um local para uma
instalação fixa.
A
construção de uma estrutura para suportar um telescópio deve ter
algumas características básicas que, além de permitir que o
telescópio seja apontado para qualquer ponto acima do horizonte,
seja estável, robusta, equilibrada, deve permitir ajuste e
bloqueio preciso e no caso das portáteis, ainda deve ser leve.
Chamamos
a este mecanismo de montagem.
Basicamente é um sistema que gira em torno de um eixo
principal, o qual suporta um segundo, o eixo
secundário, montado ortogonalmente ao
primeiro, para permitir a necessária liberdade de movimentos.
Vários
trabalhos do astrônomo podem ser feitos sem que a montagem esteja
orientada, desde que o conhecimento do observador possa suprir esta
falta e ele consiga localizar no céu o fenômeno em questão.
Quantas vezes temos de nos deslocar para o campo, em busca de
locais mais escuros ou mais favoráveis para uma observação e não
temos tempo de fazer a orientação do instrumento? Na maior parte
das vezes é melhor usar um sistema sem orientação do que um mal
orientado, que nos induziria a erros.
Mas
quando precisamos localizar um objeto ou marcar a posição de um
objeto observado, a orientação do telescópio se torna imprescindível.
Para definir estas posições usamos círculos graduados nos eixos,
mas que para funcionar precisam ter seus eixos orientados segundo
um referencial. Neste ponto é que precisamos fazer a nossa
escolha: um alinhamento altazimutal ou equatorial?
As
montagens
O que define se uma montagem é equatorial
ou altazimutal, não é a sua
construção, e sim a orientação de seus eixos.
Numa
montagem
altazimutal o
eixo principal permite movimentação no sentido do azimute,
que é o ângulo horizontal, partindo do Norte no sentido do Este,
Sul, Oeste e chegando novamente ao Norte. Para fazer este movimento
este eixo é montado na vertical, perfeitamente a prumo, e a origem
deve estar posicionada rigorosamente no Norte Verdadeiro, enquanto
o eixo secundário permite movimentos no sentido da altura,
verticalmente entre o horizonte e o zênite.
Na
montagem
equatorial, o eixo primário é
montado precisamente paralelo ao eixo terrestre. Deste modo ele
aponta para o pólo celeste, e por isso recebe o nome de Eixo
Polar. O eixo secundário permite a movimentação no
sentido da declinação, de 0º no equador até
+90º no pólo Norte, e -90º no pólo Sul.
Uma
mesma montagem pode ser orientada altazimutal ou equatorialmente,
bastando para isso alinhar adequadamente seu eixo principal.
Mas,
qual é a melhor?
Em
primeiro lugar esta montagem deve ser instalada em uma base fixa,
permanente, ou deve possuir recursos que permitam sua remoção e
reinstalação sem perder sua orientação inicial. Este é o
motivo que leva muitos amadores a construírem seus observatórios
em prédios isolados, com cúpulas ou telhados móveis. Se você
usa eventualmente uma varanda ou terraço, terá de construir uma
base ou dispositivos no piso que permitam o encaixe de uma montagem
rigidamente construída para não perder o trabalho de alinhamento.
A
montagem
equatorial tem algumas vantagens
imbatíveis.
Ela
permite a utilização de um motor simples, para compensar a rotação
da Terra. Chamamos a este movimento de acompanhamento, que se torna
obrigatório no caso de grandes telescópios. Com o acompanhamento,
observações longas podem ser feitas já que o astro permanecerá
centrado na objetiva, permitindo a cronometragem, a fotografia, a
fotometria e a análise espectrográfica. Diferentes velocidades
podem permitir o acompanhamento de estrelas, da Lua, do Sol, de
cometas e de asteróides. A graduação dos círculos horário e de
declinação coincidem com as cartas celestes, facilitando a
localização e a marcação de posições.
As
montagens equatoriais são usadas em vários arranjos, cada um com
seus pontos fortes e seus inconvenientes. Nas ilustrações o eixo
primário sempre aparece em vermelho e o secundário em azul:
§
montagem germânica -
usa contrapesos, o que as torna mais pesadas e com a freqüência
natural de vibração mais baixa, exigindo mancais maiores e mais
pesados. Pode ocorrer interferência do instrumento com as bases
durante a observação, exigindo uma "virada" do
aparelho.
(ex: Zeiss - Observatório da Piedade UFMG)
§
montagem inglesa simples
- Também usa contrapesos. É mais estável que a germânica e não
tem o risco de interferência mas é muito mais volumosa, exigindo
cúpulas maiores.
(ex: Perkins - Ohio University)
§
montagem inglesa ao berço
- Muito usada nas baixas latitudes, pela boa estabilidade mas pode
impedir a observação da região do pólo e limita o uso de
instrumentos. Ocupa muito espaço na cúpula.
(ex: Hooker - Monte Wilson)
§
montagem ao berço
descentralizada - É uma alternativa para
evitar o problema de obstrução da montagem ao berço, mas fica
muito pesada devido ao uso de contrapesos. Em alguns casos o berço
limita o uso de instrumentos. Muito volumosa.
§
montagem ao berço com
ferradura - A mais volumosa, pesada e
cara devido ao tamanho e ao custo de fabricação do grande mancal.
Exige o uso de uma cúpula enorme.
(ex: Hale - Monte Palomar)
§
montagem em forquilha -
exige mancais maiores e mais pesados, devido à descentralização
da carga e à flexão da própria forquilha, mas pode ser usada em
cúpulas pequenas, já que libera muito espaço. Dificulta a
observação de alguns pontos, como a região do pólo e às vezes
limita o movimento de declinação no sentido do pólo oposto.
(ex: Perkin Elmer - Laboratório de Astrofísica - ON)
A
montagem
altazimutal é
a mais simples.
Sua
construção é mais barata e a utilização mais cômoda, fácil
de apontar e sem restrições de movimentação. Tem excelentes
características para a varredura horizontal, como na busca de
cometas.
A
montagem altazimutal em forquilha é muito
mais leve e estável que as equatoriais do mesmo porte, já que sua
carga é perfeitamente centralizada sobre os mancais, evitando o
uso de contrapesos e barateando substancialmente sua construção.
Tem um único ponto de difícil abordagem: a região do zênite.
Este problema foi contornado com o arranjo Nasmyth. Veja nesta seção
Telescópios de alta tecnologia.
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Mas
algumas características são de difícil equacionamento. Seu
sistema de acompanhamento é muito mais complexo: exige a ação
simultânea e coordenada de dois motores, um em cada eixo. Este
acompanhamento só pode ser obtido pela ação de um servo
equatorial ou através de computadores que calculem constantemente
sua posição em função de uma base de tempo. Outro problema,
também de solução complexa é a rotação da imagem durante o
acompanhamento, dificultando a fotografia que deve ser corrigida
por um terceiro mecanismo. Para a localização de um objeto, suas
coordenadas devem ser calculadas a cada instante, a partir dos
dados de uma carta, da latitude do observador e da hora local. Este
item é um dos maiores complicadores para um astrônomo amador, que
acaba preso ao teclado de um computador ou uma calculadora.
Os
grandes observatórios investiram na área de processamento e nos
servo-motores, e com a utilização das montagens altazimutais,
conseguiram reduzir drasticamente o custo dos novos telescópios
gigantes.
Com
o desenvolvimento dos micro-processadores e dos motores a passo
(step-motors) muitos destes problemas foram equacionados e alguns
fabricantes de telescópios para amadores já fornecem montagens
altazimutais automatizadas, que além de fazer as funções básicas
de acompanhamento, ainda trazem em sua memória as coordenadas de
milhares de objetos celestes. Mas estas características podem mais
que dobrar o preço final do instrumento. Os mais modernos têm até
um GPS (sistema de posicionamento global) que recebe de satélites
bases de tempo e posição que permitem sua orientação,
localizando suas coordenadas sobre a Terra e auto-posicionando o
telescópio, compensando eventuais erros de alinhamento.
Estes
fatores, de difícil solução e alto custo para um amador, além
de roubar um pouco do romantismo dos procedimentos do astrônomo,
levam a grande maioria a optar pela velha e confiável montagem
equatorial.
Dica:
Os círculos graduados para as duas montagens são quase iguais. O
círculo que mede a declinação e a altura são idênticos,
divididos em graus, minutos e segundos e instalados da mesma
maneira. O segundo círculo tem características diferentes: no
sistema altazimutal é graduado em graus minutos e segundos, no
sentido horário. Mas numa montagem equatorial usamos círculos
graduados em horas minutos e segundos, ou Ascensão Reta, como
usada nos mapas celestes. Este círculo tem que ser numerado no
sentido horário para os telescópios usados no hemisfério Sul e
anti-horário para os do hemisfério Norte. Se você tem um telescópio
com o círculo horário para o hemisfério Norte (grande maioria
dos importados), verifique se existe a possibilidade de virar o círculo
graduado ou inverter sua posição com o indicador. Isso pode
resolver seu problema.

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