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O desvio
para o vermelho
(Red-shift)
Observatório
Phoenix
Dúvidas e Perguntas?
Quando
estudamos o efeito Doppler (veja nesta seção O
efeito Doppler e na seção Astronomia o texto Os
quasars), vimos que algumas galáxias recentemente descobertas
tinham um desvio para o vermelho superior a 4,
o que poderia significar uma velocidade de recessão maior que a velocidade
da luz!
Mas todos sabemos que isso não é possível!
A fórmula para cálculo do desvio, tanto para o vermelho (recessão) como
para o azul (aproximação) é simples:
Onde
z = desvio, v
a velocidade do corpo e c a velocidade da
luz.
Uma explicação para este absurdo está no uso indevido da mecânica
newtoniana: ela não é universal. Quando trabalhamos com velocidades
extremas ela não funciona! Analisando melhor estes números, verificamos
que em termos galáticos, as implicações da teoria especial de Albert
Einstein têm de ser usadas, a constante universal c
tem de ser incluída como fator limitador e as fórmulas ficam um tanto
mais complexas:
Desta
maneira, por maior que seja a velocidade, ela será sempre menor do que a
velocidade da luz. Usando esta fórmula, verificamos que um quasar com um z
= 4, na verdade estaria se deslocando a 0,92c, ou seja, 92% da velocidade
da luz.
Mas
será que existem outros fatores que forçariam um deslocamento para o
vermelho além do efeito Doppler? Simplesmente usando esta fórmula
encontraremos o resultado correto?
Existem outras considerações que devem ser feitas para um entendimento
mais amplo.
Uma
análise mais detalhada nos mostra que outros fatores afetam o desvio para
o vermelho, e sem relação com a velocidade de deslocamento. Mas o que é
a velocidade senão uma relação entre o espaço percorrido e o tempo
gasto no deslocamento. A teoria geral da relatividade nos ensina que, sob
campos gravitacionais fortes como buracos negros ou estrelas de nêutrons,
o espaço-tempo é deformado, os relógios andam mais devagar, o que
implica em uma "dilatação do tempo", causando um desvio devido
à utilização de padrões diferentes para o tempo.
Outro
fator que deve ser levado em conta é a própria expansão do universo. À
medida que o universo se expande, sua densidade diminui e o espaço-tempo
é literalmente esticado. A luz que observamos foi emitida em um passado
remoto, quando o universo tinha um "tamanho" menor. Enquanto esta
luz se deslocava pelo espaço o universo expandiu, e segundo as leis
relativísticas, o espaço expandiu com ele. Deste modo, não temos como
definir aquele "tamanho". Já que o espaço não é estático,
ele também se expandiu e perdemos a nossa escala de referência.
Hoje,
um terceiro fator está sendo discutido: será a velocidade da luz
realmente constante? Alguns experimentos parecem indicar que níveis de
energia ou freqüências diferentes implicam em velocidades ligeiramente
diferentes das ondas eletromagnéticas. Algumas considerações foram
feitas e aparentemente este padrão sofrerá alguns ajustes para se
enquadrar na nova visão relativística do universo, e junto com ele
teremos de revisar os desvios atualmente observados.
15-abr-2003

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