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O instrumento do iniciante

Observatório Phoenix
Dúvidas e Perguntas?

Muitas vezes somos consultados sobre qual o melhor equipamento para um iniciante na astronomia. E quase sempre o consulente deixa claro que precisa de ajuda porque não conhece nada do assunto. Na maior parte das vezes este iniciante nunca teve a oportunidade de observar o céu através de um telescópio.

Um telescópio, mesmo dos pequenos, é um instrumento caro. E sua utilização requer uma série de conhecimentos que provavelmente o iniciante não tem. Quantas vezes, folheando as páginas de anúncios dos jornais encontramos oportunidades do tipo: Vendo barato telescópio refrator, na caixa, estado de novo. Será que devemos indicar este anúncio para aquele consulente?
Antes de responder deveríamos nos perguntar porque aquele telescópio está sendo vendido. Provavelmente foi comprado por alguém que não tinha aquele conhecimento ou a necessária afinidade com a astronomia. Ou ganhou de presente de um padrinho bem intencionado.
Mas será que devemos especificar um instrumento e correr o risco de repetir o mesmo erro? Mesmo sem conhecer este novo astrônomo e de saber o que ele fará com o instrumento?

Existe uma maneira de não errar; basta perguntar "Você já tem um binóculo?"

Alguns até têm, mas nunca o usaram para a observação astronômica. A grande maioria não tem, mas responde: Um binóculo? Com binóculo não dá para ver nada. Com 7 aumentos não dá para ver os planetas, as estrelas, os cometas!

Dá sim! E todo astrônomo, mesmo usando grandes telescópios nunca deixa de lado um bom binóculo! Os binóculos, mesmo os menores, aumentam muito a nossa capacidade de visão. Uma abertura de 22 mm coleta 10 vezes mais luz que nossa pupila que tem somente 7 mm de diâmetro. Uma objetiva de 50 mm aumenta 50 vezes a capacidade dos nossos olhos! E o usuário pode usá-lo para testar sua aptidão para a astronomia.

Ao contrário do que muitos pensam, muitos dos corpos celestes exigem pequenos aumentos para sua observação. Galáxias, nebulosas e cometas não cabem no apertado campo de visão dos telescópios. E um binóculo não precisa de tripés ou montagens complicadas. É, entre todas, a ferramenta de maior portabilidade da astronomia e uma das mais usadas. Antes de uma observação programada, é sempre bom nos localizarmos usando um binóculo. E que espetáculos suas lentes nos proporcionam!

Recomendando a compra de um binóculo, não corremos o risco do arrependimento. Se por qualquer motivo, nosso iniciante deixar a astronomia, o binóculo poderá ser usado para observar a natureza, pássaros ou animais, regatas ou competições de surf. É ótimo para shows, teatros ou eventos esportivos. Qualquer caminho que nosso iniciante resolva seguir ele terá sua utilidade.

Mas que binóculo é o mais indicado? Para responder a esta pergunta devemos conhecer melhor as alternativas que o mercado nos oferece.

O binóculo mais usado é o com inversores do tipo Porro. A utilização destes prismas tem três vantagens básicas: em primeiro lugar, a correção da imagem. A imagem que vemos é exatamente na mesma posição do objeto, o que não ocorre com os telescópios. Em segundo, eles encurtam o instrumento e por último aumentam a distância intraocular, aumentando extraordinariamente a nossa noção de profundidade.

Binóculo com inversores tipo Porro

Esta característica é muito útil aos navegadores, que mais os usam. Alguns fabricantes chegam a designar este modelo como Marinha. Alguns têm até uma escala telemétrica para auxiliar a navegação. Este binóculos podem usar objetivas acromáticas grandes e algumas chegam a ter 100 mm de abertura. São instrumentos grandes e relativamente pesados. Um tamanho excelente para a astronomia é o 7X 50.

Um modelo mais recente, é o binóculo com inversores tipo rufo. São binóculos mais compactos e mais leves, com excelente qualidade de imagem. O sistema de prismas rufo faz a ereção da imagem sem deslocá-la lateralmente e permite a construção de aparelhos relativamente curtos.

Binóculo com inversores tipo rufo

O sistema de focalização movimenta componentes internos e é completamente protegido contra poeira. Sua única limitação é quanto à abertura, que normalmente é menor que um binóculo com o sistema Porro com um número de aumentos equivalente. Uma boa escolha é um 8X 30.

Os menores são os binóculos para teatro. Com acabamento mais refinado e somente 3 ou 4 aumentos. Como usam oculares negativas, não necessitam de prismas inversores, o que os torna muito mais leves.

Binóculo para teatro

Suas objetivas não são acromáticas, o que reduz bastante seu preço mas piora a qualidade da imagem. São os menos indicados para a astronomia, mas não devem ser desprezados.

Os preços variam muito com o tipo, a qualidade óptica e mecânica, e a marca. É comum encontrarmos binóculos quase idênticos, com o mesmo número de aumentos e a mesma abertura com diferença de 10 vezes no preço. Só de pegar neles conseguimos constatar algumas das diferenças. Alguns fabricantes usam lentes plásticas, muito mais leves, e o corpo do binóculo também pode ser construído em material plástico, o que reduz drasticamente sua vida útil, além de não possibilitar o perfeito alinhamento dos componentes. Outras diferenças são mais sutis, como o uso de lentes simples, não acromáticas. Um fator de contraste é a metalização das lentes, que as torna coloridas. Esta metalização impede reflexos internos, entre as superfícies ópticas. Nos bons aparelhos, todas as superfícies são metalizadas.

Não compre binóculos com mais de 8 aumentos. Eles são muito sensíveis aos movimentos das mãos e a imagem fica trêmula, impedindo a observação de detalhes.

Procure comprar de um fabricante reconhecidamente idôneo. Produtos de má qualidade têm nomes pomposos, mas desconhecidos. Os fabricantes europeus fazem excelentes binóculos, infelizmente os preços são proibitivos. Mas existem muitos bons fabricantes americanos e japoneses com preços razoáveis.

E antes de fechar o negócio, verifique o funcionamento suave e sem folgas da parte mecânica e o alinhamento óptico dos componentes. Se as imagens não estiverem exatamente coincidentes, seus olhos tentarão compensar o erro e isso resultará em dores de cabeça ou vertigem.

De posse de um binóculo você só irá precisar de papel, lápis e um pedaço de céu para iniciar suas observações.
Existem vários livros de astronomia e são publicados periodicamente artigos em revistas especializadas dedicados especificamente à observação com binóculos. Existem até alguns mapas da Lua destinados a este tipo de observação.

02-mai-2003

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